O presente trabalho tem como objetivo discutir os entrelaçamentos entre raça, ritualidade e paisagens presentes nas faixas de Um corpo no mundo, primeiro Ôlbum de estúdio da cantora ecompositora baiana Luedji Luna.
Pela construção de narrativas que se respaldam na saudade do lar e desejo de retorno para casa, somos apresentados a um cancioneiro que se encontra debruçado sobre um lar desconhecido. Suas narrativas surgem na ideia de diÔspora, pois, o retorno à ancestralidade resvala no desconhecido. O que nos leva a primeira pergunta que dÔ sustentação a este trabalho: que ancestral?
Sendo o corpo afrodescendente construĆdo longe de suas raĆzes, suas origens concomitantemente estĆ£o estraƧalhadas quando analisadas sobre um viĆ©s da reconstrução ancestral, o que se torna latente na narrativa da cantora, tensiona os locais da saudade de casa versus a procura do lar desconhecido, de āoutros mundosā.
Desta forma, pretende-se analisar de que modo Ć© reconstruĆdo o pensamento ancestral, levando em consideração as questƵes concernentes a raƧa e o racismo, bem como da construção da própria negritude para estes sujeitos que se percebem distantes de um ideal familiar amplo, conforme as premissas do Ć”lbum "Um corpo no mundo", em trĆ¢nsito com a cultura midiĆ”tica.
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