[ @piestpierre ]
Segurança. A quanto tempo que os residentes daquele acampamento buscavam por isso? E por força e perseverança, mantiveram aquele lugar de pé naqueles cinco anos que se passavam, criando seu próprio porto seguro, um refúgio. E a sensação de segurança, assolava o coração da morena, pela primeira vez em muito tempo. Seus olhos fixos nas pessoas que curtiam a festa, os sorrisos, as risadas, permitindo que seu cérebro registrasse e que permanecesse rodando aquele momento em loop em sua mente. Aquele desastre já havia tirado tanto daquelas pessoas, mas ainda sim, lá estavam eles, sobrevivendo dia após dia, mantendo-se esperançosos sobre reconstruir suas vidas. Um sorriso contente repousava nos lábios de Sierra, que de vez em quando o trocava pelo copo de cerveja, deixando que o álcool escorregasse por sua garganta.
Entretanto, foi nesse momento, que seu ouvido captou um som, distinto as vozes, nem mesmo se comparava aos tiros que sempre são dados no portão do acampamento. Abaixou seu copo, a testa se franzindo enquanto seus olhos buscavam de onde vinha aquele som levemente familiar. Quando seus olhos encontraram, entretanto, era tarde demais. A primeira vitima já se encontrava inconsciente no chão. Não demorou para que uma gritaria começasse e o alarme soasse alto, e que as aves começassem a atacar mais pessoas. O copo de cerveja foi parar no chão, já que sua mão estava ocupada demais a dando apoio para se levantar. Pôs-se de pé, retirando seu facão de sua bainha e começando a andar. Sua prótese a impedia de correr, e só naquele momento percebeu, o quanto precisava dar um jeito naquilo eventualmente. Sim, eventualmente, porque não se permitiria morrer ali. Fala sério, existiam mortos-vivos andando do lado de fora daquele acampamento e ela seria morta por aves? Só podia ser uma grande piada. Tentou apressar os passos, o máximo que podia, e por mais que doesse, não ousou parar de se mover. Precisava se esconder, se abrigar. Uma ave, totalmente descontrolada devido ao tiro que levou, bateu contra seu corpo, caindo logo depois. Assim como Sierra, que se desequilibrou pela força do impacto, caindo com força contra o chão. Sentiu algo em suas costas, não tardando a se virar, dando de cara com um daqueles pequeno demônios tentando a atacar. Com uma das mãos, segurou o animal longe de si, enquanto a outra buscava seu facão que caiu um pouco longe. Esticou-se, até que obteve sucesso... “— DIE, FUCKING BITCH!” gritou, deixando que a lâmina cortasse a cabeça da ave, pouco se importando com os pingos do sangue do bicho caindo sobre seu rosto. Infelizmente, naquela posição, seria impossível para Sierra se levantar, mal conseguia o fazer quando estava em sua cama, imagina deitada sobre a areia da praia. Passou a se arrastar pelo chão, esperando passar despercebida pelas aves e torcendo para não morrer pisoteada.









