Fatos: Quando a sensatez e a aleatoriedade da família andam juntas e em perfeito equilíbrio, não importa a terra. Queres, Yng e Yang?
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Fatos: Quando a sensatez e a aleatoriedade da família andam juntas e em perfeito equilíbrio, não importa a terra. Queres, Yng e Yang?
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Edgar and Yves friendship mood. “Cute&Cool”
Yves says: Você é a pessoa mais talentosa, inteligente e criativa que eu conheço. É um mix de Einstein e Picasso, mas você é mais descolado.
Chilling Adventures: Day, Ahreum and TY Montgomery feat. Ianthe Huang — Golden Days
Day.
Eu tinha aprendido que persistência e teimosia moviam o mundo muito cedo. Não importava quantas vezes os meninos maiores acertassem os tacos de lacrosse deles na minha cara e me arrancassem um dente, eu sempre voltava com a boca cheia de algodão pra prática do dia seguinte, e isso valia pra sempre que era desiludido na escola por alguém, e forçava meu corpo triste e exausto de sete anos pra fora da cama, pra encarar meus ex contatinhos com outros contatinhos.
Valia também quando minha mãe deixava a mim, TY e Ahreum com duas babás, e dizia que precisava trabalhar, que envolvia ela realmente atendendo alguém, dando aulas no estúdio dela ou criando conteúdo pra Internet. O último, sendo desculpa pra ficar cinco minutos sozinha em qualquer parte da nossa casa enorme fazendo qualquer coisa que não fosse colar band aid em machucados e separar brigas.
Mas não queria dizer que ela realmente conseguia.
— E eu queria dizer que também é importante ter momentos pra si mesma… — Minha mãe narrava pros seguidores dela, o que parecia ser uma live de um tutorial de maquiagem num dos muitos banheiros da nossa casa, que ela jurou que sabíamos da existência.
— E PROS SEUS FILHOS!
Normalmente as transmissões terminavam comigo e ela discutindo sobre o que era relevante ou não, enquanto Ahreum escalava a pia e tomava a autoria da live, misturando um monte de sombras e coisas no rosto, fingindo saber exatamente o que estava fazendo, quando TY não se juntava também, e usava seu tempo pra mostrar os presentes que aprendeu a deixar no peniquinho.
Minha mãe levou muito tempo até entender que ela não ia mais ter paz depois de ter três filhos, felizmente, ela tinha nós três pra guiar ela por esse caminho.
Ahreum.
Se eu soubesse que as coisas iam terminar daquele jeito, não teria levantado da minha cama naquele dia. Victoria não perdia mesmo nada faltando a todos os sábados de piscina que a gente tirava quando a temperatura na cidade batia quase 45 graus na sombra.
Imaginava todos seus comentários raivosos e indignados, quando desistimos de pegar câncer de pele do lado de fora e fomos jogar UNO na sala de estar com o ar condicionado quase tocando Let It Go, vendo Ianthe ganhar pela oitava partida consecutiva sem nem se abalar e começar a fazer Day desconfiar dela, eu e TY muito exaustos daquelas discussões pra realmente nos meter.
— Isso não é humanamente possível! Você roubou! — Day declarou, indignado e apontando um dedo na cara dela, depois de perder pela nona vez.
— Você é péssimo e é por isso que eu não preciso roubar. — Minha prima mais velha fez questão de pontuar, dando um tapa na mão do meu irmão, o sorrisinho de quem estava tendo seu maior momento em vida. Por causa de um jogo maldito de cartas. — Você é péssimo. Não sei como ainda tem amigos, eu não andaria com uma pessoa que perde nove vezes no UNO.
— Eu te garanto que meus amigos não reclamam. — Meu irmão tentou defender sua honra, ou seja lá o que fosse, enquanto embaralhava as cartas de novo. — E quem faz também não.
— Você ta falando do Connor II? — E eu juro que minha intenção nunca foi expor ninguém, e que no fundo não tinha pensado nas minhas palavras antes de dizer elas, mas tinha sido mais forte que eu.
