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Sophocles, Elektra (trans. Anne Carson)
( @nxhongbin )
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nxhongbin:
TW: Violência.
A língua de Hongbin fazia um caminho circular e lento pelos lábios, assim como um leão se preparando para comer sua presa, ou um vampiro vendo uma veia pulsante de um ser humano. Era isso que queria fazer com a mulher que compartilhava o mesmo espaço que ele, queria morder cada pedaço de seu corpo e saber seu nível de resistência a dor, somente para aumentar a pressão em seguida. O escuro era seu maior aliado, provavelmente ela não se lembraria de seu rosto, e não veria como as pupilas de Hongbin estavam dilatadas e a íris mais escura que o normal. As pausas entre a fala da mulher somente deixou claro o nervosismo que esta estava sentindo, deixando tudo mais divertido para o lado da mente monstruosa de Hongbin. ——– Que bom que não está com medo… seria bem ruim se ficasse. —– Sussurrou as últimas palavras quebrando a distância que a mulher tinha colocado entre eles, ficando agora com o peitoral colado nas costas da menor. O cheiro de seus cabelos eram um êxtase para o corpo cansado de Hongbin, e com a traseira da mulher encostando levemente na área perigosa do maior, o desenhista estava prestes a levar sua mão até o pescoço da outra e fazer toda aquela tensão acabar já indo direto ao ponto, queria saber quanta força poderia aplicar no local até a mulher começar a sufocar contra seu corpo, queria sentir seu desespero.
Porém algo gritou em sua mente, e imagens da trágica noite voltaram em sua mente. Se lembrou dos olhos mortos da garota, e da marca que tinha deixado em seu pescoço, se lembrou dos pedidos por ajuda, dos pedidos para parar, sua mente estava usando seu último recurso para evitar que Hongbin estragasse a vida de outra mulher. Seu corpo estava entrando em um caos interior onde sua memória era o único recurso confiável para fazer tudo aquilo parar. E funcionou. Hongbin logo abaixou sua mão, tão rápido que a palma fez um estalo em sua coxa pelo desespero em evitar o que estava prestes a fazer. Os passos, diferente dos interiores, foram rápidos e para trás, como se a mulher agora fosse a fera e ele a pressa. Suas costas doeram ao sentir o forte baque contra a parede do elevador, seu coração batia forte e sua respiração rápida denunciava seu pânico naquele momento. Tinha que sair de lá. Tinha que deixar ela a salvo, a salvo de si mesmo.
Para, talvez, a infelicidade de Hongbin, a luz voltou com um pequeno estalo, porém o elevador ainda não tinha voltado a funcionar. Os olhos do desenhista estavam encharcados de lágrimas, o que dificultava sua visão que não conseguia ver a mulher nitidamente, não sabia como estava sua reação, e nem queria saber, não queria ver o desespero em seu rosto causado por ele. Sua mente gritava e o corpo parecia entrar em colapso com todas as emoções que sentia no momento, tinha que fazer alguma coisa. ——– Você tem que sair daqui, eu tenho que te tirar daqui. ——- Disse tão baixo que não sabia se a mulher tinha escutado, mas não importava, suas palavras não iam ajudar em nada, mas sim suas ações. Desencostou da parede e foi para perto da porta procurando qualquer botão que poderia ser usado em casos de emergência, e ao achar, apertou tão forte que por um momento achou que tinha o quebrado. “Preciso tirar ela daqui” era o único pensamento que passava em sua cabeça, e estava determinado em fazer aquilo acontecer o mais rápido possível. Após alguns segundos depois, ouviu uma voz pelo alto falante que tinha dentro do elevador, era alguém da central informando a falha nos elevadores e que demoraria no máximo 20 minutos para tudo voltar ao normal. 20 minutos é tempo demais, não sabia como ficaria ao passar do tempo, não sabia se aguentaria.
