nome: beatrice kowder • idade: 25 anos • origens: Chicago, EUA • filiação: Tyrant, um mercenário e Belona, a deusa romana da fúria e da guerra • ocupações: aulas teóricas de Mapeamento de Fraquezas de Inimigos / Potenciais de aliados e Forja • poderes: hemocinese bélica • benção: beleza sangrenta, dada por Vênus
CW: O conteúdo abaixo possui descrições violentas sobre o passado de Beatrice e menções a sangue (relacionadas ao poder dela). Estão sinalizadas nas partes em que há conteúdo mais descritivo ou breve menção.
Biografia
Beatrice nasceu em Chicago, mas foi criada em lugar nenhum, digamos assim: o pai, Tyrant Kowder, era um mercenário tático, contratado para diversos tipos de trabalho ao redor do mundo. E, ainda que fosse um homem extremamente violento em vários outros contextos, com a filha isso nunca ocorreu: na realidade, Beatrice sempre foi muito amada por ele, protegida dentro do possível, ainda que Tyrant se mostrasse duro e exigente com ela mesmo em tenra idade. Sendo assim, as vestes ensanguentadas dele ao final do dia, a diversidade de seu arsenal pessoal que era espalhado e inutilmente escondido pelas casas em que ficavam, não passavam de elementos comuns de sua rotina junto de seu principal responsável.
Este que, por sua vez, nunca falou muito sobre sua mãe; ainda se mostrava profundamente apaixonado por ela, mas incapaz de se aprofundar nesse sentimento porque as missões o chamavam e demonstrar qualquer tipo de fraqueza não fazia seu tipo.
[INÍCIO DO CW]
Desenvolvendo-se como pôde, pulando de escola em escola, mas aprendendo muito sobre outras culturas e o comportamento humano em geral, foi numa ocasião fatídica, aos seus treze anos, enquanto estavam na Costa Rica, que sua vida mudou totalmente: repentinamente encontrado e abordado no apartamento num prédio abandonado em que estavam, três homens armados acabaram tirando a vida de seu pai. E talvez algo pior que a morte estivesse vindo quando se voltaram para a pequena Beatrice, até que todo o sangue da cena de crime se agitou e, repentinamente, se transformou em algo como lâminas que atingiram seus agressores.
[FIM DO CW]
Fugindo da cena, completamente desnorteada e em pânico pelo que havia acontecido, vagou por uma noite e metade de um dia todo, até ser encontrada por Lupa, que a guiou até o Acampamento Júpiter. Lá, prontamente reclamada por Belona, Beatrice passou a aprender mais sobre suas origens, compreendendo melhor, portanto, todos os eventos esquisitos que haviam ocorrido em sua vida até então.
Durante o treinamento, mostrou-se uma guerreira habilidosa e tão letal com as armas quanto com seus poderes. Arriscou-se em missões que, posteriormente, renderam-lhe títulos e agora no novo acampamento, ocupa a função de Tenente Superior do Esquadrão Bronze da Bélica, tentando sempre honrar o nome de sua mãe e não colocar outros semideuses em risco como acontecia com certa frequência quando era mais nova.
Hemocinese bélica: Beatrice é capaz de manipular o próprio sangue quando está ferida, ou o que é derramado por seus adversários, de modo a transformar as gotas ou as poças disponíveis em lâminas extremamente afiadas, que podem perfurar superficialmente um alvo ou estraçalhá-lo totalmente a depender da quantidade de sangue e do tamanho de seu oponente. O ponto é que, obviamente, quanto mais tempo utiliza desse poder, mais exausta fisicamente Beatrice ficará depois, podendo chegar a alguns dias seguidos de descanso para se recuperar plenamente.
Benção de Vênus: Consiste em algo que ela chama de Beleza Sangrenta, uma habilidade passiva que produz nela uma aura intimidante e assustadora aos inimigos quando está machucada. Seja monstro, mortal ou semideus, se tiver conseguido feri-la de alguma forma, quando olhá-la será acometido por uma visão assustadora, como se toda a beleza de Beatrice tivesse se convertido em algo macabro e medonho. Esse detalhe, combinado com seu poder principal, torna a Kowder uma oponente realmente complicada de se enfrentar, ainda que essa benção não funcione tão bem em semideuses ou legados de deuses como Phobos ou Deimos, obviamente.
Aliás, é por conta dessa benção, junto de sua filiação a Belona, que as más línguas espalharam pelo acampamento, mesmo o de Júpiter e agora o Ouroboros, que Beatrice deve ser evitada ou que é por isso que quem está ao lado dela pode sentir tanto medo ou desconforto, quando, na verdade, não passa de um preconceito da pessoa que diz isso aliado à benção e à fama injusta que ela possui.
Personalidade: Sejamos francos, contudo. Beatrice não é doce, nem extremamente amigável, não é contida, nem a pessoa mais fácil de lidar do mundo. Sabe ser irônica, sarcástica e é uma territorialista de primeira, possessiva, mandona, exigente, manipuladora, exagerada; a dona da verdade, com a cabeça quente, irritadiça. Instável, até. Contudo, extremamente dedicada, esforçada, que com o tempo de convivência e treinamento por parte de Lupa, aprendeu a se controlar muito mais e também a respeitar a hierarquia e a organização da Legião. Com um senso de humor questionável? Também, mas divertido dentro do possível.
E, mesmo em meio a todos esses traços que podem considerar negativos, ela ainda é surpreendentemente gentil com aqueles que precisam de ajuda. Dentro do possível, claro; de um jeito meio ríspido ainda, mas na melhor das intenções. E até que consideravelmente carinhosa, também do jeitinho dela, com quem ela tem proximidade e alguma conexão; é por isso que é tão injusto que a tratem como alguém traiçoeira e instável, muito por conta do medo que alguns campistas sentem de seus poderes. Por conta disso, também, por muito tempo, Beatrice se sentiu como um monstro, o que alimentava ainda mais sua fúria e acabava por descontrolá-la mais ainda, já que, tendo confiado nas pessoas erradas quando chegou, manifestou-se uma boataria parcial e nociva de que ela era e sempre seria uma assassina.
Carregando todos esses estigmas, fica mais fácil entender o motivo pelo qual Beatrice é tão desconfiada das relações novas que acaba desenvolvendo. Ainda assim, promovendo o exercício de confiar e ser um pouco mais fácil no dia a dia, tenta continuamente dar o seu melhor. Demonstrar alguma gentileza, qualquer coisa que a ajude a ser vista como alguém não manipuladora e instável.
Se você não fize-la sangrar de alguma forma, você estará seguro.
Ocupações: Ministra aulas teóricas de Mapeamento de Fraquezas em Inimigos / Potenciais em Aliados e faz parte da Forja, porque é completamente apaixonada por armas em geral, principalmente as mágicas.
Outros detalhes
Fala inglês, espanhol e compreende bem o francês, mas tem familiaridade com outros idiomas por ter vivido ao redor do mundo junto de seu pai;
Possui várias tatuagens e piercings pelo corpo. Quanto às joias, sabe que precisa tirá-las para treinar com segurança, mas é raro fazer isso com a devida cautela;
Tem 1, 77m de altura;
É devota de Marte e Vênus, contrapartes que, para ela, se complementam; além do espaço no altar que ela cultivava para se comunicar com a mãe, arranjou um espacinho para as outras duas divindades. Marte, por também ser um senhor da guerra; e Vênus, por ter enxergado beleza e valor nela quando se sentia profundamente deslocada;
Possui um par de punhais cerimoniais todo decorado em homenagem a Belona. São armas curtas porque, indiscutivelmente, Beatrice é completamente apaixonada pelo combate direto;
Sua resistência a dor é surpreendente, o que a faz, sempre que possível, tomar as rédeas como a linha de frente em missões mais perigosas;
Dizem as más e boas línguas que sua proximidade com filhos de Marte e Ares se dá para além da afinidade bélica; e, de fato, Beatrice já se envolveu com vários destes campistas. Todavia, também é muito próxima de semideuses e legados de divindades ligadas ao submundo, uma vez que é atraída por auras mais sérias e focadas, naturalmente;
Muita gente tem medo dela por uma combinação péssima de fatores: propagam por aí que ela matou pessoas (sem nem saberem o contexto), que seus poderes envolvem intimidar e perturbar as pessoas ao redor, que não é confiável e tudo o mais. Já combateu mais de frente esses rumores maldosos, mas, atualmente, faz o mínimo sobre isso; de que lado você está?
