Pensou sobre a fala dela, fazer a seleção ser sobre ele, parecia ser mais fácil à teoria do que na prática e por mais que, no fundo, soubesse que ela estava certa, ele simplesmente não sabia por onde começar. A verdade era eu a seleção fugia de sua zona de conforto, mesmo que quisesse fazer aquilo para ajudar o pai. Não podia negar que estava sim se divertindo, mas eram poucas as vezes que ele conseguia ser verdadeiramente ele nos últimos meses. Não que estivesse fingindo o tempo todo, ou fingindo com todo mundo, mas ele podia contar nos dedos as poucas pessoas com quem ele tinha agido verdadeiramente. Pouquíssimas selecionadas haviam visto o verdadeiro Hunter, Lavínia estava sendo uma delas naquele momento. Aos poucos ele começava a se abrir mas ainda se sentia pisando em ovos. Tinha medo de estragar tudo, afinal havia muito em jogo ali. “Eu entendo o que quer dizer e preciso acrescentar que te admiro por isso.” - O sorriso sincero apareceu em seus lábios quando ela lhe deu um beijo na bochecha. Se um dia viesse a não escolhê-la espera que que eles pelo menos continuassem amigos. Queria ser pelo menos amigo de todas ali, elas já haviam conquistado um espaço bem grande em seu coração e ele se importava com elas, elas eram mulheres incríveis. “Pelos motivos errados, nos somos mesmo.” - Riu com humor de si mesmo, queria dizer que eles deveriam ser perfeitos, simplesmente por outros motivos, mas eles eram pois ambos sofriam pressões que não queriam ter. Sentiu a cabeça dela em seu ombro, inclinando a sua na direção da dela enquanto sentia a carícia dela em seu braço e o sorriso se alargava em seus lábios. “Obrigado.” - Disse sincero. “É sempre muito importante ter amigos na qual podemos nos abrir e ser verdadeiros, então conta comigo.” - Completou ao escutar o tom solitário e quase triste na voz dela. Não gostava daquele tom, gostaria de vê-lá mais feliz. Riu, jogando a cabeça pra trás, quando ela comparou os pais deles. Sabia que não era certo, que não deveria rir, talvez fosse o álcool, sempre culparia o álcool, mas algo no que ela havia dito o fez rir. Mas quando ela voltou a falar ele voltou a ficar sério, balançando a cabeça positivamente para ela. “Obrigado por isso, significa muito pra mim.” - Disse grato, apertando a mão dela de volta. Era reconfortante saber que mais pessoas pensavam positivamente a respeito de seu pai. Pegou a garrafa num sorriso e deu um grande gole. Beber faria bem para ambos. Escutou a explicação dela a respeito dos planos dela, o porque ela se inscrevera na seleção. Ouvia atentamente balançando a cabeça e dando mais alguns goles na bebida. “Quando eu crescer quero ser como você.” - Brincou após toda a explicação dela, riu levemente, mas então voltou a ficar sério quando voltou a falar. “Eu não sei se já te disse isso antes, mas admiro muito a sua coragem de mudar, de fazer as coisas por você.” - Novamente seu tom era sincero. Ele voltou a rir quando ela falou sobre estar em um reality show e principalmente quando ela piscou. “Me sinto lisonjeado que esteja vivendo por mim também, mas fico ainda mais feliz que seja por você, pois é isso que importa.” - Devolveu a piscadela para ela. Riu quando ela falou sobre as perguntas terem acabado, ele precisava confessar que também estava sem mais perguntas. “Bom, vejamos. Acho que gosto de tudo, sem restrições, comida é comida. Mas acho que o que eu poderia comer a qualquer hora do dia é um bom cheeseburger, pizza e macarronada. E você?” - Perguntou interessado na resposta dela, talvez pudesse lhe preparar um jantar, com a ajuda de Richard é claro, com as comidas que ela gostava. “Meu sonho é abrir uma clínica veterinária com atendimento gratuito aos pacientes e isso é algo que eu nunca pude fazer, não ainda. Qual o seu?” - Mudou a posição que estava e então deu outro gole da bebida, estendendo a ela. “Depende, que azul ou preto, mas também gosto de vermelho e branco.” - Parou por um momento, gargalhando logo em seguida. “Okay, eu não tenho uma cor preferida, você tem?” - Riu novamente para então pensar na próxima pergunta, o que é que ele mais gostava: “Acho que meus lábios carnudos…” -. Comentou fazendo um bico: “E qual é a coisa que mais gosta em você?” -.
