"Dois. Jovens. Apaixonados.
Era assim que eu gostava de nos definir – para quem quer que perguntasse o que tínhamos, dizia que não éramos do tipo de dar nomes aos sentimentos, apenas éramos. E fomos, no pretérito perfeito, porque deixamos de ser. Mas não de sentir, ah, isso nunca vai mudar. Seus fios de cabelo ainda insistem em estar naquele meu suéter guardado no guarda-roupas desde sei-la-quando, que foi a última vez que fez frio e que saímos para tomar café num bar qualquer. Meu travesseiro que costumava ficar abaixo de sua cabeça agora fica entre minhas pernas em uma tentativa falha de me sentir menos longe de você.
Eu adorava dizer que você tinha o “universo no olhar”, filme que você incessantemente me dizia para assistir mas eu nunca me lembrava. Talvez seria menos duro pra mim se eu pudesse ter guardado esse universo dentro de uma caixa, embaixo da cama. Escondido de mim mesmo, pra só olhar quando sentisse sua falta – eu abriria essa caixa vinte e quatro horas por dia.
Essa semana pensei em te visitar, aparecer de surpresa, com uma lasanha congelada e seu chocolate favorito. Talvez você fosse jogar a lasanha em mim por odiar comida congelada, ou reclamar pelo chocolate estar derretido porque comprei ele a caminho da sua casa e ele derreteu no meu bolso. Eu pouco me importaria, porque logo após estaríamos gargalhando enquanto você ria por eu zombar do seu gosto por polenta frita com açúcar. Cara, quem come polenta frita com açúcar? É exatamente por isso que eu me apaixonei, por ser você."