Acabou decidindo por se sentar no chão do local, com os joelhos próximos do peito e a cabeça abaixada, os olhos fechados demonstravam a força em tentar criar o sentimento que estava sozinho, sem ninguém perto, que nada poderia o atentar de forma negativa. Queria sair dali, não se sentia bem, acabaria fazendo algo que não queria, aquilo não era seguro. Acabaria a machucando, e isso era uma questão de tempo…
O lábio inferior começava a ser mordido sem muita dó pela mulher. Já não bastava ser ruim o suficiente estar ali presa em um cubículo quente e escuro, ainda tinha de lidar com um homem que sequer conhecia que estava dando em cima de si como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo e quem dera fosse da maneira mais convencional possível. Se fosse na luminosidade com algum sorriso e fala mansa tudo bem, mas não na falta da mesma e com um tom de quem estava prestes a lhe devorar por tão pouco. O coração acelerou ainda mais quando ele encostou em si e podia jurar que estava sentindo as pernas bambas. Aquilo não era bom. Não era de jeito algum. Era só ela e ele ali dentro com um total de zero capacidades de defesa própria. Por que tinha que ser tão baixinha e fraca? Os dedos se fecharam com mais força no jaleco, chegando a deixar os nós brancos dos mesmos conforme ela cerrava os olhos e orava para que aquilo terminasse o mais rápido possível. Que o elevador voltasse a funcionar o mais rápido possível.
Aquilo lhe remetia a seu ex por alguns instantes, mas com a mesma velocidade que a lembrança veio a mesma foi embora. Talvez tivesse sido pela recuada que o homem deu ou talvez pela lembrança a si mesma de que aquele homem não era Jason, era apenas uma pessoa comum com algum tipo de problema rápido ou alguma necessidade esquisita de tocar os outros por absolutamente nada. Era um tipo de assédio que ela estava acostumada a ver, mas que não era nem um pouco comum na sociedade, que não deveria ser comum. Assustou-se não com o afastamento rápido, o qual agradecia por ter acontecido, mas sim pelo baque das costas dele batendo no elevador. O barulho pareceu ecoar forte o suficiente para lhe doer os tímpanos, embora acreditasse que fosse apenas o medo momentâneo que havia lhe feito aumentar ainda mais a capacidade auditiva e acreditar que qualquer coisa ali agora seria capaz de lhe ferir.
As luzes voltaram e por puro instinto acabou olhando ao redor como se aquilo fosse capaz de ajudar em alguma coisa. Foi aí que se tornou capaz de ver a face do homem e notar seus traços fortes, realmente possuía a face de quem poderia lhe machucar, mas ao mesmo tempo conseguia notar que ele trazia algum sofrimento dentro de si. Era como se o homem de instantes atrás sequer existisse, principalmente mediante às suas palavras de ter de tirá-la de lá. Por que? O escuro era uma espécie de gatilho para ele agir daquela forma? Porque se fosse preferia que as luzes ficassem acesas para todo um sempre antes de sofrer qualquer coisa nas mãos daquele homem. Sera sequer disse alguma coisa até mesmo quando ele falou com o pessoal da manutenção. Estava refletindo demais sobre o que estava acontecendo ali e o que havia acontecido ali, era muito informação para pouco tempo. Principalmente quando ele se jogou de novo no canto do elevador e se encolheu. Estranho.
Sera passou a mão pelos fios soltos, a língua pelo lábio inferior antes de tomar qualquer atitude. Ele estava tendo uma possível crise de pânico e mesmo que seu eu interior lhe dissesse para manter distância dele, seu dever como médica lhe dizia para tentar acalmá-lo e isso sempre acabava lhe vencendo sem que ao menos notasse. A prancheta foi deixada no piso antes de seguir até o homem com um suspiro pesado e se agachar rente a ele. — Calma, tá bom? Esses minutos logo vão passar. É só respirar fundo que vai dar tudo certo. — E então sem saber que aquilo poderia lhe acabar com um momento de paz pelos próximos minutos, Sera o tocou.