— Ficou com o Connor II? — E Ianthe foi mais rápida do que meu pedido de desculpas.
— Ele não é mais seu namorado faz quase um ano. — E Day mais rápido ainda em tentar tirar o dele da reta.
— Treeeeta. — E TY, mais que os dois, prevendo a merda que aquilo ia dar, deitado em alguma parte da sala, aparecendo só pra acompanhar a discussão de perto.
— Mas foi você quem criou essa regra ridícula. A de não poder pegar ex de parente.
— E você me dá mesmo atenção? Desde quando? Foi só uma mão amiga, Ianthe, não vou me casar com ele.
— Isso é ótimo, sério mesmo, porque fui a primeira garota na vida da maioria das suas ex namoradas.
A próxima coisa que eu sabia, era que estávamos eu e meu irmão caçula, cada um segurando uma almofada e sentados na escadaria, tentando nos proteger no campo de batalha que a sala de casa virou quando os dois começaram a jogar as outras um no outro.
— NÃO ACREDITO QUE FICOU COM MINHAS EX, IANTHE! ISSO É MUITO PIOR! — Almofada na cara.
— VOCÊ NEM GOSTA DE MENINAS, QUAL É O PROBLEMA? ELAS ME PEDIRAM, POR QUE EU RECUSARIA? — Almofada no braço.
— POR CAUSA DA REGRA, IANTHE! A NOSSA REGRA! — Almofada na barriga, suficiente pra grudar no piercing da minha prima mais velha e fazer ela chorar. — NÃO TEM IMPORTÂNCIA, PASSEI O RODO NOS SEUS CRUSHES TAMBÉM.
— PUTA MERDA, O MARK DO CLUBE DE CINEMA?
— PIOR. O DO CLUBE DE CINEMA, O DA EQUIPE DE NATAÇÃO E O VENDEDOR DE COLCHÃO.
Naquele momento, a almofada pendurada no umbigo de Ianthe não a impediu de correr atrás de Day até o derrubar no meio do caminho pra nossa cozinha, muito menos de começar a puxar as pernas dele como se estivéssemos em uma cena de filme de terror.
— RATO, RATO, RATO!
Pelo menos não tinham nada pra se machucar, até TY jogar um dos canudos de alumínio, que minha mãe tinha colocado nos nossos copos mais cedo, nas mãos de Day, e aquilo virar uma arma branca.
— Qual é o seu problema?! — Acusei meu irmão mais novo dando um tapa em sua testa, vendo meu outro irmão ameaçar Ianthe com o pedaço de metal, quando a mesma conseguiu o escalar e bater em seu peito.
— Me perdoa, eu to nervoso. Eu não sei o que eu to fazendo! — TY tentou se defender, as mãos jogadas no ar, tentando resolver a confusão da pior maneira possível.
— SE VOCÊ NÃO PARAR, VOU FURAR SEU SILICONE!
— E EU VOU QUEBRAR TODOS OS SEUS DENTES, DE NOVO! QUAL FOI A SUA DIFICULDADE EM ME CONTAR? PODERÍAMOS ESTAR AGORA FAZENDO FOFOCA DESSAS PESSOAS COMO AS DUAS PIRANHAS SEM CREDIBILIDADE QUE NÓS DOIS SOMOS.
Não sei dizer como terminou, desisti de ouvir o resto quando o assunto ficou baixo demais até pra mim, e é seguro, inclusive, dizer que não voltei a dar as caras na sala mesmo com os gritos e ameaças aumentando de tempos em tempos, porque eu não ligava mesmo.
Ianthe.
Eu e Day nascemos com uma diferença de dois dias. Ele primeiro, eu depois, no mesmo mês, no mesmo ano, e muito além de festas de aniversário às vezes compartilhadas, nos conectavamos como se fossemos mesmo gêmeos de outra mãe e pai. Era mais fácil conversar com ele, às vezes parecia que um entendia o conflito do outro antes mesmo de expor e tínhamos nossos próprios ideais compartilhados.
