
祝日 / Permanent Vacation
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@naytivargas
“O primeiro sinal de que eu me magoei, é o silêncio.”
— Camila
“Tão cansado e esgotado de tudo que sinto como se eu fosse um controle sem minhas pilhas ou uma lâmpada queimada. Estou péssimo, me deito chorando de exaustão com dor nas costas e tensão no pescoço. Consequências de um corpo marasmo. Tento ter energia para algumas tarefas, mas até às simples são extremamente desgastante. Dói, feito dor de dente que não dá descanso. Meu estômago revira como um pé de cabra. Minhas mãos começam a suar, meu peito acelera, e calafrios constantes começam a me assombrar. Eu tento, luto contra minha ansiedade, me forçando à dormir nessa madrugada de insônia de uma mente que não se cala. Um comprimido de fluoxetina e minhas pernas adormecem. Pouco a pouco vou caindo no sono. É como se aquela droga pudesse afastar os monstros que gritam na minha cabeça. Mas se durmo muito ou se durmo pouco, continuo cansado. O sono não deveria ser restaurador? Por que não é? Me sinto tão perdido. Tão sozinho. Tão desesperado por algo. Olho ao redor e não me encaixo em nada. Penso em como seria mais fácil fugir ou sumir, é quase uma necessidade que eu sinto constantemente durante o dia inteiro. Passou de uma ideia que vinha apenas nos momentos de agonia, pra uma coisa enraizada na minha cabeça porque agora a dor não é ocasional e sim constante. Deve haver um lugar onde eu não precise de remédios para ter um pouco de vontade de viver. Mas sabe, além da pele morta e dos olhos exaustos, ta tudo bem, nem sempre estamos na melhor.”
— Messias, Vítor
04-04
Eu estava tão preocupada em sair daquele sentimento de fim, que nem me permiti sentir de verdade o quanto eu estava assustada, com medo e apavorada pelo futuro. Por isso, foi necessário os remédios, as noites sem dormir e ansiedade enorme que devorou cada pedacinho desse terror.
Quando ele foi embora, eu só sentia vontade de desistir, me perguntava todos os dias 'ele já se foi, porque ainda tenho medo de perdê-lo?'
Quando retornou aos meus dias, ficava pisando em ovos enquanto falava, regrava cada frase pra não assustar, para não afastá-lo de novo, eu sentia que ele podia sumir a qualquer momento e percebi que isso era mais doloroso ainda. Essa sensação de perdê-lo me custou dias de estômago revirando e enjoos constantes. E isso é tão ruim.
Eu estava tão preocupada em não perdê-lo de novo que estava me fazendo passar por essa angústia, quando na verdade eu só deveria encarar o que aconteceu, porque se algo chega ao fim ou tem sua ponto e vírgula, temos o dever de seguir em frente e encarar os fatos.
Superando mesmo que distante daquele que era melhor perto, mas decidiu partir primeiro, sozinho. Não é errado ainda não ter se curado, entretanto se forçar a conviver com o que dói é.
Uma coisa da depressão que ninguém conta é que vão ter dias que mesmo você fazendo de tudo, tomando os remédios e fazendo o seu melhor não é o suficiente.
A depressão te pega e te bate tanto que você só consegue ficar deitado e implorando pra não querer morrer porque a dor ela é muito forte, o peito arde de dor e a cabeça dói tanto que parece que vai explodir junto com o estômago que tá revirando tudo.
Você se esquece dos dias bons, dos sorrisos e ela só te faz lembrar do quanto você não significa nada e você fica lutando e lutando pra tentar não pensar em como sumir resolveria a sua dor.
Fica tentando lembrar de como era antes da dor mas não tinha antes da dor, sempre teve dor em todos os momentos. Desde sempre.
Falar com algum amigo é chato, atrapalha a vida deles e já chega de atrapalhar a vida dos outros, sempre é assim.
