Deleuze escreveu em um pequeno livro sobre Chatelet que a psicologia é uma política e que é um ato político absolutamente necessário estabelecer uma relação consigo mesmo. E que portanto a psicologia seria esse caminho de estabelecer uma relação consigo que é eminentemente política - ele entende que o si mesmo é vários.
Fritz Perls escreveu que o auto-apoio é fundamental de se desenvolver e, nesse percurso, nessa jornada, no desenvolvimento dessa cartografia de si, nesse processo de relação consigo mesmo, você precisa estabelecer uma relação e dialogar consigo mesmo. Por exemplo: eventualmente você, um adulto, precisa acolher aquela criança sofrida, machucada, traumatizada que você foi. Aquela criança que você foi e que ainda está aí. Você precisa ouvir aquilo que vocês dois entendem como necessário de ser dito. E você, adulto, pode acolher ela; pode, no fim das contas, estabelecer-se como o apoio daquela criar desamparada. Em outras palavras, você apoiar a criança que você foi e que ainda está aí, aquela que precisa de acolhimento, de uma palavra amiga, de um abraço.
Nós somos vários, inclusive aquela criança que nós fomos e ainda está desamparada, magoada, machucada, traumatizada.
A política é nada mais do que o que se passa entre vários.
A psicologia é uma politica, porque estabelece-se uma relação consigo. E esse eu é muitas vezes vivido como um outro-em-si.
Tanto Deleuze quanto Perls se encontram nesses momentos e desenvolvem uma compreensão acerca de nossa condição existencial.
Este é só um comentário rápido.










