Tem muita coisa que eu digo não me importar, mas como uma forma de tentar me fazer acreditar, sabe? Porque é mais fácil assim. É mais fácil fingir que tanto faz do que lidar com o fato e a dor de não ter.
No title available

shark vs the universe
hello vonnie
will byers stan first human second
Xuebing Du

tannertan36

@theartofmadeline
2025 on Tumblr: Trends That Defined the Year

Origami Around

No title available
Misplaced Lens Cap
almost home
taylor price
🪼
Monterey Bay Aquarium

Discoholic 🪩
we're not kids anymore.
Cosimo Galluzzi
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open

#extradirty
seen from United Kingdom

seen from United States
seen from Brazil
seen from Vietnam

seen from United Kingdom
seen from United States

seen from Malaysia
seen from United States

seen from India
seen from United States
seen from United States

seen from Malaysia
seen from Greece

seen from United Kingdom
seen from United States
seen from Türkiye

seen from United States
seen from United Kingdom

seen from Malaysia
seen from United States
@palavrasquesou
Tem muita coisa que eu digo não me importar, mas como uma forma de tentar me fazer acreditar, sabe? Porque é mais fácil assim. É mais fácil fingir que tanto faz do que lidar com o fato e a dor de não ter.
Certa vez a sobrinha da esposa de um dos meus tios me contou que a tia se perguntava porque a gente (eu e minhas irmãs) não íamos com frequência a casa deles (eles moravam do outro lado da rua). Na ocasião não respondi muita coisa, disse que não era por nada, e deixei o assunto pra lá. Não era algo pensado e racional que eu fazia, eu apenas evitava ir e para mim isso era o normal.
Hoje, olhando para trás, eu vejo que havia um motivo maior. Quando criança, eu ficava com frequência na casa da minha vó (que era onde eles moravam), a princípio por necessidade, depois porque era divertido. Morávamos no sítio e brincar na terra, sob as árvores, entre os animais, era o que gostávamos.
Depois de uma certa idade, fomos nos afastando, o que parece uma progressão normal junto do crescimento - a gente começa a se interessar por outras coisas, o que antes era legal, perde o sentido. Mas era mais que isso. Mais que consequência do avançar da idade, era consequência de traumas sofridos.
Quando ela quis saber porque não frequentávamos a casa deles, eu disse que não era por nada. Mas hoje eu diria que era porque lá tinham acontecido abusos, que o termo "tio" não tinha o mesmo significado para mim que tinha para ela. Que aquele ambiente que um dia já tinha sido legal e divertido, em certo momento se tornou símbolo de dor, confusão, tristeza, sofrimento.
Os abusos não vieram daquele tio em específico, mas no fim das contas, aquilo destruiu qualquer possibilidade de haver uma boa relação com qualquer um deles.
É como se tudo fosse uma grande farsa. Um teatro que, inconscientemente, não queríamos mais fazer parte.
Então só nos afastamos. E carregamos uma dor que não devíamos ter que carregar. Não era justo. Ainda não é.
O monstro não estava debaixo da cama
Eu não sentia que tinha um porto seguro em casa. Em vez de sentir vontade de correr para os braços dos meus pais ou avós para pedir ajuda, eu sentia medo de ser descoberta. Medo de me culparem, me baterem, brigarem comigo.
Meus pais nunca me espancaram, mas batiam, eram emocionalmente instáveis, não me deram afeto. E para uma criança, meio que dá no mesmo. O medo que eu tinha era surreal.
Nunca falaram sobre meu corpo, as sensações, as mudanças. Me fizeram acreditar que tudo relacionado à intimidade era vergonhoso, que falar sobre meu corpo era tabu, que devja ser evitado a qualquer custo.
O que não aprendi na escola, aprendi no mundo, e nem sempre ele [o mundo] ensina do jeito certo. Na maioria das vezes, ensina através de muita dor e sofrimento, muita falha e fracasso, até acertar.
