ROSALÍA · LUX · Song · 2025
l'amore che non si sceglie e non si lascia cadere con te la gravità è graziosa e la grazia è grave

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ROSALÍA · LUX · Song · 2025
l'amore che non si sceglie e non si lascia cadere con te la gravità è graziosa e la grazia è grave
beati qui non viderunt et crediderunt #138
eu ainda não tenho palavras. acho que me faltam elas, na verdade. é saudade de alguém que conheci ontem — o ontem relativo, já que quero te ver amanhã, sempre te ouvindo falar sobre seu trabalho de caridade, me ajoelhar na Santa Rita e agradecer a Deus a bênção de ter você como ativo.
eu não tenho renda, nem seu mesmo gosto, mas eu ainda vou te ganhar; te provocar assim como você me instiga, sentir aquele amor que me prende e te castiga. a porta é estreita e o caminho é apertado, mas vale a pena tentar.
na sala, conversando sobre todos teus ex e adultério, fiquei a pensar que meu único ato de traição seria não escrever o que transborda meu coração e, sem parábolas, me entregar ao desconhecido mistério.
acordar ao seu lado, sentindo sua pele na minha, e me despedir com seu mau hálito matinal, são coisas que eu não valorizava até ver sua cara de sono sorrindo para mim ao me ver. hoje entendo Jacó, porque também trabalharia quatorze anos para no amor novamente crer; e, antes de você mostrar suas chagas, já creio: não preciso de mais nenhum sinal.
Olivia Rodrigo · you seem pretty sad for a girl so in love · Song · 2026
and i have this thought when i lay in bed at night that i feel trapped inside my life
12.06 #137
é a vontade de fugir de casa; recomeçar; lobotomia. é ser essa personalidade chaga que se baseia em mania.
mania de achar que o inomeável vai finalmente tomar as rédeas, e finalmente vou poder tirar férias dessa busca incansável.
e não vou mentir: dói; nunca ser suficiente. aprendi a ser obediente a esse fato que, dia após dia, me corrói.
e se um dia prometi parar de fumar por alguém, acho que morro de câncer antes de te achar. eu só quero ter o que os outros têm.
nesse dia dos namorados, o que me resta é sonhar.
Joy Division · Love Will Tear Us Apart · Song · 1980
you've turned away on your side
love (will) tear us apart #136
qual o limiar da amizade? quanto é conveniência ou, de fato, saudade? perambulo pela tênue corda e paro no mesmo ponto da borda.
me questiono, durante anos, a mesma questão, e a resposta nunca é certeira. perpetuo a interrogação até a contestação se exibir quando caio da beira.
caindo, o rolo se desenrola em filme colorido, revelando a verdade inconsciente, mas ainda assim muito ciente. sempre soube. só não quis aceitar o fato dolorido; não consigo aceitar por ainda ser crente.
crença essa que se esmigalha junto comigo e queima junto ao acetato. no fim, não era apenas minha mente criando mero boato. ao ponto que me aproximo do chão, morro junto com minha arte.
o amor sempre nos aparte.
C418 · Minecraft - Volume Alpha · Song · 2011
irmao sexo e cinema.1
não sei muito bem como começar esse texto. tenho muito a falar e já pensei em fragmentos do que falar, agora o desafio é pegar esse emaranhado de linhas de pensamento e transformar numa coisa linear. bom, acho que seria um bom começo falar que coloquei pijamas hoje. cheguei do shopping depois de ir ao cinema com meus pais e resolvi voltar um pouco no tempo. estou vestindo minha camiseta favorita, aquela do zelda echoes of wisdom, e uma samba-canção já meio surrada. como havia prometido à minha mãe, antes de dormir, ia arrumar meu quarto e organizar meu cantinho, de certa forma, organizou minhas ideias. hoje foi um dia que precisava de colo e, surpreendentemente, tive. e, para continuar nesse clima comfy, coloquei as minhas mais ouvidas de 2018. por que será 2018? acho engraçado eu lembrar com carinho dos meus 13 anos. meus pais estavam a se divorciar, não tinha amigos na escola, mas foi ali que comecei a me entender por erick, e não como filho do sérgio e da elisabete, irmão do henrique ou a entidade siamesa da isabella. meu irmão, minha maior inspiração, não parava em casa, e comecei a replicar certas coisas dele que eu gostava, como sua impecável curadoria musical, que, por sinal, levo até hoje comigo. lembro-me muito bem de irmos à etna várias vezes durante a semana. não sei o porquê exatamente, mas era meu programa favorito imaginar meu cantinho com a minha cara, um lugar para chamar de meu depois de 13 anos compartilhando quarto com meu ídolo. hoje em dia ele renega aquele henrique, e eu o guardo com muito, mas muito carinho. de fato, ele de hoje em dia é muito diferente daquele adolescente de 21 anos. curiosamente, minha idade. hoje eu mostro e me orgulho do gosto musical que herdei de tanto ouvir sua coleção de cds. o que me lembrou do dia que comprei o reflektor do arcade fire. foi uma compra completamente impulsiva de cem reais que eu não tinha, e lembro da reação do leonardo após ouvir a faixa-título. acho que tento manter o legado daquele henrique, disseminando a memória que ainda tenho do meu irmão. te amo, henrique. falando em legado, mais cedo disse que precisei de colo e tive uma conversa tão sincera que há muito não tinha com a minha mãe. disse várias coisas, mas uma delas é de como eu me sinto no horizonte de eventos, onde espaço e tempo não existem e apenas vago sem rumo algum, tentando me agarrar em algo, seja numa faculdade que não faz sentido nenhum para mim, em relacionamentos frustrados ou amigos que são minha família, alguns distantes fisicamente, como o henrique, e outros emocionalmente, assim também como o henrique. acho que nunca falei ou pensei tanto no meu irmão.
