De frente com o educador - reflexões e análise da entrevista realizada
Como se dá a relação entre os sujeitos que compõem a educação, professor e estudante? Como é a figura do professor atualmente? O que pensa? Como se define? Como se percebe?
Essas foram algumas das perguntas motivadoras para a realização da entrevista, mais que saber sobre as relações estruturais de uma escola, de políticas públicas para o plantio do ensino, de questões burocráticas que regem o sistema educacional, o interesse da entrevista e do encontro foi ouvir de um profissional atuante, jovem, como é a relação entre ele e os estudantes, e entre ele e seus antigos professores.
Depois de quebrar o gelo, tanto da entrevista, quanto do inicio do seu trabalho Benavenuto falou abertamente das experiências em sala-de-aula desde o início do trabalho e a desconfiança que gerou ao chegar na sala e ser questionado sobre como ele, homem, poderia dar aula para eles, estudantes do fundamental 1.
Experiência esta que se deve a prática fora do âmbito acadêmico, já que “infelizmente nenhum curso de graduação te prepara para a prática do trabalho, infelizmente mesmo, tem os estágios, mas tem aquelas horas X e tem que cumprir-las”, palavras sobre o preparo (ou falta dele) na licenciatura para o contato com os estudantes. Ponto que para Dias-da-Silva (2005)
a profissionalização dos professores está diretamente ligada à trajetória
de nossos cursos de licenciatura, responsáveis pela formação dos
professores chamados “especialistas”, ou eternamente professores
“secundários” – professores que lecionam as diferentes disciplinas/áreas
que compõem o currículo escolar nas séries finais do ensino fundamental
(5ª a 8ª ) e no ensino médio. Diversamente à Escola Normal, os licenciandos
brasileiros parecem nunca terem tido um locus privilegiado de formação.
É preciso reconhecer que nossa cultura universitária historicamente delegou
reduzido prestígio à área de Educação nos embates pela hegemonia
acadêmica no campo da ciência brasileira. Assim, a criação dos cursos de
licenciatura aparece muito mais como um ônus que os cientistas pagaram
para consolidar seus projetos de formação dos bacharéis, o que possibilitou
que, desde os anos oitenta, essa tarefa “pouco nobre” fosse assumida
pelas faculdades particulares. (p. 06-07)
Outro ponto em destaque no decorrer da entrevista é a atenção que o educador se volta para o uso de tecnologias (música, dinâmicas) que vão além dos materiais didáticos, que apesar de ser cobrado pela direção, coordenação, pais, principalmente utilizando-se da máxima “estamos pagando então queremos resultados”. O uso de músicas ou tecnologias não só assume um caráter pedagógico e didático, afinal tem que ser usado com competência e propósito para o ensino, como também leva a educação para um mesmo patamar, contextualizando junto aos estudantes as experiências de ensino-aprendizagem.
Numa era que se distingue pela utilização generalizada das tecnologias,
impõe-se estudar de que forma a sociedade em geral, e a escola em
particular, se adaptam às novas dinâmicas de mudanças. O mundo
tecnológico que nos envolve define sempre novos contornos difíceis de
prever. As Tecnologias da Comunicação e da Informação (TIC) geram
múltiplas potencialidades, criam inúmeros novos cenários e promovem
ambientes (reais ou virtuais) extremamente ricos e promotores de uma multiplicidade de experiências pedagógicas impulsionando as pessoas a
conviverem com a idéia de que a aprendizagem é um processo que se
desenvolve ao longo de toda a vida, sem fronteiras de tempo e espaço. Isto
implica novas concepções sobre o que é aprender e ensinar exigindo o
repensar das funções da escola, tanto em relação à sua estrutura organizativa,
quanto com relação ao currículo. A mudança derivada da introdução das TIC
e da Internet no processo de ensino e aprendizagem acontece ao mesmo
tempo que se questiona a função da escola e do professor. (COUTINHO, 2009, p. 75)