Que Sirius tinha fama de cachorro, isso não era novidade alguma. De fato era um tanto mulherengo e intensidade era algo que não o faltava, no entanto, quando se tratava de Marlene Mckinnon o sentimento se tornava tão mais forte que era necessário reunir todas as suas forças para resistir até mesmo ao toque suave da loira em sua pele; toque este que deixava uma trilha de energia percorrendo o peitoral conforme os dedos femininos desenhavam seu corpo, ele se arrepiava sutilmente e era delicioso o contraste entre o calor por estar tão perto dela e a brisa levemente fria do clima lá fora. Inevitavelmente, era exatamente assim que acontecia sempre que estava com a mulher, Marlene quebrava todas as suas certezas e o remontava, logo em seguida, da melhor maneira.
Mordia o canto dos lábios ao observa-la, o sorriso charmoso e tipicamente maroto brilhando junto do olhar que transbordava malicia. É claro que os olhos, sempre atentos, deram conta de gravar cada detalhe do corpo feminino e agora a palma de uma das mãos encontrava sua cintura, pressionando suavemente. – Tenho inúmeras ideias de como podemos torturar esse ócio até que ele não volte nunca mais. – Suas palavras vinham carregadas de significados do qual tinha certeza que a McKinnon entenderia. O sussurro foi devolvido junto a orelha feminina, tal como ela havia feito, causando nele um arrepio mais intenso e uma leve falha na respiração do Black, que se esforçou para conte-la logo em seguida. Essa era outra graça da relação entre ambos, afinal, tinham ciência de quanta tensão sexual conseguiam provocar um no outro, mas, ainda assim, continuavam nessa briga entre alfas para tentar resistir ao máximo as provocações alheias e era sempre extremamente excitante - tanto quanto torturante - resistir aos segundos se passando sem que pudesse juntar o corpo feminino ao seu e joga-la em sua cama, um lugar tão exclusivo da loira, tendo em vista ser a única menina que Sirius já levara ali, por acreditar que tudo tinha limites. Well, aparentemente os limites não se aplicavam a Marlene.
O sorriso cresceu exibindo mais diversão ao ver sua toalha cair e a expressão feita pela mulher. Em igual rapidez os dedos masculinhos deslizaram até o busto atraente, aonde encontraram abertura no sobretudo alheio, podendo assim puxa-lo para traz e revelar o corpo esbelto que facilmente conseguia retirar suspiros de qualquer um. – Oops. – Fingiu uma expressão de surpresa, que tão rapidamente foi substituída outra vez pela malicia anterior e assim firmou as mãos no corpo feminino para uni-la ao seu calor novamente.
Seria perfeito, se não fosse o toque do celular interrompendo-os com uma chamada irritante. – Vamos ignorar. – Murmurou com os lábios já de encontro ao pescoço da McKinnon, distribuindo beijos lentamente, uma das mãos afundando por entre os fios claros e sedosos. Péssima hora para uma ligação, nada podia ser menos importante do que o fervor correndo por suas veias, do que o sabor de Marlene contra seus lábios ou o suor de ambos escorrendo juntos, nada… a menos que…
Lembrou-se então de Dorea e Charlus, que estavam em meio a uma investigação de extrema importância e perigo, nesses casos entravam em contato em raras ocasiões, somente quando muito necessário. Oh bloody hell! Exclamou mentalmente, se afastando com certo receio da mulher e respirando fundo, uma das mãos deslizando de imediato pelos cabelos negros, uma mania antiga. – Tudo bem, isso vai ser rápido. – Alcançou a toalha e o celular, já seguindo para a porta do quarto, mas não sem antes olhar para a mulher, lhe dirigindo uma piscadinha. – Tente não começar sem mim. – O tom foi de provocação, como de costume, saindo do quarto para constatar que era realmente a mãe na chamada.