irmao sexo e cinema.2
entrando no tópico relacionamentos frustrados, andei muito pensando nisso ultimamente. acho que meu último poema ilustra muito bem minha fixação por ser visto e me sentir útil, no sentido mais literal da palavra. a histeria é Algo. pensando em duas pessoas em específico: leonardo e heitor. ambos com o mesmo problema de não terem atitude sexualmente. visando esse meu desejo que parece ser insaciável por sexo, transei essa última semana. tudo o que eu desejava naquele poema foi cumprido, como se fosse uma receita. saindo de lá, voltei minha atenção de volta a esses dois. não acho que fui injusto, mas, assim como o corpo humano precisa de várias vitaminas, não consigo ficar com a parte racional ou emocional e simplesmente excluir a sexual, assim como também não sou uma máquina lasciva, que me relaciono apenas por sexo. são coisas que são complementares, não contrárias. tendo ciência disso, um recém-terminado, que sonho desde 2023, voltou a dar as caras e, diferente dele, que claramente se faz, eu real não sei flertar e ontem foi o mais próximo que consegui de fazer tal feito. me senti orgulhoso. parece muito bobo isso, mas eu, de fato, tenho um impedimento quase que físico de conseguir flertar ou expressar meu desejo. meus amigos têm grande mérito nesse feito que, para mim, é um dos Highlights do ano eu dizer que tinha tesão em um menino que nunca sequer beijei ou encontrei propositalmente. falando em orgulho e Highlights, na mesma conversa em que citei o horizonte de eventos, eu comentei com a minha mãe sobre um dos meus maiores arrependimentos: a faculdade de cinema. não por ter desgostado, muito pelo contrário. ter feito um ano do meu sonho foi uma das maiores felicidades da minha vida. ali me senti realizado e lembro de eu voltando para casa, depois de ter postado o story anunciando a apresentação do meu curta-metragem e colocando o final de someday dos strokes. meu irmão aparecendo mais uma vez aí. talvez eu ainda tenha aquele ímpeto infantil de o deixar orgulhoso, mesmo que essa pessoa que eu conheci esteja praticamente morta. bom, voltando ao assunto, acho que, uma vez que experimentei a plenitude de contentamento e orgulho de ser e fazer o que sempre sonhei, hoje não me contento com quase nada. não sou uma pessoa amargurada, longe disso, mas estou longe de ter aquele sentimento. o que mudou durante essa semana que, adivinha? gravei um quase documentário. não importa o quanto eu fuja, esse obsessor do glauber rocha, dizendo “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, não sai. acho que vou continuar frustrado até ter liberdade financeira de perseguir meus sonhos. falando em cinema, o último contato que eu tive criativamente foi escrevendo um curta-metragem inteiramente inspirado em um projeto de semestre do menino que ontem flertei e, na época, tinha me dado um ghost. acho que não tem nada mais histérico do que você escrever e obrigar as pessoas a sentarem em uma sala escura, sem estímulo nenhum além de você e o que você tem a falar, maximizado mil vezes quando se trata de montar um projeto em cima da rejeição. que gozado, né? mas não perco a fé de que um dia as pessoas me olhem, me ouçam e eu consiga ter a plenitude que tanto busco. você lendo isso já me faz sentir parte disso.
apaga um cigarro em mim? #135
só gozo se você me olhar. estou cansado de falsos afagos. de que me servem seus olhos vagos se a serventia deles não é me desejar?
enche a boca pra dizer nome e sobrenome, mas, quando se trata de mim e nossa relação, é críptico, cauteloso; o significado some no esforço de uma esparsa associação.