Em relação aos deuses, Beatrice é particularmente revoltada. Não gosta da forma como semideuses são tratados como criaturas descartáveis, mas também não proclama essa indignação em voz alta com tanta frequência porque ainda preza muito pela hierarquia e organização que tanto aprendeu a respeitar (a duríssimas penas);
Responde por apelidos, mas não é muito fã deles; Bea, Bex, Trice, Trixy, derivados. Tudo depende de seu humor no momento, mas você nunca errará ao chamá-la de Kowder ou de Beatrice mesmo;
Estou aberta a qualquer tipo de conexão. Se encaixar, é nois!
A falsa impressão que Mark vinha tendo de que os romanos eram mais tementes aos deuses e, portanto, mais leais de certa forma, com todas as suas formalidades e rituais, caiu por terra ao ouvir as palavras da garota. Apesar de seu desagrado com os romanos ali, sentiu-se satisfeito ao ouvir alguém falando dos deuses com tanta raiva quanto ele próprio sentia toda vez que precisava arriscar a sua vida em alguma missão estúpida ou via algum colega morrendo por eles. — Me surpreende ouvir mais alguém falando assim. — confessou, olhando diretamente para ela pela primeira vez. Não que não conhecesse outros semideuses insatisfeitos com a posição que os deuses os deixavam, mas aquelas palavras, a admissão de que gostaria de vê-los caindo e talvez até mesmo ocupar seu lugar, aquilo era algo que ele salvava apenas para seus pensamentos mais furiosos na calada da noite, não se atrevendo a verbalizar seus verdadeiros sentimentos. Analisou a garota atentamente, o interesse renovado. — Em outra situação, eu te diria para tomar cuidado com suas palavras, pois um raio pode atravessá-la a qualquer momento por insubordinação e heresia, mas não acho que eles estejam nos escutando nos últimos tempos. — era uma sensação estranha, a ausência. Ele sempre sentira que, mesmo não se comunicando com eles ou aparecendo fisicamente, os deuses estavam ali, observando-os, escutando suas palavras e súplicas, mesmo quando escolhiam ignorá-las. Agora, só havia vazio. Não que achasse aquilo ruim. Pelo contrário, sentia-se livre pela primeira vez na vida. — Não vai encontrar um advogado dos deuses aqui, então pode falar livremente. Qualquer um que não se conforme com ser apenas um peão descartável, é alguém com quem eu posso conversar. — então lhe deu um aceno de cabeça quando ela se apresentou. — Melinoe, sim. — havia certo amargor na voz, como sempre acontecia quando se tratava da mãe. — Prazer. Sou Mark Athalar. — apresentou-se sem usar o sobrenome do pai ou seu nome completo que ele havia lhe dado, há anos treinando-se para se acostumar a usar apenas o sobrenome de sua antiga mestra. Quanto mais pudesse se afastar de suas origens, melhor. — Belona... — pesou o nome em sua língua. — Deusa da guerra, não é? — tinha ouvido falar da deusa unicamente romana apenas uma vez, sequer se lembrava quando, então não sabia muito sobre ela.
—🗡️ 🩸 NO INSTANTE EM QUE ELE FINALMENTE SE VOLTOU para si, o olhar de Beatrice permaneceu sobre ele. Incapaz de desviar, recuar, porque não era de seu feitio, mesmo que muita gente interpretasse isso de maneira errônea. De qualquer forma, ouviu-o atentamente antes de soltar um riso realmente divertido, chegando a tombar um pouco a cabeça para trás. "Se eu tivesse medo de punições, teria ascendido muito mais facilmente a outros postos. Seria a garota aos olhos da Lupa, mas não é o caso. Principalmente agora que os deuses estão todos mudos. Surdos eu imagino que muitos estivessem, ninguém nunca escutou súplicas ou pedidos, com exceção de um ou outro e também quando lhes convinha." Expôs seu ponto de vista enquanto encolhia brevemente os ombros; não que tivesse conversado muito com a mãe antes, mas pelo menos sabia que podia contar com a manifestação dela de outras formas. Agora, não. "Sim. Mais associada à fúria da guerra, à carnificina. Como se Marte promovesse a batalha, mas a fúria no coração dos homens viesse dela. A desordem, a discórdia... Associam a Enio ou Éris na turma de vocês. Pessoalmente, acho minha mãe bem mais sanguinária e realmente... Difícil de agradar. Mas pôs no mundo uma filha que literalmente dá o sangue pelas missões, pelo menos nisso teve bom humor." Ironizou antes de finalmente desviar o olhar, mas para focar na lateral da saia que usava, por dentro do cós. Um cigarro solto e um isqueiro que ela precisou alcançar com certo malabarismo na parte de dentro da fenda da saia. O filtro parando entre seus dedos, entretanto, à espera. "Mark Athalan. Abreviações são legais, mesmo que eu não goste de apelidos. E Melinoe... Submundo, fantasmas. O que você faz? Pode me trazer de volta quando Júpiter me atingir com um raio qualquer dia desses?"
Concordou com a cabeça, abrindo um sorriso levemente malicioso. — Distração, huh? — um milhão e meio de comentários maliciosos se passaram por sua cabeça sobre formas como poderia distraí-la se assim desejasse, mas decidiu que aquele não era o momento. Apesar do Lupercália ser, normalmente, definitivamente o momento pra isso, aquele era o primeiro evento no Ouroboros e, portanto, seu primeiro evento como dirigente depois de perder o cargo de Pretor. Queria estar perfeitamente atento e preparado para qualquer coisa. — Você é incapaz de se tornar desagradável pra mim, Triz. Então infelizmente não sou um bom termômetro pra isso. Mas nem se preocupa, como tirei essa noite para ser chato e responsável, não vou beber a ponto de ficar avoado. Posso cuidar de você e não te deixar pagar nenhum mico. Só não vale brigar comigo mais tarde, beleza? — perguntou em tom de deboche, mas falava sério, Tudo o que queria naquela noite era vigiar as pessoas e se certificar de que todo mundo estava se divertindo sem grandes problemas. Quando ouviu sobre os filhos de Hermes, franziu o cenho, sentindo-se dividido. — Uh... Metade de mim acha isso o máximo e a outra metade tem medo que isso possa piorar as coisas... Mas acho que tá legal, desde que ninguém passe mal, né? — ainda estava preocupado, mas fez um sinal de que deixaria pra lá. — Só não acho que qualquer um que pense um pouco iria dedurá-los pra um dirigente, então mesmo sendo muito persuasivo, não sei se sou a pessoa certa pra descobrir isso.
