Riu com a sua pronúncia, pendendo o rosto ao que observava sua expressão sendo transformada em um bico, mas riu ainda mais quando ele disse que era apenas brincadeira. Ainda bem. “Não é exatamente estereótipo, é que eu convivo com você, mesmo. E apesar de não sabermos muito sobre o outro… Ah, esquece. Talvez eu tenha me baseado em estereótipos.” Desistiu. O fato de ter o olhar em si fizera com que acabasse falando besteira, coisas sem nexo algum. Estava nervoso e nem poderia negar. “Eu to nervoso…” Disse ao que desviou o olhar, mas ainda repreendeu-se brevemente, como quem tinha consciência – mesmo não tendo em demasia – de que tinha bebido e por isso estava falando algumas verdades. Verdades que poderia esconder para si mesmo, não fosse a bebida. Ou Odysseus poderia pensar no quanto ele era patético. Ou talvez não, poderia considerar que não por um momento, pelo fato dele retribuir perfeitamente ao contato corporal. E o fazia tão bem que poderia notar as reações que causava nele, embora não fosse evidenciar exteriormente. Não, não faria isso. Era observador, sensitivo. As falanges dedicavam um carinho suave em seu pescoço conforme o ouvia, mas ainda, ficou estático. Como em um transe. Era real ou era a bebida fazendo efeito em seu cérebro? Quase como em uma tela azul, algo não estava certo. Não poderia negar que estava completamente sem jeito com aquele elogio. “O… Liam me ajudou hoje. Se não fosse por ele eu acho que eu não estaria assim, quer dizer, não que eu seja lindo, só estou apresentável porque tive a ajuda dele.” O garoto riu. Era de seu costume brincar quando na verdade se sentia sem jeito. Só não sabia que se surpreenderia ainda mais com o que ouviria depois. No entanto, não deixaria de concordar. Havia muita gente, mas esqueceu-se disso por um momento, reflexo da presença alheia. Ainda mais estático, a tela azul se fez presente novamente com a sua posterior pronúncia. Como assim, beijar? Espera. Já fazia tanto tempo desde a sua última vez que pensava que poderia ter desaprendido. Como que as pessoas beijavam mesmo? Era a maior dúvida que sua mente maquinava. Mal sabia ele que viriam muitas outras depois dessa. O olhar rapidamente se inclinou aos lábios do maior e eles pareciam tão convidativos, não é? A voz baixa do mais velho tão próxima de si causara-lhe um leve arrepio. Será que ele sequer tinha noção do que aquilo poderia lhe causar? Será que havia sido propositalmente? Sem pronunciar ao menos uma resposta em relação ao expressar do desejo alheio - porque no fundo seu raciocínio estava completamente debilitado - os olhos negros e grandes piscaram algumas vezes, tentando assimilar tudo aquilo. Tinha um enorme ponto de interrogação em sua testa. Estava tentando, ainda mais, assimilar sua ultima frase. Lugar mais afastado? Ele e Odysseus? Até poderia pensar em pedir para que ele repetisse tal fala, mas o quão ridículo aquilo seria? Quer dizer, como assim, tudo aquilo depois de um elogio? Seven não era o tipo de pessoa que ouvia muitos elogios todos os dias, talvez pelo simples fato de estar trancado em uma sala por trás de um computador. E ainda bem! Porque do contrário, ele normalmente não sabia como reagir a elogios. Ele não sabia nem agir com a presença de Ody, quem dirá a um elogio dele e todo aquele combo que veio após. Já estava ansioso antes, desde o momento em que Liam estava o ajudando em suas roupas, agora ainda mais. Um frio na barriga se fazia presente por conta de tudo o que lhe rondava naquele momento: sua aproximação, sua fala. É claro que não poderia negar aquela proposta. Esperou tanto por isso, no fim das contas. “Claro que eu quero… Um lugar mais afastado.” Sorriu leve e discreto ao término da pronúncia, só desviando o olhar para que vasculhasse o local cheio de gente. Esperava encontrar com o olhar algum canto mais sossegado, as mãos deixando o pescoço e trilhando um caminho em seus braços, até