— Eu abro as suas, você abre as minhas. — Instrui meu primo, lhe entregando minhas cartas de resposta das faculdades que tinha me inscrito.
— Okay… Então. Eu vou pela ordem de importância. — Day me deixou saber, ms entregando as suas, se sentando ao meu lado na frente do piano da St.Judes. — Navarro… É sua. Fizeram questão de dizer que está convidada pro programa de calouros no verão, e que… Seria uma honra contar com você lá. — Disse, ainda passando os olhos no papel, um dos braços envolvendo os meus ombros enquanto eu afundava meu rosto em seu peito, soltando um gritinho de puro êxtase.
— Princeton College… É sua. — O informei, abrindo um sorriso lendo a confirmação brilhando no final da folha, achando difícil continuar ao lado dele com todos os pulinhos que ele deu ainda sentado. — Também disseram que seria incrível ter você no programa de verão e que é uma honra.
— Parabéns.
— Parabéns, você mereceu.
Então, começamos a abrir as outras cartas, a maioria delas constando resultados positivos, as outras informando uma espera, e uma única indicando um convite. De Julliard. A porra da faculdade de Artes que só aceitava 24 alunos por ano.
— Julliard.
— Pra você também.
Não sabia o que passava pela cabeça dele, mas sabia o que passava pela minha, e apesar de confusa, rápida e aos tropeços, parecia clara.
— Bom, que seja. Sou líder de torcida, não bailarina performática. Eu nem mandei nada pra eles. — Indaguei, sem saber se era raiva ou surpresa, pegando minha carta de suas mãos e entregando a dele no lugar.
— É um convite, não precisa se inscrever quando é convidado, porque eles não convidam pessoas, nunca. — Day tentou clarear as coisas, as pernas tremendo tanto que parecia que ia sair do lugar. — Viram a mim, viram você…
— Em alguma competição, em algum amistoso, as apresentações na academia… — Ia completando sua linha de raciocínio, tendo lembranças de cada vez que pisei em um palco na vida, e todas elas, por diversão.
Nas seletivas, a ideia de ter uma Universidade do outro lado do país interessada em cinco minutos da minha atenção não parecia real. Do mesmo jeito que eu e Day, pela última vez nos enfrentando em corais do ensino médio, também não.
— Não vou aceitar. Não posso. — Proferi apertando minha squeeze de água com as mãos, piscando os olhos tão rápido que jurei que meus cílios iam descolar, enquanto andávamos os dois, de um lado para o outro, no backstage. — Day, eu decidi que queria ser líder de torcida desde os meus quatro anos. Não tem um só dia que eu não pense na Gabi Butler e no quanto quero chegar no patamar dela… Eu sei que é só a droga de uma Universidade comunitária, contra a droga do maior Conservatório de artes do país, mas é a minha droga de Universidade comunitária.
— Eu não quero, não posso querer. — Meu primo prosseguiu com suas próprias preocupações, esfregando as mãos na calça social, a voz de Yves Corazon treinando as próprias escalas sendo a trilha sonora de nossa crise existencial dupla. — Eu sou engenheiro… Pelo menos sei que quero me tornar um. Eu quero construir um mundo novo, Ianthe, não fazer parte de um completamente diferente. É a minha vida inteira, o meu maior sonho. Eu sempre soube.
Tinha certeza que no momento de silêncio, ele começou a pensar nas vezes em que também dançou, cantou e tocou por amor, assim como eu, e como aquele mundo conectava nós dois a vida inteira, e agora ali pela última vez, quando só um de nós ia conseguir ir pra próxima fase, e quem sabe chegar na Nacional.
— Não vou se você não for. — Sabia que não podia fazer aquilo, mas sabia também que àquela altura, estávamos na mesma sintonia.
— Eu também não vou se você não for. — Então o senti alcançar uma de minhas mãos, me fazendo parar no meio do corredor, e a próxima coisa que nós dois vimos, foi minha tia, e sua mãe, que tinha nos introduzido todo aquele universo desde o berço, e que morreria por uma notícia daquelas.
— Se você não contar, eu não conto.
