essa é a pausa
entre um século
e outro
entre um delírio
e outro
Caravana, escrito por Roseana Murray
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essa é a pausa
entre um século
e outro
entre um delírio
e outro
Caravana, escrito por Roseana Murray
Tenho tentado seguir em meio ao caos que minha vida se tornou. Às vezes, parece que nada dá certo. Em muitos momentos, tudo o que penso é em desistir. Tenho sido forte por tanto tempo que já não sei se ainda consigo resistir.
Na minha mente, um turbilhão de pensamentos; no peito, um milhão de sentimentos — dúvida, medo, insegurança. Sinto-me cansada, e meu corpo reage, como se refletisse o que sinto por dentro. As doenças se agravam, e o que me sustenta é um coquetel de remédios.
Hoje, mais uma vez, apenas vaguei, cumprindo minhas obrigações por pura obrigação. Levantei, fui, me arrastei… mas, no fim, me pergunto: a troco de quê?
Layssa Alves
Amor: Ele vai matá-lo e salvá-lo ao mesmo tempo.
Delírio
O que eu aprendi
O que eu aprendi sobre amar
Não tenho certeza se aprendi a lição
Se repeti a dose
Porque gostei da dor
-
Se foi por esperança de ser melhor desse vez
Se foi por querer que amar de novo
Fosse a última vez que eu precisasse tentar
Tentar amar outra pessoa que não fosse você
-
Não sei se aprendi
Ou se os corações quebrados
Foram trocados um a um
Embalados e descartados
-
Se esse novo coração ainda é jovem e ansioso
Ansioso por se abrir e amar
Não seu se aprendi com as inseguranças
Com as mentiras e as frustrações que o amor me causou
-
Acho que eu nunca aprendo com o amor
Acho que esqueço como foi amar
Que amar um após o outro
Me quebrar uma vez após a outra
-
É meu jeito de amar
Ou a única forma que vou conhecer de amar
É que eu me lembro de como fomos
De como fui com você
-
De tanta certeza que eu tive
Que eu não iria te perder
De tantos planos que fizemos
Ou tantas mentiras que contamos?
-
Realmente queríamos chegar onde planejamos?
Ou no fundo já sabíamos que não ia funcionar
Que íamos parar na metade
Na melhor parte
-
Nos planos do casamento
Dos filhos, do apartamento
Das brincadeiras, dos dias intensos
Não sei ao certo o que foi
-
Se mentimos um pro outro
Se você mentiu pra mim
Se eu menti pra mim mesmo
Ou se sempre dissemos verdades que não eram pra se concluir
-
Acho que eu não aprendi com o amor
Por que eu chorei e jurei não amar
Porque eu sangrei querendo deixar de amar
Querendo que meu coração não tivesse mais opinião
-
Ainda devo ser analfabeto em amar
Ou inseguro demais pra me aceitar sem amar
Sem querer amar alguém
Amar alguém mais profundamente do que amei você
É que eu sempre quis saber, Você me amou?
Ou vivemos o mesmo delírio?
- Pedro Paulo
I was afraid that if I could enter into her head, like a doll’s house, and walk through the compressed space of the various rooms, the first thing I’d see, in the main room, would be candles the size of matches lit around a little coffin holding my own corpse, me dead, forgotten, faded, stiff, a Ken-size doll in Barbie’s all-pink house, a ridiculous Ken abandoned in his tiny moss-green living room, I myself moss-green, too, because I’ve been dead for a while.
Laura Restrepo, Delirium
Hoje sou líquido
Tomo a forma de qualquer sugestão,
Toda insinuação me agita.
Hoje sou líquido,
Incolor, frio,
de águas profundas,
fossas abissais.
Habito em trevas densas, pressão tremenda; num silêncio que ecoa na solidão profunda.
no ápice da saudade a gente passa a ouvir a voz da pessoa, a sentir o cheiro e até inventar diálogos. a saudade enlouquece.
do teu delírio.