oiie, duco aqui 🩵 esses dias a @anaharae-s me contou que no discord da estação criativa tem um canal com pedidos fakes para treino voltados para animes. por isso, resolvi criar algo parecido, mas voltado para o K-POP! o objetivo desse guia/mini desafio (que nem é tão desafio assim kkkkk) é ajudar capistas a treinarem, se desafiarem e se divertirem.
nesse post, você encontrará não apenas sugestões de pedidos fakes para treino, mas também um guia de como elaborar suas próprias ideias (com tudo o que você precisa para criar capas ainda mais completas e criativas). você pode usar esse guia sempre que estiver com bloqueio criativo.
quanto aos plots, eles estão livres para adaptação da forma que você quiser. caso decida doar a capa, tenha em mente que outras histórias semelhantes podem surgir e isso não será considerado plágio, já que os plots disponibilizados aqui foram elaborados por mim para uso livre.
não esqueçam de usar a tag #recifecriativo para que possamos encontrar facilmente as capas que fazem parte do desafio. e, por favor, rebloguem este post para que ele chegue a mais pessoas e possa ajudar ainda mais gente! [clique no "continuar lendo"]
🪸 GUIA !
embora tenhamos nos acostumado a categorizar as capas em estilos, a estética de uma capa envolve muito mais do que isso. ela é formada por um conjunto de elementos.
3. elementos/formatos/conceitos. explicarei melhor esse a seguir.
extra: caso seja uma fanfic de romance, pode conter tropos, como por exemplo: friends to lovers, enemies to lovers, second chance, found family, slow burn, fake dating, forbidden love, roommates, rivais, etc.
🪸 ELEMENTOS !
acredito que, para desenvolver nossas habilidades como capistas, é importante sair da zona de conforto e explorar diferentes formas de interpretar uma história e trabalhar um estilo.
por isso, separei alguns elementos, formatos e conceitos que podem ser adaptados em uma capa:
uma capa que imita um layout (scrapbook, anuário escolar, capa de livro antigo, carta/envelope, jornal/revista, mural de investigação tipo detetive, etc.)
nostalgia / tecnologia retrô (televisão antiga, tela de computador, videogame, CD/DVD/VHS, fita cassete)
molduras (molduras clássicas usadas como borda ou como png, quadros de galeria, janelas e portas)
elementos simbólicos. exemplos: cobras (perigo/tentação), borboletas (mudança), pássaros (liberdade), peixes (profundidade), flores (amor e sensibilidade)
cenário (casa de vó, quarto bagunçado, escola/sala de aula, galeria, campo de futebol, praia, cidade, etc.)
é importante destacar que essa categorização pode ajudar bastante capistas iniciantes a entenderem melhor com quais estilos, elementos e propostas se sentem mais familiarizados.
no entanto, isso não significa que sua capa precise se limitar a uma única “caixinha”. essas categorias servem como um ponto de partida, não como uma regra.
misturar estilos, adaptar conceitos e experimentar novas combinações também faz parte do processo criativo, e muitas vezes é isso que torna uma capa única!
🐚 PEDIDOS !
enfim, chegamos aos pedidos! aqui eu elaborei 6 pedidos fakes com shipp + estilo + gênero + tropo + elementos + paleta + mini plot. 3 de boygroups e 3 de girlgroups. vocês podem adaptar tudo para o estilo de vocês e interpretar como quiserem. afinal, cada designer é único! pode ser interessante ver como cada capista constrói o mesmo pedido e pode ajudar você a entender seu próprio estilo.
não é necessário fazer todos os pedidos, nem seguir uma ordem específica. podem escolher os que mais chamarem atenção ou combinarem com o momento de vocês.
sintam-se à vontade para ajustar detalhes, testar novas abordagens e criar seus próprios títulos :)
𓆟 𓆞 𝒘𝒐𝒏𝒕𝒐𝒏 (𝒓𝒊𝒊𝒛𝒆)
estilo: divertido + clean
tropo: grumpy x sunshine
gênero: romcom e colegial
elementos: fundo do mar, aquário, águas-vivas, peixes ornamentais, bolhas
paleta: azul turquesa, verde água e vermelho coral
plot: anton é o típico aluno popular, rabugento e capitão do time de baseball. wonbin é o completo oposto, inteligente, sociável, gentil e presidente do grêmio estudantil. mas tudo muda quando ambos acabam no mesmo projeto escolar sobre vida marinha.