— 𝓼𝓽𝓾𝓬𝓴
nxhongbin:
with: @nxsera at: elevador, hospital
Suspirou pela terceira vez em 2 minutos, tudo o que queria era apressar seu passo e ir embora para sua casa aonde o seu sossego estaria garantido, junto com o aconchego de sua cama e uma xícara de café quente. Estava no hospital, tinha acabado de sair de uma consulta de emergência com o psicólogo por conta de suas recaídas que insistiam em acontecer mais frequentemente do que queria. Talvez era o estresse do trabalho, ou o da vida, que fazia sua mente perder o controle as vezes, mas sabia que aquilo não poderia acontecer, pelo seu próprio bem e pelo bem das outras pessoas. Não poderia deixar aquele dia se repetir, nunca mais.
Hongbin apertou novamente o botão para chamar o elevador, usou até mais força como se aquilo fosse adiantar alguma coisa. Precisava chegar em casa rápido, quanto mais estressado ficava, pior era seus desejos. O elevador acabou parando no andar em que estava, segundos depois, abrindo suas portas e revelando seu interior. Não estava sozinho. Uma mulher de cabelos castanhos estava presente no local, parecia trabalhar ali ao julgar pelas vestimentas, mas isso foi o de menos para Hongbin. Se sentiu enjoado e aquela sensação voltou como fogo tocando o álcool. Ele realmente tinha que ir pra casa. Já havia aprendido a controlar seus desejos impuros ao ter alguém atraente ao lado, mas Hongbin já sentia que aquela era mais uma de suas recaídas.
Acabou entrando no elevador, mesmo receoso. O perfume da mulher acabou invadindo suas narinas, e Hongbin sabia que suas pupilas já estavam dilatadas pelo prazer que subia em seu corpo. Apertou o botão para a entrada do hospital, e se encostou na parede no fundo do elevador respirando fundo e tentando controlar seus pensamentos obscenos com aquela situação, pensamentos com aquela pobre mulher a sua frente que provavelmente não desconfiava de nada, pelo menos era o que Hongbin esperava. Fechou os olhos esperando a voz robótica que avisava os andares anunciar o seu andar para, finalmente, ficar longe daquela estúpida tortura.
Porém, Deus, destino ou o universo, não estava do seu lado naquela noite, ah não mesmo, pois assim que fechou os olhos o homem sentiu um baque mexer com todo o elevador e o fazer parar. As luzes se apagaram o deixando em um completo breu, que poderia ser considerada como desesperador. Não conseguia ver nada a sua frente, mas sabia que não estava sozinho, e isso era um grande perigo… não para ele. Sua respiração começou a ficar mais pesada. Hongbin se segurava tão fortemente na barra de ferro do elevador que suas juntas já estariam esbranquiçadas. Poderia a atacar, pensou nessa possibilidade. Poderia a prender contra a parede. Poderia tirar sua roupa e sentir sua pele macia. Poderia possuí-la ali mesmo, e ninguém iria ver. Ninguém iria saber. Ninguém iria os escutar. Mas eles não se conheciam, os dois eram completamente estranhos um pro outro.
Entretanto, Hongbin desejava, desejava tanto que deu dois passos em direção onde tinha visto a mulher antes das luzes se apagarem, sendo o suficiente para tocá-la e suspirar no que parecia ser sua nuca. —— Você está com medo? —— Poderia ser uma pergunta de duplo sentido, mas mesmo assim, Hongbin estava entretido demais naquela situação toda. Era uma recaída. O lado monstruoso de Hongbin estava aparecendo novamente. E era melhor aquele elevador voltar a se mover….
Noção de tempo e espaço já não era mais o que fazia parte da mente de Sera naquele momento ou até mesmo no dia todo. A correria de um lado para o outro para atender pacientes na emergência, pacientes na UTI, pacientes para fazer cirurgias. A mente dela estava mais para um branco de tudo o que havia à sua frente do que qualquer outra coisa que pudesse prestar atenção naquele instante. Na mão possuía um prontuário que deveria entregar e sequer havia prestado muita atenção ao escrito das enfermeiras, pareciam mais letrinhas embaralhadas em uma sopa a qual ela não estava sabendo muito decifrar. Precisava descansar para ontem.
