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@meliowlx
O modo como o rapaz falava, fazendo parecer que ele não fizera nada demais, e Melina que estava exagerando com sua reação, a fez ficar ainda mais nervosa.
Já não estava em seus melhores dias, devido as noites sem dormir por causa do mesmo pesadelo que vinha tendo, e o estresse em ter que reorganizar os livros daquela seção, e aquela situação fora a gota d'água para a loira perder completamente a paciência; se aquilo tivesse acontecido em qualquer outro dia, não teria dado tanta atenção para o menino, se contendo com um simples pedido de desculpas. Mas naquele momento, precisava descontar sua raiva em alguém.
– Pequena corrida!? Fala sério! – disse com tom sarcástico – Sabe, não tem nada de errado em admitir que está errado às vezes. Dar o braço a torcer é tão difícil assim pra vocês que se acham os donos da razão? Ou além das aulas de etiqueta, vocês aprendem a como fazer tudo que outra pessoa fale parecer um absurdo, para que continuem se sentindo superiores? Cresce menino, o mundo não gira ao seu redor! – falou dando um passo à frente, mãos em formato de punho e a voz se elevando a cada frase indignada que soltava. Não sabia mais se estava falando com o rapaz a sua frente, ou com todas as outras pessoas que pararam para assistir o pequeno espetáculo, só queria sair correndo dali e ir chorar em algum lugar; as vezes era difícil conter toda raiva que sentia do mundo, e nunca tinha explodido na frente de tantas pessoas antes.
“Vamos Melina se acalme, não é hora pra isso” pensou, fechando os olhos e respirando fundo. – Olha, deixa isso pra lá ok? Vou deixar passar dessa vez, mas não hesitarei em fazer uma ocorrência da próxima, você sabe que fazer baderna em uma biblioteca é passível de punição não é senhor… –parou a frase esperando que o moreno dissesse seu nome.
Se antes o garoto havia se sentido irritado pela maneira acusatória como a garota havia falado com ele, depois de vê-la explodir de raiva, não pôde manter uma expressão séria. Colin ergueu a sobrancelha, surpreso com as palavras agressivas que pareciam sair de um modo quase impulsivo. Jesus! Ele só havia dado uma pequena corrida na biblioteca, não era como se tivesse esquartejado alguém e jogado os pedaços do cadáver em cima dela. Discretamente olhou para o amigo, tentando conter uma risada. “Overstreet, madam’. Senhor Overstreet”, respondeu de prontidão à pergunta implícita da bibliotecária. Controlando-se para manter o tom de voz mais centrado possível, continuou. “Peço imensas desculpas por ter perturbado o recinto e por quase ter lhe derrubado nesse processo. Claro que acredito haver outras formas de resolver o problema que não seja através de agressões verbais, mas entendo que o erro foi completamente meu. Não voltará a se repetir”. Afirmou com uma teatralidade que se fazia perceptível até na escolha de suas palavras. Se não fosse dessa maneira, Colin não sabia se conseguiria manter a compostura. A risada que forçadamente escondera, ainda estava presa em sua garganta.
Melina não pôde deixar de se sentir envergonhada pela cena que causara, todos aqueles olhares em cima dela realmente a incomodavam, mas a tempestade de palavras que jorrou foi inevitável. Sabia que era isso que acontecia quando se guardava muitas coisas dentro de si, uma hora elas transbordariam, e é claro que seria em um momento infortúnio como esse.
Apertou os olhos com força, sentindo uma dor de cabeça chegando – Então, senhor Overstreet... conto com a sua cooperação para manter a harmonia da biblioteca, e sei que isso não voltará a acontecer. – falou quase que imitando o tom formal e forçado do rapaz, e deu meia-volta se preparando para deixar o lugar. Mas parou no meio do seu ato, voltando a encarar o garoto, não era da natureza de Melina insultar pessoas, e muito menos fazer isso e seguir como se nada tivesse acontecido. – Ahm... me desculpa pelo que disse, não sei o que deu em mim, acho que perdi a cabeça. – dissse com a voz baixa, não se arrependia de verdade pelo o que tinha tinha dito, na verdade se sentira aliviada; extravasar a raiva gritando com alguém não era lá uma das melhores coisas a se fazer, mas não pôde negar como o seu efeito era imediato, Melina se sentia bem mais relaxada, e devia isso ao Overstreet. – Melina Wright, prazer...? disse a frase não muito certa da palavra que usara, mas pelo menos estava tentando uma aproximação mais amigável.
