Imagine Leonetta - Just a Dream
Capítulo 14 - Clarifications
- Agora será que o meu namorado pode me contar por que não foi hoje na escola? – disse com cara de brava, mas brincando. Ele suspirou.
Quarta-feira, 28 de maio, às 20h06min p.m.
Estava sentado olhando TV em casa. Sozinho. Mais uma vez León havia se esquecido de me buscar e eu já nem fazia mais questão que ele o fizesse. Ele anda muito estranho ultimamente. Pensativo, calado. Mas ele não é o maior de meus problemas. Violetta até hoje não me ligou, será que depois do que o Marco fez naquele dia ela se arrependeu de sair comigo? Ou então ele a proibiu de me ver? Bem, eu prefiro acreditar na segunda opção. Eu continuo meio confuso, no começo, eu tinha certeza do que eu sentia por ela. Agora, não mais. Pois eu devia ter levantado minha voz e a defendido. Mas por que não o fiz? Nervosismo? Surpresa? Ah quem eu estou querendo enganar. O motivo claramente foi que eu jamais consegui me impor diante o Marco. Droga! Eu queria ser mais valente. Ser mais como ele às vezes. Apesar do que aconteceu no passado, eu não me importo. Eu sinto falta dele, já me desculpei. Se ele não quis aceitar, nada posso fazer. Nós éramos tão jovens, tão tolos. O que deveria se esperar de um garotinho de oito anos e outro de onze? Éramos apenas crianças.
Domingo, 20 de julho de 2008, ás 20h48min.
- Você não podia ter feito isso Diego. Você estragou tudo! Por que sempre tem que vir e fazer bobagens? A culpa é toda sua! Sempre soube que não deveria ter sido seu amigo. Não acredito que fez isso comigo!
- Marco, não... Por favor, acredita em mim. Não foi minha culpa, acredita, por favor. Garanto que foi o Andrés! Ele sempre está pegando presas em todo mundo! Podemos arrumar tudo de novo, eu ajudo. Mas por favor, você é o meu único amigo. Ninguém além de você gosta de mim. – disse o garoto já com lágrimas nos olhos.
- Não acredita nele Marco! Ele que faz a burrada e depois vem colocar a culpa em mim! – diz Andrés e se vira para o pequeno garoto no meio de toda aquela multidão frustrada. – Saia daqui! Você nem deveria ter vindo, é só mais um pirralho infantil! Isso aqui não é para criancinhas da sua idade. Cai fora bebezão!
Então, em meio a lágrimas e risos desconhecidos, Diego saiu da casa daquele que até então chamava de melhor amigo. Aquele a qual ele achou que o protegeria e manteria sua amizade para sempre. Mas isso foi apenas o que ele achou.
Acordei de meus pensamentos vendo León chegar e entrar na sala. Já era meio tarde, mas ele chegou sorrindo que nem um bobo. O que será que aconteceu?
- León? Oi, o que aconteceu? Tudo bem? Por que está sorrindo assim? Mano, me responde. O que houve? – ele apenas me ignorou e seguiu seu caminho. Como assim? Será que aconteceu alguma coisa ruim?
Quarta-feira, 28 de maio de 2008, às 23h25min p.m.
Era por volta das 23h25min e eu permanecia na sala olhando TV. Não estava com sono algum, então o melhor é ficar aqui. Me assustei com o toque de meu celular e ao ver quem era sorri. Fazia tempo em que não nos falávamos e eu estava mesmo precisando falar com ela. Atendi.
- Querido, olá! Como vai?
- Vou levando e a senhora?
- Estou ótima. Só com saudades de você, Diego.
- Está tudo bem mesmo, querido? Você sabe que pode se abrir comigo.
- Tia, eu não sei mais o que fazer. Estou me sentindo perdido e sozinho aqui. – suspirei.
- É por causa daquela garota, não é? Já se falaram?
- Não, não nos falamos mais depois do constrangimento que Marco nos fez passar.
- Garanto que seu irmão tem a ver com isso.
- León? O que tem León a ver com isso?
- Ah querido, não se faça de tolo. Você sabe muito bem que León nunca aceitou que você fosse feliz.
- Pare tia! León jamais faria algo assim contra mim, por que está me dizendo isso?
- Porque é a verdade. Conheço bem León, sei do que é capaz.
- Ah claro, como se vocês se falassem o bastante para conhecê-lo.
- Diego, ele é igual ao seu pai. Suas necessidades vêm em primeiro lugar. Ele não pensa antes, só age.
- Igual a papai? Não fale bobagens, não temos pai.