— Eu não vou.
Não importava quem ia terminar em primeiro naquele dia, quem podia acabar chegando em Nova York no final das contas, mas o fato de que depois que a formatura passasse, e o verão também, eu ia pra Navarro, e ele Princeton, como tinha que ser, mesmo que a gente se perguntasse depois o que poderia ter acontecido se fosse o contrário.
TY.
As chances de eu contrair alguma infecção ou desenvolver alguma doença aleatória e absurda depois do transplante, eram tão reais e presentes quanto a realidade de que mesmo tomando os meus remédios e me cuidando quando necessário e não também, eu podia acabar morto no final de um dia que começou bem.
Começou com uma febre muito leve aqui, e depois uns sangramentos nasais ali, e quando percebi, talvez tarde demais, estava sendo hospitalizado pela milésima vez em vida, por causa de só um dos muitos efeitos colaterais a longo prazo que eu já sabia que estava sujeito a ter.
— Então, eu não vou ficar careca. — Comentei por cima das explicações do meu médico, enquanto ele mostrava as bolinhas brilhantes em um dos meus exames, todas no meu nariz. — E nem morrer daqui seis meses.
— São só pólipos. Ainda é câncer, mas não o tipo que pode tirar você do caminho atual e sem problemas que está. — O mais velho me assegurou, segurando um dos meus ombros como se eu ainda batesse na altura de seu joelho e ali, já não tivesse o ultrapassado em altura.
— Não é ainda. — O corrigi, como sempre fazia, porque não podia me dar ao luxo de dar a mim mesmo um minuto de paz.
— Não é, ainda, mas esperamos que não seja, mesmo no futuro.
Na mesma semana, depois de tirar cada um deles do meu nariz, soube que minha lista de remédios ia ser cortada pela metade, depois de quase cinco anos, como tinham me prometido, e na semana seguinte, conheci Yul pela primeira vez, e só consegui carregar ela nos meus braços depois de saber que ela não tinha a menor chance de ter os mesmos problemas que eu no futuro. Pensada e planejada pra evitar um pesadelo que minha mãe não ia ser mais capaz de lidar, uma segunda vez.
— Ela é tão preciosa. — Sussurrei pra minha mãe, deitado ao seu lado em sua cama de hospital, vendo minha irmã caçula passar de parente pra parente no quarto, porque nunca pareciam ter o suficiente dela.
— Mas você é ainda mais. — Minha mãe me deixou saber, uma das mãos apertando minha bochecha, a outra segurando meus ombros com força. — Mesmo que ela seja mais fofinha agora, e não reclame a cada cinco minutos o quão grudenta eu sou, você é mais precioso.
Não podia e não queria sentir ciúmes de uma garotinha recém nascida, não quando Day e Ahreum saíram do outro lado do mundo pra ver seu rosto gordinho sujo de catarro, não quando Ianthe faltou em uma de suas peças só pra tentar ensinar ela a piscar pros outros bebês do berçário, não quando eu mesmo tinha deixado passar uma das entrevistas pra faculdade pra ouvir ela chorar e cuspir na minha cara toda vez que a pegava no colo. Ela era preciosa, e era importante agora, também, e, mais uma vez, tinha juntado cada pessoa daquela família na mesma cidade. Um sinal feliz.
Chilling Adventures: Nell Donovan and Ianthe Huang — Naughty
Nell.
Como a garota popular e acessível que Ianthe era, eu podia dizer com segurança que ela tinha mais amigos e conhecidos do que realmente podia contar, e isso queria dizer que de todas as pessoas na Constance e na sua lista de contatos, eu talvez não passasse de um outro nome, mas competia ombro a ombro com Jesus o tempo que a conhecia e me importava com ela.
Perdendo um ou dois pontos, porque nunca teria tido coragem de lhe passar a perna por um garoto, ainda mais um garoto como Connor.
— D, me perdoa, mas eu te disse que ia terminar mal pra caramba. — Tentava lhe consolar, afagando seus cabelos meio úmidos em cima do meu colo, sem saber se era por causa das lágrimas que a mesma vinha chorando pra mais de dois dias.
