Three Goblin Art
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he wasn't even looking at me and he found me
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@pdfootsirius-bl
dontellmewhoishouldbe:
Entendiante realmente soa muito melhor.
Eu agrade… Pera aí… Como meu ex-namorado? Quê?! Quanta prepotência, Sirius Black! Nos seus sonhos, talvez. Você bem sabe que eu fui the one that got away. Com prazer, diga-se de passagem.
E estou muito bem com tais termos, aliás. Talvez mais do que com meu atual emprego. Pelo menos, o último paga minhas contas e quem sabe faça algum bem ao mundo. Você nem se deu ao trabalho de me trazer chocolates, por outro lado.
Ouch! Você consegue ser ainda mais cruel como ex-namorada platônica do que quando era minha namorada platônica, huh?
Em pensar que eu poderia ter evitado tudo isso com uma simples caixa de chocolates, huh? Isso é realmente injusto, além de ter me colocado na zona mais platônica possível de um relacionamento, ainda faz com que eu me sinta mal com o término do tal relacionamento que sequer existiu. Isso não deveria ser assim. Definitivamente. Mas diga aí, o que eu posso fazer para me redimir?
dontellmewhoishouldbe:
Também não é para tanto…
Só não é assim tão… fácil. Não é o pior emprego do mundo. Talvez não seja emocionante, ou interessante, ou remotamente movimentado, e que o máximo de ação que eu veja sejam os pergaminhos interdepartamentais voando pelo escritório… Mas hey, quem disse que não dá pra encontrar diversão em meio a isso? Eu estabeleço desafios diários, sabe? O número de relatórios que consigo despachar, quantos casos de aurores afastados nós recebemos diariamente, quantas vezes o Scrimgeour passa bufando pela nossa sala…
Merlin, this sounds depressing, doesn’t it?
I would not say depressing... but boring. Quase peguei no sono quando contava sobre pergaminhos interdepartamentais.
Não me leve a mal. Não vim aqui para te fazer refletir sobre sua satisfação no trabalho. Quero dizer, eu sei que é algo pessoal e que eu não deveria me meter nisso. Mas como seu ex-namorado, é meu dever alertar que talvez esteja no caminho da insatisfação plena. E eu só quero o seu bem, afinal, terminamos em bons termos, não é mesmo?
dontellmewhoishouldbe:
Blá, blá, blá, “o problema sou eu, não você”, blá blá blá blá. Você ainda pensa que me engana!
A Wizengamont? Ahn… A Wizengamont vai… bem. É certamente mais do que parece ser, mas eu não diria que exatamente diferente.
Ou seja, você pensa em bater com a cabeça na mesa sempre que chega ao escritório, huh?
Você sabe que sempre dá para desistir e viver da própria arte, não sabe? Aliás, o que te deu na cabeça quando aceitou esse emprego? Quer dizer, para alguém como você, aquilo deve mortalmente monótono. Mas, afinal, quem sou eu para falar alguma coisa, não é mesmo? Eu sou o amigo desempregado e sem futuro. Acho que não estou em condições de dar algum tipo de coaching profissional aqui.
dontellmewhoishouldbe:
Ditto.
E você chama isso de final digno? Ora, você me insulta, Black. Achei que teria melhorado no ano que se passou. But old habits die hard, don’t they?
Por favor, perdoe minha falta de tato. Até pensei em comprar algumas flores e chocolates para fazer desse momento menos doloroso, mas a pessoa que tem emprego aqui não sou eu... sabe como é. O dinheiro que ganhei do meu tio não vai durar para sempre. Mas não pense que sou muquirana ou que você não vale flores e chocolates. O problema é que sou um rapaz falido.
Mas e ai? Como está a Wizengamot? Está sendo divertido ou extremamente chato como parece?
dontellmewhoishouldbe:
Oh… Como você pode ter me mantido no escuro por todo esse tempo?! Por que não me disse nada antes?! Please, don’t go breaking my heart!
To what do I owe the pleasure, Sirius Black?
Relaxa, ainda podemos ser bons amigos. Eu sei que é difícil disfarçar a atração e ignorar todo meu magnetismo, mas podemos contornar a situação, huh?