eu não mais suporto ser apenas o conveniente: ser por ser, ter por ter, sem identidade. nunca chamado por saudade, mas sempre por ser eficiente.
você nunca me quis. nunca fui aceito. me sexualize, me objetifique; profane meu corpo com palavras imundas. para você, sou depósito de palavras vomitadas por palpitações cansadas, apenas mais alguém para te aprovar como predileto e deitar em seu peito.
quero tesão, sexo, ejaculação, o gozo em me ver gozar. quero amor, fascínio, paixão, o ímpeto em me cobiçar.
me eleve ao nirvana, me faça arder no inferno. me faça chorar, me eleve ao orgasmo. me foda como um buraco e sinta o espasmo. quero sentir que nosso momento efêmero seja eterno.
meus galhos já serviram para ninhos de pombos apaixonados; hoje me rasgam com as iniciais de desconhecidos. nesse mesmo jardim, os pombos jazem enterrados, e os amantes, de tão fabricados, já esquecidos.
quero ser fetiche, quero ser afeto, quero ser motivo de desejo sincero. que seja um deus ou mero objeto: nunca cinco; ou dez, ou zero.
“supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. as batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos que assim adquire forças para transpor a montanha e e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. a paz nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais feitos das ações bélicas. se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.
ao vencedor, as batatas #134
enquanto via a projeção da mais pura carnificina, só conseguia pensar no seu rosto angelical, seus olhos refletivos, suas coxas grossas, as promessas e esperanças que eram apenas nossas, que deixaram de existir assim que fecharam a cortina.
o ator que deu tudo de si não aguenta mais ficar de pé. seu último ato não foi o mais aclamado, muito menos o mais triunfal. sem mais se encantar ao performar, sem mais os aplausos calorosos, perdeu sua fé e decidiu se graduar sem nenhum espólio, sem nada de especial.
mesmo pedindo revanche, não cansava de perder, até que enfim cansei. me declaro vencido por quem quer que interesse. por que insistir em cultivar se tudo o que toco fenece? cansei de almejar o que não consigo ter, o que nunca consigo vencer.
essa foi minha última tentativa, meu último ato, minha única perspectiva, expurgada, rejeitada pela sua ausência. mais uma vez, apostei todas minhas fichas e agora morro sem nenhuma opulência.
de tanto amar os outros, não sobrou nenhum para mim.
The Beach Boys · Surf's Up · Song · 1971
feel the wind burn through my skin the pain, the air is killing me for years my limbs stretched to the sky a nest for birds to sit and sing
but now my branches suffer and my leaves don't bear the glow they did so long ago
one day i was full of life my sap was rich and i was strong from seed to tree i grew so tall through wind and rain i could not fall
but now my branches suffer and my leaves don't offer poetry to men of song
trees like me weren't meant to live if all this world can give pollution and slow death
oh Lord, i lay me down no life's left to be found there's nothing left for me
limbo #133
o que era cura virou paliativo. caminhando no escuro, espero um portento, mas Deus não ouve mais meu lamento. deste ermo, me fiz cativo.
quanto mais caminho, mais longe estou de quem me conheço. será que ainda sou a mesma alma iluminada do começo? mesmo que prodígio, ainda era pupilo. não sou sem meu mentor. Ele me abandonou. não tenho mais um redentor.
o que me resta, eu não enxergo. talvez tenha perdido tudo no escuro: minha fé, minha esperança, meus motivos, meu ar. faço das minhas coxas o muro, sem altar para me confessar.
sem minha mãe, meu Pai, nem ninguém; aqui, leve e pesado têm as mesmas massas. e não mais me assombra a ideia de criar asas. se meu destino for queimar no enxofre ou um abraço celestial, ao menos posso descansar meus pés calejados, afinal.
Pink Floyd · Meddle · Song · 1971
i am you and what i see is me
ressonância #132
quem sou eu sem seu olhar? sou oco sem seu significado. não existo se fico calado; sou eco do seu desejar.
e seu eco me trouxe a esse ninho. sem você para me projetar; sem você para me acalentar; apenas eu. vazio. sozinho.
grito, mas não ouço. não sei se existo, quem sou. e minha vontade, no seu querer, ficou. não consigo mais tentar viver uma vida em que meu braço não te alcança. sozinho nessa vastidão de mar, não enxergo uma gota de esperança.
se nem dormindo minha mente fica em paz, por que temer a inscrição de “aqui jaz”? por que ainda recear a morte sem razão? acho que me falta coragem… ainda me falta culhão.
me falta te fazer falta.
The Beach Boys · Surf's Up · Song · 1971
so hard to answer future's riddle when ahead is seeming so far behind