Sobreviver a mim mesma, foi a minha maior forma de resistência...
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Sobreviver a mim mesma, foi a minha maior forma de resistência...
Se eu me ouvisse mais, eu seria mais feliz, com certeza.
Às vezes você tem que tomar uma decisão que partirá seu coração, mas dará paz à sua alma.
— Monalisa.
repense esse amor se as temperaturas sempre forem negativas, pois ninguém é frio com a pessoa que gosta.
— encorajador
para onde vão todas as conexões que se quebram quando duas pessoas param de existir juntas? existe algum cemitério de paixões?
ás vezes me pego pensando em como viver é insano. essa oscilação de humor acaba comigo. de dia, sou uma grande onça selvagem e destemida. a noite, sou a presa dessa mesma onça: um animal indefeso lutando para sobreviver. uma hora me sinto um fracasso em todas as áreas, na outra hora, lembro que só de chegar aqui, eu ja venci. a fase dos 20 e poucos anos acaba com a gente.
Intimidade não começa no toque, começa no risco, no instante em que alguém decide permanecer mesmo sabendo que pode ser atravessado pelo olhar do outro como quem atravessa uma porta destrancada. Há algo de profundamente inquietante em permitir que alguém nos enxergue sem a curadoria das respostas prontas, sem a edição cuidadosa das versões que contamos sobre nós mesmos. Passamos a vida aprendendo a performar solidez, competência, equilíbrio, como se a vulnerabilidade fosse uma falha estrutural, quando na verdade é o único lugar onde algo verdadeiro pode acontecer. Intimidade é ser visto sem defesa, não como quem se exibe, mas como quem se entrega ao fato de que não há mais onde se esconder. É permitir que o outro perceba o tremor quase imperceptível na voz quando tocamos em certas memórias, é deixar que ele reconheça nossos mecanismos de fuga e ainda assim escolher ficar. Há quem confunda intimidade com proximidade física ou com a repetição de confidências, mas ela é mais silenciosa e mais radical. Ela acontece quando duas pessoas suportam a presença uma da outra sem a necessidade de se tornarem maiores, mais interessantes ou mais fortes do que realmente são. É o espaço onde as contradições não são imediatamente corrigidas, onde o cansaço pode ser admitido sem que se perca valor, onde o medo não precisa ser disfarçado de indiferença. Intimidade exige uma coragem específica, a de não controlar a narrativa sobre si mesmo. Porque quando alguém nos vê de verdade, ele também vê o que tentamos ocultar, a inveja que nos envergonha, a carência que negamos, a insegurança que disfarçamos com ironia. E ainda assim, se permanece, algo se constrói que não depende de espetáculo. Existe um momento delicado em toda relação em que as máscaras começam a pesar. Sustentá-las cansa mais do que removê-las, é nesse ponto que a intimidade pode nascer ou morrer. Nasce se houver espaço para o imperfeito, morre se o amor exigir performance. Não há intimidade onde há constante vigilância, ela precisa de um terreno onde o erro não seja imediatamente convertido em sentença, onde a falha não seja usada como munição futura. Ser íntimo de alguém é confiar que suas fragilidades não serão transformadas em argumento contra você numa discussão qualquer. É saber que suas cicatrizes serão tocadas com respeito, não com curiosidade cruel. Também há intimidade naquilo que não é dito, no silêncio compartilhado que não constrange, na respiração que encontra o mesmo ritmo sem esforço, na sensação de que não é preciso preencher cada intervalo com palavras para garantir permanência. Intimidade é repouso, um repouso raro em um mundo que exige constante afirmação de valor. É poder baixar a guarda depois de um dia inteiro lutando para provar que se é suficiente. É saber que, naquele espaço, você não precisa vencer nada. Não precisa convencer ninguém, pode apenas existir. Mas não se engane, a intimidade não é confortável o tempo todo. Ela confronta, ela revela, ela desmonta a fantasia de que somos coerentes e estáveis. Quando alguém nos conhece profundamente, torna-se espelho das nossas inconsistências e isso dói. Dói perceber que não somos tão resolvidos quanto gostaríamos, que ainda carregamos feridas abertas, que repetimos padrões que juramos ter superado. A intimidade não suaviza isso, ela ilumina. E, ainda assim, há beleza nessa exposição, porque ser visto por inteiro e não ser abandonado é uma das experiências mais transformadoras que alguém pode viver. No fim, intimidade é menos sobre o outro e mais sobre a disposição de se permitir ser atravessado, é um pacto silencioso de honestidade imperfeita. Não é fusão, não é dependência, não é drama, é escolha contínua. Escolha de permanecer quando o encanto dá lugar à realidade, escolha de revelar o que treme por dentro, escolha de confiar que a própria vulnerabilidade não será motivo de desprezo. Intimidade é um território onde a verdade não precisa gritar para ser ouvida, ela simplesmente está ali, respirando entre duas pessoas que decidiram não se esconder.
— Diego em Relicário dos poetas.
não é tudo que me enche os olhos, mas existem vários motivos para eles arderem.
— deixaram