—🗡️ 🩸 APELIDOS SERIAM IGNORADOS, EM GERAL, se viessem de qualquer outra pessoa que não Matteo e Penélope, ultimamente. Portanto, Beatrice aproveitou das pontas dos dedos que passaram pela gola da camiseta dele, para alcançar a bochecha de Matteo com a pontinha da unha afiada excepcionalmente para aquela noite também, roçando ali num aviso e num breve alerta de que poderiam resolver aquele assunto em outro lugar, num outro momento, quando a Lupercália passasse. "É mesmo a sua cara, se interessar por algo assustador, mas ainda assim, bonito." Brincou apesar do tom ainda estar baixo e pouco divertido na concepção de quem não a conhecesse como o outro conhecia. Entre rolos breves no passado, quando eram mais novos, e flertes casuais porque ela não conseguia simplesmente ignorar a presença de filhos de Afrodite, muito menos de Vênus, ali estavam, formando uma boa dupla, com a questão inicial dele sendo acolhida, demonstrando-lhe isso pelo toque e pelo olhar que lançou a Matteo antes de suspirar e olhar por cima do ombro, refletindo sobre como, infelizmente, ele estava acerto. Mas não admitiria isso em voz alta. "Então observe e aprenda, bebê." E não que fosse a pessoa mais carismática daquele acampamento, muito menos o ser mais celestial em que as pessoas confiassem. Entretanto, conhecendo por tabela alguns filhos de Hermes, bastou se afastar por alguns instantes de Matteo, fisgar um desavisado e usar toda a sua personalidade mais sociável (que existia, apesar de muitos apesares), com toques aqui, ali, uma jogada do cabelo colossal, grandioso e imenso e lá estava Beatrice desaparecendo temporariamente, ressurgindo com dois copos transbordando, um com o que havia ido buscar e o outro com vinho. De fato, uma dupla catastrófica. Talvez como ela e Matteo fossem, mas em bons termos no final do dia. "Tem mais gente além de você que moveria mundos e fundos para não me ver brava e nem me desagradar, sabia?" Brincou, o tom finalmente melhorando um pouco enquanto entregava o copo de vinho na direção de Matteo. A porção com vodca havia sido diluída em suco de laranja, cortesia de uma peça de Deméter não tão distante, pelo que ela ouvira do rapaz de Hermes enquanto ele tremia um pouco ao providenciar o que Beatrice havia ido buscar. Qualquer coisa em troca de não ser perturbado por sua benção de Vênus, aparentemente. "No pior dos casos, me deixa com a Penny e ela vai saber o que fazer comigo. Então... Fazemos um brinde? Pelos velhos tempos?"
Diante da irrelevância das bandeirolas que adornavam o ambiente, a semideusa apenas assentiu, parecendo ligeiramente desapontada por não ter encontrado nada de interessante para aprender sobre aquele costume. Certamente parecia mais agitado e interessante quando impunha casamentos entre os participantes. Ainda assim, encontraria uma maneira de tirar algum divertimento da ocasião. ── Essa poder não ser minha função central, mas, sempre que precisar de uma orientação para evoluir estarei por aqui. ── Respondia a aridez alheia com bom humor, na versão monotônica que já era característica a ela. Seus olhos ainda avaliavam a decoração recém posicionada — apenas a admirando e não fazendo qualquer crítica a sua aparência — quando notou a hesitação em Beatrice ao escutar o nome de sua dupla. Era observadora o suficiente para concluir que sua reação indicava alguma espécie de relacionamento íntimo com o rapaz, mesmo que não soubesse exatamente do que se tratava. E não cabia a ela descobrir. Recolhendo-se à posição como uma mera antagonista implicante na vida da romana, a filha de Afrodite escolheu manter qualquer comentário a respeito do que havia observado para si mesma. ── É bom saber. Odiaria estar presa a alguém que atrapalhasse minha rotina. ── Foi tudo que disse a respeito, refletindo o alívio de não ter sido designada a um parceiro intolerável. Um riso se desprendeu dos lábios ao escutar o nome de Dilan, revisitando o temperamento do rapaz. ── De tédio você não morre hoje. ── Aquela foi a melhor tradução encontrada para expressar a própria opinião sobre ele. Sem se deixar intimidar pela semideusa, preservou o sorriso nos lábios. ── Tenho certeza de que não há distância que te limite, Beatrice. ── Deixava livre a interpretação para suas palavras.
—🗡️ 🩸BEATRICE SUSTENTOU O OLHAR SOBRE Natalya por alguns segundos, num silêncio que se converteu no aumento do seu sorriso de lado. "Fico aliviada em saber que tenho um plano de desenvolvimento garantido por uma grega." Respondeu no mesmo tom seco, mas sem hostilidade real, apenas a ironia habitual enquanto cruzava os braços em seguida. Ao comentário sobre não querer alguém que atrapalhasse sua rotina, assentiu de leve, incapaz de dizer o contrário. "É o mínimo." Retornou, simples, desviando o olhar por um instante breve demais para se fixar em qualquer interpretação. A menção a Dilan trouxe um pequeno arquear de sobrancelha. "Definitivamente não." murmurou, com um traço mais visível de humor. Mas foi a última fala que a fez parar por um segundo, inclinando levemente a cabeça enquanto avaliava a ambiguidade ali com atenção calculada, os olhos claros agora esquadrinhando Natalya como uma presa; não por raiva, mas outra intenção agora. "Não é distância que limita pessoas como nós, de fato." Respondeu por fim, o tom baixo, mais firme. "É mais próximo do que escolhemos, certamente." Seus olhos se mantiveram nos de Natalya por um instante a mais, sustentando uma linha tênue entre desafio e algo menos óbvio, antes de dar de ombros, quase despretensiosa. "E eu não costumo me colocar onde não quero estar." Acrescentou, deixando o silêncio pairar por um segundo, o canto da boca puxando de leve outra vez enquanto se aproximava só um pouco mais da outra. A postura ainda combativa, mas o olhar um pouco mais triangulado; era inegável que filhos de Afrodite e Vênus eram atraentes, mas em posições combativas como Natalya, as reconsiderações de Beatrice aumentavam, embora não houvesse muito espaço para um flerte mais direcionado. "Mas… suponho que algumas escolhas podem ser… Mais interessantes dependendo da companhia, não acha, Lebedev?"
A garganta secou imediatamente, travando as palavras com o arranhar chato da areia. Contudo, em agradecimento especial às novidades da enfermaria, o piscar dos olhos trouxe de volta ao momento. "Bom, sim. Ainda não consegui superar nosso primeiro encontro. Ou melhor, não sei se sinto aliviado, confusa, complexada ou nenhuma das alternativas." Ajoelhou-se ao lado da estaca por fim, as mãos batendo entre si para tirar o excesso de poeira e voltando ao encaixa da estaca no chão. "Como o juramento do médico versus um criminoso perigoso. Não que seja uma comparação decente ou que você seja uma criminosa e coisa assim. Mas- É- Bom pela minha resposta rápida de cura na pior situação possível para ser realizada." Poppy mexeu a cabeça para indicar uma posição melhor, que ocultaria a outra dos olhares distraído dos passantes. "Por quê? Deveria estar em outro lugar e eu estou atrasando? Se sim, não precisa. Eu consigo me virar aqui."
—🗡️ 🩸BEATRICE SUSTENTOU O OLHAR SOBRE POPPY por alguns segundos a mais do que o necessário, como se estivesse avaliando cada palavra que saía da boca da outra, não por julgamento, entretanto, por mais que não parecesse, já que suas feições eram pouco amigáveis em geral. Por fim, um sopro leve escapou pelo nariz da Kowder ao ouvir a comparação atrapalhada da menor, de modo que Beatrice desviou o olhar por um instante, passando a língua pelo interior da bochecha segurando um comentário mais ácido, única e exclusivamente por escolha. "Você fala demais quando tá nervosa." Disse por fim, em tom baixo e estável, sem real aspereza apesar de, novamente, não soar, mas tratava-se de uma constatação. Deu alguns passos à frente, aproximando-se o suficiente para observar o encaixe da estaca, então se agachou ao lado dela com naturalidade, como se já tivesse decidido ajudar desde o início. "E não, não tô atrasada. Se tivesse, eu já teria ido embora. Você sabe que eu não sou do tipo que faz sala." Acrescentou, apoiando uma das mãos na madeira para firmá-la melhor no solo. O olhar voltou de relance para Poppy, mais rápido dessa vez. "Só relaxa, tá bom? Se eu tivesse algum problema com você, você saberia." Houve um meio sorriso no canto da boca, breve demais para se fixar como algo gentil, mas ainda assim distante da hostilidade que muitos esperariam dela, principalmente após um episódio como o que vivenciaram juntas. Em seguida, ajustou a posição da estaca com mais precisão e finalmente recuou, ocupando seu lugar de suporte. "Agora sim isso tá reto. Posso bater?"
