Hybris
Eu vivo o pleno sintoma da ressaca Sintoma esse em que brilham todas as dores e humilhações Meu corpo e desfaz em covas de cólera Sepulto cada sinônimo envenenado e cada frustração miserável Por décadas, o veneno pesa o ar Rima acidez com virilidade Perfilando teus crimes de desejo Em desgoverno de lebres que se entregam Meus olhos exaustos, veem portas fechadas Janelas entre abertas, olhos que vomitam escárnio Aos meus de sangue, sangram a minha própria carne Expurgam-me tal qual um leproso E justo eu, desabrigado do mundo Titã à qualquer sinônimo vazio de pátria Me vi feliz, ao voltar aos teus braços retos E pude cantar que tu vertera-se ao meu endereço Depois de tantos punhais que cravaram Com o se fosse um jardim de rosas roxas Minha pele esquece, meus sentidos envenenam-se Minha sanidade enfraquece, minha carne desintegra-se Me colha entre os cacos de espelhos Buquês fétidos e serpentes sem gozo Ao pé do mar que todo heroísmo naufraga Me atrevo sem forças a profetizar quedas de quartéis Toda a maldição que me fora lançada Convencera, a minguar-me os atos Transtornando em massas, entornando vendas Proliferando correntes e escolhendo minhas articulações Com um olhar cálido me convencera, outra vez a levantar-me Aprendi a andar pelos restos da minha própria descrença Aprendi a ir embora de casas que não me queriam bem Aprendi a me perdoar e amolecer em mim perdões que distribuo