que alcançasse seu palmo. Uma breve desculpa para que o acariciasse antes de levá-lo até um canto mais reservado, ao fundo do extenso salão. Ainda havia barulho, claro, mas ao menos já estavam menos rodeados de pessoas do que anteriormente. Agradecia mentalmente por aquilo, uma vez que já se sentia torturado igualmente. Ansioso pela proposta que havia acabado de ouvir, os braços voltaram a envolver o pescoço alheio, trazendo-o para mais perto como anteriormente. Manteve a aproximação dos rostos, mas não de súbito. Calma, Seven. Respira. Cerrava as pálpebras em um aproximar sutil, os lábios tocando os alheios superficialmente, um roçar calmo como quem descobria a textura e o calor alheio aos poucos, embora seu interior ordenasse o contrário. E aquilo jamais seria o suficiente. Poderia se sentir em um conto shounen ai, porque realmente se sentia como um protagonista naquele momento, porém, ignorou sua timidez ao pender o rosto, encaixando os lábios aos dele como deveria – e não poderia ser mais perfeito encaixe - agora sem dúvidas podendo desfrutar o início de um ósculo de verdade.
Respirar, um ato que parecia estar se tornando cada vez mais difícil visto a situação em que estava, o coração seguia disparado, sentia que o mesmo a qualquer instante fosse deixar sua caixa torácica, por mais cientificamente impossível que fosse essa ocorrência, mas, já era perceptível que quando estava acompanhado pelo mais novo não conseguia organizar seus pensamentos, então, se esquecera por alguns instantes de pensar sobre a ligação o órgão bombeador de sangue e todos os seus atributos anatômicos e biológicos, o que pareceu um pouco errôneo, visto que uma pequena distração não lhe faria mal algum. As bochechas tomavam uma tonalidade mais rubra que o costumeiro, gostava mais de imaginar que era por conta das bebidas ingeridas, talvez se pensasse que fosse tal, sua companhia não notasse os efeitos que causava em si. ❝ — Well, acho que você tem razão, em todo caso, realmente demonstro que não muito bom em coisas que exigem uma boa coordenação motora, como a dança. ❞ Ele riu, por mais que não tivesse a certeza de estarem completamente em uma situação longe de constrangimentos, queria que o outro se sentisse confortável com sua presença. ❝ — Também estou nervoso. ❞ Murmurou, o tom baixo de sua voz parecia exprimir sua aflição, mordeu o canto do lábio quando o rapaz desviou o olhar dele, indagando a si mesmo se havia feito algo de errado, tanto esforço para não assustá-lo e previsivelmente isso ocorreu, devia tê-lo poupado de seus comentários, o que estava ocorrendo consigo, afinal? Sempre fora muito com em simplesmente calado, então, por que cometer o erro de falar algo indevido à frente dele? De tantas pessoas que se encontravam ali, por que haveria de logo incomodá-los com suas palavras impensadas? Decidiu retirar quase que por automático a expressão preocupada que começava a, sem sua permissão, aparecer em sua face. ❝ — Liam? Hmmm... Acho que você pode agradecê-lo por mim, se não fosse por ele não estaria tendo a visão do Paraíso nesse instante, sempre achei que iria para o inferno. ❞ Brincou, se as bochechas já estavam a queimar, naquele instante então, o corpo se fazia tão quente que pensou que poderia entrar em erupção a qualquer instante. ❝ — Do que está falando, huh? Você é com certeza a pessoa mais linda que já vi, só não conta pra Wasp. ❞ Se indagava a motivação de estar tão brincalhão, no entanto, sua maior dúvida naquele momento era se Sev sabia que causava aquilo nele, nunca quisera tanto alguém em toda a sua vida, e isso era insano, nunca fora de pensar quaisquer coisas envolvidas com romantismo, então, por que agora aos 24 anos sentia-se atraído por um colega de trabalho? Mordeu o lábio inferior, os olhos fitos no rapaz, odiava tanto pensar que teria que lidar mais uma vez com a dor da rejeição, o que se via passando em sua cabeça quando