Colin ergueu as duas mãos em sua própria defesa, afastando-se alguns passos devido à indignação da bibliotecária. Do modo que havia falado, parecia que o garoto havia cometido um terrível crime na biblioteca e, logo depois, havia tentado assediá-la. Mesmo que ele tenha se sentido levemente lisonjeado pelo tom avermelhado que tomou conta do rosto da loira, irritou-se pela raiva que ela emanava. “Eu estava tentando reduzir os danos que eu causei com a minha pequena corrida aqui. E sinto muito se eu te segurei com muita força, não foi a minha intenção, só quis evitar um desastre maior”. Desculpou-se com sinceridade, embora sua voz tenha evidenciado uma discreto ressentimento pelo modo com que fora tratado. Havia se acostumado mal com pessoas caindo ao seus pés e divertindo-se com seus erros.
Quando pôde se recuperar um pouco do susto, Colin percebeu que já havia visto a garota pelos corredores da biblioteca. Estava constantemente analisando capas de livros, tentando organizá-las nas múltiplas prateleiras que a universidade havia preenchido com livros das mais diversas áreas. Era um trabalho complicado, de fato. Mas, ponderou com malícia, talvez não fosse tão ruim ter um contato fácil com pessoas de diferentes cursos. A garota sempre teria a desculpa perfeita para falar com quem quer que fosse. E ela, que tinha uma beleza quase pura, parecia alguém que sempre era bem recebida pelas pessoas com quem conversava.
O modo como o rapaz falava, fazendo parecer que ele não fizera nada demais, e Melina que estava exagerando com sua reação, a fez ficar ainda mais nervosa.
Já não estava em seus melhores dias, devido as noites sem dormir por causa do mesmo pesadelo que vinha tendo, e o estresse em ter que reorganizar os livros daquela seção, e aquela situação fora a gota d'água para a loira perder completamente a paciência; se aquilo tivesse acontecido em qualquer outro dia, não teria dado tanta atenção para o menino, se contendo com um simples pedido de desculpas. Mas naquele momento, precisava descontar sua raiva em alguém.
– Pequena corrida!? Fala sério! – disse com tom sarcástico – Sabe, não tem nada de errado em admitir que está errado às vezes. Dar o braço a torcer é tão difícil assim pra vocês que se acham os donos da razão? Ou além das aulas de etiqueta, vocês aprendem a como fazer tudo que outra pessoa fale parecer um absurdo, para que continuem se sentindo superiores? Cresce menino, o mundo não gira ao seu redor! – falou dando um passo à frente, mãos em formato de punho e a voz se elevando a cada frase indignada que soltava. Não sabia mais se estava falando com o rapaz a sua frente, ou com todas as outras pessoas que pararam para assistir o pequeno espetáculo, só queria sair correndo dali e ir chorar em algum lugar; as vezes era difícil conter toda raiva que sentia do mundo, e nunca tinha explodido na frente de tantas pessoas antes.
“Vamos Melina se acalme, não é hora pra isso” pensou, fechando os olhos e respirando fundo. – Olha, deixa isso pra lá ok? Vou deixar passar dessa vez, mas não hesitarei em fazer uma ocorrência da próxima, você sabe que fazer baderna em uma biblioteca é passível de punição não é senhor… – parou a frase esperando que o moreno dissesse seu nome.
We’re in this together | Hailey & Melina
Hailey sorriu sinceramente, talvez fosse a primeira vez que sorriu de verdade naqueles dias, realmente estava sendo difícil fingir que estava feliz e que ansiava essa época do ano, como toda garota de dez anos que espera seu presente debaixo da árvore de natal na sala da sua casa, mas a realidade era outra bem diferente. No entanto, ver Melina tão simpática mesmo sabendo que não eram as datas alusivas preferidas dela, fizeram Hailey se animar um pouco mais, talvez seu natal pudesse ser ali na biblioteca com a loira e ela estava gostando dessa ideia.
“Tudo bem, eu me lembro que uma vez conversamos sobre um livro que eu estava atrás, mas se não fosse isso já estaria muito assustada” Riu com as explicações que uma estava dando para a outra. “Não acredito que aquele livro chegou, eu estava esperando por ele há mais de um mês!” Comemorou com as mãos, esse livro definitivamente era a coisa com que Hailey mais ansiava nos últimos meses, ele completaria uma pesquisa que estava fazendo. Continuou os passos no mesmo ritmo de Melina e se encostou em umas das estantes enquanto ela procurava o tão esperado livro. “Bom, eu não costumo mais passar o natal com meus pais. Para mim, se resume passar com meus irmãos mas eles só vão conseguir vir próxima semana me visitar…Então decidir que ler era uma boa ideia. E você ?” Perguntou sem olhar nos olhos da garota, não gostava de demonstrar quando estava triste, mas realmente sentia falta dos irmãos.
