Má Ciência: De como as megacorporações farmacêuticas (Big Pharma) propiciaram a criação da pandemia de Covid-19 para lucrar com suas próprias vacinas
Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga
A medicina e junto com ela a indústria farmacêutica perceberam no final dos anos 70, quando as pessoas passaram a dar mais atenção aos seus corpos e a preocuparam-se mais com suas saúdes, que se podia ganhar muito dinheiro dizendo às pessoas saudáveis que elas estavam doentes ou que, se não adotassem certas práticas recomendadas – como meditação, exercícios regulares, evitar o álcool, o cigarro e alimentos gordurosos e ingerir suplementos vitamínicos –, correriam mais riscos de adoecerem e morrerem precocemente.
O motor da máquina comercial de uma das indústrias mais lucrativas do planeta, a farmacêutica, foi acelerado em 1976, quando Henry Gadsden, então diretor da empresa farmacêutica Merck, fez comentários à revista Fortune que à época pareceram um tanto ingênuos. Ele disse que seu sonho era produzir medicamentos para pessoas saudáveis, isso mesmo, e assim vendê-los mais e para todos, e não só para as pessoas doentes e realmente necessitadas.
A vida cotidiana foi sendo cada vez mais “medicalizada”, com a mídia propagando incessantemente novas doenças, que antes nem eram consideradas como tal, e novos tratamentos, que antes eram considerados desnecessários. Ou seja, os limites das doenças inexistentes ou facilmente tratáveis e curáveis foram sendo ampliados a fim de expandir os mercados para aqueles que recomendam, prescrevem e vendem tratamentos.
As empresas farmacêuticas sempre estiveram, portanto, ativamente envolvidas, por trás, no patrocínio da definição de doenças e na sua promoção para médicos e pacientes. “A construção social da doença foi sendo substituída pela construção corporativa da doença”, como assinalaram o jornalista Ray Moynihan, a médica Iona Heath, e o professor de farmacologia clínica David Henry em seu artigo científico “Vendendo doenças: a indústria farmacêutica e o fomentador de doenças”, publicado no prestigioso periódico médico britânico BMJ.[1]
A ampliação dos limites das doenças, ou do que passaram a ser consideradas doenças, e a redução do limite para tratamentos, foi criando milhões de novos pacientes (consumidores) e bilhões em novos lucros, ao mesmo tempo em que os sistemas nacionais de saúde em todo o mundo foram entrando em colapso. A busca incessante de lucro excluiu o bem público. À medida que a vida cotidiana foi se tornando cada vez mais medicalizada, a indústria foi concretizando o sonho de Gadsen: “vender remédios para todos”.
Um pequeno número de corporações, as chamadas BigPharma, passaram a dominar a agenda e o mercado de saúde. Surgiram alianças informais, compreendendo funcionários de empresas farmacêuticas e médicos que procuravam usar a mídia para enquadrar certas condições como generalizadas e graves. Enquanto o custo dos novos medicamentos aumentou implacavelmente, o número de novos produtos originais e realmente eficazes diminuiu. Isso porque a prioridade passou a ser as necessidades de mercado, e não as médicas. Em 2005, trinta anos depois do sonho de Gadsen, a indústria farmacêutica teve vendas superiores a US$ 300 bilhões...
Em suma, a indústria farmacêutica, com a estrita colaboração da classe médica e científica, conseguiu realizar plenamente o sonho de Gadsen, ou seja, o de “vender remédios para todos”, ao incutir na população, com a estrita colaboração da mídia, que incessantemente e até hoje referenda e alardeia somente as assertivas de médicos e cientistas vendidos a essa indústria, “fobias e manias de doenças”. É patente que a hipocondria, transtorno psicológico em que há uma preocupação intensa e obsessiva com a saúde, hoje não afeta apenas tipos como o cineasta Woody Allen, confessadamente um hipocondríaco em seus próprios filmes, mas de maneira generalizada a população quase como um todo com sua "mania de doença", vide a compulsão pelo consumo de remédios e suplementos.