Lavínia Miller era alguém admirada, fosse por sua beleza ou ousadia, já que muitas de suas polêmicas eram por causa da ousadia e falta de papas na língua. Algo que não era completamente ela, a questão é que ter a admiração de Hunter era algo importante para ela. Não por ele ser Hunter King, mas por ver sinceridade nele e principalmente por ele admirar quem ela era de verdade, mesmo que eles não conhecessem completamente ainda, haviam dado um grande passo ali. Retribuiu o sorriso, sentindo-se grata pelo momento, mas sem conseguir encontrar palavras, talvez não fossem necessárias afinal. Acabou rindo junto com ele, era bom saber que dividiam aquele tipo de coisa, mesmo que fossem pressões diferentes, era o tipo de coisa que os aproximava e os tornavam mais similares. Sorriu quando ele pousou a cabeça na sua, sentindo-se acolhida quase que pela primeira vez na vida. Nunca estivera daquele jeito com um rapaz antes, já que na adolescência não tinha tempo para relacionamentos e durante sua vida adulta a maioria dos homens que se aproximavam de si eram por interesse ou porque tinham sido contratados. “Conte comigo também” Apertou levemente a mão dele, de fato ela e Hunter seriam bons amigos, mesmo que ele não a escolhesse no final, sempre torceria por ele. O homem se mostrava cada vez mais alguém incrível e ter alguém próximo e íntimo daquela forma já era algo pelo qual se sentiria grata, estava gostando de fazer amizades ali como Mandy, Mahina e Maeve, sabia que poderia contar com elas mesmo depois do programa. Claro que ela tinha dito aquilo para fazer graça, não que Lavínia não falasse sério, mas quando o assunto eram seus pais as coisas eram delicadas e intensas demais, então um alívio cômico acabava se fazendo necessário, ou talvez fosse o álcool, ou ainda um lado de si que estava descobrindo. A modelo estava cada vez mais gostando quem era naquele reality, descobrindo coisas sobre si e se sentindo mais humana do que uma marionete dos pais.
Riu do comentário dele, de algum jeito Hunter sempre a fazia rir e cada vez mais apreciava isso. “Qual é, eu tenho quase 30 anos, já passou da hora de mudar e de viver por mim” O tom ainda era leve e divertido, como se o provocasse, já que ele não era tão mais velho assim do que ela. “Eu apenas cansei... e não tenho mais quinze anos, sou uma mulher crescida. Já estava na hora de tomar as rédeas da minha vida, mesmo que eu não saiba exatamente o que farei”. Completou com um encolher de ombros, pegando a garrafa e tomando um longo gole. Já se sentia mais leve, flutuando levemente e o sorriso bobo não saía de seus lábios. Sim, por mais que estivesse ali por ele, tudo ali era por ela, ou ao menos mais por ela do que por ele. “Sabe, eu tô começando a me arrepender de nunca ter tentado falar com você, tenho quase certeza de que já estivemos em pelo menos um evento juntos. Ainda que eu não lembre de tê-lo visto em algum evento”. Comentou olhando para o céu, talvez se o tivesse conhecido antes não se sentiria tão carente de amor e algumas outras coisas, claro que não era o amor romântico, mas afeto em si sempre lhe fizera falta. “Pizza com toda a certeza, eu simplesmente amo e não consigo não comer. Adoro massas e cozinha italiana de modo geral” E daí que ela era uma modelo? Claro que ela mantinha uma dieta quando era necessário, mas isso não a impediria de adorar comida italiana. “Aposto que você consegue, conte com meu apoio, podemos fazer campanhas de doações para manter a clínica”. Sugeriu com um largo sorriso, sempre gostou de cães, queria ter um e nunca tivera a oportunidade de ter um. “Eu acho que não tenho um sonho”. Ponderou olhando para o horizonte. “A única coisa que sempre quis é afeto, amar e ser amada... Tirando a minha falecida avó, não tive bons exemplos de amor”. Respondeu de forma brutalmente sincera, ainda que seu tom de voz fosse pensativo, aquele era um dos motivos de ter se inscrito, ela queria tentar se apaixonar por ele, saber como era. Por um lado ela estava conseguindo algumas coisas, já que fizera amizades e começava a entender como era ser querida de verdade pelas pessoas, assim como retribuir o afeto, carinho e amizade. “Acho que não, apesar de gostar bastante de preto e amarelo” Respondeu rindo da forma como ele tinha gargalhado, era tão bom vê-lo relaxado daquela forma. “Oh, eu também gosto dos seus lábios carnudos” Provocou em meio ao riso, tomando mais um gole e deixando um pouco para ele, antes de se levantar. “Meu cabelo, eu adoro a versatilidade dele e como me faz sentir poderosa” Moveu os braços fazendo o movimento de força, só para fazer graça. “As perguntas acabaram e a bebida também, o que acha de um mergulho rápido antes de voltarmos?’ Sentia leve, feliz e um pouco cambaleante, um mergulho não faria mal e não havia qualquer traço de segundas intenções nela, apenas um largo sorriso feliz e bobo, e uma mão estendida para ele.