Estou quebrado, disperso em pedaços no chão, não sobrou nem um terço do homem que já fui. Eu, que antes encontrava abrigo nos livros, que passava horas em conversas profundas e escrita, hoje mal me reconheço no espelho. Virei a sombra de um tempo que se perdeu. Há dias arrasto essa existência sem norte, carregando um esgotamento que paralisa o corpo. Isso não é uma melancolia barata ou um drama passageiro, é a exaustão real de uma alma que saturou da dor. Cancelei os planos e parei de dar ouvidos às promessas vazias que o mundo insiste em fazer. Desistir, afinal, é apenas interromper uma jornada, mas o cansar é muito pior: é o esvaziamento completo. É o desejo latente de que o silêncio absoluto apague o ruído desse peito cansado de lutar. Permaneço no meu canto, recolhido e sem forças, esperando o tempo necessário para refazer o meu chão. — Robertyman. R

