O êxito em fazer pessoas saudáveis acreditarem estar doentes, e de muitas doenças imaginárias, demonstrou cabalmente a viabilidade do largo passo que poderia ser dado em seguida, desta vez muito além de apenas ganhar muito dinheiro. A estratégia-chave das BigPharma de usar a mídia para veicular histórias fabricadas e assim criar temores imaginários na população sobre o risco potencial de novas doenças e chamar a atenção para os tratamentos mais recentemente desenvolvidos, foi fundamental para propagar os temores quanto a pandemia e assim intervir direta e incisivamente na vida das pessoas saudáveis e sobre as próprias perspectivas dessas pessoas sobre os riscos que corriam caso não tomassem as precauções indicadas, não se isolassem, não se trancassem em casa, e finalmente não se vacinassem. Vacinas essas, é claro, fabricadas e vendidas por essas corporações, e em tempo recorde, como se já estivessem prontas, totalmente contra a lei e o bom senso que recomenda que os governos e os laboratórios dediquem mais tempo para testar e assegurar a efetiva segurança e eficácia das vacinas. A campanha de vacinação foi alçada a um status de guerra, de dever cívico do cidadão em “combater” a doença.
O maior efeito da pandemia, e isso certamente nada teve a ver com o vírus propriamente, assim como tudo o mais nada ou pouco teve, foi fazer o Q.I. e por consequência o escrutínio crítico das pessoas, baixarem a zero. Nunca se viu na história um acatamento tão acrítico e subserviente de medidas e resoluções oficiais, muitas sem nenhum fundamento científico de fato, exceto em termos pretendidos ou alegados. Tanto mais sintomático e grave é que essas medidas e resoluções foram de caráter totalitário, e nem sequer aqueles setores que sempre foram contumazes defensores da democracia e da liberdade, reagiram. As poucas contestações e oposições partiram unicamente de indivíduos solitários, de outsiders logo estigmatizados e banidos como “teóricos da conspiração”.
Muito antes da pandemia, jornalistas investigativos, médicos e cientistas que estão longe de serem “teóricos da conspiração”, já alertavam quanto ao poder desmesurado das megacorporações biofarmacêuticas, que vinham estrategicamente absorvendo laboratórios menores e cooptando segmentos específicos do campo acadêmico para complementar e ampliar ainda mais seu predomínio, abrangendo serviços terceirizados e toda uma gama – desde a química medicinal, biologia in vitro e in vivo, biologia estrutural e design de drogas auxiliado por computador - para desenvolver novos medicamentos e monopolizar o mercado de saúde.
O já citado Ray Moynihan, que é um reputado jornalista da área médica e considerado um dos maiores escritores de saúde do mundo, com trabalhos publicados no Sydney Morning Herald, Age, Australian Financial Review, British Medical Journal, Lancet e New England Journal of Medicine, lançou em 2005 junto com Alan Cassels, que é um pesquisador de políticas farmacêuticas, Selling Sickness: How the World's Biggest Pharmaceutical Companies are Turning us All into Patients, sobre a “comercialização” de doenças e cuidados de saúde desnecessários. O livro é organizado como uma série de estudos de casos, cada um focado em uma droga específica. Cada capítulo explora um aspecto diferente do marketing de drogas, com evidências extraídas de editoriais publicados, relatórios de notícias, jornais acadêmicos e, o mais interessante, entrevistas originais com porta-vozes médicos e especialistas em vendas farmacêuticas. Um documentário foi produzido em complemento às sólidas evidências fornecidas no livro.[2]
