A tristeza, às vezes, volta a bater na nossa porta como uma grande amiga que está chegando das férias. Chega como um furacão com um monte de coisas novas pra contar. Chega atropelando-lhe com tantas informações novas de uma vez que nem da-lhe tempo para falar. É lindo vê-la ali toda empolgada tomando conta a casa. Só que a tristeza, diferente da visita, não te da espaço para uma pergunta ou outra, uma risada no meio da conversa, um chá na tarde ou um abraço de despedida. Ela precisa ser a única a aparecer no seu interior. Ela vem, empurra-te, derruba-te da pior maneira possível. Faz você sentir o extremo da ira e depois arrasta-te com toda a força pra dentro da sua brincadeira. Ela pega o seu íntimo, seu ponto fraco, a sua ferida e cutuca com a aparência de uma criança inocente, mas corrói como a pior das doenças. A tristeza ocupa o seu quarto e sufoca-te. Tira o ar dos seus pulmões para tirar o fôlego do seu choro. Não te da a liberdade de gritar. Ela exclui-te dentro do seu lugar mais íntimo e lhe faz questionar toda a sua existência. O que que eu to fazendo aqui? Eu to aqui esse tempo todo pra não ter um pingo de confiança? Eu to aqui esse tempo todo lutando pelo que? A tristeza transforma a sua certeza nas piores dúvidas. A tristeza torna-se, muitas vezes, a sua única amiga. Aquela que está do seu lado quase que caminhando de mãos dadas. Aquela que te assiste com todo o prazer somente para jogar-lhe no questionamento depois. Ela olha você cantar e dançar na chuva a sua música preferida, ver você rir entre os seus amigos, admira-lhe enquanto você sorri para o amor da sua vida, somente para ter o prazer de isolar-te com ela no escuro da noite. A tristeza talvez seja ciumenta e queira apenas a sua atenção para ela, exclusivamente. E talvez, para isso ela tenha que tirar-lhe as forças e fazer você sentir o vazio da vida para ocupar-lhe com toda a sua imensidão. A tristeza chegou de viagem hoje. Chegou dizendo que levou meu amor e esqueceu-o no hotel de Paris. Esqueceu meu amor junto com a felicidade que estava passeando pela Inglaterra. Além de ter perdido-se da paciência em alguma fábrica de chocolate na Dinamarca. Chegou toda sorridente, tão linda que até me arrancou lágrimas de encanto, gotas vermelhas de presente, além de muitas certezas.
A tristeza voltou de viagem.
