Melina não era muito boa com interações sociais, portanto ver Hailey sorrindo e a vontade na sua presença foi um alívio, estava sempre preocupada com o que achariam dela, sabia que era algo bobo, mas não podia evitar. Deveria ser algo comum entre crianças crescidas em orfanatos, ser abandonada pelos pais, e passar anos sendo julgada por casais que nunca chegaram a adotar, fez com que começasse a achar que tinha alguma coisa errada com ela afinal.
Ouvia atentamente o que Hailey dizia enquanto procurava o livro na prateleira. – Ah! aqui está. Pegou o livro grosso e pesado e entregou para a estudante de medicina, que parecia sempre muito determinada e independente coisas que Melina admirava muito. – E você tem razão, ler é sempre uma boa ideia… E que bom que seus irmãos estão vindo, é sempre bom passar um tempo com a família. disse, com um sorriso fraco no rosto. – Já eu não tenho pais, cresci em um orfanato. Mas tenho uma irmã de coração, a Eve, que está sempre ocupada com o trabalho. Por isso sempre passo meus natais sozinha, mas já me acostumei. Não estava mentindo, realmente se acostumara a passar os natais sozinha, mas isso não significava que estava bem com isso.
First Look | Melina & Colin
Já entardecia em Novum Heredes, mas a biblioteca da Heredes Academy estava cheia como de costume. Alunos lendo, fazendo pesquisas e claro, aqueles que não obedeciam os avisos de silêncio e não paravam de conversar por um minuto.
Estagiária da biblioteca, Melina fora encarregada de organizar os livros das prateleiras, precisando de uma espécie de escada vez ou outra para alcançar as prateleiras mais altas. Perdida em pensamentos, nem percebeu dois rapazes que conversavam distraidamente se aproximando, e num piscar de olhos Melina se viu caindo da pequena escada soltando um gritinho de susto. Fechando os olhos e esperando o impacto com o chão, se surpreendeu quando alguém a agarrou pela cintura, evitando sua queda. – Mas o que…– disse com a voz baixa, quase que um suspiro, se virando para olhar a pessoa que a impediu de cair.
@colinoverstreet
Quando com amigos, Colin distraia-se com o mundo ao seu redor, conversava sempre com tanto entusiasmo, que o resto parecia ter menor importância. O jovem era todo sorrisos e piadas bobas; os olhos inspiravam confiança, embora muitos erros e temores fossem forçados a manter-se escondidos. Naquela tarde, reencontrava um velho amigo de Hogwarts, com quem costumava jogar quadribol e, horas depois, ainda não havia conseguido deixar de relembrar as melhores partidas que tiveram, lado a lado, em defesa da taça da grifinória. Sua empolgação era tanta que, ao imitar um último lance que fizera como batedor, esbarrou no pé de uma escada, quase levando uma mulher ao chão. “Me desculpe, eu não tinha te visto!”, disse. O coração batia rápido contra o peito, enquanto suas mãos seguravam fortemente a cintura da garota. Agradeceu à Merlim por ainda ter um reflexo rápido como nos tempos em que praticava quadribol. Afrouxou um pouco a pressão de seus dedos quando teve a certeza de que havia recobrado o equilíbrio. Sorriu, envergonhado pela cena que causara. “Desculpa mesmo. Sei que não se deve correr na biblioteca, erro meu”.
Melina ainda estava atônita e tentando controlar sua respiração quando conseguiu se equilibrar no chão novamente. Sempre perdida dentro da bagunça que era sua mente, foi totalmente pega de surpresa quando esbarraram na escada; esse era um de seus defeitos, se distraia com muita facilidade e todo o mundo ao seu redor desaparecia completamente, para dar lugar aos pensamentos inquietantes que a perseguiam, apesar de aparentar ser uma mulher feliz era constantemente assombrada pelos demônios do seu passado.