— Não, você me disse que não aconselhava, mas também não barrava. — Huang relembrou minhas palavras, esfregando o rosto com as mãos, o corpo ainda todo torto no banquinho do pátio, e me perguntava se aquela sua posição meio deitada, meio sentada, deixava mais pra imaginação do que acontecia debaixo de sua saia.
— E depois disse que ia terminar mal pra caramba.
— Bom… Essa parte. Talvez eu tenha ignorado.
Porque ele tem um sorriso tão bonito, porque ele é tão talentoso, porque ele é tão fofo, porque ele, porque ele… Lembrava bem, das suas desculpas e comentários no começo daquele pesadelo. Ora, pois, eu bem conhecia a genética cagada daquela família, e era por essas e outras que não ficava arranjando meus parentes por aí: pra não ter que ficar consolando gente sonsa depois.
— Ainda bem que você é bonita. — Reforcei, mexendo os ombros. Um caso que não tinha salvação, Ianthe Huang. — Mas me promete que não vai mais cair com tudo no primeiro sinal de alguém curtindo você?
— Eu prometo. — A outra voltou a se erguer, a postura de quem estava pronta pra desbravar o mundo e explorar a galáxia inteira, as lágrimas indo, dando lugar a uma determinação estranha. — Pessoas são superestimadas. Eu sou uma mulher auto-suficiente.
Uma. Semana. Foi. O. Que. Durou.
Até a ver enrolando uma mecha de seu rabo de cavalo de Cheer no pátio pra sabe Deus quem, mas que com certeza tinha partido mais corações e desiludido mais pessoas do que o auxílio emergencial do governo em tempos de pandemia.
— Ryuji, se um dia eu me dedicar mais uma vez à causa juntar os caquinhos daquela ali, me prometa que vai me jogar na frente de um ônibus, em chamas e com zumbis dentro, pra ter certeza que eu não vou teimar.
Ianthe.
Como a garota nerd e um tanto motivada que Nell era, eu podia dizer com segurança que não entendia como alguém podia resolver um problema de física universitário em minutos, e não saber a ordem certa das letras do próprio nome, interpretar um texto e não ter a menor noção de história.
— Puta merda, D! Uma carta em 1500 não podia ser enviada dentro de um avião, porque não existiam aviões em 1500! — Exclamei, puta da cara, riscando mais uma vez uma resposta sua num teste improvisado meu.
— Também acreditavam que o mundo tinha uma beirada, mas olha só onde nós estamos! — A mais jovem tentou argumentar, balançando um dedo no ar, como se aquilo servisse pra alguma coisa.
— Ainda bem que você é bonita. — Disse, balançando a cabeça várias vezes, enquanto rasgava o papel dramaticamente com as mãos, desistindo totalmente do meu trabalho ali. — E que pra mandar pessoas pra lua, você não precisa achar o sujeito numa frase.
Mais tarde, entendia que ela brilhava e era de fato brilhante em outras coisas: resolvendo problemas, descobrindo coisas importantes no céu, reinando a maior parte das feiras de ciência e só sonhando muito alto com a ideia de um mundo, e muitos outros, melhor. Mesmo que eu fosse a única líder de torcida a assistindo, sentindo dor de cabeça depois da primeira linha de números e sinais em cada uma de suas competições de fazer continha super rápido com outros nerds.
Nell.
O que gostava de pontuar para Ianthe e convencer sua cabecinha de vento e glitter colada em seu pescoço, era que ela era muito mais do que as pessoas pensavam e diziam sobre ela, e que ela era autêntica, a seu próprio modo.
— Se está no coral faz quase quatro anos, por que nunca tentou ser solista? — A cutuquei enquanto andávamos pelo corredor, observando suas colegas de clube se matando pra escrever o nome na lista, que nunca nem tinha a visto chegar perto.