Marlene deixou que um suspiro de frustração escapasse por entre seus lábios quando sentiu o corpo de Sirius se afastar do dela, porém apenas para rir em seguida com o comentário do moreno. “Então, seja rápido ou vai perder a diversão.” Rebateu, se jogando na cama macia que ocupava o meio do quarto. Talvez aquela ligação fosse demorar mais do que o previsto, de dentro do quarto a loira podia identificar apenas o tom de preocupação de seu companheiro ao falar com o que ela imaginava ser sua mãe ou seu pai, e torcia para que nada de ruim tivesse acontecido. Já sentindo-se um pouco entediada com a demora ela se levantou da cama e alcançou seu sobretudo jogado no chão, vestindo-o novamente, e começou a perambular pelo quarto do moreno. Era impressionante a quantidade de livros e discos que ocupavam as prateleiras do cômodo e mais impressionante ainda era como Marlene poderia encontrar a maioria daqueles exemplares em seu próprio quarto. Eles tinham muitas coisas em comum, isso era inegável, e a paixão pela arte era uma delas. Continuou caminhando pelo perímetro do ambiente deixando que pequenas coisas chamassem sua atenção, como um porta retrato com uma foto alegre de todos os Potter, incluindo Sirius, numa viagem à Paris, e um vidro azul, que ao aproximar do nariz a loira reconheceu como o perfume que ele usava. Que benção, Marlene poderia beijar o criador daquela fragrância por lhe proporcionar o melhor e mais cheiroso cangote que ela já havia conhecido na vida. O que nunca admitiria em voz alta, era verdade, mas o cheiro de Black... Ah, poderia entrar como a oitava maravilha do mundo, sem exageros.
Depois de alguns minutos a garota começou a ficar preocupada com a demora de Sirius, sabia que ele continuava no corredor porque ainda podia ouvir sua voz, mas se perguntava o que de tão importante poderia estar sendo discutido na ligação. Nada de grave, repetia para si mesma, apenas instruções para o jantar ou qualquer outra coisa que as mães costumavam se preocupar. Porém, mesmo que tentasse se tranquilizar, continuava inquieta e andando pelo quarto, mexendo em coisas que ela sabia que não deveria estar mexendo, mas não podia evitar, e além do mais, o que Sirius poderia ter de tão secreto ali? Nada, ela imaginava. Tudo parecia extremamente comum, cuecas, livros didáticos, cadernos da escola com anotações aleatórias e trechos de músicas, até que por baixo de tudo isso encontrou um bloco que, à principio, parecia conter apenas anotações desconexas, provavelmente de livros e álbuns que ele gostava. Ela se sentou na cama e começou a folear lentamente o bloco, não reconhecendo nenhum daqueles versos, eram ótimos e ela já pensava em perguntar para o moreno a que banda ou cantor pertenciam quando captou seu nome em uma das folhas perdidas no meio dos rascunhos. Agora ela sabia, aquilo não eram apenas versos que Sirius gostava, eram versos que o próprio havia escrito e ela não deveria estar lendo, não era para os seus olhos, e a menção do seu nome ali no meio só confirmava isso ainda mais. Porém, apesar de saber o quão errado aquilo era e que ela mesma não desejaria que Sirius lesse as coisas que, as vezes, ela escrevia, a palavra “Mckinnon” perdida ali no meio parecia brilhar em tinta neon, atraindo os belos olhos azuis a ler cada frase impressa na caligrafia levemente inclinada de Black.
“Mckinnon, poderia me fazer o grande favor de permitir que eu foque meus pensamentos em outras coisas que não incluam você? Já passei por confusões o suficiente nos últimos dias e ajudaria bastante se você me confundisse menos.”
Esse foi o primeiro paragrafo que a loira encontrou, e ao terminar de ler pode sentir seu coração acelerar significativamente. Ela realmente não deveria estar lendo aquilo, mas agora era impossível parar. Continuou a correr os olhos pela folha e o segundo texto só a deixou ainda mais surpresa.
