Esses dias comecei a ensinar alguns truques para a Laika, minha cachorrinha. E, para minha surpresa, ela aprende muito rápido! Em um dia ela já estava entendendo o comando de “sentar”, e no dia seguinte, já estava dando a patinha quando eu estendia a mão.
No meio desse processo, me lembrei das aulas de Psicologia Experimental da faculdade, quando a gente treinava o famoso ratinho Sniffy (um software que simula o comportamento de um rato em experimentos de condicionamento clássico e operante). Era muito interessante ver como, com reforços certos, ele aprendia rapidamente o que a gente queria ensinar.
Teve uma aula, em especial, que me marcou muito. O professor propôs que fizéssemos um experimento, mas dessa vez... com cobaias humanas (claro, de forma divertida e sem nenhum risco!). Funciona assim: escolhíamos um colega da turma, ele saía da sala, e o restante do grupo combinava uma tarefa específica que ele deveria descobrir — só que sem que a gente dissesse absolutamente nada.
Nosso único recurso era o reforço positivo: toda vez que o colega dava um passo na direção correta, a gente dizia “isso!”. Se fizesse algo que não levava ao comportamento desejado, ficávamos em silêncio.
Lembro de uma dinâmica em que combinamos que a pessoa deveria:
Entrar na sala,
Ir até a cortina perto da mesa do professor,
Abrir uma persiana,
Pular uma carteira,
Fechar outra persiana,
E criar um “xadrez” de persianas abertas e fechadas.
Parece impossível? Eu mesma pensei: “não é possível que ele vai conseguir!”. Mas, surpreendentemente, ele conseguiu sim. E tudo isso guiado apenas por pequenos reforços, aquele simples “isso!” sempre que acertava um passo. A gente até cronometrava quanto tempo cada grupo levava.
Uma coisa ficou muito clara: qualquer reforço dado na hora errada deixava tudo mais confuso. Se alguém falava “isso” fora de contexto, a pessoa começava a seguir uma direção totalmente diferente e demorava muito mais para entender o que deveria fazer.
Percebi, na prática, como isso se aplica diretamente no adestramento da Laika. Se eu quero que ela aprenda a “sentar”, eu só posso dar o petisco quando ela realmente senta e não quando ela dá a patinha, deita ou faz qualquer outra coisa. O reforço precisa estar 100% alinhado com o comportamento esperado.
Ah, e essa dinâmica da sala era tão divertida que dá até para reproduzir entre amigos! Teve um dia que nosso colega precisava:
Levar a cadeira do professor até a frente da lousa,
Subir na cadeira,
Abrir os braços, balançá-los de um lado para o outro,
E cantar “Hey Jude” do Paul McCartney.
E ele conseguiu!! Claro que a parte de cantar foi a mais difícil, mas com os reforços certos (e muita paciência dele), ele chegou lá.
Enfim, apenas coisas que acho interessantes.