— Estou lá pra ser bonita e chamar a atenção quando não ensaiamos uma coreografia o suficiente. — Huang me explicou de maneira didática, as mãos gesticulando como se fosse óbvio, e depois os polegares apontados pra sua própria figura, brilhando no sol das oito horas devido aos muitos Strass colados aqui e ali. Não era nem sexta, ainda. — Não tenho talento suficiente. Gosto de ser a surpresa.
— Bom, você tem potencial suficiente, e pode fazer tudo o que essas meninas fazem. — Disse com toda a sinceridade que cabia em mim, mesmo que ela fosse minha sénior, e ate mais alta que eu, apoiando minhas mãos em seus ombros. — Consegue ser lançada a seis metros de altura e cair sorrindo como se tivesse ganhado o castelo do Walt Disney World pra morar, tem mais carisma do que metade dessa cidade e não importa o que você faça, sempre consegue fazer as pessoas se lembrarem de você. — Ia a balançando, sorrindo conforme ela sorria pra mim, as pedrinhas debaixo dos olhos enormes piscando de uma maneira quase mágica, antes de bater muito levemente em seu rosto e rolar meus olhos. — Então eu acho melhor você trabalhar, garota, porque se ouvir outra balada por qualquer outra pessoa, vou morrer de tédio.
No fim, sabia que ia acabar julgando aquele seu solo nas seletivas — com uma música falando sobre ser a rainha da selva e pedir pras pessoas gritarem o nome dela — na língua de seu avô enquanto ia mais ao chão do que se costume, mas me sentia feliz. Feliz por ajudá-la a explodir a própria caixinha e criar mais memórias pra si mesma, no topo, onde ela pertencia.
Ianthe.
Em um outro momento, ia discutir sobre minha obrigação de ter que procurar um Ryuji bêbado e ser sua guardiã de volta pra casa também, mas enquanto as ordens fossem apenas sobre Nell e arrastar sua própria bunda bêbada de volta pra um lugar seguro e que não fosse propenso a receber batida da Polícia, era isso que eu ia fazer.
— Ser sua amiga no parquinho, ir assistir tuas apresentações com aquela fita, te ajudar a ter um C em humanas, pra ser rebaixada a babá de jovem que cai com duas Skol beats. — Ia enumerando em voz alta, mesmo que ela estivesse ocupada rindo em seu próprio mundinho, enquanto eu tirava o cinto de segurança de seu corpo e a puxava pra fora do meu carro. — A que ponto eu cheguei…
Bom, nem um, mas Nell bem tinha chegado com a cara no portão da garagem dos pais, quando tropeçou, tropeçou e foi andando até tropeçar de novo e se bater ali. Sei nem como, mas o barulho foi absurdo de alto, me fazendo tremer onde estava de pé, assistindo a coisa sem nem me prestar ao papel de tentar impedir.
— Seja lá o que for que tenha nessas coisas que você bebe, ou na saliva do Ryuji, ou no outro tipo de saliva dele, D, para. — A aconselhava, colocando sua cabeça em cima do meu colo enquanto me sentava no chão, sabendo que nosso destino era dormir ali mesmo até alguém nos socorrer no dia seguinte. — Eu to exausta. Não to sendo paga.
Nell.
Eu me lembrava da primeira vez que tinha a visto, do primeiro assunto do qual conversamos, da primeira vez que brincamos juntas, de todos os aniversários, todas as festas do pijama, e de sempre a enxergar como uma irmã mais velha; aquela que estaria sempre segura e de pé por ela mesma e às vezes eu, e em nenhuma dessas vezes, imaginei que fosse presenciar seus piores momentos também.
— Precisa voltar pra terapia. — Tentei a convencer mais uma vez, puxando minha mão que logo ia tocar seu cabelo como de costume, mas entendia que, ao menos agora, ela estava muito longe de receber qualquer tipo de contato físico tão bem quanto antes. — Precisa tomar os remédios.
— Eu não posso voltar. — A outra rebateu pela milésima vez, enrolada em uma bola em cima de sua cama, os ombros balançando e eu não sabia se porque estava falando ou chorando de novo. — Se eu voltar, ela vai achar mais um monte de problemas, eu vou ter que bater um ponto lá todos os dias e vou enlouquecer com tudo isso de novo. Não preciso do remédio. Vai passar.