Depois de cobrir o setor de saúde por décadas, a jornalista britânica Jacky Law fez disso o tema de seu primeiro livro, Big Pharma: Exposing the Global Healthcare Agenda, em que mostra como a crescente influência das empresas farmacêuticas internacionais que passaram a dominar a agenda de saúde, tem sido prejudicial à assistência médica. Ela revela um sistema no qual a busca incessante de lucro, as considerações de mercado, e não a necessidade médica, determinam a agenda de pesquisa e exclui a preocupação com o bem público. As empresas estão mais ansiosas para comercializar tratamentos para problemas sexuais e emocionais para consumidores abastados, de modo que tomam decisões sobre o desenvolvimento de produtos com base no potencial lucro e não na necessidade médica. Reguladores eficazes estão sob intensa pressão de lobbies corporativos, e as empresas gastam mais dinheiro em marketing do que em pesquisa e desenvolvimento. Law também considera os reguladores muito amigáveis com as empresas farmacêuticas. "Os reguladores e a indústria que eles são pagos para regulamentar puderam coexistir de maneira muito confortável por muito tempo", escreve ela, acrescentando: "Apenas encontrar especialistas sem absolutamente nenhuma conexão com uma droga para sentar nos painéis reguladores que decidem se uma droga deve obter uma licença não é fácil." Em sua opinião, isso pode explicar a aprovação do Vioxx pela FDA (Food and Drug Administration, agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos), um analgésico com efeitos colaterais graves, incluindo ataques cardíacos e derrames cerebrais. Ela cita David Graham, oficial da FDA, dizendo que a aprovação do Vioxx foi a "maior catástrofe de segurança de medicamentos na história deste país ou do mundo".[3]
Peter C. Gøtzsche, médico dinamarquês, pesquisador médico e ex-líder do Nordic Cochrane Center em Rigshospitalet em Copenhagen, Dinamarca, expõe em seu livro Deadly Medicines and Organised Crime: How Big Pharma Has Corrupted Healthcare, as indústrias farmacêuticas e suas fraudes, tanto no campo da pesquisa como no marketing. Gøtzsche denuncia escorado em todo tipo de evidências, crimes generalizados como corrupção e suborno para regulamentação de drogas ineficazes e até prejudiciais. A norma das compahias farmacêuticas, afirma Gøtzsche, é o desprezo moralmente repugnante pelas vidas humanas: “O principal motivo de consumirmos tantas drogas é que as empresas farmacêuticas não vendem drogas, vendem mentiras sobre as drogas. Isso é o que torna as drogas tão diferentes de tudo na vida. Praticamente tudo o que sabemos sobre drogas é o que as empresas optaram por nos contar e aos nossos médicos. A razão pela qual os pacientes confiam em seus medicamentos é que eles extrapolam a confiança que têm em seus médicos para os medicamentos que prescrevem. Os pacientes não percebem isso, embora seus médicos possam saber muito sobre doenças e fisiologia e psicologia humana, eles sabem muito pouco sobre drogas que não foram devidamente testadas pela indústria farmacêutica”.[4]
Gøtzsche é autor ainda, entre outros, do livro Vaccines: Truth, Lies, and Controversy, lançado apropriadamente no meio deste ano (2021), em pleno curso das vacinações em massa, em que explica quando e por que não devemos confiar na ciência e nas recomendações oficiais. Algumas vacinas são tão benéficas - e salvaram milhões de vidas - que todos deveríamos tomá-las, enquanto outras são tão suspeitas que muitos profissionais de saúde não aplicariam em si mesmos e muito menos em suas famílias. Gøtzsche discute também os programas de vacinação infantil e se a vacinação obrigatória pode ser justificada, já que não sabemos, por exemplo, virtualmente nada sobre o que acontece quando usamos muitas vacinas e quais são os efeitos de longo prazo no sistema imunológico.[5]
O que dizer então das vacinas contra a Covid-19 que não foram testadas adequadamente e que requerem não só uma dose principal, mas doses seguidas (booster), semanas e até anos depois, para fortalecer a memória imunológica e combater as mutações que vão surgindo continuamente cada vez que o vírus se adapta a novos hospedeiros? E com as variantes, vêm a justificativa de que as pessoas precisarão receber reforços periódicos, o que significa mais vendas – e mais lucros – com as vacinas.
Graças a pandemia, a Pfizer projeta um faturamento de US$ 46 bilhões neste ano de 2021, com um lucro de pelo menos US$ 14 bilhões. A Moderna recebeu US$ 529 milhões em financiamentos e faturou US$ 200 milhões com vendas de sua vacina em 2020 e deve faturar mais de US$ 20 bilhões em 2021, sem contar que suas ações na Bolsa de Valores subiram 187% em 12 meses. A AstraZeneca embolsou US$ 275 milhões apenas no primeiro trimestre de 2021.
