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Transe Espiritual
Para nós, a magia acontece num estado limiar, nem dormindo e nem acordado. Andando no fio da lâmina, a bruxa se equilibra onde parece improvável, e alcançar universos inteiros sem sair do lugar.
Oh Nanã, mamãe moldou o mundo pra eu chegar
Oh Nanã, mamãe moldou o mundo pra eu viver
(Nanã - Anitta)
Aventuras Culturais
Por Victor Diomondes, 5 de Dezembro de 2025 (sexta-feira)
"Conduru", espetáculo de dança apresentado na Feira Cultural Comunitária Saberes & Sabores
Como mestre de cerimônia da Feira Saberes & Sabores recebi no palco cultural a apresentação da Companhia de Dança Afroliberarte. A sinopse do espetáculo assim o apresenta:
“Conduru nasce do sopro da Mata Atlântica, das árvores nativas que dançam ao vento e guardam as águas dos rios Água Vermelha, Almada, Capitão, de Contas, Jeribucaçú e Tijuipe.
É um canto de reverência à terra viva, à fauna e flora que sustentam o território.
Inspirado nas raízes indígenas Gueréns, Tupiniquins e Tupinambá, o espetáculo honra as memórias e ancestralidades que habitam as terras de Ilhéus, Itacaré e Uruçuca.
Conduru é um chamado à identidade, memória e ancestralidade, um gesto poético de pertencimento ao território que nos acolhe" .
O território que a obra aborda possui uma rica diversidade de bioma e cultura, assim como a presença de seus povos originários. Assistir uma obra artística que expressa isso através da dança foi uma experiência fascinante.
Vi nos corpos dançantes dos artistas a busca pela conexão com a natureza e a ancestralidade através da música e dos ritmos, dos figurinos, dos pés que batiam na terra. Não havia ali a realização de qualquer manifestação cultural específica de um povo, mas uma criação artistica embebida pela atmosfera do Litoral Sul da Bahia e enraizada nas ancestralidades dos próprios dançarinos em saudação às deste território.
Após o espetáculo, uma roda de conversa entre público e artistas, onde todos trouxeram suas impressões e também questões desafiadoras: violência sobre corpos indígenas e negros, marginalização e apagamento histórico-cultural, diferenças entre igualdade e equidade, etc.
Erika Marcela (Colômbia), Driely Alves (Brasil), Prince Macauley (Costa do Marfim) e Franco Shanaham (Argentina) se encontraram e formaram a companhia aqui em 2019. Com a Afroliberarte caminham por danças e sonoridades diaspóricas da África Ocidental e América Latina (Abya Ayla).
A Afroliberarte age pelas conexões entre as diversidades culturais de onde seus integrantes se originaram com as daqui da Bahia, consolidando pontes entre povos e territórios que preservaram suas culturas frente à colonização europeia.
| Victor Diomondes é integrante do Ponto de Cultura Viva Coletivo Guilda Anansi. É um dos agentes do Fórum Permanente de Cultura de Uruçuca, Bahia, e faz parte da Diretoria de Cultura da Associação de Moradores e Moradoras do Bairro Novo (ASMOBAN) no distrito de Serra Grande. A associação realiza a Feira Saberes & Sabores no bairro todas as sextas-feiras, onde Victor atua como o mestre de cerimônias do palco que recebe uma diversa movimentação cultural |
| para ver mais sobre Afroliberarte https://www.instagram.com/afroliberarte?igsh=YXNuNWdqZzZ0eHd0 |
| para ver mais sobre Feira Saberes & Sabores https://www.instagram.com/feirasaberesabores?igsh=MW01bjNpa25nZHB2eg== |
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06. A Macumba Pop de MC Tha
Em um país tão musicalmente rico e espiritualmente diverso, demorou para que alguém fizesse a ponte entre a pista de dança e o terreiro com tanta maestria. Essa pessoa é MC Tha. A música dela é um garimpo de ancestralidade, um batidão que te faz mexer o corpo e também o espírito. É o funk que pede licença aos orixás.
“Onda”, em parceria com Jaloo e Felipe Cordeiro, é a porta de entrada perfeita para esse universo. A música tem um balanço que é puro suor e sedução, uma celebração do corpo e do desejo. Mas a letra e a energia que emanam dela têm algo de sagrado, de ritualístico. É a música que tocaria tanto no fervo da Augusta quanto em uma festa para Iemanjá.
MC Tha nos lembra que a nossa cultura é a nossa força. Ela não esconde suas raízes, ela as transforma em arte pop da melhor qualidade. Ouvir seu trabalho é uma experiência que vai além do entretenimento. É uma aula de história, de respeito e de como a fé e a festa podem, e devem, andar de mãos dadas.
Para limpar o corpo e a alma. De preferência, dançando.
O ANCESTRAL (2023)
"De acordo com Parish, na sociedade dos bonobos as fêmeas constroem fortes laços umas com as outras, mesmo que não tenham relação de parentescos. "Os machos podem ser amistosos. Eles fazem sexo uns com os outros. Mas não é nada parecido com a intensidade ou a extensão do que vemos nas fêmeas. Elas se sentam juntas, brincam de perseguir e lutar, limpam o pelo umas das outras, compartilham comida e fazem sexo." Os machos costumam ser fisicamente maiores, mas, por ficarem tão juntas, as fêmeas dos bonobos conseguem assumir o controle. Observando os bonobos do Zoológico de San Diego, ela descobriu que, do tempo que as fêmeas passam interagindo com outros bonobos, dois terços eram dedicados às fêmeas. Frans de Waal descreve as fêmeas dos bonobos como "presente ao movimento feminista". Quando tínhamos apenas os chimpanzés no modelo, parecia que o patriarcado tinha se consolidado em nossa herança evolutiva pelos últimos 5 ou 6 milhões de anos, porque são muitas as características que temos em comum com eles. O tipo de modelo 'homem, o caçador', tudo isso se baseava nos chimpanzés. Agora que temos um parente igualmente próximo que apresenta um padrão diferente, isso nos permite imaginar que é possível que, em nossa ancestralidade, as fêmeas pudessem criar laços mesmo sem relações de parentesco; que matriarcados podem existir." (Inferior é o Car*lh⌀ - Angela Saini)