E quando você finalmente acerta, algumas partes suas ficaram pelo caminho e você não pode mais recuperar. Você se esforça 10 vezes mais para sobreviver no mundo tendo que conviver, sozinha, com dificuldades e limitações que deveria ter aprendido/superado na infância.
Eu aprendi desde cedo que precisava lidar com tudo sozinha, guardar para mim, esconder. Internalizei que o que eu sentia era feio e errado, que eu devia me esconder quando sentisse os sentimentos que senti quando estava mergulhada naquela situação.
E o monstro, que não estava embaixo da cama, estava bem à vista, entre a família, com máscara de bom moço, pai de família, honesto, trabalhador. Eu vi sua verdadeira face, e não consegui gritar, não consegui fugir. Só paralisei e fiquei ali. Desejando, lá no fundo, que alguém viesse e me salvasse.
Carta para ninguém
É que a vida é como um fardo pesado demais. Não é de hoje, eu nem me lembro desde quando. Na verdade, quando olho para trás, é como se uma lata de tinta derramada tivesse manchado as lentes sobre meus olhos e eu não conseguisse ver com clareza onde isso realmente começou.
E com medo de ouvir mais uma vez apenas que “tudo vai ficar bem”, eu mesma repito para mim, tentando acreditar que “eu não tive os piores problemas, a minha vida não foi a mais difícil e eu não deveria sofrer tanto por algo que não foi tão grande assim”. Com medo de ouvir outra vez que minhas dores são bobagem, eu mesma acabo reduzindo o que passou. E enquanto diminuo o tamanho e a importância do que sinto toda vez que falo sobre o assunto, a verdade é que, isso só cresce dentro de mim.
Porque toda vez que digo em voz alta como me sinto, é como se uma barreira invisível fosse criada entre mim e os outros. O olhar de pena me faz pensar que talvez eu seja a única pessoa que passe por algo assim. E se ninguém é capaz de compreender, o quanto disso é mesmo real? Então me calo. E engulo minhas lágrimas. E me coloco em uma caixa distante do resto do mundo.
Eu nunca soube o que estava fazendo e, aos vinte e poucos anos, me sinto esgotada. Mesmo que a única coisa que eu faça seja “descansar”, me sinto exausta. Eu tenho medo de continuar porque acredito que as coisas irão permanecer como estão. Mas, ainda assim, eu quero continuar tentando.
Validação. Às vezes, você só precisa de validação. Ainda que haja crianças passando fome na África, quando te conto como me sinto, preciso que você dê importância. Quando você me diz que “tudo vai ficar bem, porque tem gente pior do que eu, céus, isso nem sequer faz sentido! Em algum momento espalharam cartilhas contendo conselhos genéricos inúteis e todo mundo recebeu? Essa maldita dor é real e só precisa de validação.
Mas você passa tanto tempo tentando arrancar uma migalha de compreensão de outra pessoa, que em algum momento você cansa.
Às vezes eu só queria poder experimentar o vazio. O completo vazio de não ter que pensar nem lidar com nada. Porque há sempre um pensamento, uma lembrança, pra me atormentar e me deixar presa no meio do caos.
- aline
Às vezes eu só queria poder chorar, sem uma razão socialmente aceitável para isso. Como uma criança que não sabe descrever o que sente ou do que precisa e simplesmente começa a chorar. Um bebê que chora quando sente fome, porque algo o incomoda e ele não sabe dizer o que é.
Eu só queria poder sentar encostada na parede e chorar toda essa angústia que parece precisar explodir de dentro do peito, que não encontra um meio para escoar.
Mas eu não consigo. Alguma coisa em mim não me deixa fazer isso. Talvez o fato de que eu não sou mais criança e preciso lidar com o que sinto, como adulta, de forma madura. Talvez eu tenha medo de perder o controle e não conseguir mais parar depois da primeira lágrima.
Então eu só respiro fundo e torço pra isso passar.
Pare de procurar a felicidade como se ela fosse um lugar onde você vai chegar em algum momento da sua vida. Porque essa ideia é simplesmente irreal.