Só estava de passagem, quando lembrei que nunca terminamos o nosso relacionamento platônico. Tantos anos de dedicação valia um final digno, não acha?
Acho que você deve ter percebido que muitas coisas mudaram e, infelizmente, não podemos mais continuar com nosso relacionamento. Na verdade, você sabe que o amor acabou faz tempo, e só estávamos com medo de oficializar isso. Mas é o melhor para nós. Espero que não fique chateada, o problema sou eu.. não você.
The bittersweet truth | Lily & Sirius | Plot Twist Part I
Lily levou o cigarro aos lábios mais uma vez, deixando a fumaça permanecer em seus pulmões por alguns instantes enquanto ouvia Sirius comentar que ele estava feliz por ela ter um plano. Um plano. Agir como se James Potter não fosse capaz de fazer suas pernas viraram gelatina, fingir que ele não conseguia incendiá-la com um olhar e ignorar o fato de que o capitão do time de quadribol havia se apossado de seus pensamentos como um parasita. Certo. Este era o seu magnífico plano e Black parecia compartilhar do pouco crédito que dava a ele pois, no instante seguinte, apontava com impaciência a rachadura em sua parede. Evans virou o rosto lentamente para o garoto de cabelos longos e escuros, erguendo uma das sobrancelhas bem delineadas e deixando a fumaça enfim escapar pelos seus lábios. “I can see that myself, Black, but thank you for pointing that out. It helps a lot.” Seu tom era ligeiramente maldoso, assim como o meio sorriso em seu rosto, mas Lily Evans e Sirius Black se conheciam há tempo suficiente para nem sequer se importarem com comentários daquele tipo. Antes mesmo de se tornarem próximos ao ponto dela confiar ao gryffindor um segredo que vinha guardando há meses, os dois tinham um amplo histórico de divertidas alfinetadas. “E eu espero que essa bomba nem sequer precise estourar em primeiro lugar.” Disse solenemente, voltando a encarar o lago de águas cristalinas que se espalhava na paisagem.
Porque era exatamente isso que ela era, uma bomba relógio com data e hora para explodir. Não importava quanto tempo passasse tentando descobrir qual fio deveria cortar ou o que deveria fazer para se livrar daquele sentimento, não importava se construísse o mais seguro abrigo anti bombas que conseguisse -no fim das contas alguém seria atingido e Lily Evans preferia que essa pessoa fosse ela. Ao menos assim não se sentiria culpada porque ela sabia que podia lidar com a dor.
(Podia?)
“As chances de você esconder algo de James são quase inexistentes, Sirius, eu sei, porque vocês não precisam de legilimência para adivinhar o que o outro está pensando. Eu sei!” Lily repetia, sua voz subindo alguns decibéis enquanto as mãos se esticavam como se tentasse controlar a irritação com si mesma e com Sirius que, sinceramente, não estava ajudando. Mas não podia culpá-lo, no entanto. “Só… fale sobre quadribol sempre que lembrar desse assunto?” Sugeriu, virando-se na direção de Black com ansiosos olhos verdes. “Fale sobre garotas, aposto como vocês falam sobre isso o tempo todo. Fale sobre vassouras! Vassouras esportivas deve ser um dos assuntos preferidos dele porque já ouvi ele falar a respeito disso como se fosse um menino de dez anos de idade e…” E antes que se desse conta, estava olhando para algum ponto ao lado da orelha de Sirius onde conseguia ver James Potter tagarelando de forma empolgada sobre vassouras de corrida durante o café da manhã na mesa de gryffindor, sorrindo e passando as mãos pelos próprios cabelos desalinhados como se não coubesse em si de tanto entusiasmo. “You see? You see that, Sirius Black? For God’s sake, I’m fucked!” Estava gritando agora, a mão livre indo parar nos cabelos avermelhados e puxando-os para o lado como se estivesse tentada a arrancá-los de tão absolutamente irritada que estava com si mesma.