POV: DON'T THEY KNOW THAT YOU'RE FULL OF PAIN ALREADY?
Aviso: menção a ferimentos, sangue e poderes hemocinéticos.
O combate já havia se dissolvido em algo desordenado quando Beatrice percebeu que não estava mais seguindo estratégia alguma de forma propriamente dita, apenas reagindo ao que surgia diante dela. No caso, karpoi que apareciam e desapareciam entre os corpos dos campistas, pequenos e rápidos como o que constava em seus estudos e ela já havia derrubado alguns com golpes diretos, direcionados e assertivos, resultado do tipo de violência que seu corpo executava sem hesitação devido aos anos de treinamento e também por conta da filiação que possuía; o frenesi lhe sendo familiar, bem-vindo, estimulante. O verdadeiro problema estava nos gigantes que viu surgirem sem mais nem menos, com nenhum dado sobre eles em sua mente; nenhuma informação. Absolutamente nada.
Cada passo deles fazendo o chão vibrar sob as botas de quem ainda estava de pé, como ela própria, com o olhar afiado voltado na direção daquelas silhuetas monstruosas enquanto as adagas ensanguentadas eram seguradas mais firmemente como se isso lhe desse alguma segurança sobre seus passos seguintes.
Foi nesse movimento irregular de gente correndo e criaturas avançando que Beatrice viu, então, alguns metros adiante, a filha de Asclépio ajoelhada no chão, pressionando um ferimento em outro semideus como se o resto do anfiteatro não estivesse desmoronando ao redor; a Kowder reconheceu aquilo imediatamente, simplesmente porque sabia que havia pessoas que lutavam para derrubar inimigos e havia aquelas que permaneciam ao lado dos feridos mesmo quando o mais óbvio seria fugir, preservar-se.
Curandeiros faziam isso. E eram raros.
O gigante apareceu no campo de visão dela no mesmo instante em que percebeu o risco, não tanto para si, mas para Poppy: quatro metros de pedra junto com metal e terra avançando rápido demais para um ser daquele tamanho, o braço já levantado e mirando em algo que, posteriormente, a filha de Belona compreendeu o que seria. Até que, por fim, Beatrice não fez cálculo algum além do necessário, respirando fundo, atravessando a distância e empurrando a curandeira para fora da trajetória do golpe que se seguiu bem em tempo, só conseguindo exclamar uma interjeição.
Intencionalmente, porque era melhor que a atingisse do que acertasse Poppy.
E o impacto veio, bem como atingiu a Kowder de lado: a massa da criatura colidiu contra seu flanco direito, sendo que força do golpe foi suficiente para arrancar o ar de seus pulmões no mesmo instante em que o movimento fazia arremessá-la contra o chão, sentindo as costas arranharem e se incomodarem com a areia debaixo de si. Em seguida, quando Beatrice conseguiu puxar o ar outra vez, respirando minimamente, veio junto do movimento dificultoso o gosto metálico na boca e aquela dor profunda se espalhando pela lateral do tronco, num lembrete de como já estava machucada anteriormente; de como estava com ferimentos sob cuidados; de como seu corpo parecia constantemente no limite desde a guerra contra Cronos, reinvidicando seu preço agora: as costelas inferiores do lado direito protestaram de imediato, a dor irregular e esmagadora que piorava cada vez que ela tentava respirar, tentando se localizar em meio aos gritos e aos tilintares das lâminas próximas de si. Sentindo aquele líquido quente escorrendo pela lateral do corpo, descendo das costelas até o quadril enquanto o sangue se espalhava pela terra sob ela, manchando também as vestes cerimoniais que usava. E que, querendo ou não, haviam sido pensadas de modo que pudesse tirar o máximo proveito de seus poderes se fosse o caso de algo dar errado como estava dando.
Até que Beatrice apoiou o cotovelo no chão e tentou se erguer, com uma respiração que vinha muito curta agora, dificultosa. Preocupante. Cada inspiração forçando a musculatura ferida e fazendo o lado direito do corpo latejar como se algo ali estivesse pressionando de dentro para fora, como se o gigante estivesse apertando pessoalmente suas costelas. E foi em meio a esse desespero, a essa sensação aterradora de que não sabia quanto tempo mais aguentaria de forma consciente, que o sangue que manchava o solo ao seu redor começou a reagir antes mesmo que ela levantasse a mão recuperando uma de suas adagas. As pequenas correntes vermelhas se arrastando pela terra em direção aos seus dedos, subindo pelo ar como fios líquidos que endureciam à medida que se juntavam, e toda sua força de vontade se direcionando para o fato de não acertar um dos seus, nenhum dos outros campistas; apenas aquele gigante, numa tentativa de voltar a distrai-lo e atrai-lo para si e não para Poppy ou para um grupo pequeno que estava tentando conduzir alguns dos seus para fora do campo também.
Até que Beatrice conseguiu ficar de pé, embora o peso do próprio tronco parecesse puxar para o lado ferido, forçando mais de seus limites, isso se mostrando na forma como tremia sem nem perceber. Do outro lado, o gigante já se movia novamente, preparando outro ataque e Beatrice reuniu mais sangue ao redor da mão aberta, puxando cada gota disponível para o ar até que as lâminas carmesim pairassem ao redor dela; os fluidos misturando-se ao que outros campistas haviam derramado também, piorando a situação do gigante em questão que, àquela altura do campeonato, estava sendo atormentado por sua benção dada por Vênus, atordoado, mas ainda não o suficiente para recuar.
Enquanto isso, Beatrice tentava se certificar de onde Poppy estava; não muito distante de si, mas a Kowder estava quase encurralada entre as arquibancadas do anfiteatro, as ruínas daquela parte, enquanto a filha de Asclépio estava no contraponto. Não poderia submetê-la a ser a isca ali, então que terminasse de resolver o problema que havia criado para si.
No caso, aquele gigante que avançou outra vez, com o braço enorme que começou a descer em direção a ela, até que a filha de Belona ergueu a mão ensanguentada enquanto o sangue que escorria de seu flanco direito aberto continuava alimentando o poder que, ao mesmo tempo que a atormentava, se mostrava uma dádiva sanguinolenta. Digna de sua mãe, de fato.
As lâminas disparando, certeiras, até encontrarem aquela junção de pedra. O gigante finalmente recuando um passo pesado, desengonçado, quando os cortes passaram a abrir cortes irregulares em sua superfície. A resposta vindo logo depois, num cambalear rápido o suficiente para que Beatrice mancasse para o lado oposto em busca de uma fuga efetiva. Enquanto mais sangue escorria pela lateral do corpo, descendo pela cintura e pingando no chão.
Tudo de que precisava para continuar lutando e abrindo caminho até um lugar seguro, ao que a visão já começava a escurecer levemente nas bordas e cada respiração puxava uma fisgada profunda nas costelas fraturadas, suplicantes por atenção.