Olhe só um pouco para si e visualize o conceito de felicidade que existe na sua mente e me diga se não é algo mais ou menos assim: “Um dia não precisarei mais chorar, eu terei realizado todos os meus sonhos, terei uma família perfeita, amigos leais, saúde mental intacta’’.
Se você crê na vida eterna, lá ao lado de Deus, sim esse instante em que tudo se torna perfeito existe, mas o que você, o que nós precisamos entender, é que nascemos para ser sim felizes ainda aqui. Aqui nesse mundo caótico, cheio de dor, angústia, em que na maioria das vezes as coisas parecem não ter o menor sentido. E como saberíamos o que é sentir felicidade, sem que antes tivéssemos provado do sofrimento?
Tudo bem ser feliz aqui, e ainda que hoje você chore, que hoje doa e você sinta raiva ou medo, amanhã quando você sentir o vento no rosto, o cheiro da água da chuva molhando o chão, o abraço do seu filho, o ronronar do seu gatinho, quando ouvir aquela música que você ama, alguém dizer que te ama, ou comer aquela comida gostosa, sentir a água geladinha descendo pela garganta, um banho frio naquele dia quente, já será felicidade.
Saiba que a dor é necessária para a sua evolução. Como a criança que aprende a se equilibrar de pé porque descobriu que cair machuca e que, mesmo com as quedas, escolheu continuar tentando, porque andar era mais interessante que permanecer engatinhando. Cair faz parte do processo.
Eu penso que eu tive várias chances de ter uma vida incrível e desperdicei todas. É como se não parecesse que eu teria outras chances daqui pra frente.
Autismo - Diagnóstico Tardio
Por muitas vezes, ao longo dos meus 27 anos sem um diagnóstico correto, eu acreditei que fosse uma pessoa ruim, por não saber lidar e compreender as outras pessoas - essa parecia ser a única explicação possível. Acreditei que não gostasse delas, mesmo que, na verdade, eu quisesse tanto me aproximar e fazer parte do seu mundo. Mas era mais fácil me afastar.
E ao longo do tempo eu construí um muro em volta de mim, praticamente impenetrável. Eu me achava diferente de todas as outras pessoas, como se todas elas de alguma forma se entendessem e só eu não pudesse. Como se fosse a peça perdida de um outro quebra cabeça que jamais poderia se encaixar.
E agora, embora eu quisesse muito ter um relacionamento, um relacionamento amoroso, um namoro, eu tenho muita dificuldade para conseguir (amizades também não são nada fáceis). As poucas relações um pouco mais duradouras que tive foram, em grande parte, conturbadas, um tanto tóxicas. Ou o outro foi tóxico, ou eu fui tóxica, ou os dois ao mesmo tempo.
E nas demais, por não saber como agir principalmente, mas também por causa da impulsividade, de uma busca por prazer imediato, ou da necessidade de ser aceita a qualquer custo, eu acabava indo direto para uma relação sexual. Mas ainda assim, ingenuamente, esperava que aquilo se tornasse algo mais. Eu sempre esperava que a outra pessoa quisesse ir adiante, embora minhas ações talvez indicassem o contrário. E quando isso não acontecia, quando a outra pessoa não permanecia, eu me sentia profundamente frustrada.
"Por que continuo passando por isso de novo, e de novo?" Eu me perguntava. Sem notar, eu acabava me colocando na mesma situação por tantas vezes, como se esperasse resultados diferentes, ou como se não me lembrasse do quanto já havia sofrido por aquilo, ou não me importasse o suficiente comigo mesma. Parecia mesmo burrice.
E por muito tempo, me crucifiquei por me permitir ser assim. Em algum ponto, eu me convenci de que todas as más escolhas só aconteceram porque eu era uma pessoa má. Eu peguei as dificuldades de um transtorno que eu não sabia que existia e atribuí a mim.
Chamei minha falta de habilidades sociais, e as consequências dela, de burrice, maldade, ódio, frieza, e outras coisas mais. Hoje, por ter consciência do quanto tais situações me fazem mal, eu as evito. Mas é como se eu não tivesse nada além daquilo. Como se, por todo esse tempo eu tivesse vivido à deriva e não tivesse aprendido o necessário para estar com os outros. E, à parte o ato sexual, o que sobra?