“Se sabe tanto, por que não considerou isso antes de me contar a merda toda?” Já no segundo eu sei proferido pela boca da ruiva, não conseguiu se manter calado. Ora, se a própria sabia que ele não conseguia esconder nada de seu melhor amigo, não havia qualquer justificativa racional para tê-lo escolhido como seu confidente. Exceto pelo simples fato de que ele próprio havia corrido atrás daquilo. Veja bem, ainda que não admitisse, havia sido ele que a seguira e perguntara o que estava acontecendo. E diante a tal constatação, não pode deixar de achar graça do quão irônico era toda a situação ao mesmo tempo em que, é claro, se arrependia amargamente do momento em que decidira seguir a ruiva. A vida seria muito mais fácil se tivesse continuado a ouvir as histórias de Wormtail, pensou enquanto maneava a cabeça negativamente melancólico, ainda surpreso demais para conseguir raciocinar direito.
Afinal, não era sempre que Lily Evans resolvia lhe contar que estava apaixonada por James. O que o levava a crer que talvez aquele sentimento não fosse dos mais verdadeiros e em seu papel de melhor amigo, talvez devesse realmente colocar um pouco mais de lógica na equação a fim de evitar qualquer desastre na vida amorosa de Potter e Evans. “Ás vezes pode ser que você não goste dele de verdade, sabe?” disse em tom pensativo, ignorando as sugestões da garota. Parecia-lhe mais produtivo e assertivo invalidar todo o discurso da garota sobre a situação do que encontrar maneiras de não contar nada ao seu melhor amigo. Até porque, era praticamente impossível conseguir guardar aquele segredo. “Quero dizer, ele sempre esteve a sua disposição e agora não está mais. Não me leve a mal, mas isso pode não ser amor, pode ser só o seu ego falando mais alto...” Era uma explicação racional, ninguém poderia negar. Além do que, quais eram as chances daquilo dar certo? Quais eram as chances daquilo realmente estar acontecendo? Quais eram as chances de Lily começar a gostar de James após tantos anos negando os convites do garoto? Se havia algo que Sirius entendia muito bem era sobre ego, e aquilo soava como ego ferido.
“Você provavelmente está confundindo seus sentimentos.” Decretou em tom mais inseguro do que gostaria. Sua lógica tinha que ser verdade, porque só assim não teria nada a esconder de James, porque Lily não estaria apaixonada por ele e não haveria qualquer segredo entre os dois. Era um pensamento desesperado de alguém que já estava mais do que em estados de nervos, é verdade, mas ninguém poderia julgá-lo. Potter era sua família desde que o conhecera e não era justo esconder algo dele, mesmo que fosse o melhor a se fazer – ou pelo menos acreditavam. “O nosso plano não é como eu vou esconder isso do James. Porque não há nada para esconder. Você não gosta dele, você só está confusa.” Novamente sua voz saía não tão firme quanto gostaria. Discutir sobre sentimentos era realmente algo difícil, pode concluir. “Nosso plano agora é encontrar outra pessoa para você. Alguém que você goste de verdade e acabe com essa sua confusão na sua cabeça.” Proferiu a palavra verdade de maneira mais incisiva, como se assim conseguisse convencer a outra de que aqueles sentimentos não eram verdadeiros. Por fim, sorriu ainda incerto, tentando passar alguma credibilidade em seu plano.
Você parecia entretido o suficiente para não notar a minha ausência no baile, que diria durante um ano inteiro. Mas isso não vem ao caso agora, já passou.
Consideração? Não era real, era? Então por que se importa? Eu pensei que ainda teríamos isso, a amizade, digo. It was a complicated year, Sirius. I wanted to write you, I just… Couldn’t.
Você tem razão. Não era real. Mas o fato de não ter sido real não anula que havíamos nos tornados amigos no meio daquela mentira toda.
Tudo bem, Mia. Eu entendo que o ano não tenha sido dos mais fáceis, mas só uma carta teria sido o suficiente. Você acompanhou os jornais, nada estava normal. E eu só queria saber se você estava bem.
Olá Sirius. Long time no see… Acho que faz o que? Um ano? O tempo realmente voa, tanto que algumas pessoas até apresentam falhas na memória.