Ainda assim, permaneceu ali, combatendo e lutando em meio ao desnorteio e deixando um novo rastro de destruição atrás de si. Até o momento em que os joelhos voltaram a fraquejar e ela precisou ceder à gravidade, escorregando contra uma pilastra, observando a movimentação dos outros campistas pelo canto dos olhos; tomada agora pelo medo, não da morte ou de continuar sangrando e sentindo aqueles tremores bem como a sensação de não entender muito mais o que estava ao redor, mas de falhar. De ter falhado. De estar falhando. Sentindo-se pequena, pífia, agora que o acampamento mais precisava de si novamente, amaldiçoada outra vez pelos poderes que haviam sido levados ao extremo naquela noite, como há algum tempo não mais acontecia. O pensamento fraco passando pelos nomes que importavam, pelas pessoas que ela precisava ver, averiguar se estavam bem ou pelo menos contemplar uma última vez, se fosse o caso de Tânatos decidir aparecer para buscá-la.
Não poderia ser agora, poderia?
Menção a @poppysmilk
Tá aqui, minha central amada @ouroborosrp @ouroboroslore
A risada rápida de Matteo foi nostálgica, pensando nas festas clandestinas que davam no Acampamento Júpiter. Pensar em seu lar fazia o peito doer ao lembrar-se que ele havia sido destruído. — É difícil dar festas legais num lugar tão cheio de regras, mas a gente dava um jeito. — deu uma piscadela, mas seu sorriso era ligeiramente triste ao lembrar dos velhos tempos. Precisou de um tempo para lembrar quem deles era Dilan, era horrível com nomes, mas quando ela mencionou o Rei da Soneca deu uma gargalhada lembrando-se do dirigente do Ctonia. — Esse cara é um sarro. Às vezes pego turno noturno com ele na patrulha e nunca entendo uma palavra do que sai da boca dele. Deve estar tendo um dia divertido. Mas não se preocupe, você tá comigo, se alguém questionar falo que tivemos que resolver uma emergência ou sei lá. Eu sou dirigente, ele vai acreditar em mim. Se não der certo, jogo meu charme, ele nunca falha. — disse, plenamente confiante de suas palavras. Mal conhecia Quíron, mas naqueles poucos meses havia desenvolvido um bom relacionamento com o cara-cavalo, acreditava que podia convencê-lo de qualquer coisa.
—🗡️ 🩸A MENÇÃO A DILAN ARRANCOU DELA outro riso breve pelo nariz ainda que viesse acompanhado de um franzir de cenho meio tenso. "Então você entende perfeitamente minha necessidade urgente de distração." Disse a Kowder erguendo uma sobrancelha com falsa inocência, sobretudo quando Matteo garantiu que poderia lidar com qualquer questionamento de Quíron usando sua posição ou simplesmente charme. Ouvindo isso, o sorriso dela cresceu um pouco, lento e divertido. "Autoridade e manipulação emocional estratégica… Exatamente o tipo de plano que espero do meu ex-pretor." Murmurou, aproximando-se um passo apenas para ajeitar distraidamente a lapela/gola da roupa dele num gesto rápido, quase automático. O jeito metódico de Beatrice aparecendo até em um momento como aquele, que deveria ser de relaxamento. "Muito bem, dirigente. Se alguém perguntar, tivemos uma emergência diplomática envolvendo… Segurança do evento, avaliação da fogueira ou qualquer coisa que soe séria o suficiente e que você certamente estaria averiguando." Acrescentou, fazendo um gesto vago com a mão antes de recuar meio passo. "Não me faça perder a fé no treinamento romano, Matteo." Por um instante a filha de Belona observou o movimento do festival ao redor: a fogueira, as vozes, a música, e então inclinou levemente a cabeça em direção às mesas mais afastadas, onde algumas garrafas já começavam a circular entre os campistas. "Mas já que estamos aqui... Podemos começar com vinho." Sugeriu em seguida. Deu dois passos naquela direção, mas acabou diminuindo o ritmo logo em seguida, a expressão mudando de forma quase imperceptível enquanto seus dedos tamborilavam contra o próprio braço. Beatrice sabia exatamente o efeito que o álcool tinha sobre ela: deixava suas respostas mais rápidas, seus limites mais curtos e a agressividade (normalmente contida) muito mais próxima da superfície. Ainda assim, soltou um pequeno suspiro e voltou a caminhar, lançando um olhar de lado para Matteo. "Se eu começar a ficar mais desagradável que o normal..." Começou, com uma calma que realmente não combinava em nada consigo. "Você tem autorização para me lembrar que essa foi sua ideia e me arrastar de volta pro meu quarto." Então continuou na direção das garrafas, claramente disposta a testar a própria decisão, satisfeita, entretanto, com o sabor do vinho ao senti-lo contra seus lábios. "Eu ouvi dizer que uns filhos de Hermes estão com um pouco de vodca também. Será que você é diplomata a esse ponto de ir até lá e descobrir se isso é verdade?"
A resposta sobre sua cara não o impressionou. Mark ouvia muito isso, de qualquer forma, já que raramente demonstrava contentamento com qualquer coisa. — É, eu nasci com ela assim. — foi sua resposta simples diante do questionamento, a voz ainda ligeiramente seca. Mas não pôde evitar dar uma pequena risada ao ouvi-la reclamar das homenagens aos deuses, afinal, era exatamente assim que se sentia. E odiava ainda mais homenagear um deus que estava há tanto tempo desaparecido sem dar qualquer sinal de vida como Pã (ou Fauno, como eles chamavam). Não que os outros fossem super presentes, mas pelo menos davam algum sinal até poucos meses antes. — Eu não acho que eles merecem nada desse glamour. Onde estão nossos louros e homenagens por ter derrotado um titã? Tudo o que ganhamos foram nossas casas destruídas e uma nova forma de superlotação. — reclamou. Não mencionou seu descontentamento com a presença dos romanos ali, mas isso era implícito para quem quisesse perceber.
—🗡️ 🩸"Somos dois. Por isso eu disse que não é exatamente um mau julgamento." O tom de voz acompanhou o dele ao que os olhos de Beatrice se detinham, temporariamente, sobre alguns campistas próximos. Gregos, em sua maioria, aparentemente ainda meio desnorteados com o evento, mas a essa altura do campeonato ela já se sentia bem menos incomodada com isso. Até ser retirada de suas breves observações pelo comentário dele que se seguiu; aparentemente, estava em um território confortável para explanar seus pontos de vista, principalmente em se tratando de um sub-dirigente. "Nunca ganhamos muitas coisas, sejamos sinceros. No máximo, mortes prematuras, famílias destruídas e, realmente, tenho que concordar com a parte da superlotação." Suspirou brevemente, baixando a cabeça por alguns instantes antes de voltar a olhá-lo. "Sermos descartáveis para eles é o que me faz desejar aproveitar cada dia, cada uma dessas festas, cada detalhe, como se fossem os últimos, mesmo que eu não queira que sejam." Ponderou brevemente, os lábios carmesim se crispando levemente. "Queria que durassemos mais tempo até vermos cada um deles caindo. Ou até que passemos a ocupar o lugar deles onde estão se escondendo agora." Rosnou baixo, o sangue fervendo um pouco mais com a breve menção, talvez os olhos reagindo com aquela faísca avermelhada característica de quando seus poderes estavam fervilhando dentro de si, já que a raiva tendia a antecipá-la, prepará-la para o pior normalmente. Não naquele contexto, entretanto. "Confesso que é bom finalmente ouvir alguém que partilhe desse tipo de ideia. Todos parecem tão confortáveis em serem sacrificados como cordeiros, que ficou difícil ter esse tipo de conversa sem advogados dos deuses se manifestarem." Pontuou antes de inclinar levemente a cabeça, mantendo os olhos no maior. Sem mãos estendidas para a formalização a seguir ou simpatia gratuita já que o outro não se mostrava tão aberto a sua presença (por ser romana, uma mulher ou de outro setor, não sabia precisar bem), o tom ainda direto, combinando também com seu próprio porte. "Sou Beatrice Kowder, de Belona. Já nos vimos nas reuniões, eu acho. Melinoe, se não estou enganada?"
