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@gawbs
Ă realmente inexplicĂĄvel que eu nĂŁo tenha deixado de lado todos os meus ideais, porque eles parecem tĂŁo absurdos e impossĂveis de se concretizarem. Mesmo assim eu os conservo, porque ainda acredito que as pessoas sĂŁo boas de coração. Simplesmente nĂŁo posso edificar minhas esperanças sobre alicerces de confusĂŁo, misĂ©ria e morte. Vejo o mundo gradativamente se tornando uma selvageria. Escuto o trovĂŁo se aproximando, cada vez mais, o que nos destruirĂĄ tambĂ©m; posso sentir o sofrimento de milhĂ”es e ainda assim, penso que tudo irĂĄ se corrigir, que esta crueldade tambĂ©m terminarĂĄ. Enquanto isso, preciso adiar meus ideais para quando chegarem os tempos em que talvez eu seja capaz de alcançå-los.
O DiĂĄrio de Anne Frank.
Homem nĂŁo sabe se despedir: ele desaparece, prefere nĂŁo mais falar a explicar suas fraquezas. Lida mal com o sofrimento. Decide sumir a ser rejeitado. Resmunga, nĂŁo chora. Muda de assunto, nĂŁo chora. VocĂȘ nunca vĂȘ seu pai em prantos porque ele engole as lĂĄgrimas. VocĂȘ nunca enxerga seu marido se emocionando porque ele vai para outra sala controlar a respiração.
FabrĂcio Carpinejar.
o que Ă© o que Ă© clara e salgada, cabe em um olho e pesa uma tonelada...
Um dia alguĂ©m vai se apaixonar pelo seu sorriso torto. AlguĂ©m vai precisar ouvir a sua voz antes de dormir e querer o seu bom dia para começar bem. Um dia alguĂ©m irĂĄ querer carregar as suas dores consigo e trazer um pouco de alĂvio. Esse alguĂ©m tambĂ©m irĂĄ aceitar as suas falhas, pedoar os seus maus entendidos e respeitar os seus silĂȘncios mesmo que nĂŁo entenda. AlguĂ©m com quem vocĂȘ poderĂĄ atĂ© ter brigas exageradas, mas nunca irĂĄ embora. AlguĂ©m cuja a palma da mĂŁo, vocĂȘ terĂĄ decorado cada detalhe e cravado a marca dos seus dedos entrelaçados. Um alguĂ©m farĂĄ vocĂȘ chorar e vice-versa, porĂ©m, terĂĄ um abraço que acolherĂĄ todos os erros. AlguĂ©m que talvez te odeie um dia e ame no outro - ou no mesmo -, mas que invada diariamente o seu corpor de sensaçÔes Ășnicas. Um alguĂ©m que te leva junto toda vez que parte, e te faz oscilar entre a vida e a morte em segundos de amor. Um alguĂ©m cuja alma te pertence desde sempre. Um dia um encontro marcarĂĄ o que somente os olhos registrarĂŁo. Um dia, inesperadamente, alguĂ©m anula o resto do mundo para vocĂȘ. E vocĂȘ descobrirĂĄ, rapidamente, que esse alguĂ©m nĂŁo poderia ser de mais ninguĂ©m, e nem vocĂȘ.
Camila Costa.
Vou largar essa caixa na sua varanda, mas Ă© vocĂȘ, Ed, quem estĂĄ sendo largado.
Por isso a gente acabou
E Deus limparĂĄ dos seus olhos toda lĂĄgrima.
Apocalipse 21:4Â Â
âOlha, cuida bem de mim. Cuida do que eu sinto. A gente tem que baixar a guarda, engolir o orgulho, se deixar levar. Se perder para se encontrar. O amor Ă© um encontro. De vocĂȘ com vocĂȘ mesmo. Amar Ă© se ver nos olhos do outro. Mesmo que ele esteja com os olhos fechados.â
Clarissa CorrĂȘa. Â Â Â Â
Quero acordar do seu lado num domingo de manhĂŁ. Quero ver vocĂȘ me olhar entre um gole de cafĂ© e outro, sem nada para dizer, e apenas sorrir antes de voltar a folhar o caderno de cultura. Quero a sua mĂŁo no meu cabelo, dentro do carro, no caminho do seu apartamento. Quero deitar no sofĂĄ e ver vocĂȘ cuidar das plantas, escolher a playlist no ipod e dobrar as roupas esquecidas em cima da cama. E que, sem mais nem menos, vocĂȘ desista da arrumação, me jogue sobre a bagunça, me beije e me abrace como nunca fez antes com outra pessoa. Quero deitar do seu lado na rede, olhando a lua e ouvindo vocĂȘ me contar histĂłrias do passado. Quero escutar vocĂȘ falar do futuro e sonhar com minha imagem nele. Quero que vocĂȘ ignore a improbabilidade da nossa jornada e fale da casa que teremos no campo. Quero que vocĂȘ a descreva em detalhes, que fale do jardim que construiremos, e dos cachorros que compraremos. E que faça tudo isso enquanto passa a mĂŁo nas minhas costas e me beija o rosto. Que vocĂȘ me guarde na memĂłria, mais do que nas fotos. E que, atĂ© o Ășltimo dia da sua vida, vocĂȘ espalhe delicadamente a nossa histĂłria, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela histĂłria de amor da sua vida. E que uma parte de vocĂȘ acredite que ela foi, de fato, a mais bela histĂłria de amor da sua vida. Quero que vocĂȘ nunca mais deixe de pensar em mim.