Tipo quando você me deixou sozinha no final do baile. Sério, poderia ser mais clichê? Eu esperava algo mais original da sua parte, mas saiba que já foi há muito esquecido. Podemos deixar isso para trás. Amigos?
Eu te deixei sozinha no final do baile e você me deixou sozinho durante todo o ano. Acho meio desproporcional, se quer a minha opinião.
Deixar para trás? Triste saber que é assim que você encara nosso finado namoro. Poxa, o primeiro e único da minha vida. Esperava um pouco mais de consideração. E, sinto informar, mas nós não somos amigos. Porque o mínimo que amigos fazem é manter contato, o que não é caso, huh?
Mozão! Quanto tempo! Não consigo nem colocar em palavras o tamanho da minha surpresa em encontrar a minha namorada hoje a noite.
Quero dizer, se é que você ainda é minha namorada, não é mesmo? Porque, infelizmente, não consigo me lembrar exatamente quando a gente terminou.
Maybe then I'll fade away
And not have to face the facts
It's not easy facin' up
When your whole world is black
[Flashback] Crazy little thing called love | Sirius & Dominique | April 75
Com a atenção dividida entre sua inesperada companhia, o salão abarrotado de convidados no outro lado das cortinas e a iminente possibilidade de ser pega em flagrante, era bem verdade que Dominique, na realidade, não conseguia exatamente dar conta de todos os tópicos de uma vez. E estando ela um pouco mais preocupada em salvar seu próprio pescoço antes de se preocupar com os demais pormenores da presente situação, ficava claro que Sirius Black, no momento, era dos males, o menor – de modo a dispender um pouco menos de atenção a ele do que à sua urgência de espiar por entre o tecido grosso e sufocante que os separava dos demais, sem se dar conta que isso era justamente o que o gryffindor não queria. Tanto é que, atenta à movimentação “exterior”, seus olhos coloridos pelo habitual brilho sagaz oscilavam rapidamente entre os rostos dos convidados do professor Slughorn e os traços de seu mais novo… acompanhante, sem realmente registrar muito do que se passava. Dom o viu mover os lábios, dizer-lhe algo, mas não poderia afirmar que de fato ouviu o teor da mensagem, restringindo-se em apenas assentir em resposta, o sorriso ainda aparafusado em sua face.
Você vê, para Podmore, seu colega de ano não passava de uma variável não considerada em seus planos. Embora em suas hipóteses ela tampouco preferisse considerar a necessidade de se esconder de Slughorn para não se incriminar, ao adentrar o recinto junto ao seu primo, sabia que poderia ser preciso fazê-lo, principalmente uma vez que se separasse de Sturgis e entrasse em ação. Reconhecia mesmo que talvez fosse oportuno também possuir um plano de fuga – ou mesmo planos. O que não poderia imaginar, porém, era que mais alguém teria razões para se esconder na ocasião – e justamente no mesmo lugar escolhido por ela. Menos ainda que seria alguém que nutria algum tipo de afeição por ela. Era um erro honesto.
Afinal de contas, não era como se Dominique não tivesse coisas mais importantes com que se preocupar.
Como, por exemplo, o ponche de frutas. O líquido colorido por centenas de pedacinhos multicoloridos (as frutas, ora) parecia cintilar à luz bruxuleante dos archotes e das velas próximas à mesa de bebidas, mas Dom estava longe demais para saber precisar o quanto dele havia sido consumido, até mesmo porque normalmente alguém entrava em seu campo de visão e obstruía o caminho. Restava-lhe esperar que a bebida fizesse sucesso entre os presentes (o sucesso de sua empreitada era igualmente proporcional a esse), mas algo lhe dizia que a reputação do tal ponche garantiria sua aceitação. Afinal, o mesmíssimo, instantes depois, era-lhe oferecido por Sirius, de maneira tão atípica que, mesmo distraída pela aproximação do mestre de Poções, não pode deixar de notar. – Ahn… thank you, Black. – disse, em tom mais baixo (para não correr riscos de ser ouvida), esforçando-se para mostrar alguma forma de gratidão em um sorriso um pouco menos forçado. Entretanto, logo afastou o olhar dele, preocupada com a segurança de seu esconderijo. Em silêncio, assistiu Slug prolongar-se para se afastar, um convidado a tiracolo, só então permitindo que ela respirasse com certo alívio, finalmente levando a bebida aos lábios.
Quase cuspiu o gole todo quando reconheceu o sabor familiar em sua boca. – P-ponche de frutas?! – deixou escapar em voz alta (talvez alta demais), os olhos arregalados. – Don’t… don’t drink that! Merlin, don’t! – emendou, fazendo menção se avançar na direção dele, como se para impedir fisicamente que ele levantasse o copo. Foi só então que notou o nível da bebida em suas mãos. – You didn’t, did you…? Bloody hell! – De repente, Sirius Black havia se tornado sua preocupação número um – bem, depois dela mesma, quer dizer. – Listen, I… you… we might be in trouble. You just drank a bunch of fruit punch that I sort of… poisoned. Don’t worry, it’s nothing serious… – Just sort of experimental, ela completou mentalmente, mas acreditou ser mais prudente não verbalizar essa parte. – But I’d fight the urge to do anything… inappropriate. It might the potion speaking.
Caso Dominique Podmore não subestimasse a variável inesperada que se mantinha ao seu lado – e que de todas as maneiras tentava captar sua atenção – provavelmente a catástrofe que viria a se desenrolar seria evitada. No entanto, a garota dos cabelos loiros optou por considerar Sirius Black o menor de seus problemas e isso só indicava que os dois realmente não se conheciam muito bem. Bastava uma rápida análise lógica para concluir que a soma dos dois alunos escondidos por de trás das cortinas – e, por acaso, figurinhas mais do que marcadas no calendário de detenções da escola – não resultaria em coisas boas. Não, não havia chance alguma de bons resultados. Ainda mais adicionando o repentino interesse do rapaz na equação que o fazia agir de maneira exagerada, como se tentasse a todos custos ser dono das atenções da jovem. Falhava miseravelmente, é verdade, mas isso não diminuía as esperanças de Sirius – nem mesmo o passar dos anos seria capaz de acabar com suas esperanças, afinal.
Como um pavão que tenta a todos custo chamar atenção da fêmea, o aluno da Gryffindor se esforçava – de maneira muito mais instintiva do que ele mesmo admitiria – em se mostrar mais atraente do que realmente o era. O peito erguido de maneira exagerada, o tom de voz mais alto do que o normal – e até mesmo mais alto do que o recomendado, considerando sua condição de fugitivo – as mãos que alternavam entre os cabelos escuros e o colarinho de sua camisa, além dos olhares, é claro, que se mantinham fixos na garota de cabelos dourados – ainda que a própria se mantivesse de costas, entretida demais ao que se desenrolava do lado de fora das cortinas. Porém, suas atitudes exageradas em nada se comparariam ao que viria a acontecer. Porque um coração recém-apaixonado poderia fazer loucuras, porém, um coração recém-apaixonado sob efeito daquela ponche de frutas, era capaz de ações ainda mais constrangedoras.
Um sorriso alargou em seu rosto quando a garota finalmente decidiu lhe agraciar com um pouco de atenção. Porém, ao considerar o tom desesperado no pedido – atrasado – para que não tomasse a ponche de frutas, ficava claro que seu objetivo não fora realmente alcançado. – What? Poisoned? – Perguntou retórico ainda atordoado com o tanto de informação que lhe fora entregue tão repentinamente. No entanto, não demorou muito até entender o que havia acontecido. Era como se a sua recém-adquirida paixão tivesse potencializado de maneira exorbitante, sentindo uma vontade exagerada de se declarar, como se todos naquele salão – ou até em todo o castelo – precisassem saber de seus sentimentos. – Just wait a minute. You must know what is happening to me. What you are doing to me. – E esquecendo de sua condição de fugitivo, esquecendo da furiosa Bathilda Robins e até mesmo esquecendo de seu amor próprio, Sirius se desvencilhou das cortinas e caminhou pomposo até o centro do salão.
