inktober
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inktober
#18
para o marc.
inktober
#20
biscoitinha sob canson.
pequena reflexão antes de voltar a postar
Eu gosto de estar em BH mas também sinto falta de estar em Alfenas, sinto falta de estar em casa e acho que os próximos anos vão ser de muita luta. Se antes de ter Crohn já era difícil, agora é muito mais. Porém não acho que vai ser impossível.
Todos os dias eu luto contra fadiga, dores abdominais e intestinais, enjoos e claro a diarreia, tenesmo e outras coisas a ver com cocô que ninguém gosta de falar e é um tabu na sociedade. Mas é minha realidade e agora 2 anos e meio de diagnóstico mais tarde eu já trato com total naturalidade.
Levantar de manhã é uma luta, pegar o transporte coletivo para a aula é uma luta, ficar em pé, andar, tudo eu faço com muito cansaço, mas eu não deixo de fazer. Eu gosto de estar estudando, estar ativa, ter algum lugar para ir todos os dias. O que mais me matava por dentro em Alfenas, era não ter um objetivo, era ficar todos os dias em casa, não sair nem no quintal pra tomar sol, não tinha motivação, nada pra me empurrar.
Estando aqui em BH eu sou responsável por tudo, comprar meus remédios, ir ao médico, ir ao supermercado, cozinhar, lavar minhas roupas, ir pra faculdade, ir atrás de coisas para a faculdade, e sozinha. Óbvio que eu preferia estar com a companhia da minha mãe aqui, seria tudo mais fácil, mas como ela me disse dois anos atrás pouco tempo depois de ter saído do hospital: “eu não vou estar aqui pra sempre”. E sim, é um fato, é o natural, um dia não vou ter mais essa ajuda e é importante não ser dependente.
Nunca me vi como uma pessoa dependente até esse momento da minha vida, que subir um morro me deixa exausta e a exaustão me dá uma crise de diarreia, a qual eu não consigo controlar e o resultado é fazer cocô na roupa em público. A alternativa de ter minha mãe pra me levar de carro é muito melhor, e detalhe, é um privilégio porque muitas pessoas com DII estão completamente a mercê.
Toda vez que eu tenho uma recaída (normalmente durante o desmame de corticoide) eu volto pra uma estaca onde eu preciso de ajuda pra tudo, eu não consigo ir ao supermercado comprar um pão, não consigo correr, não consigo fazer muitas coisas e com muito acompanhamento médico, medicações, vitaminas e etc com o tempo, alguns bons meses, eu começo a recuperar independência.
Acho que a maioria das pessoas não dá valor pra coisas que pra mim podem ser até metas, como por exemplo ir ao supermercado e voltar sem passar mal, sem ter diarreia, sem ficar completamente sem ar e exausta, por andar 300m.
Quando eu vou supermercado, ao centro, saio de casa, vou na psicóloga ou no médico sozinha, é uma conquista, é uma felicidade. Mas sabe, será que aos olhos da sociedade é? Eu não estava trabalhando, não estava estudando, não fazia nada “produtivo”. Será que eu fiz alguma coisa então? Dentro de mim, eu acredito que sim, porque só eu sei o que eu passei e o que eu passo até hoje.
Queria pedir pra que você que lê este texto reflita, você sente que está no caminho certo? Você se importa com o caminho que outros acham que você deveria estar seguindo? E por fim, você deveria se importar?
Cora.
o que eu tenho?
mais uma pergunta que não sei responder.
meu diagnóstico inicial foi retocolite, mas com o passar do tempo, a progressão da doença, os sintomas, as reações aos tratamentos, meu médico mudou meu diagnóstico de retocolite ulcerativa pra doença de Crohn
em novembro fui pra São Paulo me consultar com um especialista em doenças inflamatórias intestinais, dentre muitas coisas que ele discordou do meu médico, uma delas foi a mudança no diagnóstico e reafirmou retocolite ulcerativa.
porém como são doenças muito parecidas, nem sempre se fecha um diagnóstico, isso é normal entretanto para tomar decisões mais drásticas um diagnóstico preciso se faz necessário
esse médico de São Paulo recomendou cirurgia para remover o intestino grosso, uma cirurgia que na verdade envolve duas cirurgias, uma para retirada do intestino grosso e pra fazer uma ileostomia pra colocar a bolsa e após o período de cicatrização uma cirurgia de reversão pra ligar essa parte final do intestino delgado que está pra fora do corpo direto ao ânus
toda cirurgia tem riscos, tem complicações e vantagens e desvantagens, mas elas são diferentes para retocolite ulcerativa e doença de Crohn, por isso a importância de um diagnóstico definitivo
eu não quero fazer cirurgia, eu não quero retirar um órgão, eu não quero usar bolsa de colostomia, eu não quero uma ostomia nem que seja temporária, eu quero que os tratamentos funcionem, eu quero tirar a prednisona
o médico de São Paulo recomendou uma médica em Belo Horizonte que faz tratamento clínico, pois ele só trabalha com cirurgia, marquei uma consulta pra ouvir a opinião dela... aguardemos
fico pensando que não queria ter Crohn, mas a verdade é que eu não queria ter doença alguma, seria retocolite dos males o menor? ou é só invenção minha?
Cora.
9ª infusão de Remicade
nem lembro quando foi a última vez que postei sobre a infusão, mas ontem eu completei a nona
queria que fosse a salvação, queria que fosse o diferencial, queria ser como tantas pessoas que se sentem muito bem com a infusão
no meu caso ela ajuda a manter a prednisona numa dose mais baixa, atualmente 20mg por dia
tem gente que nem precisa de prednisona, a infusão se basta
passo muito tempo dos meus dias questionando o que tem de errado no meu corpo pra não reagir aos tratamentos como a maioria das pessoas, mas não tem motivos, meu organismo é diferente, só isso
mesmo assim não perco a fé, toda infusão eu acredito que vá ser a decisiva, que vou sair de lá me sentindo muito bem, que os sintomas vão sumir e vou suspender a prednisona
e assim vou indo
como sempre foi difícil encontrar um acesso, e depois de um tempo a enfermeira notou que sem pressão não entrava nada na veia kkkkkk eis que ela usou o garrote numa gambiarra pra fazer pressão constante em cima do acesso
como sempre cheguei em casa e dormi
Cora.
#14 clock
#13 guarded
my heart is guarded by a padlock which i have lost the key
#12 whale
not one of my best works