𓆟 𓆞 𝒏𝒐𝒎𝒊𝒏 (𝒏𝒄𝒕)
estilo: dark + fantasia
tropo: enemies to lovers
gênero: sci-fi e suspense
elementos: galáxia, poeira espacial, estrelas
*de preferência com GIF!*
paleta: preto, azul escuro e roxo
plot: jeno é um piloto militar acostumado a atravessar zonas de poeira estelar; jaemin, um cientista desertor que acredita que essas tempestades escondem algo vivo. quando uma missão dá errado, os dois acabam presos na mesma nave, à deriva em uma região desconhecida.
𓆟 𓆞 𝒃𝒆𝒐𝒎𝒔𝒐𝒐 (𝒕𝒙𝒕)
estilo: dark + texturizado
tropo: found family e friends to lovers
gênero: drama e coming of age
elementos: banda de garagem, quarto bagunçado, instrumentos, cabos, amplificador, rabiscos, fones de ouvido, cigarros
paleta: preto, vermelho e cinza escuro
plot: após perder o pai, soobin passa a morar com os tios em uma cidade nova, numa vida que ainda não parece sua. na escola, ele acaba conhecendo um grupo de amigos que só querem fazer música e se encanta pelo rebelde sem causa, beomgyu, pelo seu jeito único de dedilhar a guitarra.
𓆟 𓆞 𝒄𝒉𝒖𝒖𝒗𝒆𝒔 (𝒍𝒐𝒐𝒏𝒂)
estilo: sensual + romântico + dramático
tropo: forbidden love e slow burn
gênero: realeza e sobrenatural (cof cof abo cof cof)
elementos: cobras, jóias, coroa, molduras ou capa de livro antigo, espadas, vinho, flores muchas
paleta: dourado, verde escuro e vermelho
plot: chuu é a primeira princesa ômega de sua linhagem, algo que, em vez de orgulho, desperta preocupação dentro do palácio. às vésperas de seu desposo, o rei e a rainha decidem contratar yves, uma cavaleira alfa, para protegê-la. mas, à medida que a proximidade entre as duas cresce, essa proteção pode custar suas próprias vidas.
𓆟 𓆞 𝒔𝒆𝒖𝒍𝒓𝒆𝒏𝒆 (𝒓𝒆𝒅 𝒗𝒆𝒍𝒗𝒆𝒕)
estilo: dark + texturizada
tropo: second chance e forced proximity
gênero: mistério e policial
elementos: documentos rasgados, recortes de jornal, fita de polícia, mural de investigação, fotos com marcações, ruído, texturas fortes e sombras
paleta: preto e branco
plot: a carreira de seulgi na polícia ia de mal a pior, mas ela jamais imaginou que seu superior a colocaria para trabalhar, justamente, com irene: sua ex-mulher. agora, designadas para investigar um caso de desaparecimento, as duas precisam lidar com pistas que não levam a lugar nenhum e com tudo o que ficou mal resolvido entre elas.
𓆟 𓆞 𝒏𝒊𝒏𝒈𝒔𝒆𝒍𝒍𝒆 (𝒂𝒆𝒔𝒑𝒂)
estilo: divertida + colagem
tropo: roomates e grumpy x sunshine
gênero: comédia e romance
elementos: scrapbook, entomoteca, insetos catalogados, escrita científica, rabiscos/doodles, textura de papel
paleta: amarelo, verde e roxo
plot: a vida de giselle vira de cabeça pra baixo quando ela passa a dividir o quarto com ningning: uma chinesa baixinha, tagarela e completamente apaixonada por insetos. agora, além da rotina universitária, ela também precisa lidar com as baratas de madagascar que ningning chama, com todo carinho, de suas filhinhas.
agora é só abrir o aplicativo de edição e começar os trabalhos! ☺️
🪸 marcações !