- Sim, vocês têm. E León viveu boa parte de sua vida com ele. Você realmente acredita que ele não tenha nada a ver com isso?
- Sabe sim. É simples, lembro que uma vez você me disse que León é melhor amigo desse Marco, a qual é irmão de Violetta. Você acha que eu não me lembro, mas sei muito bem que vocês dois eram melhores amigos quando pequenos. Uma coisa leva a outra. León deve ter se apaixonado também por essa menina e como percebeu que você iria atrapalhar fez com que a amizade dele com o irmão dela se tornasse uma vantagem.
- Eu acho errado culpá-lo, mas não consigo não fazer isso depois do que me disse.
- Pelo menos você está se tocando.
- Por que será que eu tenho a impressão de que a senhora não gosta dele?
- Ele nunca gostou de mim também. Que diferença faz?
- Ah faça-me o favor tia Jackie! León sempre lhe adorou!
- León jamais gostou de mim! Desde pequeno! Não fale bobagens.
- Por isso que o culpa pela morte da mamãe?
- Nunca disse isso. Agora esqueça esse assunto.
- Tudo bem, vamos esquecer isso, me desculpe.
- Você gosta mesmo dessa menina, Diego?
- Eu não gosto da Violetta tia, eu a amo.
- Então eu lhe digo só uma coisa: lute por esse amor.
- Ótimo! Agora tenho que ir.
- Obrigada por tudo tia, amanhã nos falamos novamente.
- Imagina querido, sempre que precisar é só me chamar. Sim, amanhã nos falamos e você me conta as novidades.
- Não se esqueça do horário, hein.
- Sim, sim. Eu sei. Depois das onze para León não ouvir, já sei. Te amo querido, beijos.
- Ainda acho que não há problemas em relação à León saber que conversamos, mas tudo bem. Te amo tia, beijos!
Quinta-feira, 29 de maio de 2014, às 6h40min a.m.
Acordei, me arrumei e fui direto para a escola. Pretendia ver Violetta e esclarecer as coisas entre nós. Para minha surpresa, a avistei de longe. Vi que seus livros caíram e fui ajudar. Ao levantar a cabeça, ela sorriu. Parecia sem graça. Fiquei confuso.
- Obrigada Diego. – disse simplesmente.
- Imagina Vilu. – sorri de canto.
- Sobre o encontro... Eu sinto muito. Estamos passando por umas dificuldades em relação a Marco e aquilo... Não era ele. Eu realmente sinto muito.
- Não há com o que se desculpar, está tudo bem. Mas de qualquer maneira podemos marcar outro encontro. O que acha? – sorri esperançoso.
- Err... Bom Dih, não vai dar. – abaixou a cabeça e eu logo me entristeci.
- Por que não? Marco a proibiu de me ver? – falei claramente confuso.
- Sim, mas não é por ele. – fiquei mais confuso ainda.
- Então é pelo o que Violetta?
- Eu estou namorando. Sinto muito. – saiu rapidamente sem dar chances de eu responder. Namorando? Como assim?
Quinta-feira, 29 de maio de 2014, às 7h00min p.m.
Acordei completamente decidido. Eu não iria à aula hoje. Apesar de estar louco para ver Violetta, eu tenho coisas que precisam ser feitas hoje. Me vesti rapidamente e sai. Vi que Diego já havia saído, pois sua mochila não estava lá. Estranho ele não me esperar. Mas isso não vem ao caso, tenho que ir antes que seja tarde demais.
Quinta-feira, 29 de maio de 2014, às 7h32min a.m.
Cheguei à casa de tia Jackie em 10 minutos. Sai do carro e bati na porta. Ela, assim que me viu, me olhou surpresa.
- Vim conversar. Posso entrar?
Quinta-feira, 29 de maio de 2014, às 7h54min a.m.
Assim que sai da casa dela foi direto para um lugar a qual sabia que me acalmaria. Eu precisava de paz. Precisava pensar antes de agir. Como nunca havia feito. Eu tenho que jogar direito, se não eu perco.
Quinta-feira, 29 de maio de 2014, às 11h24min p.m.
Logo que percebi que sabia o que fazer, fui para a casa de Violetta. Eu precisava dar a próxima jogada.
Cheguei e vi que o carro de Marco já estava lá. Ótimo. Bati na porta. Logo o mesmo apareceu.
- León? O que faz aqui essa hora? E porque não foi à aula hoje?
- Preciso falar com você Marco.
Entramos e sentamos no sofá.
- Pode falar. – disse me incentivando.