E foi o que reparou no olhos do rapaz, já o tinha visto na biblioteca antes, sempre cercado de amigos e com um sorriso confiante, poderia ser descrito como mimado e até mesmo arrogante. Mas Melina não fazia isso, não julgava antes de conhecer, pois sabia mais do que ninguém que as pessoas poderiam ser bem mais do que deixavam transparecer, e olhando para ele naquele momento, viu culpa e arrependimento em sua feição. Desde criança tinha essa habilidade de ler sentimentos escondidos; e naquele momento se viu curiosa sobre a história do homem confinante a sua frente, queria descobrir quais segredos ele escondia.
Foi então que Melina percebeu que estava encarando o menino, que eles estavam muito próximos e que ele ainda tinha as mãos sobre a sua cintura. Sentindo suas bochechas corarem se afastou rapidamente – O que você tem na cabeça? estamos em uma biblioteca! disse com as bochechas ainda mais vermelhas, agora por causa da raiva. – Eu poderia ter me machucado de verdade. Se não fosse por ele, Melina nunca teria caído, mas também não pôde negar que se não fosse por ele, ela teria se espatifado no chão. – Mas obrigada por ter me segurado.
MEMORIES & HELL
Depois de um dia longo na faculdade e muito estresse trabalhando na biblioteca Melina sentia a exaustão do seu corpo, estava super cansada e precisava de uma boa noite de sono. Mas não conseguia pregar os olhos, alguma coisa a incomodava, mas não sabia bem o que. Depois de quase três horas se revirando na cama sentiu as pálpebras pesando e o sono chegar, finalmente dormiria em paz… foi o que pensou.
Em um daqueles finais de tarde, onde o céu assume um tom mágico de rosa e o sol se põe no horizonte, parecendo uma pintura renascentista, uma pequena menininha de olhos azuis, cabelos loiros e sorriso encantador brincava de boneca alegremente com seu pai, mas não eram bonecas quaisquer, eram bonecas bruxas, que estavam prestes a derrotar um bruxo muito malvado e salvar o mundo. – E então a corajosa bruxa Melina dá um passo a frente erguendo sua varinha “Eu não tenho medo de você seu bruxo feioso, e nós vamos te derrotar” disse a pequenina sorrindo, em êxtase por estar tão perto de acabar com o bruxo mais procurado do país. – Vai papai, é a sua vez agora. A Anne tem que falar: “Você vai pagar por tudo que fez” falou Melina ajudando Edward, que demorava a responder. – Pai?! exclamou de novo a menininha tentando chamar a atenção do pai. Só que desta vez olhando para ele.
Foi então que Melina percebeu que tinha algo de errado com seu pai, algo muito errado. – Papai, o senhor está bem? tentou de novo, mas não conseguiu nenhuma reação do pai. O seu olhar era distante e vazio e sua pele muito fria, como se ele estivesse… morto. Estava fraco e muito magro, com os ossos do rosto proeminentes e bem pálido. Assim como nas últimas lembranças que Melina tinha dele.
Mas de repente sua pele começou a se desprender do corpo, como uma vela derretendo, e paralisada de medo, Melina não conseguiu se mover; ficou ali, assistindo aquele show de horror, até seu pai estar em carne viva. Não conseguia explicar o que estava acontecendo e nunca sentira tanto medo antes em sua vida, mas era incapaz de desviar o olhar daquela cena. O cheiro era horrível e não demorou muito para a carne começar a desaparecer também, o corpo se decompondo na frente da menininha, e em pouco tempo Edward estava irreconhecível e não lhe restará mais nada além dos ossos do esqueleto. Sua respiração estava ofegante e Melina estava tremendo quando de repente o esqueleto caiu sobre ela; soltando um grito estridente com o susto, a menina conseguiu se mover, seus músculos começaram a funcionar novamente e a primeira coisa que fez foi levantar e correr… correr como se sua vida dependesse disso.
O céu que antes tinha um tom fraco de rosa foi totalmente tomado pela escuridão, mas sem estrelas ou lua para iluminar a noite, e o campo com grama verde onde brincava deu lugar a uma floresta repleta de árvores, que formavam uma espécie de labirinto. E Melina continuou a correr por dentre as árvores, até não conseguir mais puxar o ar e seus pulmões começarem a arder. Foi quando ouviu um grito ecoar pela floresta. Não conseguia dizer se a pessoa ou coisa que o emitiu estava perto ou longe, mas o grito foi tão alto que Melina se viu obrigada a tampar os ouvidos com as mãos, ao sentir uma dor aguda atravessar os seus tímpanos. Mas não deixou de correr, estava muito assustada para fazer com que suas pernas parassem, e tomada pela curiosidade olhou por cima dos ombros para ver se alguma coisa a seguia: não muito distante viu um vulto branco por entre as árvores, mas não estava a seguindo e sim indo para a direção contrária da qual corria, e mesmo com a distância que os separava, Melina sentiu uma aura maligna atingi-la. Foi tomada por mais uma onda de medo quando a coisa parou de repente e começou a se virar para encara-la, mas nunca conseguiu ver o que estava por baixo da capa branca, pois tropeçou em algo no chão e caiu, e quando se levantou a figura já tinha desaparecido.