(desculpem por marcar, divos! não precisam participar, apenas espalhando para que mais pessoas possam ver 🥺)
𖥔﹒tinni said: Eu fiquei muito ansiosa pra postar alguma coisinha do desafio do kakaio @karambolissimo que assim que ele me mostrou a ideia dele eu já corri pra desenvolver algo e por incrível que pareça saiu. Minha maior inspiração nesse ds foi uma toada do caprichoso hutukara yanomami, hutukara significa "céu original" ou "o mundo primordial" que é um conceito que aparece muito no livro A Queda do Céu de Davi Kopenawa. Que está interligada com a ideia de o céu cair com a destruição da floresta Amazônica, a toada de boi tem um tom de denúncia e resistência, dando voz aos povos indígenas e mostrando a importância de proteger tanto a floresta quanto quem vive nela. A fonte que eu usei foi a igaratipo desenvolvida para a logo da Amazônia legal, o site é gratuito. As cores na fonte são a da bandeira do Amazonas e do Brasil. Ademais, os yanomami são uns dos maiores povos indígenas do Brasil, que habitam áreas de floresta preservada, principalmente no estado de Roraima e no Amazonas, dentro da chamada Terra Indígena Yanomami. Só para dar uma finalizada mesmo — porque tá ficando enorme esse textinho —, eu me inspirei em uma frase de uma toada, também do caprichoso, onde retrata que "Essa pátria pertence aos povos indígenas, antes da coroa existia o cocar" que faz totalmente sentido. Perdão pelo texto enorme kakakaka eu amo a cultura da minha região. ❤️
desafio de escrita! 𖤐 mini caos e confissões — livre!
Olá queridos, a Mimi aqui. Vim na intenção de promover ao pessoal temas suaves e fáceis pra estimular a escrita e a criatividade, num desafio pra quem gosta de romance com tensão, romance e sentimentos que demoram demais pra ser ditos.
Pode usar pra capas ou fanfics fica ao seu gosto!
★ mini regras
— é importante escrever sobre todos os temas!
— pode ser qualquer shipp / fandom / original
— não tem limite de palavras ou proibição de gênero, é um exercício pra estimular a escrita!
— é necessário usar a tag #chaoschallenge26 no spirit pra ficar todos de fácil acesso.
— se divirta criando e seguindo a ordem que quiser!
★ Agora vamos para os #temas !!
1. "A gente nunca terminou de verdade"
2. Fica comigo só essa noite!
3. O que eu faço com esse brinquedo?
4. Enemies to lovers
5. Gravidez inesperada
6. “Isso não muda nada entre a gente”
7. Universo alternativo (au)
8. Ciúmes mal resolvido
9. Gostosuras ou Travessuras?
10. “Não era pra eu me apaixonar por você”
11. Distância
12. Segredo revelado
13. Songfic — música que define o relacionamento
14. Songfic — música triste
15. Final aberto
E um extra (pra deixar mais interessante)
15.1 Depois que a gente terminou / Ou morte de personagem.
Sem restrições, aqui você pode:
— misturar dois temas
— escolher uma estética (soft, dark, angst, etc)
— usar uma frase marcante como título
Então é isso, se divirtam, pratiquem e boa sorte… você vai precisar.
Intimidade não começa no toque, começa no risco, no instante em que alguém decide permanecer mesmo sabendo que pode ser atravessado pelo olhar do outro como quem atravessa uma porta destrancada. Há algo de profundamente inquietante em permitir que alguém nos enxergue sem a curadoria das respostas prontas, sem a edição cuidadosa das versões que contamos sobre nós mesmos. Passamos a vida aprendendo a performar solidez, competência, equilíbrio, como se a vulnerabilidade fosse uma falha estrutural, quando na verdade é o único lugar onde algo verdadeiro pode acontecer. Intimidade é ser visto sem defesa, não como quem se exibe, mas como quem se entrega ao fato de que não há mais onde se esconder. É permitir que o outro perceba o tremor quase imperceptível na voz quando tocamos em certas memórias, é deixar que ele reconheça nossos mecanismos de fuga e ainda assim escolher ficar. Há quem confunda intimidade com proximidade física ou com a repetição de confidências, mas ela é mais silenciosa e mais radical. Ela acontece quando duas pessoas suportam a presença uma da outra sem a necessidade de se tornarem maiores, mais interessantes ou mais fortes do que realmente são. É o espaço onde as contradições não são imediatamente corrigidas, onde o cansaço pode ser admitido sem que se perca valor, onde o medo não precisa ser disfarçado de indiferença. Intimidade exige uma coragem específica, a de não controlar a narrativa sobre si mesmo. Porque quando alguém nos vê de verdade, ele também vê o que tentamos ocultar, a inveja que nos envergonha, a carência que negamos, a insegurança que disfarçamos com ironia. E ainda assim, se permanece, algo se constrói que não depende de espetáculo. Existe um momento delicado em toda relação em que as máscaras começam a pesar. Sustentá-las cansa mais do que removê-las, é nesse ponto que a intimidade pode nascer ou morrer. Nasce se houver espaço para o imperfeito, morre se o amor exigir performance. Não há intimidade onde há constante vigilância, ela precisa de um terreno onde o erro não seja imediatamente convertido em sentença, onde a falha não seja usada como munição futura. Ser íntimo de alguém é confiar que suas fragilidades não serão transformadas em argumento contra você numa discussão qualquer. É saber que suas cicatrizes serão tocadas com respeito, não com curiosidade cruel. Também há intimidade naquilo que não é dito, no silêncio compartilhado que não constrange, na