Em seu caminho de saída da emergência falou com alguns pacientes e enfermeiras antes de seguir para o elevador para descer para a segunda recepção e entregar os relatórios para finalmente se livrar daquele dia de serviço. Sera amava o que fazia, mas tinha dias como aquele que apenas queria não estar vivendo ele de tamanho cansaço que sofria. Um suspiro pesado lhe escapou dos lábios ao colocar a prancheta debaixo do braço enquanto chamava o elevador ao apertar o botão do mesmo que pela graça divina já estava em seu andar. Parecia que os deuses estavam à seu favor naquele instante e que estivesse até que pudesse estar finalmente quietinha em casa largada na frente da televisão antes de acordar no meio da noite dormindo e babando no sofá.
Em seu momento de distração logo após adentrar no elevador foi que não notou a parada dele até ver alguém entrar no mesmo. Sera acenou sutilmente com a cabeça em um cumprimento como era seu costume com qualquer pessoa antes de voltar a atenção a porta metálica que fechava-se à sua frente. Só mais dois andares e logo mais poderia estar livre para sua tão amada liberdade, não seria demais pedir isso, seria? Na verdade, parecia ser porque lá estava o elevador parando com um baque e as luzes apagando. Ótimo, era tudo o que precisava.
Sera deixou um suspiro baixo lhe escapar antes de cerrar os olhos e tentar se concentrar no fato de que logo mais lhe tirariam dali e que poderia finalmente se ver livre de trabalho e... Sua mente teve qualquer raciocínio cortado quando ouviu os simples passos ali dentro. Tinha esquecido por instantes da presença do homem no elevador e sua aproximação em relação a si deixava claro que ele não estava querendo lhe deixar esquecer da mesma. A respiração quente em sua nuca lhe fez arrepiar e antes que pudesse perceber já estava apertando o jaleco por entre os dedos. Não demonstre medo, não demonstre medo. — Na verdade não... Já é normal isso acontecer aqui no hospital... Então... — E um passo fora dado para o lado em meio aquele breu para longe dele.
it’s about crush ‘n coffee
nxkiara:
Como se já não bastasse a tristeza que invadia o ser da japonesa sem que ela pudesse descrever o motivo dele, a cafeteria naquele momento estava devagar. Poucos clientes nas mesas e a mior parte dos pedidos estavam saindo diretamente do balcão. Pedidos para viagem eram sempre rápidos e estes diminuíam o trabalho da japonesa que tinha como função principal atender as mesas.
Pelo pouco movimento, acabou indo para o posto atrás do balcão, podendo dar o reforço ali. O tempo parecia passar mais rápido estando ali atrás, preparando alguns cafés e entregando os bolinhos quentinhos diretamente aos clientes com seu típico sorriso de orelha a orelha que deixavam suas bochechas ainda mais gordinhas.
Assim que ouviu o sininho da porta que indicava mais um novo cliente, virou-se na direção da entrada. Não poderia esconder o sorriso e felicidade ao ver a mais velha novamente. Poderia ser um verdadeiro exagero toda aquela ansiedade para estar na presença alheia, mas nem mesmo a própria Kiara compreendida os momentos. Apenas sabia que gostava daquela sensação. “ – Unnie! Bom dia! – “ a cumprimentou mais sorridente do que nunca, após ajeitar o avental e o pouco de cabelo que saia pela boina de seu uniforme. “ – Mas é claro! Eu vou caprichar pra você. – ” disse e então deu as costas, indo para a máquina de café já mais do que conhecida.
Já sabia de cor e salteado todo o processo da bebida que fora pedida, fazendo uma pequena mudança apenas na quantidade de chocolate, colocando um pouco a mais. “ – Aqui! Espero que esteja a sua altura.
Não entendia ou não sabia muito bem se era capaz de exercer aquele tipo de energia sobre as pessoas ou similares, mas a questão era que adorava quando recebia os sorrisos da mesma forma que os dava e adorava os da japonesa. Kiara tinha um jeito próprio e isso havia percebido desde o dia que a conhecera em uma ajuda que fizera a seu fraco coração, sabia muito bem que a nipônica poderia parecer tanto tímida quanto extrovertida, algo que ela estava sendo naquele momento em relação a seu cappuccino.
