Provavelmente fui mais feliz naqueles poucos anos — fingindo ser outra pessoa — do que jamais fui antes ou depois. Não consigo decidir o que isso significa.
Mas aquilo tinha de terminar, porque não era real, não era eu. Não era eu, Nick! Achei que você soubesse. Achei que fosse uma brincadeira. Achei que fosse um jogo implícito de piscadelas, de não pergunte, não diga. Tentei muito ser relaxada. Mas era insustentável. E na verdade ele também acabou não conseguindo sustentar o lado dele: as provocações inteligentes, os jogos espertos, o romance, o galanteio. Tudo começou a implodir. Odiei Nick por ficar surpreso quando me tornei eu. Odiei-o por não saber que aquilo tinha de terminar, por realmente acreditar que havia se casado com essa criatura, esse fruto da imaginação de um milhão de homens masturbadores, com dedos cobertos de sêmen. Ele realmente pareceu chocado quando pedi que me escutasse. Não conseguiu acreditar que eu não adorava depilar minha boceta com cera e pagar boquete quando solicitado. Que eu me importava, sim, quando ele não aparecia para os drinques com meus amigos. Aquela grotesca anotação em diário? Eu não preciso de patéticas cenas de macacos amestrados para repetir para minhas amigas; fico satisfeita deixando que ele seja ele mesmo.
Aquilo era pura baboseira de Garota Legal burra. Que estúpida do caralho. Mais uma vez, não entendo: se você deixa um homem desmarcar compromissos ou se recusar a fazer coisas para você, você perde. Não consegue o que quer. É evidente. Sim, ele pode ficar feliz, pode dizer que você é a garota mais legal que já existiu, mas está dizendo isso porque conseguiu o que ele queria. Está chamando você de Garota Legal para enganar você! É o que os homens fazem: tentam dar a impressão de que você é a Garota Legal para que faça as vontades deles.
Entregar-me a Nick, me sentir segura com Nick, ser feliz com Nick me fez perceber que havia uma Amy Real ali dentro, e ela era muito melhor, mais interessante, complexa e desafiadora do que a Amy Legal. Mesmo assim, Nick queria a Amy Legal. Você consegue imaginar, finalmente revelar seu verdadeiro eu ao seu cônjuge, à sua alma gêmea, e ele não gostar de você? E foi assim que o ódio começou. Pensei muito nisso, e foi quando começou, acho.