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feliz natal 🎄✨
Meme de quando eu li O Cão dos Baskerville (o゜▽゜)o☆
Resenha de "Mar Morto" de Jorge Amado
*sem spoilers, não revisado
Mar Morto narra a trajetória de Guma, um marinheiro baiano que enfrenta em sua vida a angústia e o perigo iminente de sua profissão adjunto a seus próprios dilemas pessoas envolvendo culpa, desejo e religiosidade.
Em sua escrita urbana característica, Amado nos apresenta em seu romance a dureza da vida daqueles que desbravam o mar, e mais ainda das mulheres e filhos que os esperam temerosamente em terra firme.
Recheado de conflitos sociais controversos como incesto, pedofilia, assassinato e promiscuidade, a narrativa por vezes se embola ao tentar construir uma linha de tempo cronológica e coerente
de tal modo que sub temas se expandem desnecessariamente e outros acontecimentos mais proeminentes introduzidos no início da obra foram ou mal desenvolvidos ou não concluídos totalmente
em especial para a relação mãe/amante de Rosa Palmeirão e Guma, que apesar de ter sido interessantíssima não teve muito desenvolvimento e a personagem perdeu completamente os holofotes a partir do segundo ato do romance (o que é irônico já que Rosa Palmeirão é a personagem mais memorável da obra, sendo marcada como uma das primeiras heróinas de Jorge Amado), gostaria de ter visto mais dessa dinâmica mas a narrativa tomou um outro rumo totalmente diferente que excluiu Palmeirão totalmente
Ao meu ver, Mar Morto é a mais pura representação da essência da escrita de Jorge Amado e o que ele se propõe a discutir em suas obras em geral, porém, de maneira alguma é o seu melhor ou mais relevante romance
Esse fator não deslegitima sua força cultural e literária é claro, acredito que Mar Morto tem sim sua parcela considerável de relevância não só por fazer parte dos primeiros romances do catálogo de Amado mas também pelo seu imensurável valor acadêmico em vestibulares, concursos etc
"É doce morrer no mar..."
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Atualização da minha estante // 18 de julho de 2024 (sim, do ano passado pra cá eu matei a peperômia, agora rezem por essa jibóia 🪴)
“O Garoto Morto”, por V. F. Duquina ┇☆☆☆☆☆
Eu fui surpreendido positivamente com esse livro. Nunca tinha lido nada da autora, apesar de já ter ouvido falar do seu trabalho algumas vezes, e 'O Garoto Morto' serviu seu propósito como introdução. É perceptível como Duquina usa maravilhosamente bem a técnica de mostrar ao invés de dizer, além de dominar a arte da repetição: um dos meus aspectos favoritos do livro é uma "cena" específica que se repete diversas vezes, mas cada uma dessas vezes, temos e recebemos informações diferentes. Li e reli essa cena específica e não houve uma vez sequer que eu tenha sentido a mesma coisa que a anterior. Não sei se estou sendo coeso, mas amei isso! Fez com que eu sentisse algo similar à música 'Nobody', da Mitski, que nos mostra como a mesma palavra pode ser pronunciada de diferentes formas, em diferentes momentos, e nos atingir de maneiras diferentes, além de deixar claro que estamos em constante mudança: apenas algumas páginas (ou, no caso da música, segundos) são suficientes para que vejamos a mesma coisa de um ponto de vista totalmente diferente.
Outra coisa que me fascinou foi a forma singular com a qual os personagens foram construídos: todos têm características únicas, fazendo com que cada um, até mesmo os secundários, fiquem bem marcados na memória. Não consegui tirar nenhum da memória após a leitura, o que não acontece com frequência—me apego aos principais e um ou outro personagem secundário, mas minha memória não é tão boa assim, admito. Posso afirmar com certeza, entretanto, que me apaixonei pelo Fantasma, com seu jeito de usar o humor para esconder a dor que sente; por Naomi e sua descoberta de sua força (e de que pode, sim, usá-la). Apaixonei-me por Isabel e o jeito que constantemente intervia ao notar que Naomi sofria alguma injustiça; Matteo, com todo o seu mistério e assombrado pelos fantasmas literais e os dos seus arrependimentos. Apaixonei-me até pelo nosso antagonista, com seu jeito frio. Notem meu esforço para não dar spoilers...
...Até esse ponto da resenha, porque agora terei que dar alguns. Se planeja ler 'O Garoto Morto' e se incomoda com spoilers, seria recomendável que saísse da resenha agora, lembrando de voltar depois, é claro.
Um detalhe que amei, apesar de não ter certeza se foi proposital, foi a boneca de Lego que Arthur deu a Naomi: a boneca representava a própria menina que a recebeu como presente. Posteriormente, durante a revelação da história por trás da obsessão de Arthur por Lego, tudo parece referenciar essa parte. Pelo menos, era o link que fiz claramente enquanto lia: Naomi (bem, o corpo de Naomi) havia machucado Arthur, que, por sua vez, a havia machucado de volta, com todos os segredos de seu lado sombrio e a existência dele, em primeiro lugar.
É incrível como Duquina manipula a narração de modo que, mesmo tendo acesso ao fluxo de pensamentos dos personagens, não temos acesso aos mistérios que estavam guardados com personagens cujos pontos de vista vimos! Inclusive, as mudanças de ponto de vista, que começaram de um capítulo para o outro, mas se desenvolveram e, por vezes, aconteciam de um parágrafo para o outro, sem sinalização alguma, foram escritas perfeitamente. São desenvolvidas de forma abrupta, tal como seus contextos, e os personagens são tão marcantes e únicos, diferentes uns dos outros, que mesmo com a falta de sinalização de quem é o narrador, conseguimos identificá-los.
Tudo em 'O Garoto Morto' é tremendamente caótico de forma proposital. Duquina aparenta ter total controle da história e das dicas e paralelos que joga para o leitor durante a narrativa, e dá ao leitor a sensação de onipresença: um controle de cada mudança de ponto de vista, de cada vírgula e de cada palavra, tanto falada quanto pensada. Os fatos se conectam de forma coesa, como se, ao lermos, montássemos o quebra cabeça de uma pintura produzida pela própria autora, que observa tudo consciente do posicionamento de cada pincelada.
"Ainda consigo ouvir a voz de Lúcio: Por que ficar lamentando a sua morte se você pode simplesmente se vingar?"
— dump aleatório dos últimos dias
um pouco de livros, filmes, música, vinhos, viagem, videogame e grandes doses de “romantize a sua própria vida” ✨
— se uma criança dá ao fenômeno outra volta do parafuso, o que me diriam de duas crianças...?
terminei de ler "a outra volta do parafuso", um clássico da literatura gótica de henry james publicado originalmente em 1898. o livro conta a história de uma jovem mulher, cujo nome não é falado, que passa a trabalhar como governanta responsável pela criação de duas crianças órfãs. descritas como incrivelmente encantadoras, as crianças cativam rapidamente a jovem, mas logo ela percebe que há mais moradores nessa casa do que o esperado. com a possibilidade da presença dos fantasmas dos antigos funcionários da mansão, nossa protagonista passa a se perguntar o quão envolvidas as crianças podem estar nessa trama sinistra.