Uma tepidez mortal, entre o prazer e a felicidade
Recentemente me deparei com um texto publicado em um BLOG falando sobre felicidade, geração Y e os motivos que levam essa geração a ser superficial. A principio não gostei, continuo a não gostar, porém me despertou para um pensamento maior, tentar entender porque as pessoas não estão dispostas a buscar e construir relações sólidas e porque elas confundem o prazer imediato com a felicidade.
PRAZER, do Latim PLACARE , “ser aprovado, aceito, querido”, relacionado a PLACARE, “aquietar, acalmar”.
FELICIDADE, do Latim FELIX, feliz que por suas vez originou FELICITAS, felicidade.
Prazer e felicidade são conceitos diferentes, são idéias diferentes, logo possuem um resultado diferente na vida das pessoas. Um prazer não trás felicidade, obrigatoriamente, e nem o processo inverso pode ser considerado verdade.
Konrad Lorenz foi um etólogo que estudou o comportamento dos animais, em especial dos gansos. Lorenz também identificou que todos os seres vivos são capazes de incorporar e reproduzir reações, em outras palavras adestra-los, através de dois tipos de estímulos, um positivo chamado de recompensa e um segundo negativo chamado de castigo, transpondo esses conceitos para o homem o primeiro ele chamou de prazer enquanto ao segundo denominou desagrado.
Todos os organismos vivos, segundo Lorenz passam por um aprendizado comportamental que passam entre a recompensa e o castigo e ao passar dos anos isso é incorporado e transmitido geneticamente. Mecanismos de inibição, castigo ou ainda desagrado, servem para a perpetuação da especie pois "representam um contrapeso do estimulo do prazer e impedem que o organismo, levado pelo atrativo da recompensa, se exponha a perigos, desproporcionais ao lucro esperado".
Ainda segundo Lorenz, esses principio opostos de recompensa e castigo são fundamentais para que haja um equilíbrio entre o preço a pagar e o lucro em perspectiva.
Colocando em pratica tal pensamento, vamos voltar ao tempo quando os homens ainda viviam de caça e não haviam se estabelecidos com o atual modelo de sociedade que conhecemos. Um grupo de caçadores está a espera de um antílope para que este possa ser sua refeição, porem enquanto aguardavam a manada se aproximar um leão também aguarda a passagem da manada para atacar.
Façamos aqui uma pausa, existe um novo fator que leva os caçadores a ponderarem o ataque ao mamífero, o leão. Valeria a pena correr o risco de ser atacado pelo leão a conseguir caça para matar a fome ?
Pois bem é isso que Lorenz chama de ponderação do atrativo da recompensa. Mataremos nossa fome porém estaremos em risco pois somos presas mais fáceis para o leão. Diante desse cenário devemos considerar dois pontos.
1 - Os caçadores estavam “mortos de fome” a ponto que valeria correr o risco de abater um animal de grande porte e estar exposto ao ataque do felino ?
2 - Havia outra alternativa ao grande mamífero ? Como animais menores ou ainda alimentos naturais ?
São essas decisões que foram passadas até nós. Decisões como, devo eu correr o risco, enfrentar riscos e obter uma caça de qualidade, ou posso eu ir por outro viés ? Evidente que proteína animal era fonte primária de energia e necessária naquela época, contudo a prudencia próxima da covardia teve inicio em algum momento da história do homem.
“ É pois perfeitamente justificado que o homem tenha sido levado pelo mecanismo prazer/desagrado que se constituiu na filogênese, a afastar do seu caminho, o mais rapidamente possível, todos os gastos de energia e perigos que pudessem evitar”
Logo as ações frustradas e destrutivas provocadas hoje em dia no atual modelo de sociedade podem ser explicadas pela nossa constituição filogenética.
Quando se obtêm a recompensa de forma fácil sem se expor ao risco e ao perigo levam a dois estados, ao enfraquecimento e ao vicio e isso é comprovado por vários estudiosos do comportamento humano, sendo o primeiro o mais nocivo pois, ainda que fraco, é possível que se consiga o prazer da recompensa através de estímulos de diversas naturezas. Esse comportamento tem se tornado crescente, uma intolerância e até reprovação ao desagrado aliada à redução da atração pelo prazer, leva os homens a perder a capacidade de trabalharem arduamente em busca de um resultado distante e promissor, enfim eis a “Necessidade de satisfação imediata”.
Essa tal necessidade imediata é fomentada por conglomerados econômicos, pelo mercado de trabalho e pela sociedade no geral leva as pessoas a frustração uma vez que varias etapas são puladas quando se busca um objetivo, tornando as conquistas superfulas.
Goethe dizia : “Para duras semanas, alegres festas ” hoje em dias pode se parafrasear sua fala “Para poucas horas duras, semanas de alegres festas “, os valores começam a ser invertidos com isso tudo. A obra de Freud em nenhum momento cita a palavra nem o conceito de felicidade, ele conhece o prazer, mas não a felicidade. Essa observação foi feita por Schulze e ele ainda diz em seu texto “ Podemos, a rigor, alcançar o prazer sem ter que pagar o preço de um trabalho rude e doloroso, mas não a felicidade, essa “maravilhosa centelha divina”.
Essa negação e repudio ao sofrimento e ao trabalho árduo é crescente e transforma altos e baixos naturais da vida humana em uma planície nivelada artificialmente diz Lorenz, e completa “ Enfim, essa tendencia gera um tédio mortal “.
O biólogo alemão Heinroth disse que é um erro comum, que engana muitos jovens, acreditar que o amor traz apenas felicidade, querer afastar do seu caminho todo o sofrimento, significa furtar-se a uma parte essencial da vida humana.
Com base nesses pensamentos, estudos e ponderações pode se concluir que o homem moderno tem se tornado, se já não o é, blasé e não encontra mais ponderações para se entregar ao vicio, fazendo com que o habito de excitações cada vez mais forte façam com que o prazer e sua capacidade comessem a diminuir e com isso cada vez mais os homens procurem novas fontes de excitações.
Voltando a geração Y e seus deleites, é fato que as coisas se movem rapidamente, catalizadas pela velocidade da informação, contudo é necessário voltar a origem de tudo, a essência do ser humano para que os estragos causados possam ser corrigidos ou amenizados. Estou cada vez mais certo do que os erros fazem parte do aprendizado e são necessários, não ha como negá-los nem evitá-los, em um certo momento da vida eles irão te pegar e te derrubar, a questão é :
COMO VOCÊ VAI ENCARAR TUDO ISSO ?
Seja FRIO ou QUENTE , não há mal nenhum em ser ora um ora outro, afinal é essa dualidade que gera uma força motriz que te faz ir adiante. As marés com suas altas e baixas fazem todos as correntes oceânicas funcionarem, bem como são as responsáveis por gerar vida no mar, então não fique
na mesmice da constância pois se isso acontecer você estará entrando em uma tepidez mortal.