Nossa conversa
Nossa conversa ainda me visita à noite. Aquela do “como você tá?” com sotaque de saudade, seguida de um “só passei pra saber de você” que mais parecia um convite pra me despir devagar, de orgulho, de roupa, de você.
Você sempre soube falar com aquela calma que me deixava inquieto. Entre uma frase e outra, você me desmontava. Tão educada nas palavras… e tão indecente nas entrelinhas.
Você dizia “tô bem”, mas mordia o lábio. Eu dizia “que bom”, mas pensava “você sabe que é aqui que você goza de verdade”.
A gente falava de tudo, Do tempo, da vida, de séries bobas, de vinho, de saudade... Mas no fundo, era só desculpa pra lembrar o quanto ainda sabemos provocar um ao outro sem tirar a roupa (mas com vontade).
A verdade é que tinha tesão nas pausas. No silêncio entre as frases. Naquele “vou dormir” às 2h da manhã que queria dizer “tô te imaginando aqui, ainda”.
E se você dissesse agora que sente falta da nossa conversa... eu responderia com aquele tom de voz baixo, arrastado, que só uso contigo. Dizia que sim, que eu também. Mas que o que eu sinto falta mesmo é da sua pele arrepiando só de me ouvir.
Porque, convenhamos... a nossa conversa sempre foi mais do que palavras. Foi código. Foi pretexto. Foi preliminar.
Você me dizia “senti sua falta” e eu respondia “eu ainda tô aqui” mas o que eu queria dizer era: vem matar essa saudade com a boca, vem terminar essa conversa entre lençóis, vem usar ponto final só depois do terceiro round.
E se por acaso você estiver lendo isso agora, com aquele sorrisinho que eu conheço… só te digo uma coisa:
Meu numero ainda é o mesmo. Minha vontade, também.
E eu ainda começo devagarinho, só pra fazer você se arrepiar do outro lado.
Thato.