- Bom, não é muito fácil te contar isso. Não sei se vai ficar bravo ou frustrado, mas já passou da hora. Quando antes, melhor. – ele me olhou preocupado.
- É alguma coisa a ver com Violetta?
- Sim... – ele me olhava atentamente. – Estamos namorando Marco. – franziu a testa. – Eu e Violetta... Estamos juntos. – ele riu e eu continuava sério. Quando percebeu, logo parou.
- Você não está falando sério, não é?
- Felizmente estou. – sorri de canto.
- Eu não sei o que dizer.
- Você não precisa aceitar, só nos respei... – me interrompeu.
- Eu aceito o namoro de vocês.
- Assim... Tão fácil? – disse visivelmente confuso.
- Assim, tão fácil. – riu. – A não ser que queira que eu... – desta vez fui eu quem o interrompi.
- Não! Eu fiquei apenas... Surpreso.
- E como anda as coisas com sua namorada? – falei irônico. Ele nunca falava dela. Agora eu entendo.
- Bem, sabe... Estamos bem.
- Hm, claro. Já contou para Violetta?
- Na verdade não, acho que ela pensa que estou dormindo com qualquer garota que apareça na minha frente só por diversão. Não sei bem como ela reagiria.
- Garanto que ficaria feliz por você.
- É claro... Mas como... Bom, como vocês dois... – enrolou e percebi que estava mudando de assunto.
- Como ficamos juntos? – assentiu. – Bom, eu a amo e pelo o que eu sei ela também. Simples, o destino cuidou do resto.
- Você ainda acredita em destino, León? Algum dia irá se dar mal com isso.
- Acredite, já aconteceu. Mas não é por isso que deixo de acreditar.
- Bom você que é em sabe.
- Qual o nome dela? – perguntei retomando o assunto. Não desistiria tão fácil.
- Bom err... Jessica. – ri irônico. Bem parecido. Parabéns Marco sabe disfarçar muito bem.
- Jessica? Bonito. Como ela é?
- Ótima. – era visível que ele estava desconfortável. Argh, isso me irrita tanto.
- Ótima? É isso que você diz sobre sua namorada para seu melhor amigo?
- Desculpe León. É complicado.
- O que é complicado Marco? – ele nada respondeu. Apenas abaixou a cabeça. – O que está escondendo de mim?
- Nada, ok? Esquece isso. – ouvimos a porta se abrir. Violetta.
- Não pense que essa conversa termina aqui.
Ela veio até nós e Marco se recompôs. Previsível.
- Oi Vilu! Como foi na escola? – disse Marco animado, diferente de alguns segundos atrás.
- Err... Bem. – respondeu confusa. – O que está acontecendo?
- Bom amor, – me pronunciei pela primeira vez e ela me fuzilou. – eu pensei muito e resolvi que o melhor era contar para Marco sobre nosso namoro o quanto antes. Melhor do que ele descobrir por outros e ficar chateado, não acha? – ela permanecia confusa.
- Err, sim. Mas... Como... – falou enrolada.
- Imagino que deve estar confusa por eu não estar surtando. Mas eu confio em León, ele é meu melhor amigo e sei que com ele vai estar em boas mãos. – falou Marco.
- Nossa, eu estou... Surpresa.
- Pois bem, eu também. Como eu posso ser tão lindo e compreensível ao mesmo tempo? Impressionante, né? – disse e nós rimos.
- Claro, é impressionante como você consegue juntar idiotice com burrice em uma única pessoa. – ela gargalhou. Era ótimo ouvi-la rir.
- Opa, olha como você fala comigo agora Leónzinho. Se bobear, te proíbo na hora de ver a Vilu. – Vilu só riu mais.
- Como se eu fosse deixar de ver o amor da minha vida por bobagens suas Marco. – sorri bobamente pela declaração e Marcou levantou as sobrancelhas, surpreso.
- Amor da sua vida? E você lá sabe o que é amor na sua idade, maninha?
- Amor não tem idade Marco.
- Ui, que romântica que está essa menina! – rimos.
- Estou mesmo, maninho. Obrigada por notar. – disse e se virou para mim. – León, será que podemos conversar lá no meu quarto, mocinho? – perguntou parecendo brava. Droga.
- Putz cara, tá ferrado! – brincou Marco.
- Cala a boca, Castillo! – disse rindo. – Vamos amor.
Chegamos lá em cima e nos sentamos em minha cama.
- Agora será que o meu namorado pode me contar por que não foi hoje na escola? – falou com carinha de brava, mas dava para ver que estava brincando. Suspirei.