Sabia que Ianthe enxergava toda aquela situação como a maioria dos problemas dela: um término, uma semana ruim no cheerleading, um amistoso do coral que poderia ter sido melhor, um 9,5 em uma prova que ela sabia que podia tirar 10, e também sabia que aquilo ia corroer ela, até ela achar que era a única causa e consequência, e era meu dever tentar evitar.
— A culpa não foi sua, a culpa não foi da maneira como você sorri, da maneira como você se comporta, do quão mente aberta você é ou do que estava vestindo naquele dia, e em quaisquer outros. — Ia lhe dizendo, dando a volta em sua cama, até me sentar do outro lado perto de seu corpo encolhido, e me esforçava pra não começar a chorar também. — D, você é mais do que suficiente, mas não vou julgar você por precisar de ajuda. Não pode e não precisa passar por isso sozinha. Não vou deixar você aprisionar isso também, vamos curar isso, juntas.
Ianthe.
Gosto de pensar que em algum momento, vamos estar bem. Vamos às compras sem nos preocupar com os cartões de crédito, comer McDonalds até passar mal, então julgar os looks uma da outra pra ficar dentro de casa, e vou deixar ela me fazer de vela em um de seus muitos encontros com Ryuji porque sempre terminam bêbados e precisam de algum responsável por perto. Gosto de pensar que esses dias vão voltar, e que pra isso, precisamos no ali e agora, uma da outra.
— Não pode deixar enterrarem ela sem você se despedir, Nell. — Sussurrava pra sua porta fechada, observando seus pais me olhando muito atentamente no final do corredor, confiando que eu pudesse fazer o que eles não conseguiram. — Não pode deixar ela ir embora sem saber o quanto se importa com ela, o quanto a amava e o quanto você lutou ao lado dela até aqui. Ela… Ela podia parecer uma mulher firme, mas tenho certeza que precisa disso, agora mesmo, onde quer que ela esteja. — Conseguia ouvir ela chorando do lado de dentro, o barulho meio abafado de seus passos contra o piso de madeira, enquanto eu mesma olhava meus pés e a única rosa branca que tinha pra deixar no túmulo. — Eu prometo que não vou soltar sua mão, eu prometo que não vou te deixar ler a carta sozinha, eu prometo que vou estar do seu lado com um lenço por tanto tempo quanto você precisar e se daqui dois meses você ainda se sentir triste, vou dizer a Navarro que não posso ir pro programa de verão porque preciso fortalecer minha melhor amiga e abraçar ela todos os dias. Só, por favor… Faça isso por você mesma.
Não sei em qual parte do meu discurso ela destrancou a porta e a abriu, prometi pra mim mesma que não ia olhar pra ela até que tivesse terminado, mas só consegui respirar quando senti um de seus braços envolvendo o meu corpo, e quando eu mesma a abracei também, batendo em suas costas como se ela fosse uma criança pequena, a consolando como podia.
— D, vamos curar isso juntas.
Luigi Torres e Hope Cravalho, com as melhores partes deles, Amelia “Mia” Song e Greyson “Grey” Carter. Hoje, amanhã, para todo o sempre e depois.
Cota Instagram-Mimo. pt 1
Alexandra Donovan (Moon) anunciando direto do ninho das najas que ela pariu e o resultado foi lindo e trágico. Bem-vinda ao mundo, kidzinha que a mãe nunca vai saber dizer não porque passa muito tempo tentando entender como ela foi capaz de ajudar a conceber uma criança tão linda e perfeita.
Update: The Heartbreak Hotel
Cap: Lion Heart. Clique aqui beo abor.
Earth: Five-mirror
Pov and point: Ahreum Wang (Segunda herdeira da Ji, contraparte do Jae na terra Cinco comum).
Sinopse: Basicamente, a reviravolta do plano de filha perfeita. Da garotinha doce, pra maior vadia da escola.
Avisos: Nenhum que eu saiba.