Várias vacinas contra a Covid-19, como explica pormenorizadamente o site Manual MSD: Versão para Profissionais de Saúde, tido como um fornecedor “confiável” de informações médicas desde 1899, “usam os genes (na forma de RNA mensageiro ou mRNA) que codificam a proteína spike e são encapsulados em uma nanopartícula lipídica para liberar o gene viral dentro das células do receptor da vacina. Então, as células do receptor usam esse gene para sintetizar a proteína spike que estimula uma resposta imunológica protetora. São necessárias duas doses espaçadas em intervalos de três ou quatro semanas. Duas vacinas de mRNA, agora com autorização de uso emergencial das autoridades reguladoras nos EUA, estão atualmente sendo usadas para vacinar pessoas em vários países."
Há também vacinas de vetor viral, em que “o gene da proteína spike do SARS-CoV-2 é inserido em um vírus carreador inofensivo que entrega o gene para as células do receptor da vacina, que, por sua vez, leem o gene e montam a proteína spike em sua configuração tridimensional, como se fosse uma de suas próprias proteínas. A proteína spike é apresentada às superfícies das células do receptor, provocando uma resposta imunológica. Os vetores virais mais comuns são adenovírus humanos não replicantes que são enfraquecidos de modo a não causarem doença alguma. Outros vetores virais utilizados nas vacinas contra o SARS-CoV-2 incluem um adenovírus de chimpanzés e vírus atenuados da influenza, sarampo, vacínia e estomatite vesicular.”
Não estou inventando, vocês leram bem. Este site médico diz textual e claramente que “Outros vetores virais utilizados nas vacinas contra o SARS-CoV-2 incluem um adenovírus de chimpanzés e vírus atenuados da influenza, sarampo, vacínia e estomatite vesicular.” Será que as pessoas que estão tomando as vacinas sabem que estão lhe injetando “adenovírus de chimpanzés" e vírus “atenuados” de outras doenças? Você pode saber mais sobre chimpanzés sendo usados para produzir essas vacinas que não são propriamente vacinas no sentido lato da palavra, nesta publicação que fiz aqui no blog.
Ben Goldacre, escritor e psiquiatra britânico que entre 2003 e 2011 foi autor da coluna "Bad Science" do jornal The Guardian, em seu livro Bad Science: Quacks, Hacks, and Big Pharma Flacks, lançado em 2010, questiona por que um dia a mídia pode veicular que o álcool faz mal para a saúde e, no outro, destacar os benefícios do consumo diário de álcool. Ou como uma droga que foi retirada do mercado por causar ataques cardíacos foi aprovada. Goldacre fez questão de expor médicos e nutricionistas charlatães, programas de credenciamento falsos e estudos científicos tendenciosos. Ele também criticou a mídia por sua disposição de jogar fatos e provas pela janela. Mas Goldacre não se limita a dizer apenas o que está errado, e nos ensina a avaliar os efeitos do placebo e os estudos duplo-cegos, para que possamos reconhecer a má ciência quando a virmos.[6]
E não há dúvidas de que as vacinas contra a Covid-19 são produtos de uma má ciência.
[1] Moynihan, R.; Heath, I.; Henry, D. (2002). "Selling sickness: The pharmaceutical industry and disease mongering * Commentary: Medicalisation of risk factors". BMJ. 324 (7342): 886–891. doi:10.1136/bmj.324.7342.886. PMC 1122833. PMID 11950740.
[2] Moynihan, Ray & Cassels, Alan. Selling Sickness: How the World's Biggest Pharmaceutical Companies are Turning us All into Patients. New York, Bold Type Books, 2005.
[3]Law, Jackie. Big Pharma: Exposing the Global Healthcare Agenda. New York, Carroll & Graf, 2006.
[4] Gøtzsche, Peter C. Deadly Medicines and Organised Crime: How Big Pharma Has Corrupted Healthcare. Boca Raton, Florida, CRC Press, 2013.
[5] IDEM, Vaccines: Truth, Lies, and Controversy. New York, Skyhorse, 2021
[6] Goldacre, Ben. Bad Science: Quacks, Hacks, and Big Pharma Flacks. London, Faber & Faber, 2010.