Uma vez no banheiro, enquanto Bea ocupava-se da inspeção rotineira de seus piercings, Penelope adiantou-se em pegar sua própria escova e pasta de dentes, apoiando o quadril de leve contra a pia enquanto desenroscava a tampa do tubo. Colocou uma quantidade generosa nas cerdas antes de erguer o olhar para o espelho, observando o reflexo das duas ali enquanto começava a escovar os dentes, o movimento ritmado enquanto acompanhava Beatrice pelo espelho por alguns segundos, curiosa, antes de enxaguar a boca rapidamente. — Duvido que rejeitem qualquer coisa em Las Vegas. Devíamos achar um daqueles padres vestidos de Elvis, aposto que o Matteo ia adorar. — Ela riu, imaginando a cena de um casamento triplo com um cerimonialista caracterizado como o rei do rock. Tornou a encará-la pelo espelho, a expressão descrente pelas perguntas feitas, apontando a escova de dentes na direção da amiga. — Por favor, você ouviu o que disse? Se alguém nessa dupla fosse ficar envergonhado com alguma coisa, teria que ser o Dilan.
—🗡️ 🩸"Eu quero casar de branco, com véu, grinalda e tudo que tenho direito. Quero a mídia no meu casamento também, para eu ter provas que me casei com os dois dirigentes e ter minha parte na influência política desse lugar." Lançou-lhe um beijo através do espelho logo depois de terminar de se ajeitar: a escova, os piercings, a verificação dos cachos naquele cabelo enorme e pesado que, embora estivesse cheio de poeira, fuligem e afins, ainda era chamativo. Vivia preso por conta dos treinamentos, então naqueles momentos de pausa, era bom poder deixá-los soltos. "Falando assim, fica parecendo que você não sabe que eu sou uma mulher tímida e contida. Tanto que tô até cogitando um trisal. Mais um pouco e eu tô virando uma trad wife, mesmo que de outros dois semideuses. Ao mesmo tempo. Cada um dividindo o mesmo neurônio comigo, mas ainda assim..." Uma nova risada divertida, antes que seus olhos identificassem a figura de uma filha de Quione, um desafeto particular seu, adentrando o espaço do banheiro. Os olhos claros de Beatrice queimando na direção das costas dela, antes de se voltar para a amiga, abandonando um beijo estalado em sua de suas bochechas e um tapinha amistoso na altura de um de seus ombros. "Vamos nessa. Temos que voltar para nossas duplas dinâmicas. Serei toda sua na parte da noite, mas temos chão até lá."
— Touché. — respondeu, ainda sorrindo, mas de forma menos provocativa do que antes. Pegou automaticamente o material de que precisava e os organizou na mesa ao lado da maca ocupada por Beatrice. — É um bom ponto. — Concordou, retirando devagar os curativos e limpando o ferimento exposto. Avaliou a cicatrização, satisfeito com a ausência de infecção, antes de aplicar o antisséptico. — Fez bem em vir cedo. Assim eu posso garantir que seu corpo não vai tentar se regenerar por cima de algo mal cuidado. — Levantou rapidamente os olhos para ela, sorrindo, e voltou ao curativo. — Quanto a não querer que mais ninguém veja... — disse, quase casual, prendendo a gaze no lugar. — Fique tranquila. Os segredos do seu corpo estão seguros comigo. — Ele devia ter tido a decência de corar, mas não o fez. — Além disso… — soltou um leve riso — duvido que o Dilan teria metade da paciência que esse processo exige. — Benjamin terminou de ajustar e cobrir o curativo, checou o resultado e assentiu para si mesmo. — Um já foi, restam dois. — Apoiou as mãos sobre a maca, ao lado das pernas dela. — Prefere deitar? Posso ver as duas de uma vez assim, nas costas e na coxa. E aí vai estar novinha em folha pra correr atrás dos adolescentes do belica.
—🗡️ 🩸 POR MUITO POUCO, BEATRICE NÃO perdeu o tempo de resposta adequado para o que quer que Benjamin estivesse falando, porque sua atenção quase se voltou completamente para os movimentos dele diante de si. E sobre sua pele, no caso, fazendo com que a Kowder sentisse arrepios leves tanto pela dor, quanto pelo toque cuidadoso; um lembrete de como odiava a sensação de ser cuidada e amparada por estar vulnerável, e também por conta disso detestava ambientes como a enfermaria, mas ainda assim, dia sim e dia não, estava por lá. "Ética e sigilo entre paciente-médico, hm?" Resmungou novamente, agora removendo enfim a camiseta, deixando o outro curativo à mostra, bem sob a alça de seu sutiã, atentando-se às orientações dele. A parte da frente da calça sendo baixada só o suficiente, a tatuagem que ia de lá até a costela recentemente medicada por ele, o piercing no umbigo aparecendo e anunciando também que o tecido desceria mais, mas só um pouco: o suficiente para que as regiões da coxa, atingidas, fossem alcançadas também. Outra tatuagem descendo por ali, encobrindo parte das cicatrizes de outras batalhas que Beatrice vencera, expostas conforme se debruçava e escondia o rosto entre os braços cruzados abaixo de sua cabeça. Nudez ou seminudez não sendo uma questão para ela, como romana, mas o fato de estar tão exposta e vulnerável, sim. "Você sabe que está tocando onde só meus tatuadores me tocaram, não sabe? Espero que saiba que isso significa que vamos sair para jantar num rooftop qualquer dia desses." Tentou brincar fazendo referência a algo que dizia com certa frequência já que se conheciam há tempos (mas nunca acontecera), a voz abafada por estar contra sua própria pele. Ciente, também, de que não era como se pudesse ser tão discreta: era grande, corpulenta, forte, tatuada, com marcas de batalha e tinta espalhadas. Nem um pouco amistosa. Mas ainda assim, sempre bem recebida pelo filho de Ceres, mesmo quando pouquíssima gente havia se disponibilizado a curar a filha de Belona em outras ocasiões justamente porque seus poderes colocariam esses profissionais em risco. "Puta merda, isso incomoda demais."
Fazer aquilo sozinha era um pouco complicado, mas não completamente impossível. Tudo bem, eu consigo. As palavras ainda ecoavam em sua boca. Bem, realmente, Poppy as repetia consigo mesma enquanto ajustava os grandes pregos e pisava em cima, para ter mais apoio. "Prego não, Poppy. Estacas." Deu um passinho para trás, depois outro e... É, teria que servir. Afastou os pés, pegou a marreta, e quando estava para descer a cabeça pesada da ferramenta... "Jesus Cristo, Bea!" Ela saiu do nada. Do nada. E dado o histórico entre as duas, Poppy nem esticou as mãos para segurá-la. Para não correr nenhum risco de curar sem querer. "Você tem que parar de surgir do nada como fumaça. Vai que eu te acerte sem querer e- Hm, tá indo para algum lugar? Tem um tempinho para me ajudar aqui? Faltam só dois ou três desses, pra finalizar isso e- Se prometer não acertar nas minhas mãos, eu seguro a estaca pra você."
—🗡️ 🩸 PARTE DE SI SUPERVISIONAVA AQUELAS ATIVIDADES por ser metódica e exigente enquanto romana, mas a outra parte realmente circulava por seus semelhantes após breves instantes de pausa e desprendimento de Dilan, por curiosidade genuína. Numa dessas andanças, topou com a empreitada de Poppy, encarando-a de longe antes de se aproximar de forma usualmente silenciosa e gatuna. Com as mãos nos bolsos dianteiros, os olhos claros e afiados na direção da filha de Asclépio. Não tinha nada específico contra ela, embora suas personalidades não se aproximassem muito e tivessem se conhecido num momento de gafe que poderia ter custado a integridade física da grega. "Tá devendo, Poppy? Se assustando tão fácil assim." Brincou, embora seu tom permanecesse mais firme e baixo. "Eu tava só de passagem, consigo te ajudar, sim, mas só se fingir que não me viu aqui."