Tati Bernardi.
Eu me rendo, eu gosto de vocĂȘ, gosto mesmo. Saco, por que a gente diz que gosta e nĂŁo consegue dizer a verdade? Eu te amo, Ă© isso, falei.
Gabito Nunes.Â
NĂŁo tenho medo de nada, eu acho. Talvez dela perceber que, na verdade, eu sou um fraco. Sabe, cara, eu convivo diariamente com essa sensação de que ela merece alguĂ©m melhor, capaz de protegĂȘ-la de verdade, dar-lhe um centro, uma vida, talvez uma famĂlia. Ela jamais ouvirĂĄ da minha boca, mas eu nĂŁo me acho suficiente. Ă isso, meu medo Ă© que ela descubra sozinha. Acho que tenho medo mesmo Ă© dela inteira, mais do que, sei lĂĄ, de assalto ou de aviĂŁo. O que Ă© estranho, porque ela Ă© tĂŁo pequenina e delicada e inofensiva. Ela tem uma bunda maravilhosa. Mas, sĂ©rio. Eu gosto quando ela adormece no sofĂĄ e depois faz manha para ir deitar na cama. AĂ eu a pego no colo, tiro cada peça de roupa, exceto a calcinha e as meias. Ela sente frio nos pĂ©s, atĂ© no verĂŁo. NĂŁo sei, eu me sinto poderoso e acolhedor. EntĂŁo ela pede que eu a abrace de conchinha, ao menos atĂ© pegar no sono. Cara, eu odeio dormir de conchinha, detesto aqueles fios soltos de cabelo pinicando meu nariz. Mas adoro o cheiro que ela tem na nuca e ficar colado naquela bunda. NĂŁo sei como resolver isso. E se nesse tempo ela conhecer outro? Azar, que se foda. Eu vou atĂ© lĂĄ. O apartamento tambĂ©m Ă© meu. Sei que estou sendo contraditĂłrio, mas como nĂŁo ser? Eu amo ela. Ă a minha garota e pronto. NĂŁo tem como fugir disso. Eu disse que precisava de espaço, ganhei o espaço e agora estou ouvindo os ecos da minha prĂłpria voz gritando o nome dela. Bonito isso que eu disse, nĂ©? Tem papel e caneta? Quero anotar pra ter o que dizer quando chegar lĂĄ.
Gabito Nunes.Â
VocĂȘ sempre me disse que sua maior mĂĄgoa era eu nunca ter escrito um texto sobre vocĂȘ. Nem que fosse te xingando, te expondo. Qualquer coisa. VocĂȘ sempre foi o Ășnico homem que me amou. E eu nunca te escrevi nem uma frase num papelzinho amassado. VocĂȘ sempre foi o Ășnico amigo que entendeu essa minha vontade de abraçar o mundo quando chega a madrugada. E o Ășnico que sempre entendeu tambĂ©m, depois, eu dormir meio chorando porque Ă© impossĂvel abraçar sequer alguĂ©m, o que dirĂĄ o mundo. Outro dia eu encontrei um diĂĄrio meu, de 99, e lĂĄ estava escrito âhoje eu larguei meu namorado sentado e dancei com ele no baile de formaturaâ. Ele, no caso, Ă© vocĂȘ. Dei risada e lembrei que em todos esses anos, mesmo eu nunca tendo escrito nenhum texto para vocĂȘ, eu por diversas vezes larguei vĂĄrios namorados meus, sentados, e dancei com vocĂȘ. Porque vocĂȘ Ă© meu melhor companheiro de dança, mesmo sendo tĂmido e desajeitado. Depois encontrei uma foto em que vocĂȘ estĂĄ com um daqueles Ăłculos escuros espelhados de maconheiro. E eu de calça colorida daquelas âbailarinaâ. E nessa Ă©poca vocĂȘ nĂŁo gostava de mim porque eu era a bobinha da classe. Mas eu gostava de vocĂȘ porque vocĂȘ tinha pintas e eu achava isso super sexy. E eu me achei ridĂcula na foto mas senti uma coisa linda por dentro do peito. AĂ lembrei que alguns anos depois, quando eu jĂĄ nĂŁo era mais a bobinha da classe e sim uma estagiĂĄria metida a esperta que sĂł namorava figurĂ”es (uns babacas na verdade), vocĂȘ viu algum charme nisso e me roubou um beijo. Fingindo que ia desmaiar. Foi ridĂculo. Mas foi menos ridĂculo do que aquela vez, ainda na faculdade, que eu invadi seu carro e te agarrei a força. VocĂȘ saiu cantando pneu e ficou quase dois anos sem falar comigo. Eu nĂŁo sei porque exatamente vocĂȘ nĂŁo mereceu um texto meu, quando me deu meu primeiro cd do VinĂcius de Morais. Ou quando me deu aquele com historinhas de crianças para eu dormir feliz. Ou mesmo quando, jĂĄ de saco cheio de eu ficar com vocĂȘ e com mais metade da cidade, vocĂȘ me deu aquele cartĂŁo postal da AmazĂŽnia com um tigre enrabando uma onça. TambĂ©m nĂŁo sei porque eu nĂŁo escrevi um texto quando vocĂȘ apareceu naquela festa brega, me viu dançando no canto da mesa, e me disse a frase mais linda que eu jĂĄ ouvi na minha vida âeu sei que vocĂȘ nĂŁo gosta de mim, mas deixa eu te olhar mesmo assimâ. Talvez eu devesse ter escrito um texto para vocĂȘ, quando eu te pedi a Ășnica coisa que nĂŁo se pede a alguĂ©m que ama a gente âme faz companhia enquanto meu namorado estĂĄ viajando?â. E vocĂȘ fez. E vocĂȘ me olhava de canto de olho, se perguntando porque raios fazia isso com vocĂȘ mesmo. Talvez porque mesmo sabendo que eu nĂŁo amava vocĂȘ, vocĂȘ continuava querendo apenas me olhar. E eu me nutria disso. Me aproveitava. Sugava seu amor para sobreviver um pouco em meio a falta de amor que eu recebia de todas as outras pessoas que diziam estar comigo. Depois vocĂȘ começou a namorar uma menina e deixou, finalmente, de gostar de mim. E eu podia ter escrito um texto para vocĂȘ. Claro que eu senti ciĂșmes e senti uma falta absurda de vocĂȘ. Mas ainda assim, eu deixei passar em branco. Nenhuma linha sequer sobre isso. Depois eu tambĂ©m podia ter escrito sobre aquele dia que vocĂȘ me xingou atĂ© desopilar todos os cantos do seu fĂgado. Eu fiquei numa tristeza sem fim. Depois pensei que a gente sĂł odeia quem a gente ama. E fiquei feliz. Pode me xingar quanto vocĂȘ quiser desde que isso signifique que vocĂȘ ainda gosta um pouquinho de mim. Minhas piadas, meu jeito de falar, atĂ© meu jeito de dançar ou de andar. Tudo Ă© vocĂȘ. Minha personalidade Ă© vocĂȘ. Quando eu berro Strokes no carro ou quando eu faço uma amiga feliz com alguma ironia barata. Tudo Ă© vocĂȘ. Quando eu coloco um brinco pequeno ao invĂ©s de um grande. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisinhas. Tudo Ă© vocĂȘ. Eu sou mais vocĂȘ do que fui qualquer homem que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. E, ainda assim, nunca, nunquinha, eu escrevi sequer uma palavra sobre vocĂȘ. AtĂ© hoje. AtĂ© essa manhĂŁ. Em que vocĂȘ, pela primeira vez, foi embora sem sentir nenhuma pena nisso. Foi a primeira vez, em todos esse anos, que vocĂȘ simplesmente foi embora. Como se eu fosse sĂł mais uma coisa da sua vida cheia de coisas que nĂŁo sĂŁo ela. E que vocĂȘ usa para nĂŁo sentir dor ou saudade. Foi a primeira vez que vocĂȘ deixou eu te olhar, mesmo vocĂȘ nĂŁo gostando de mim. E foi por isso, porque vocĂȘ deixou de ser o menino que me amava e passou a ser sĂł mais um que me usa, que vocĂȘ, assim como todos os outros, mereceu um texto meu.
Tati Bernardi. Â
TĂĄ cedo, eu digo. NĂŁo vai embora, nĂŁo. Eu prometo que paro de rir de tudo o que vocĂȘ diz e tento te amar um pouco menos. Prometo com os dedos cruzados, mas prometo. Tudo bem, eu sei que eu sou a coisa mais difĂcil com que vocĂȘ jĂĄ teve que lidar nessa vida, mas se vocĂȘ ficar, eu juro que resolvo algumas questĂ”es pra vocĂȘ. Ou deixo de ser uma pergunta. Obrigo as minhas mĂŁos a pararem de suar de nervosismo quando estivermos juntos, eu prometo que obrigo. E vocĂȘ nem vai sentir meu coração batendo a todo vapor quando encostar sua cabeça pra dormir em cima do meu peito. Eu sei que o amor Ă© um tiro no escuro, e que antes de qualquer coisa eu tenho medo, mas eu prometo, meu amor, qualquer coisa que vocĂȘ queira. Eu prometo.
Lunara.   Â
Porque quando vem de dentro a gente faz o possĂvel para ver o outro feliz. Quando Ă© de verdade a gente dĂĄ satisfação e a satisfação nem parece satisfação, pois nĂŁo soa como tal. Soa leveza. Cheira a leveza. Tem sabor de leveza. Quando Ă© real Ă© leve.
Clarissa CorrĂȘaÂ