“Hey Mar, estive me perguntando se você seria uma pessoa do nascer ou do pôr do sol. Não estou certo sobre minhas conclusões, mas acho que sua presença se encaixa melhor num fim de tarde, sabe, você é quente como o sol que se põe, intensa como os tons que colorem o céu, e esse momento é apenas uma amostra de que há algo ainda melhor por vir, é o inicio da noite, tudo pode acontecer durante a noite. Inicialmente você é como um sol se pondo, porém, mais ao fundo, é como uma madrugada imprevisível.
Deve estar se perguntando por que estou devaneando sobre algo tão aleatório, certo? Nem eu sei, só cansei de estar tão pilhado. Lene, eu deveria te agradecer, tem sido uma grande amiga nos últimos dias, presente ao meu lado sempre que precisei, mesmo sem a necessidade de um pedido pela aproximação. Eu gosto de nossa conexão, de como me sinto a vontade ao seu lado, de como o riso sai com facilidade. É claro que também gosto dos seus beijos, holy shit! o quão sexy você é, garota, só o seu olhar já me arrepia de um jeito… diferente. Me faz querer muito mais de seus toques. Nunca vou cansar de te dizer que você é incrível pra caralho, Marlene Mckinnon.”
“Porra, você é muito mais do que incrível.” Sussurrou para si mesma, sentindo o suor brotar na palma de sua mão e o coração quase sair pela boca. O que era aquilo? O que era aquela sensação no estômago, como se fosse vomitar? Por que diabos Sirius havia escrito coisas tão lindas sobre ela e porque ela sentia lágrimas brotarem nos olhos como se aquilo fosse tudo que ela estava esperando para apenas parar de se esconder atrás de um muro de frieza e falta de afeto? A verdade, que ficava cada vez mais clara para McKinnon, era que ela queria sentir. Ela queria se permitir, ela queria a intensidade daquelas palavras e, mais do que isso, ela queria provar tudo isso com Sirius. Foleou o bloco novamente, procurando mais alguma coisa, qualquer coisa.
“Querida Marlene. Estive fugindo de meus pesadelos e acabei sozinho aqui. Se lembra daquele lugar em que eu te levei a alguns dias, e ali sentimos que o mundo está sob nossos pés? No momento olho a cidade abaixo de mim e tudo o que consigo pensar é no quão insignificância é a existência humana. Deprimente, não? Nos mostramos com toda nossa força para o mundo, mas, na verdade, somos tão frágeis. Gostaria que você estivesse aqui, só a sua presença já seria o suficiente, entretanto, tenho certeza que me daria mais do que apenas esse prazer. Gostaria de ouvir suas palavras agora, para o que quer que fosse, poderia ser algo bobo que me fizesse rir, um flerte para me arrepiar por inteiro, ou ainda, quem sabe, um assunto mais sério ao ponto de me fazer refletir o quão ainda mais incrível você é. Aceitaria qualquer coisa, Marls, contanto que estivesse aqui.”
Pronto. Havia sido o suficiente. Uma enxurrada de emoções altamente conflitantes acabavam de tomar conta do coração e da mente da loira, fazendo-a duvidar de todas as coisas em que acreditava. Por que ela tentava esconder de si mesma que sentia exatamente as mesmas coisas descritas naquele papel por Sirius? Ela mesma já não havia escrito uma carta para ele ou coisa parecida, e queimara logo em seguida, por medo? Well, ele não havia queimado, pelo contrário, havia guardado junto com tantos outros versos que ela imaginava ser de grande importância para ele. Mas há quanto tempo aquilo fora escrito? Não muito, ela imaginava, já que não fazia muito tempo que haviam ido até o local citado no texto. Será que ele realmente se sentia daquela forma ou fora apenas no calor do momento? Ela não sabia, e jamais poderia deixar que Sirius soubesse que ela tinha ciência daquele desabafo, se ela bem o conhecia sabia ele não suportaria a ideia de ser exposto daquela forma. Era errado, mas a curiosidade da loira fazia com que ela continuasse a folear o bloco em busca de mais citações de seu nome e, imersa em seus próprios pensamentos, não percebeu quando a voz de Sirius se calou do lado de fora do quarto.