"Eu sempre desconfiei muito daqueles que nunca me pediram nada. Geralmente os que sentam à mesa sem apetite são os que mais comem."
– Aonde você vai tão cedo? – Antonieta me pergunta assim que entro na cozinha, apressado.
– Tenho que resolver algumas coisas. – digo pegando uma garrafa de suco na geladeira. Não tinha tempo para tomar café, precisava ser rápido e preciso. – Diga ao Austin e ao Dylan que não precisam me esperar, irei direto para a universidade. – falei enquanto saia.
Passei pela sala, onde encontrei o Hehewuti deitado sobre o sofá, ele apenas levantou a cabeça de cima de suas patas e ficou me olhando passar apressado.
– Bom dia, garotão. – acenei antes de passar pela porta. Ele apenas me deu um latido em reposta e logo voltou a dormir.
Depois das investigações de ontem, eu os meus primos voltamos para casa pensando em possíveis formas de solucionar esse caso, mas nem um de nós ousou em tocar no assunto da gravação e muito menos no nome “Suria”. Por um tempo, achei estranho eles não voltarem a esse assunto, mas sabia o que eles queriam dizer… Eles estavam me dando uma chance. Uma chance de provar que a Suria de fato é inocente e que talvez a voz da garota na ligação, não tenha sido a da Suria. Não era um momento para “achar”, se algo estava se tornando suspeito, precisávamos comprovar isso. E é exatamente o que irei fazer agora.
– Bom dia, Sr. Park! – cumprimentei-o com um largo sorriso. Sr. Park era o nosso motorista. Mais da Antonieta e da Jhoana, para ser mais sincero. Ele não trabalha todos os dias na mansão, apenas aparece algumas vezes na semana para avaliar os carros e as motos, para saber se está tudo bem, se caso não precisa levar para a oficina, ou quando a Antonieta ou a Jhoana precisam.
– Bom dia, Connor! – ele me responde entusiasmado. – Então, indo para a universidade?
– Ah, sim. – respondo, enquanto observo os seus velhos músculos trabalhando na lavagem do Aston Martin. – Sr. Park, pretende lavar ou dar uma olhada no Mustang, hoje? É que estava pensando em usa-lo.
– Humm… – ele olhou para dentro da garagem olhando diretamente para o carro – Creio que não, Connor. Pode ir com ele se quiser. – ele voltou a se concentrar na bucha e no sabão que estavam dentro do balde, mas continuou a falar. – Eu fiz a regulagem dele semana passada, até alguns ajustes. A limpeza dele está em dia… Então, bom, não vejo problema em usá-lo. – ele se ergueu jogando uma boa quantidade de sabão sobre o carro, enquanto me dava um sorriso de confirmação.