Um dia
Fue um instante, quase fantasioso, cheio de verdades, dores e uma ou outra carícia que cortava sua alma como um cardume de facas afiadas.
A manhã passou e o sol apenas permanecia; a incerteza e a clareza se difuminaban em uma confusão de pensamentos. Ouviam-se vozes, mas elas soavam como uma revelação da vida.
Ela precisava disso, embora sua alma doesse. Inevitavelmente, injetava-se de nostalgia e dor, como um vício incontrolável de cianeto.
A calma surgiu no meio de um suspiro, de um gemido e de um “eu te amo”; apenas de um, porque dois a matariam.
Covarde, ela não perde o hábito de se entregar e pagar por isso, não perde o hábito de se rejeitar e permitir-se novamente.
Suas lágrimas não cessam, mas o oceano está escasso. Já não se emociona com essa eventualidade; seus olhos não servem mais que de uma tela sem arte: branca, opaca e vazia.
Não se perdoa, não se aceita e tampouco se controla. Está cansada: ela, seus olhos e seu coração.
Não sabe como tocar sua solidão e lamber sua alma, ela não nada mais. Apenas se exercita de vez em quando, finge que se alimenta bem e vai pela vida com um gesto confuso no rosto.
Ela o ouve, o sente e o detesta. Você já a conhece; ela é uma náufraga da teimosia. Não aprende, embora sempre escuta, escuta, lê e sente.
Ela vive, é afortunada, mas imensamente ingrata.
(16/08/2024)
