Mas não deixou de notar o formato estranho do que a fizera tropeçar, e quando percebeu Melina já caminhava em direção ao objeto. Chegando mais perto pôde ver que era um corpo, o corpo de uma mulher, de cabelos loiros, olhos azuis bem abertos e assustados e a boca em um formato estranho como se quisesse gritar. Com lágrimas escorrendo pelas bochechas, a pequena Melina do sonho percebeu que aquela era sua mãe; nunca a tinha visto antes, mas sabia que era ela, e em mais um movimento involuntário, a menina se abaixou, com as mãos estendidas para tocar o rosto do corpo no chão, mas então os olhos da mulher, quase transparentes de tão azuis, se voltaram na direção de Melina, e sua boca se abriu para gritar novamente.
Melina acordou com um sobressalto, a mão apertando o peito, tentando controlar o coração que batia freneticamente e a respiração tão descontrolada que tinha a sensação de que estava se afogando. Os olhos da mulher não saiam de sua cabeça; sabia que tudo tinha sido apenas um pesadelo, mas parecia tão real que até mesmo sentia suas pernas doendo. E quando olhou para a janela, achou ter visto um vulto branco passando... não podia continuar ali ou sua imaginação a deixaria louca. Melina se levantou e saiu do quarto arrastando o cobertor pelo chão, o olhar tão assustado que parecia uma criança. Parou diante de uma das portas e a abriu com cuidado, entrando dentro do quarto com passos pequenos e silenciosos até se aproximar de uma cama. – Eve, posso dormir com você?
We’re in this together | Hailey & Melina
Hailey finalmente pode suspirar aliviada e tirar aquela tensão de seus ombros, ela estava bem e aparentemente sem nenhum machucado. Era muito comum que a Cooper analisasse os outros da cabeça aos pés, muitos julgavam como algo ruim, no entanto ela apenas realizava esse olhar para saber se estava tudo bem e se a pessoa precisava de alguma ajuda médica, por exemplo. “Prazer, Melina.” Sorriu brevemente deixando esse pensamento de lado e focando sua atenção na loira a sua frente. “Você trabalha aqui, não é?” Perguntou deduzindo como ela sabia seu nome, se não lembrasse de Melina organizando os livros, muitas vezes que passava noites estudando ela provavelmente estaria assustada da garota a reconhecer. “Entendo o sentimento, também não sou muito de datas alusivas que necessitam de afeto familiar…” Deixou que as palavras escapassem uma por uma de sua boca, talvez nesses momentos mais frágeis Hailey demonstrava mais seus sentimentos, o que não era nada comum na vivência da morena. “Então, eu vim para estudar… Sim, eu sei que parece loucura, mas eu ia pesquisar sobre umas infecções e poções como antídotos. É digamos que eu sou uma garota de gostos bastante específicos. E você?” Perguntou com um pequeno sorriso nos lábios, aparentemente sua noite não seria tão sozinha. “Precisa de alguma ajuda por aqui ?”
Melina ficou apreensiva com o olhar demorado e penetrante de Hailey sobre ela. “Oh céus, ela deve me achar uma tonta por cair assim do nada” pensou começando a ficar nervosa, mas logo relaxou quando percebeu que a estudante de medicina só estava checando se estava realmente tudo bem, e achou aquilo muito atencioso de sua parte.
– Sim sim, trabalho aqui quando não estou estudando pela manhã, é bem agradável até.– falou olhando as enormes prateleiras de livros e mesas da biblioteca vazia. – E foi assim que descobri seu nome a propósito. Não estava te perseguindo nem nada.– soltou a última frase com uma risada sem graça, ao perceber que falhou miseravelmente na tentativa de fazer uma piada para alegrar Hailey ao notar um breve flash de tristeza em seus olhos, a menina era boa em esconder seus sentimentos, mas Melina também sempre fora muito boa em desvendá-los. –Eu só vim ler um pouco.– disse erguendo o livro Uma dose de amortentia, em sua mão. – E hey, eu que sou a bibliotecária aqui! sou eu quem deveria perguntar se você precisa de ajuda.– falou em um tom brincalhão. – E parece que hoje é seu dia de sorte, chegou tem pouco tempo uns livros novos sobre antídotos. Venha, eles ainda estão no depósito vou pegá-los para você.– Melina seguiu em direção a sala onde os livros estavam guardados.
