No final desta jornada de graduação, tenho vivido sensações que nunca havia experimentado. Dizem que não é bacana quando a gente fixa no futuro e sofre. Mas confesso que desejei por muito tempo viver, o hoje, ou seja no primeiro semestre de 2020, acho que quando chegar em junho [oficialmente é o mês do fim de ciclos importantes e especiais que tive o prazer de iniciar em agosto de 2016]. Mas sei que a formatura representa um fim de ciclo e que por si só não resolve a questões do tipo: garantia de um bom emprego, de termos convicção de que continuar estudando não é uma opção e sim uma obrigação para a carreira de um docente consciente.
Cada pedacinho do sonho eu pensava: "Quando vou poder fazer isso?", e a própria voz interna sabia que tudo era uma sequência, que não adiantava eu sofrer querendo antecipar. Quando aprendemos um novo jogo, existem fases e obstáculos, você joga uma vez, perde e contínua tentando, esse passo é o mais importante, não deixar de tentar. Então, respondendo a minha pergunta, eu sempre posso fazer coisas, eu só preciso estar preparada para aquilo e a ter consciência do estágio que se está é fundamental para que não tenhamos, por ventura, desejos infudandos, baseados em aspectos emocionais e crenças do "eu posso" acima do "eu consigo" ou "eu dou conta", reflita.
A caminhada até julho está bem apertada, não posso me dar ao luxo de me sentir cansada no meio do caminho, sempre deixo esses bilhetinhos espalhados nas minhas coisas, sempre preciso lembrar que "agora não da pra bugar", se contar a quantidade de vezes que tive dificuldade para realizar os meus sonhos, sem dizer quantos limitadores eu tive, fantasmas, medos e receios de tudo. A faculdade modificou completamente a minha vida, certamente a maior dificuldade é financeira, andar de ônibus com a passagem R$ 4,40 é um luxo, ter uma grana para comprar um lanche ou almoçar é outro luxo. Me lembro de ter passado fome, fome mesmo, barriga roncando no meio da aula na Faculdade de Educação da Usp, mas era meu sonho estar ali, isso me faz chorar em pensar que estudante é muito mal visto. O fato de estudar em faculdade publica foi decisivo para minha formação, eu jamais teria dado conta de pagar anos de estudos, materiais, os subjetivos que vem nos passeios culturais, nas expo, no shows, no comungar de vida social, etc e tal, sem contar a internet fundamental para os estudos, (baixar os conteúdos e para realizar as atividades on line - AVA) a vida acadêmica virtual e ganhar o salário de estagiario do CIEE, pensando na vida de ser mãe solo, etc e tal. A Universidade Aberta para Todos dentro do CEU Sapopemba, intermediada pelo Centro Universitário São Camilo me trouxe a tão sonhada graduação, para além do certificado e diploma.
Hoje eu sei que em agosto de 2020 estarei disputando a segunda vaga mais importante da vida. Mas, como não faço spoiler da minha vida pessoal - algo que aprendi é que não se pode dar sorte para o azar, o ostracismo é fundamental na construção e na "arquitetação" do plano - assim vamos encher o tanque de combustível e pé na tábua.
Aprendendo na marra: "a palavra é prata, o silêncio é ouro", sobretudo, na concetração do foco de vida. Nada disso é crendice boba, as vezes, comento coisas com certas pessoas só para ver a reação e aprendi a confiar no meu instinto de felina, que prefere ser reservada.
Arquitetação - é aquilo que a gente desenha, rascunha, rabisca, anota, imagina, sonha e idealiza; enquanto a gente trabalha duro, o diário de bordo, a caixa preta.