A risada sutil foi inevitável com a maneira a qual ela agiu mediante seu pedido e ao invés de sentar-se em uma mesinha como sempre fazia, optou por sentar-se no balcão para ficar rente a mais nova que trabalhava à sua frente. Quem sabe aquilo não lhe dava um pouco de disposição. Ou ao menos esperava que o fizesse, porque precisava de todas as formas possíveis.
Aguardou pacientemente até finalmente recebê-lo com um sorriso. — Então ele vai estar baixinho! — Comentou em meio a pequena piada que de engraçada não havia nada. Chegou até mesmo a rir sem graça. — Mianhae, eu sou péssima com piadas ainda mais logo cedo pela manhã. Mas tenho certeza que vai estar perfeito como você sempre faz, dongsaeng. — Assentiu antes de soprar o conteúdo dentro da xícara e solver um pequeno gole. — Omo! Maravilhoso demais!
( @nxhongbin )
— BOLD THE T R U T H —
yunhoxn:
Naquele sábado em Go-ri parecia que o sol estava proporcionando uma vibe maravilhosa para um passeio naquele final de tarde. Queria ter um cachorro num momento como aquele só para ser o clichê do jovem solteiro passeando com o seu cachorro numa tarde agradável, mas como não tinha catou o boné e arrumou os cabelos para trás antes de colocar o acessório. Pegou a carteira e calçou os chinelos antes de sentir a brisa bater contra o seu rosto no momento em pisou fora da casinha. “Omo.” Fechou os olhos respirando fundo o ar puro. Amava aquele lugar. Amava como Go-ri podia ser tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe da tempestade que era Seul. O lugarzinho era surreal. A beleza dele não poderia ser igualada nunca.
Yunho entrou no moon café atraindo alguns olhares curiosos, talvez por conta da sua tatuagem exposta em uma das panturrilhas, afinal, estava usando shorts e uma camiseta preta. Notou também que, por mais que olhasse, todos os lugares do café pareciam estar ocupados e ninguém ali era muito chegado ao moreno. “Que bela situação.” pensou consigo mesmo enquanto exibia um sorriso discreto para a atendente atrás do balcão. “Um café gelado, por favor.” Se esforçou para não demonstrar seu desconforto diante da situação quando girou os calcanhares para encarar o lugar lotado, porque no final das contas tinha saído de casa justamente para conseguir apreciar a vista tomando um bom café, mas, aparentemente, iria tomar em qualquer outro lugar.
Já estava conformado com o pensando de ir ao menos até a praia até que notou um rosto conhecido. Ok, só conhecido mesmo porque nunca na vida tinha trocado uma palavra com Sera e nem era por falta de vontade, mas sim de oportunidade. Que bela situação mesmo, pois finalmente tinha uma desculpa para puxar papo com a desconhecida. Em passos lentos e cautelosos, Yunho se aproximou da mesa alheia. Observou que ninguém, aparentemente, ocupava a cadeira em frente a menor e tossiu para atrair a atenção dela, mostrando seu melhor sorriso em sequência. “Boa tarde. Eu posso sentar com você? Não existem outras cadeiras desocupadas.” Mentira, existiam sim, todavia ninguém ali valia a pena para o pedido. “Me chamo Yunho, é um prazer conhecer você, vizinha.” Os olhos foram ao encontro da íris castanhas. Ele estava travando uma luta interna para não dar em cima de uma das garotas mais bonitas da vila e, deuses, que inferno de mulher atraente.
nice to meet you // with @nxsera
Tinha de anotar mentalmente que tirar plantões de 36 horas eram algo que lhe destruíam a mente mais rápido do que qualquer droga lícita em sua vida e ela estava falando de sua amada cafeína de todo dia. Okay que era exagero dizer que a mesma mexia com sua mente, mas só a mesma para lhe deixar no mínimo acordada até chegar em casa e se jogar na cama pelas próximas oito horas para ir para a clínica na ilha e atender os pacientes tanto de caráter “normal” quanto os que iam por sua especialização de cardiologia. Em meio a dirigir para a ilha, Sera trazia consigo um copo de café forte e puro porque só isso para lhe deixar acordada pela próxima hora até chegar em Go-ri e finalmente ir para sua cafeteria favorita para dormir como um anjo pós cappuccino.