Pousou sua varinha em seu pescoço, ampliando o tom de sua voz alto o suficiente para que fosse ouvido por todos. – I would like to dedicate this song to Dominique Podmore, as known as the love of my life. – Proferiu de maneira pomposa, apontando para as cortinas onde a garota estava escondida. Afinal, não era como se ele estivesse em condições para se lembrar de que ela estava fora da visão de todos por algum motivo – que por acaso era o mesmo motivo que o levava a agir daquela maneira. – Love of my life don't leave me. You've stolen my love and now desert me. Love of my life, can't you see? – Cantava desafinado ao mesmo tempo em que gesticulava exagerado, como se depositasse todos os sentimento amplificados na canção, sem sequer se importar com os olhares e risadas dos demais alunos. – Bring it back, bring it back, don't take it away from me, because you don't know what it means to me.
Eu adoraria ver alguém conseguindo isso, ainda mais se esse alguém for você. Porém tenho certeza que ninguém nunca vai conseguir isso, principalmente você.
Um emprego de verdade, no qual você trabalha todo dia e recebe por isso. Pode ser bem pior do que esse serviço mensalmente prestado para Hogwarts em forma de detenção, tenha certeza. Acho que seus amigos já gastaram toda a cota de desculpas para te salvar das detenções, dessa vez não teve jeito. Então resolveram escalar a monitora mais trouxa e otária pra te supervisionar, por isso estou aqui. Na verdade eu não acho quase ninguém um porre, então… Meio que não sei se é digno de ficar feliz por isso.
Principalmente você? Como assim? Não me pareceu muito lisonjeiro.
Depende, né? Você sabe, ter o Filch como chefe não é lá muito fácil. Já conversamos sobre isso. Pode ser que no meu emprego de verdade eu encontre algum chefe que me valorize mais e, pelo menos, posso descolar um dinheiro com isso... coisa que aqui não acontece. Não acho que pode ser bem pior do que eu vivo mensalmente aqui. E você não é a monitora mais trouxa e otária, você é a monitora mais gentil. Soa melhor. Se no meu emprego de verdade eu tiver uma chefe como você, ficarei muito satisfeito. Como assim quase ninguém é um porre? Você não tem aula com a Slytherin? Posso contar muitos idiotas por lá. Aliás, desconfio que colocaram todos que são um porre lá, com exceção do Dearborn... que por algum motivo acabou indo para Ravenclaw.
Filch é de alguns séculos atrás, é daquele tempo em que tratar as pessoas desse jeito moldava o caráter etc e tal. Nunca espere nada disso vindo dele, ou vai morrer na espera. Por que tenha certeza, nós todos morreremos primeiro que o Filch, aquela criatura fez algum pacto e é imortal, tenho certeza. Você se preocupando com a situação de trabalho dos elfos… Ok, realmente me pegou de surpresa e quase me convenceu.
Qual é, a sua situação não pode estar tão ruim assim a ponto de ficar por aqui pra continuar limpando os troféus sob a supervisão do Filch ser uma opção a ser considerada. Arrumar algum emprego de verdade não deve ser tão difícil. E sobre a questão da família… Você tem seus amigos e quem tem amigos nunca está sozinho. Eu não estou num todo não curtindo a sua companhia, qual é. Sou o tipo de pessoa que para não curtir a companhia de alguém é por que ela é um porre. E você nem é um porre.
Acho que vou morrer tentando mesmo. Um dia ainda consigo um tapinha nas costas e um obrigado vindo de Filch. Vou ser o primeiro a conseguir isso... no mundo inteiro.
Como assim emprego de verdade? O que faço aqui mensalmente é o que então? Quer dizer... talvez você tenha razão. Eles não me pagam nada, acho que é escravidão mesmo. Amigos? Dois deles, por acaso, também são monitores e mesmo assim estou aqui, pagando detenção em plena sexta-feira a noite. Como pode ver, não tenho muito o que esperar deles. Bom, pelo menos me livraram do Dearborn dessa vez. De verdade, você é bem melhor que ele e fico feliz... aliás, fico feliz de nem ser um porre na sua opinião.