i’ll protect you
with @indigoswings
Antes de ceder às suplicas do seu responsável e tornar-se definitivamente um soldado cheio de bravura no peito, Woohyun costumava visitar a jovem princesa e o restante da realeza desde a mais tenra idade. Ambos construíram firmes laços uma vez que foram deixados a sós para realizar cortesias, e a partir daquele único momento em específico, o anjo já possuía o intenso pressentimento que aquela pequena menina seria de grande importância na própria vida. Se não agora, posteriormente. E mesmo não possuindo os exatos detalhes que havia ponderado quando púbere, mas de um feitio inimaginável — apesar do destino tê-los separados quando encontravam-se ainda vivos, e lidando com seus respectivos problemas — os dois acabaram por se encontrar após o falecimento.
Desde então, Hae prometeu-lhe o coração e a vida, assegurando que sempre estaria ao lado da sua princesa, independente se fosse nos tempos mais turbulentos e complexos de lidar-se, ou os mais calmos e aconchegantes. E propriamente como havia garantido, estava cumprindo com as suas palavras na situação corrente: Um longo caminho havia sido percorrido até que necessitassem encarar uma das gangues existentes no mundo sem regras, e o soldado era inabalável, obstinado, intrêmulo quando possuía a presença da princesa ao seu lado. Sequer demandou portar-se com violência para defendê-la, pois após tantos anos somente reunindo experiência em casos como aquele, Woohyun era dono de uma destreza e aptidão incríveis quando enfrentava agressões. A sua dinâmica exímia era eficaz em pô-los um contra o outro, e se a consciência alheia ainda fosse o suficiente para trabalhar devidamente, daria ouvidos às palavras aconselhadoras do mais velho. Foi devido a esse motivo que aqueles haviam se encontrado em um caminho sem saída, e logo após falhas tentativas, cessaram relutantemente, libertando-os da angústia.
“Eu vou proteger você, princesa.”, murmurava a voz rouca do soldado, semelhante a um segredo. “Não importa quem ouse desafiá-la. Eu estarei sempre ao seu lado.”, e velou cuidadosamente a menor com a jaqueta do próprio fardamento, a protegendo daquelas gotículas gélidas de chuva que insistiam em cair do céu cinzento há poucos segundos; Subsequentemente, as mesmas passaram a escorrer pelo fino rosto do homem, que de joelhos, fazia uma reverência diante da sua protegida — que acima de tudo, era sua mais preciosa amiga. E mesmo que a sua estrutura doesse em aflição, as profundas lesões ardessem como o inferno e os ossos encontrassem-se abalados, ele havia permanecido o processo inteiro como o receptáculo e refúgio, pois, não era um dever: era um desejo.
as poucas ligações entre o mundo fantástico e a realidade melancólica eram o ponto de sanidade daquela existência antiga, vagando pelo limbo de forma que exercesse seu papel sem deixar-se perder de quem era no meio das distorções que fortaleceram o elo com o mundo dos vivos ao manter tudo em seu quase delírio atemporal. indigo era, acima de muitas coisas, quebrada, e, tal como uma pessoa quebrada, suas ações não eram corretas mesmo que fizessem sentido para si. projetar em almas e anjos às figuras de seu passado de modo que os tratava de acordo com os papéis que os tais desempenharam em vida encaixava-se na categoria. entretanto, ali estava seu ponto de sanidade: woohyun não era um substituto. dentre todos em sua vida, ele era o mais real. o equilíbrio que a mantinha sã. mesmo a participação tão breve em sua vida não havia sido esquecida assim que, tantos anos atrás, reencontraram-se na pós-morte. e, curiosa era a necessidade de tê-lo perto, de ter seu soldado real, emanando lealdade de forma que o coração se aquecia com tanto zelo. woohyun era responsável por mantê-la sã apenas por existir e, por isso, indigo seria grata por toda a eternidade.
a necessidade mútua de terem a presença um do outro manifestava-se em indigo na forma como não havia qualquer resistência em deixar-se ser protegida por ele. havia toda aquela estranha confiança de que estar sob sua vigília e escondida atrás de sua silhueta fariam tudo ficar bem, de modo que suas feridas seriam tratadas com carinho por aquele que possuía tanta ferocidade em mantê-la a salvo. terrivelmente engraçado e acidamente irônico uma vez que já não havia vida para esvair-se do corpo; entretanto, do que importava? eram todos semelhantes ali. todos procuravam um sentido para a miséria que se alastraria pela eternidade. indigo também. woohyun também. aquelas almas perdidas também. era tudo trágico no fim das contas, mesmo que os momentos de delicadeza servissem como anestesia, tal como agora, onde indigo tinha um soldado tão devoto diante de si, cuidadoso de todas as formas, fazendo com que o rosto inexpressivo e marcado pela apatia o presenteasse com um sorriso genuíno. suave. doce. ah, quem diria que ainda existia doçura habitando o corpo esguio daquela moça!
❝—— meu mais fiel soldado.❞ a voz emanava brandura, uma pitada estranha de alegria diante do cenário sombrio que os cercava; porque, naquele momento havia felicidade. e uma gratidão imensurável também. indigo não tardou em abaixar-se, os dedos tocando-lhe suavemente a testa encharcada pela chuva, antes de depositar ali um beijo inocente, retomando a postura original e encolhendo-se mais na jaqueta recém-adquirida, com o mesmo entortar de lábios que moldava o sorriso permanecendo na face. ❝—— por favor, se levante.❞ pediu em seguida, sem autoridade; não era realmente superior, era uma amiga. ❝—— fiquei impressionada com a sua atitude também. mesmo depois de anos eu ainda sofro ‘pra conseguir passar uma imagem mais rígida.❞ o riso cessou rapidamente, ao observar de novo o espaço, alcançando a mão alheia com a sua enquanto os dedos o apertavam de leve. ❝—— precisamos nos abrigar da chuva. não quero que você adoeça, woohyun.❞