Eu não sei onde eu preciso ir, não sei iniciar uma conversa, não sei como parecer interessante ou me interessar o suficiente pelo mundo do outro. Me frustro, me decepciono com as mínimas coisas e isso me faz perder o pouco de interesse que podia existir.
Eu sinto essa vontade de ter pessoas próximas, de poder contar com alguém, de estar disponível quando precisarem de mim, mas eu não consigo. Não consigo me aproximar das pessoas e quando de alguma forma elas se aproximam, eu acabo dando um jeito de afastá-las. É como se eu sabotasse a mim mesma o tempo todo.
Meu lugar mais conhecido
É como estar em uma montanha russa. Às vezes você está em cima, em outras está embaixo. Algumas vezes você acha que finalmente está voltando a subir e, quando vê, já está despencando de novo.
É como se aquele carrinho que sobe e desce fosse controlado pelas minhas próprias forças. E nas subidas, você precisa conseguir carregá-lo, se quiser conseguir subir. Como se você tivesse que carregar 10 vezes o próprio peso, enquanto tenta chegar lá no alto.
Mas pra descer, pra chegar no fundo, é simples, você só precisa parar de tentar. Só precisa largar todo o peso, que a gravidade se encarrega do resto.
Quanto mais o tempo passa, mais difícil fica subir. Não sei se a subida se tornou mais íngreme, ou se o peso se tornou maior, ou se eu apenas fiquei mais fraca. Às vezes você só quer parar para descansar um pouco. Mas quando faz isso, seu corpo despenca a toda velocidade. E você precisa levantar porque, a qualquer momento, ele pode atingir o chão.
Por um momento, eu fecho os olhos e me pergunto "e se eu só deixasse atingir o chão? Se eu permitisse que isso acabasse de vez e não tivesse mais que ser tão difícil respirar?"
Depois de tanto tempo em queda livre, a ideia de finalmente chegar ao fundo não parece mais tão ruim assim. A ideia de finalmente poder soltar e parar de tentar já não causa mais tanto medo. Na verdade, quanto mais fundo eu chego, mais parece que esse é o meu lugar.
O sombrio e solitário fundo do poço parece ter se tornado o meu lugar mais conhecido. E se algum dia eu não conseguir mais sair daqui?
Eu culpo o universo
Eu culpo o universo. Ou deus. Ou seja lá quem for que controla tudo isso.
Meus colegas tinham uma casa legal, pais com empregos legais, não tinham tios abusando deles sem ninguém perceber.
Era fácil para eles terem amigos, se divertir.
É que não é justo. Não é justo fazer alguém carregar um monte de rochas pesadas e esperar que não se canse. Que não queira parar no meio do caminho.
Não foi justo com aquela criança, que teve que suportar e lidar com tudo isso. Ela não deveria ter que lidar com tudo isso. Não tão cedo. Não sozinha.
Eu sei que sou só um grão de areia em toda essa imensidão. Que provavelmente o universo nem está se importando com a minha existência. Mas esse não seria só mais um motivo para desistir de uma vez?!
Se não há ninguém olhando para tudo isso. Se não há ninguém controlando tudo isso. Se apenas tive o azar de cair nesse mundo, no lugar errado, na hora errada.
Se não há justiça no meio de todo esse caos. Se não há razão. Não há propósito. Para que existir?
Paralisia
Eu não consigo fazer nada. Pequenas coisas se tornam gigantes e é pesado demais carregar. Cada coisinha exige esforço demais e minha cabeça dói, dói demais, todos os dias.
Eu fico paralisada, enquanto deveria estar fazendo algo, e penso a todo tempo sobre tudo que não estou fazendo, sobre o quanto estou jogando meus dias fora e o quanto minha vida parece cada vez mais sem sentido.
E eu só queria que isso acabasse, e que eu não tivesse que lidar vom mais nada. Eu queria, nem que fosse por um momento, não pensar em nada. Queria só levantar daqui e fazer o que preciso fazer, como um ser humano normal.