Uns ínfimos segundos de olhos fechando aqui ou ali e ela finalmente estava na sua ilha amada e em casa. Bom, quase. Estacionou rente a cafeteria antes de finalmente entrar na mesma e se dar conta de que só havia um lugar para sentar e pela graça divina era rente a janela. Sera nem mesmo pensou se poderia estar tomando o lugar de alguém ou atropelando alguém no meio do caminho só sabia que queria e que precisava sentar o mais rápido possível. Fez seu pedido sentada de onde estava e aguardou pacientemente pelo mesmo. O pior já havia passado e lá estava ela apenas no aguardo do que seria finalmente seu.
Não prestou atenção em mais nada quando seu cappuccino chegou. As mãos sendo aquecidas pelo mesmo conforme o olhar se direcionava a janela em meio a pequenas goladas enquanto ela olhava para o céu que pouco a pouco ia ficando alaranjado do lado de fora. A cabeça balançava levemente demonstrando seu cansaço e torcia para que ninguém o tivesse percebido até então ou quem lhe tossiu tivesse percebido. Espera. Alguém havia tossido? Sera piscou lentamente antes de virar-se para a origem do som e abrir os lábios em surpresa antes de sorrir. “Ahn, pode, pode sim. À vontade.” A mão estendeu para a cadeira à sua frente em sua maneira de permitir que o rapaz sentasse ali. Ela sequer via qualquer problema, afinal de contas o local parecia ainda mais cheio desde quando havia sentado ali. “Me chamo Sera, é um prazer em conhecê-lo Yunho... Vizinho?” A mente pareceu um branco de repente. Ele era mesmo seu vizinho? Sequer tinha percebido por esses dias ou por qualquer outro dia na verdade. Porém... A pele amorenada e ar diferente de qualquer pessoa dali lhe denunciava que sim, já havia notado ele. “Ah é mesmo. Mianhae, eu ando meio avoada. É tanta coisa em minha cabeça que fico até perdida.”
insetos, trilha e tudo o que há de bom?
nxdae:
nessa fuga à francesa, o que sera não esperava era encontrar uma parede no caminho. quer dizer, parede no meio da floresta é uma coisa estranha, não é?
isso porque não era uma parede de verdade, era só daego bloqueando o caminho da sera com o corpo e um sorriso. em uma das mãos ele tinha uma cesta e na outra, água, alem da mochila.
“bom dia pra você, noona.” ele sabia muito bem que sera tava tentando fugir antes mesmo de abrir o coração pros beneficios de se fazer uma trilha bem no começo da manhã. dae e suas covinhas estavam se fazendo de desentedidos. “você tava indo me procurar, né? eu sei. me atrasei um pouco mas agora já tô aqui.”
a fuga teria sido sim perfeita se aquela famosa parede de um sorriso bonito não tivesse surgido em sua frente. droga, dae! seria questão de segundos até sair dali e encontrar a verdadeira e maravilhosa liberdade. por que tinha que ser daquele jeito?
com uma expressão que não tinha nada de adulta para sua idade, sera deixou que um bico lhe adornasse os lábios róseos conforme olhava para o verdadeiro significado de altura. devia ter crescido um pouco mais só para poder encará-lo de igual para igual.
a expressão se desfez conforme a mão era levada para trás da cabeça em meio a uma ação sem graça mediante as palavras dele. “bom dia, dongsaeng... então... eu ia em casa que esqueci de trazer comida e não queria ficar sem comer nada no meio do caminho e...” começou a gesticular como se aquilo fosse ajudar em sua mentira. “vai que eu desmaio no meio do caminho? imagina só que tristeza pra essa trilha. essa estrada de barro não merece que essa humana esquecida desmaie sobre ela.”
it’s about crush ‘n coffee
nxkiara:
@nxsera
Trabalhar com algo ou no lugar onde realmente se gosta e tem prazer era o que alegrava a japonesa todas as manhãs. Por mais que o trabalho de ficar de um lado para o outro que nem uma baratinha tonta com uma bandeja na mão fosse cansativo, Kiara amava estar naquela cafeteria que já considerava como sua segunda casa.