Fingindo estar conduzindo aquela discussão amistosa com seriedade, meneou afirmativamente com a cabeça, como se aprovasse a postura assumida pela outra. ── É louvável que reconheça suas falhas, assim poderá evitar cometê-las novamente no futuro. ── Suas provocações sutis eram evidências irrefutáveis de que não buscava criar um atrito com Beatrice e torná-la uma inimiga mortal dentro do novo acampamento. Os alvos de sua inimizade eram muito bem demarcados e sofriam com uma versão muito mais impiedosa da filha de Afrodite. Até mesmo sua frieza podia apresentar nuances. Assim como a romana, também dirigiu sua atenção para as bandeiras emaranhadas, agora acompanhando o desenrolar da tarefa de desatá-las. Evitando a atrapalhar, se manteve calada, apenas observando a movimentação — em especial ao empunhar sua arma. Tinha interesse em descobrir o que cada um usava para se defender durante a batalha. ── E esse detalhe é importante durante o festival? ── Sua dúvida soava genuína, assim como a decisão de não se deixar cair em meras provocações. Não tirava o direito de seus semelhantes se queixarem daquela dinâminca. Não esperava receber silêncio e respeito por parte do grupo oposto, caso os papéis fossem invertidos. ── Estou presa ao Benjamin Albuquerque, deve conhecê-lo. Até o momento, me pareceu ser uma rapaz legal. Pelo menos não me encheu o saco ainda hoje. ── Deu de ombros. Ainda não tinha uma opinião formada sobre ele. ── E você? A quem está torturando?
—🗡️ 🩸BEATRICE SOLTOU UM SOPRO CURTO pelo nariz ao ouvir a resposta de Natalya, mantendo o equilíbrio na escada enquanto ajustava uma das bandeirolas que ainda insistia em pender torta. Metódica, exigente. Como o usual. "Não são importantes, mas ajudam na estética. De qualquer forma... É reconfortante saber que tenho sua orientação para evoluir como pessoa." Respondeu no mesmo tom seco, embora a leve curva no canto da boca denunciasse que não havia real irritação ali já que ambas pareciam se entender bem naquele território neutro. Por fim, Beatrice finalizou o ajuste e girou o punhal entre os dedos antes de fazê-lo desaparecer novamente no formato discreto do piercing no gesto automático e então desceu alguns degraus para avaliar o resultado. Quando ouviu o nome de Benjamin, porém, houve uma pausa mínima, curta o suficiente para passar despercebida por quase qualquer um, embora a Kowder ainda fosse terrivelmente expressiva mesmo sem querer. "Conheço, sim." Disse por fim, com aparente neutralidade, voltando a olhar para as bandeiras como se aquilo fosse o foco principal de sua atenção, embora houvesse uma pontadinha de incômodo em alguma parte de seu ser. "Ele certamente é alguém… Suportável de se dividir tarefas." Acrescentou depois, como se estivesse fazendo uma avaliação apenas prática, ainda que algo na forma como puxou a corda para alinhar melhor a decoração denunciasse um pouco mais força do que o necessário. Era difícil para Beatrice internalizar seu interesse sobre outras pessoas quando estava tão acostumada a ser prática, direta e reta. "Me colocaram com um dirigente. Dilan. Foi uma boa escolha, acho que qualquer outro poderia terminar correndo alguns riscos." Ponderou brevemente. Longe da escada agora, pôde se voltar totalmente para Natalya, a diferença entre alturas se anunciando, mas ainda assim, não sendo o suficiente para Beatrice olhar para a Lebedev como sendo menos por isso. "Imagino que alguém tenha decidido que é mais prudente me manter longe de qualquer atividade que envolva proximidade excessiva com os outros campistas… Ou com objetos que cortem. Honestamente, talvez seja uma decisão sensata, por isso não reclamo de estar resolvendo a decoração."
O festival era curioso para alguém que viveu tão pouco na superfície, a começar pelo fato de ter vindo do acampamento meio sangue, jamais viu algo parecido com aquilo, então a sua atenção aos detalhes parecia cada vez maior. — Deixa eu ver se entendi... — Comentou com MUSE, não por ter algum tipo de intimidade com elu, mas por ser a única pessoa perto dele para puxar assunto sobre isso. — Precisam amarrar essas pessoas para substituir possíveis casamentos arranjados que se fazia antigamente?
Apesar de ter soado um tanto quanto debochado, Myeongjin não conseguia entender a ligação de ambos vindo da proposta central daquele festival. Entendeu a parte em que buscavam uma forma de convívio mais pacífico, mas tinha uma visão que tornava o festival a pior decisão que poderiam fazer naquele momento. — Eu não sei se é uma boa ideia, sendo bem sincero...
—🗡️ 🩸 OS OLHOS DE BEATRICE SE APERTARAM SÓ UM POUQUINHO na direção alheia, até constatar que, ao contrário do que parecia vir da maioria dos outros gregos, aquela opinião em particular havia sido respeitosa, então sua guarda ainda estava neutra. "É por aí. E casamentos arranjados realmente não estão com nada agora, mas ainda assim, saem muitos casais disso aqui, do jeito como tá sendo conduzido." Meneou levemente a cabeça enquanto tentava pensar numa resposta ao mesmo tempo que tentava se recordar de qual contexto já vira o rapaz por aí. Ao que tudo indicava, alguma reunião entre tenentes superiores dos setores, ou das inúmeras vezes em que a Kowder se enfiara nas dependências ctônicas por motivos muito específicos, mais recentemente. "Acho que seria arriscado se fosse com os gregos, um pessoal que gosta muito de festa e esquece do propósito da maioria delas. No caso do Júpiter, esses casais gerariam outros semideuses, quase profissionalmente e, assim, num mundo ideal, poderíamos estar num número bem maior. Tentar suprir essa baixa constante que temos." Ponderou levemente, encarando o copo que tinha entre os dedos; o sangue parecia ferver um pouco mais quando pensava em como detestava a sensação de serem completamente descartáveis para os deuses. "Se perdeu um pouco também, não vou mentir. Virou uma coisa meio digna de Baco, mas é só uma minoria. Ainda tem toda a tradição e carga histórica por trás." Refletiu mais um pouco antes de voltar a olhá-lo. "Vocês têm algo parecido? Sei de festas específicas em cidades com deuses gregos patronos também, mas não me recordo se em níveis como nossa Lupercália, Saturnália..."
— Se acha mesmo que a morte poderia tirar seu posto de ser, duplamente, a primeira-dama do Belica, está muitíssimo enganada, Bea. — Sua doçura, disfarçada pelo tom jocoso, Penelope reservava somente àqueles mais próximos de si. Matteo, talvez, fosse uma exceção, já que, por vezes, acabava odiando a proximidade dos dois, ciumenta como era. Não conseguia evitar, mesmo sabendo que a amizade deles vinha de muito tempo, antes de ela mesma entrar nessa equação. Por isso, o rapaz via mais de seu tom afiado do que suas brincadeiras. — Nada disso, é só preocupação com a... logística de tudo, não com saber se isso seria uma obrigação ou não. Esquisito? Talvez, mas nada como tomar banho junto com alguém para tirar qualquer timidez do caminho. — Deu de ombros, a simplicidade da informação sendo algo tão corriqueiro quanto um sorriso entre elas. — Agora, o Dilan envergonhado é algo que eu gostaria de ver. Vai ter que me contar tudo sobre isso, se acabar acontecendo.