respiração que encontra o mesmo ritmo sem esforço, na sensação de que não é preciso preencher cada intervalo com palavras para garantir permanência. Intimidade é repouso, um repouso raro em um mundo que exige constante afirmação de valor. É poder baixar a guarda depois de um dia inteiro lutando para provar que se é suficiente. É saber que, naquele espaço, você não precisa vencer nada. Não precisa convencer ninguém, pode apenas existir. Mas não se engane, a intimidade não é confortável o tempo todo. Ela confronta, ela revela, ela desmonta a fantasia de que somos coerentes e estáveis. Quando alguém nos conhece profundamente, torna-se espelho das nossas inconsistências e isso dói. Dói perceber que não somos tão resolvidos quanto gostaríamos, que ainda carregamos feridas abertas, que repetimos padrões que juramos ter superado. A intimidade não suaviza isso, ela ilumina. E, ainda assim, há beleza nessa exposição, porque ser visto por inteiro e não ser abandonado é uma das experiências mais transformadoras que alguém pode viver. No fim, intimidade é menos sobre o outro e mais sobre a disposição de se permitir ser atravessado, é um pacto silencioso de honestidade imperfeita. Não é fusão, não é dependência, não é drama, é escolha contínua. Escolha de permanecer quando o encanto dá lugar à realidade, escolha de revelar o que treme por dentro, escolha de confiar que a própria vulnerabilidade não será motivo de desprezo. Intimidade é um território onde a verdade não precisa gritar para ser ouvida, ela simplesmente está ali, respirando entre duas pessoas que decidiram não se esconder.
Há dias em que o mundo parece seguir o ritmo normal, enquanto dentro de nós tudo se move rápido demais. As horas continuam passando com a mesma cadência de sempre, as pessoas conversam, riem, atravessam a rua, tomam café, fazem planos. Por fora, nada parece deslocado, mas por dentro existe um ruído constante, uma espécie de motor ligado que nunca encontra descanso. Ela é silenciosa, não chega anunciando sua presença, ela se instala devagar, quase imperceptível, como uma inquietação pequena que começa no fundo do peito e depois se espalha pelos pensamentos. De repente, aquilo que deveria ser simples se torna pesado, uma decisão vira um labirinto, um silêncio vira suspeita. A mente começa a trabalhar como uma máquina desregulada, produzindo cenários que ainda não existem. Cada possibilidade se abre em outras dez, cada dúvida gera novas perguntas e nenhuma resposta parece suficiente para aquietar o que se agita por dentro. O futuro passa a invadir o presente de forma desordenada, como se tudo precisasse ser resolvido agora, imediatamente, antes mesmo de acontecer. E então o corpo sente, os ombros endurecem sem que se perceba, a respiração encurta, o estômago aperta, o pensamento não descansa nem quando os olhos fecham. Existe uma tensão constante que nunca se desfaz completamente, é como se alguma coisa estivesse prestes a acontecer, mesmo quando tudo ao redor está quieto. A ansiedade faz o corpo correr parado, é uma corrida sem linha de chegada, um impulso permanente de antecipar, prever, evitar. O corpo fica pronto para agir, mas não há exatamente para onde ir. O coração acelera sem motivo visível, a mente tenta organizar o caos que ela mesma produziu. É um movimento circular, uma tentativa infinita de encontrar segurança em um território onde nada parece definitivo. Quanto mais a mente tenta resolver tudo, mais ela se perde dentro de si mesma, pensamentos se empilham uns sobre os outros como papéis sobre uma mesa já cheia. Aquilo que parecia resolvido retorna como uma pergunta que nunca foi totalmente respondida. Existe também um tipo particular de cansaço que nasce desse processo, não é o cansaço físico, nem o desgaste comum do dia a dia. É um cansaço mental, profundo, que surge de tentar manter o controle de tudo ao mesmo tempo. De observar o que foi dito, o que foi feito, o que poderia ter sido diferente. A mente vive em um estado permanente de antecipação, ela observa o futuro como quem examina um horizonte cheio de tempestades, mesmo quando o céu está limpo, ela continua procurando nuvens. Mas há algo curioso nesse mecanismo, ela raramente nasce da fraqueza, nasce justamente da tentativa de cuidar demais, de prever demais, de evitar qualquer erro, qualquer dor, qualquer perda. É uma vigilância exagerada da própria vida, como se cada detalhe precisasse ser protegido de algum desastre invisível, só que viver assim cobra um preço alto. Porque enquanto a mente corre para frente tentando alcançar tudo o que ainda não aconteceu, o presente fica para trás. Pequenos momentos passam despercebidos, conversas acontecem pela metade, experiências são atravessadas com pressa, como se fossem apenas etapas de um percurso maior que nunca termina. Ela não rouba apenas a tranquilidade, rouba também a capacidade de habitar plenamente o instante. Ainda assim, dentro desse movimento inquieto, existe algo profundamente humano, a mente ansiosa revela o quanto nos importamos com o que está por vir, com as pessoas, com as escolhas, com os caminhos que tomamos. Ela é, em certo sentido, uma expressão exagerada do desejo de dar certo, de evitar o fracasso, de proteger aquilo que tem valor. O problema é que a vida não foi feita para ser totalmente controlada, existe uma parte dela que permanece imprevisível, aberta, indomável.