Mas não era somente por adorar o ambiente, mas por quase todos os dias a japonesa ter a visita ilustre de uma certa mulher que sempre roubava a sua atenção. Desde que Sera apareceu em sua vida como um anjo quando seu coração resolveu lhe relembrar que não tinha uma saúde de ferro, ela se via encantada pela mais velha. Mas, tudo que fazia era admira-la de longe e vez ou outra lhe preparar bolinhos como forma de agradecimento.
Já era a quinta vez que os olhos nipônicos iam de encontro para o relógio pendurado na parede e em seguida para o que estava em seu pulso. A sua crush ainda não havia dado o ar da graça e nos dias que a mesma não aparecia era sempre assim, uma Kiara cabisbaixa e com um biquinho triste em seus lábios.
Sera devia dizer a si mesma que estava cansada demais para ir trabalhar, que tinha de ir para casa e ficar quieta no lugar um tanto antes que desmaiasse no meio do caminho ou que dormisse na clínica no meio de seu intervalo ou até mesmo antes disso. Não que já tivesse feito antes, mas vai que acontecesse não é?
O olhar pairou sobre o despertador que tocava ao lado de sua cama e não sabia se saía da mesma ou se inventava pela primeira vez uma desculpa para ficar em casa dormindo como se não houvesse um amanhã. Em meio a um suspiro lento e preguiçoso, a mão foi de encontro ao aparelho o desligando e se erguendo da cama se espreguiçando mais devagar que o normal. Não custava nada se atrasar só uma vez na vida. Só uma única vez.
E esse atraso também valia de atraso para sua ida até a sua amada cafeteria. Deus abençoasse a existência da mesma, porque só assim para Sera ter alguma disposição matinal. Os passos letárgicos lhe levavam em direção a cafeteria e o soar daquele sininho lhe dava algum alívio na alma. O sorriso foi direcionado à todos que ali trabalhavam e principalmente a Kiara que sempre lhe fazia sua bebida favorita. — Bom dia, Kiarassi! Poderia fazer aquele cappuccino que tanto amo?
© sgsgom
insetos, trilha e tudo o que há de bom?
with: @nxdae
A primeira coisa que Sera pensou depois que se inscreveu para aquela trilha foi: por que? Entendia que gostava de ter uma vida saudável, claro, suas caminhadas diárias e vitaminas estavam aí para provar isso, mas por que inventar justamente de ir para uma trilha? Não pelo medo de andar por alguns bons quilômetros com subida e descida, não. Era porque pensava agora na quantidade de insetos e qualquer outro bicho que poderia se encontrar no local que - no mínimo - iria querer sugar seu sangue ou até mesmo lhe tirar a vida. Tudo culpa do Discovery Channel, tinha de parar de assistir pra ontem.
Então lá estava ela bem cheia de medo e nem um pouco plena com o que estaria prestes a acontecer. O instrutor mais à frente passava tudo o que iria ocorrer e o que poderiam encontrar no caminho além de algumas alternativas comestíveis de frutas que poderiam achar para saciar alguma fome que tivessem. Em sua mente já passava o fato de que poderia até mesmo acabar comendo algo que não deveria ter alguma intoxicação. Pelos Deuses, o que estava fazendo ali mesmo? Olhava de um lado para o outro notando que ninguém prestava atenção porque aquele era seu momento de correr. Sera começou a sair de fininho e torcia piamente para que ninguém fosse capaz de sentir sua falta.
Irene @ 180814 Idol Room