dissera-lhe que queria beijá-lo? Aquilo não era algo que se fazia repentinamente, já assistira filmes o bastante para saber que geralmente não ocorria aquilo antes do tal, ninguém o fazia, então por que logo ele teve que escolher cruelmente mal suas palavras? Coçou a cabeça lançando-lhe um olhar suplicante, necessitava que respondesse logo, antes que deixasse o local correndo, era aquela uma reação completamente notável e previsível vinda de covardes como ele próprio, não podia se esperar menos. E, fora nesse instante que a resposta viera, como se estivesse a ler seus pensamentos durante aquele segundo, sentia-se tão agradecido. ❝ — Então… Vamos, espero que não sintam nossa falta… Acho que vamos demorar um pouco. ❞ Ele sorriu tímido, realmente esperava que sua mãe não notasse sua ausência, caso contrário era possível que contratasse uma equipe de busca somente para encontrá-lo, não era esse o tempo para ocupar sua mente com preocupações frívolas. Sentiu um arrepio ao sentir a mão de Seven sobre si, céus, como um simples toque podia fazer com que se sentisse tão vulnerável? Permitiu-se que o rapaz lhe guiasse até o local um pouco mais afastado, olhando com certa frequência para os lados, conferindo se ninguém estava lhes observando, se havia algo que odiava era estar em foco e, aparentemente alcançou isso com a escolha de roupas daquela noite, imaginava o que estavam pensando no que tinha na cabeça dos organizadores quando decidiram o dress code da ocasião, caso não fosse o tal estaria de preto, a cor mais neutra possível, ao invés de estar se sentindo um tomate. As mãos alheias envolvendo seu pescoço trouxeram-lhe uma conhecida e bem-vinda calmaria, uma vez ou outra questionava se deveria beliscar-se para conferir se aquele precioso momento era real, parecia um sonho, sentia com se estivesse flutuando. Podia sentir a respiração do mais novo sob sua pele, os rostos detiam um espaço quase nulo e, pela primeira vez ele gostou de contato físico excessivo. Era um delírio ter os lábios do outro contra os seus, ainda que não houvessem se unido, somente de tê-los tão próximos parecia que ia explodir. E, finalmente a paciência resultou no encerramento daquela tortura de aguardar para beijar-lhe, ele se permitiu dar um passe-livre para desfrutar do calor daqueles braços, sentiu-se levemente desarmado, estava completamente a mercê dele, suas mãos repousaram sobre sua cintura, não demorando a abraçá-la. Tudo era tão suave, mas, ele queria mais, se afastou por um tempo mínimo para retomar o fôlego, as bochechas se enrubescer antes que tomasse coragem para sua ação, os dedos deslizaram até o queixo do rapaz. ❝ — Sev, eu... ❞ Ele suspirou, soltando-lhe o queixo retirando-lhe os braços de si, os segurando, empurrou o menor contra parede em um gesto brusco, colocando-lhe os braços sob a cabeça, apoiando-os na superfície fria. ❝ — Isso machucou você? ❞ O tom era preocupado, no entanto, ele não queria parar, não àquela altura do campeonato, voltou a unir os lábios contra os dele, sem deixar de segurar-lhe, o próprio corpo apertando contra a construção, aos poucos conseguia tomar controle daquele beijo. Os lábios se separando lentamente, enquanto os usava para deslizar sobre a pele desnuda de Seven, céus, apesar de ter concluído o tal mais cedo, agora podia afirmar, roupa social era uma grande merda, era incrível o fato de que parecia saber o que estava fazendo, a boca logo atacou a imaculada pele do rapaz, beijando a cada comprimento com mais agressividade, uma das mãos deixando de segurar os braços do rapaz, enquanto trabalhava desajeitada e rapidamente para que a que havia sobrado fazer esse trabalho, agarrando os fios escuros de forma que cabeça pendesse para trás, apenas para lhe auxiliar no que fazia. ❝ — Hmmm… Acho que não estamos afastados o bastante. ❞ Ofegou, tentando recuperar o ritmo inicial de sua respiração. ❝ — Can we go to the bathroom? ❞