No fundo, ela é uma conversa constante entre o medo e a expectativa, um diálogo silencioso que acontece dentro da cabeça enquanto o mundo gira lá fora. Às vezes ela sussurra, grita, mas quase sempre ela insiste e mesmo assim, apesar de todo esse barulho interno, a vida continua acontecendo nos intervalos entre um pensamento e outro. Nos pequenos silêncios que surgem quando a mente finalmente se cansa de correr, nos momentos em que o corpo, ainda que por poucos segundos, se permite simplesmente existir sem antecipar o próximo passo. Talvez seja nesses instantes raros que algo se revela, a percepção de que nem tudo precisa ser resolvido agora. Porque por mais que a mente tente correr na frente, a vida sempre acontece passo a passo.
Escutar o vazio é perigoso, mas necessário, porque quando tudo ao redor fica quieto demais não sobra nada para distrair a minha mente. E a verdade é que a minha mente nunca foi um lugar silencioso, sempre tem alguma coisa correndo por dentro de mim: pensamentos que se atropelam, lembranças que aparecem sem ser chamadas, perguntas que não encontram resposta. O curioso é que por fora parece que não tem nada acontecendo, o mundo segue normal, as pessoas continuam vivendo suas vidas, as ruas têm o mesmo movimento de sempre. Mas dentro de mim existe um barulho constante, como se alguma coisa nunca desligasse e é nesse contraste que o vazio aparece. Porque quando tudo fica quieto ao meu redor, eu começo a ouvir coisas que normalmente eu tento evitar. Pensamentos que eu empurrei para depois, sentimentos que eu fingi não entender, saudades que eu disse para mim mesma que já tinham passado. Escutar o vazio assusta por isso, ele abre espaço demais para tudo aquilo que a gente passou tempo demais tentando ignorar. E, sendo honesta, nem sempre eu sei o que fazer com tudo que encontro aqui dentro. Às vezes acho que o vazio não é exatamente a ausência de algo, talvez seja só o espaço onde a gente finalmente consegue ouvir tudo aquilo que passou tempo demais tentando calar. E a verdade é que o mundo pode até ficar em silêncio, mas a minha mente nunca fica.
Se eu tivesse o dom de reiniciar, de apagar minha memória e todos os dias ter perspectivas diferentes, o que eu faria? Eu diria que, em certos dias, seria um alívio. Porque, por mais que eu entenda que às vezes é atravessando a dor, a raiva ou até a decepção que a gente constrói a cabeça de hoje, eu ainda escolheria não carregar esse tipo de memória, elas cansam. Elas me levam para lugares onde eu nem sequer me reconheço, onde viro uma versão minha que só sobrevive. Fico presa no automático, repetindo gestos, pensamentos e silêncios, tentando funcionar quando, na verdade, só queria descansar de mim, de toda essa exaustão. Talvez reiniciar não fosse sobre esquecer tudo, mas sobre ter a chance de me olhar sem o peso do que já doeu, sobre acordar sem precisar ser forte o tempo todo, sem ter que explicar feridas antigas para justificar quem eu sou hoje. Porque viver fora de si cansa, e há dias em que tudo o que eu queria era voltar para dentro, e não carregar tudo isso.