– É natal então por que não está com sua família?... Não gosta deles? Ou eles não estão aqui? Ou você não tem família?– perguntou Melina rapidamente, atrapalhando-se com suas palavras. Agora tinha certeza que Hailey a achava uma tonta.
First Look | Melina & Colin
Já entardecia em Novum Heredes, mas a biblioteca da Heredes Academy estava cheia como de costume. Alunos lendo, fazendo pesquisas e claro, aqueles que não obedeciam os avisos de silêncio e não paravam de conversar por um minuto.
Estagiária da biblioteca, Melina fora encarregada de organizar os livros das prateleiras, precisando de uma espécie de escada vez ou outra para alcançar as prateleiras mais altas. Perdida em pensamentos, nem percebeu dois rapazes que conversavam distraidamente se aproximando, e num piscar de olhos Melina se viu caindo da pequena escada soltando um gritinho de susto. Fechando os olhos e esperando o impacto com o chão, se surpreendeu quando alguém a agarrou pela cintura, evitando sua queda. – Mas o que...– disse com a voz baixa, quase que um suspiro, se virando para olhar a pessoa que a impediu de cair.
@colinoverstreet
We’re in this together | Hailey & Melina
Era uma quarta feira ensolarada em Novus Heredes, as ruas da vila seguiam todas enfeitadas para a época natalina e apesar do presente momento ser de festividades, o local seguia bem vazio. No entanto, já era de se esperar que muitos estudantes retornassem para suas cidades natais para reencontrarem suas famílias, mas para Hailey não era bem assim, ela preferia aproveitar esse tempo para estudar e aprofundar ainda mais sua pesquisa em poções. A morena sabia que se ficasse em seu quarto memórias ruins de seus pais invadiriam sua mente e não querendo que isso acontecesse ela decidiu que seria mais agradável se estudasse na biblioteca da Heredes Academy. Não demorou muito para que estivesse cercada pelas prateleiras de livros antigos, porém com novos também. Cooper estava indo para a mesa onde sempre estudava quando viu um vulto com madeixas loiras passando.”Meu Merlin!’ Gritou e a garota na sua frente caiu, logo de prontidão correu para ajudá-la. “Desculpe, pensei que estaria sozinha. Não imaginei que alguém quisesse vir aqui com esse clima natalino lá fora, você tá bem?” Perguntou estendendo a mão para que ela pudesse levantar.
@meliowlx
O espírito natalino estava no ar. Luzes, enfeites, famílias reunidas, pessoas sorrindo indo as compras para presentear seus entes queridos, e todo esse clima que costuma despertar a felicidade nas pessoas. Mas o natal tinha o efeito contrário em Melina. Órfã e com a Eve trabalhando, quase sempre passava o Natal sozinha, pensando em como seria ter a família reunida para ceia com os presentes debaixo da árvore de natal.
Resolvida a não passar o resto do dia se lamuriando em casa, decide ir para um dos lugares que mais lhe deixa em paz: a biblioteca. O lugar estava completamente vazio como era de se esperar, por isso o susto que Melina levou ao ouvir a voz de outra pessoa foi inevitável, fazendo-a se desequilibrar e cair no chão. A outra menina veio correndo em sua direção para ajudá-la a se levantar. – Não se preocupe, eu estou bem.– disse enquanto se levantava com a ajuda de Hailey Cooper. Uma das vantagens de trabalhar na biblioteca é ter acesso às fichas dos alunos, e como Hailey costumava aparecer muito por lá, não foi difícil para Melina memorizar seu nome. – O clima natalino costuma me deixar meio pra baixo, então estou evitando ele.– disse com um sorriso triste nos lábios, mas logo se recompondo. – Melina Wright, e muito prazer em conhecê-la. – falou ao estender a mão em cumprimento. – E então… Hailey, não é? O que faz aqui?– retribuiu a pergunta.
Parece que não passaria o Natal tão sozinha afinal, e Melina estava radiante com a ideia.
MELINA WRIGHT possui 22 anos e é ESTUDANTE E BIBLIOTECÁRIA em Novum Heredes. Nascida com sangue MESTIÇO, tem o rosto parecido com o da atriz Elle Fanning e é de responsabilidade da Lore.
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