—🗡️ 🩸 BEATRICE NÃO PRECISAVA OLHÁ-LA diretamente para conseguir pescar algum incômodo em Penélope sempre que falava de seus outros amigos, até porque, com ela, era igual. Duas mulheres ciumentas co-existindo, dedicadas às amizades que possuíam, como poderiam não ser carne e unha a ponto de não desejarem se partilhar? Era complexo. De qualquer forma, já nas dependências do banheiro, Bea tratou de ir até uma das pias dispostas para começar todo o ritual básico entre refeições: conferir os piercings da região da boca, remanejá-los com cuidado, alcançando sua bolsinha para retirar de lá a pasta, a escova e o mini enxaguante bucal. Apropriado de Lucca, seu irmão por parte de Belona, sem a menor pretensão de devolver o item emprestado a menos que ele o reivindicasse. "Isso foi tão romântico. Podemos nos casar em Vegas na próxima missão em que sairmos juntas, que acha? Será que aceitam um trisal? Tenho que pensar na minha parte da herança." Brincou, agora a fitando através do espelho. Realmente não tinha proximidade com gregos, mas sua conexão com Penélope viera de um lugar inusitado nesse sentido, mas previsível por ser filha de Ares. "Sinceramente, já fiz tanta coisa na vida de primeira com alguém que mal conhecia. Que mal faria um banho? Quem sabe eu deixe o Dilan esfregar minhas costas." Brincou ainda que o tom não mudasse muito, agora se entretendo pelos próximos minutos com a escovação dos dentes. O cuidado redobrado por conta do piercing no smile; e na língua. E no freio debaixo dela, até conseguir deixar a boca livre por mais alguns instantes. "Por que é que ele ficaria envergonhado e não eu, dona Penélope? Por acaso acha que eu não sou uma mulher recatada?" Definitivamente não, levando em conta o que havia acabado de dizer sobre gente desconhecida e intimidade. "Que eu não tenho vergonha na cara?"
A figura de Beatrice na enfermaria não era de todo incomum. Pelo contrário, era um dos poucos rostos que via com frequência, quase diária, sempre para tratar do menor dos ferimentos, sob circunstâncias específicas a ela, que Benjamin jamais ousava revelar por conta própria. Os poderes de Bea diziam respeito a ela mesma e, se alguém fosse revelar a natureza destes, que fosse ela mesma a fazê-lo.
Contudo, apesar de não ser um fato incomum, o finzinho da manhã do festival não era exatamente o momento em que esperaria vê-la, especialmente sem Dilan atado ao seu pulso, como a data mandava. — Tão cedo, Bea? E sem seu par? Tsc tsc. — provocou, hipócrita, pois ele mesmo não estava acompanhado de Natalya no momento. — O que Lupa diria se a visse agora?
—🗡️ 🩸 EM GERAL, BASTAVA QUE SE ENFAIXASSE para continuar treinando e garantir a segurança das pessoas ao redor mesmo quando se machucava. Todavia, naquela ocasião, como precisava trocar alguns curativos e garantir que estava se curando num nível adequado antes que seu corpo decidisse parar de se regenerar na velocidade comum de um semideus devido ao esforço colossal de gerenciar suas feridas e também sua capacidade de cura de modo que uma coisa não conflitasse com a outra como o próprio Benny já a alertara. O ponto era: preferiu fugir de Dilan naquela manhã, porque não queria um grego metido diretamente com seus poderes de uma filha de Belona. "Não é o seu caso também, Benny?" Resmungou enquanto sentava-se na maca e prontamente erguia a camiseta que estava usando, indicando a primeira ferida do dia anterior que precisava de atenção: bem próximo das costelas direitas, revelando parte da tatuagem de dragão que descia e cobria também uma antiga cicatriz na região da lateral da coxa. "Tão cedo, porque não sei como o Dilan lida com sangue e também não quero que mais ninguém veja nada do meu corpo nesse estado além de você." O resmungo se prolongou até passar recibo do que havia sido dito; os olhos verdes e grandes imediatamente procurando o rosto dele, buscando algum suporte para corrigir as palavras. Ou a pretensão não pretensiosa delas. Sem contar que ela até poderia limpar os ferimentos novos, mas não alcançava; daquele ângulo, por exemplo, próximo do busto. Na parte de trás das costas. E também na parte de trás da coxa, mas esse era só um acompanhamento revisional mesmo. "Na enfermaria, digo. Já é mais do que o suficiente, só uma pessoa por vez correr esse risco." O tom mal-humorado chegou a ficar para trás devido ao choque abrupto, antes de voltar a desviar o olhar; dizia isso só por dizer, porque perto do que era antigamente, seus poderes estavam bem mais controlados. Outrora, bastava sangrar para representar uma ameaça desenfreada; agora, somente se não se concentrasse para permanecer neutra. "Lupa não diria nada, porque não tá aqui. Mas eu pretendo honrá-la à noite, não se preocupe, voltando cedo da festa pra ficar com os mais novos e não deixá-los sem supervisão."
Só de pensar em todo aquele trabalho já deixava ele ainda mais cansado. Estava suando naquele local, mas era respeitoso a ponto de ficar quieto depois do comentário alheio. Ele só queria descansar. Já era muito propenso ao sono, e havia patrulhado a noite inteira na esperança de dormir o dia todo, pois nem mesmo lembrava de tudo aquilo. Eram muitas preocupações e mesmo ele delegando boa parte de suas tarefas ainda possuía muita demanda. Era difícil ficar em um acampamento fechado com tantas culturas e pensamentos diferentes, mas eles estavam fazendo dar certo e precisavam continuar. Sem contar que ele precisava dar suas aulas teóricas.
Procurou a pedra e tentou entender como funcionava aquele trabalho. Nunca foi de ficar muito tempo nas forjas tirando quando precisasse dar recados, mas sem dúvidas era um dos grupos que mais trabalhava, pelo menos pareciam gostar dos artefatos que conseguiam produzir. "Creio que para isso podemos nos separar um pouco? Ou melhor, eu até posso ir com você, mas enquanto você se arruma, eu tiro um cochilo. Não é desrepeitoso, é?" Perguntando sobre a cultura por trás daquele festival. Ainda era estranho para ele entender como fertilidade e ficar ao lado um do outro se relacionavam ou daria certo, mas ele jamais questionaria ordens. "Ou você vai precisar que eu te ajude em cada processo?" Arqueou uma sobrancelha imaginando o dobro de trabalho que teria com isso também.
—🗡️ 🩸 COM A PEDRA DE POLIMENTO EM MÃOS pôde finalizar aquela parte dos compromissos do dia. Já haviam organizado uma parte da decoração do evento também, então, de fato, poderiam aproveitar o final do período para que se organizassem da forma como achavam melhor. "Normalmente, sempre me arrumei junto dos meus parceiros. Dividir a casa de banho com alguém nunca foi um problema, mas tem também os chuveiros individuais." Explicou inicialmente, embora essa fosse a parte menos essencial do questionamento alheio. Enquanto isso, ia se movimentando, guardando os itens que usara e começando a conduzir os passos deles para fora da forja, finalmente sob ar fresco. "Na parte de se trocar de verdade, sempre ajudei a enfeitar quem estava comigo e me ajudavam também. Mas se você não quiser, pode ficar desamarrado e eu tento pedir ajuda de alguma irmã ou amiga minha. Por mais que elas mesmas estejam presas e meio impossibilitadas também." Tentou encontrar um meio termo, algo que não o colocasse em um cenário tão mais diverso do que os gregos já estavam enfrentando, mas Beatrice também achava que era apenas um único dia e que a experiência deveria ser aproveitada em sua totalidade. Coisa que talvez os gregos não pudessem absorver tão facilmente, mas até então, sua concepção sobre eles não ia muito além de algo positivo em relação aos não relacionados com a guerra ou deuses mais militarizados — embora ainda admirasse muito as facetas gregas de Leto e Somno também. "Seja como for, eu não tenho nada a esconder, meus aposentos estão prontos para te receber. E contanto que não me faça sangrar, você estará em ótimas mãos."