Ter depressão é ter que lidar com a falta de empatia todos os dias, das pessoas que não entendem e nem se esforçam pra isso, muito pelo contrário, elas te julgam, como de costume e ainda dizem que não tem motivos pra isso.
"Isso" que chamam de exagero ou drama, falta de Deus ou sei lá o que!
O que eu mais quero na vida é não ter que lidar com ela porque por mais que eu tente, alguns dias ruins são tão ruins que não valem tanto quando os poucos dias bons.
Talvez alguém aproveitaria melhor isso daqui e eu sinto que só tô ocupado espaço aqui.
oi, aqui estou na beiradinha do abismo e resolvi começar um diário
fazem alguns dias desde que aconteceu de novo. eu tenho na minha memória esse mesmo evento acontecendo repetidamente, cíclicamente em vezes anteriores, eu estou perfeitamente bem até não estar mais, e eu nunca vou atrás de ajuda se não estiver no limite do abismo.
enquanto eu estava na sala de espera do atendimento emergencial psiquiátrico na minha mente se passavam duas coisas: uma voz gritando repetidamente “SUA RIDÍCULA, O QUE VOCÊ ESPERA VINDO AQUI?” e vários flashbacks de vezes anteriores na sala de espera do atendimento emergencial psiquiátrico. Li recentemente que uma coisa complicada do diagnóstico de transtorno de personalidade borderline é que os pacientes muitas vezes só vão atrás de ajuda nos momentos de crise, e essa é uma entre muitas características que me ligam a ele.
quando eu entrei naquela sala tudo o que eu queria era que alguém me disesse quem eu sou e o quê eu devo fazer, porque sinto que se eu não receber um manual de instruções completo, como se fosse uma criança lendo as instruções de um brinquedo, eu iria morrer por não saber como viver a minha vida. sempre lidei com minhas crises do meu jeito, já que elas são temporárias, posso usar soluções imediatas para repará-las. a dor de um corte é temporária, a fome é temporária, assim como o efeito de uma droga. eu sei que geralmente o meu ódio por mim mesma é tão expansivo que me sinto lutando contra outra pessoa, que não eu mesma. é como se eu não estivesse tentando me matar, eu só estou me defendendo dela, dessa voz na minha cabeça que não me deixa em paz. eu só quero me livrar de mim mesma.
eu sinto que eu preciso constantemente da aprovação e do amor dos outros para me sentir validada, para me sentir viva. quando passo muito tempo sozinha eu vou lentamente virando poeira e me desintegrando, eu não sei quem eu sou, eu não sei do que eu gosto, eu vou me esmagando até sumir, a não ser que finalmente encontre alguém que me diga quem eu sou, que me lembre que eu existo muito além da minha própria percepção. eu odeio ficar sozinha.
se alguém me dá amor e atenção, meu mundo todinho se fecha ao redor dessa pessoa, e aí que as coisas ficam ainda mais complicadas. eu não tenho controle nem de como minhas próprias emoções vão reverberar em mim mesma, como que eu vou lidar com minhas espectativas em relação a outra pessoa? como fazer para não jogar o peso da minha vida em cima dela? eu não consigo lidar com isso, mas para ser honesta, eu não consigo lidar com basicamente nada na minha vida, então vamos só mergulhar de cabeça e o resto a gente vê depois.
agora que eu sei que tenho um transtorno espero não abandonar o tratamento mais uma vez, eu odeio tomar remédios, mas faz uma semana que eu estou nesse românce químico entre antidepressivos e antipsicóticos que parece estar funcionando. também tentei ser honesta uma vez na vida com minha mãe a respeito do diagnóstico, ela não pareceu dar muita importância mas sei que é só o jeito que ela lida com as coisas: fingindo que elas não existem. nessa semana meu pai também passou aqui em casa, e quando abracei ele senti vontade de chorar pois percebi o quanto eu sinto falta dele na minha vida, queria poder ter uma relação melhor com eles, mas não depende de mim. eu amo eles, e sei que me amam também, mesmo que da maneira deles.
24/02/2023