I don't wanna think about you
seu nome é como uma armadilha, escondida em algum canto prestes a surpreender meus ouvidos e acabar com a noite. nem meus amigos conseguiram me blindar e a sequência de sons escapou da boca como um feitiço. nos últimos meses apurei meus dons de atuação, cada vez melhor em fingir que você não dói aqui dentro enquanto estou sob os olhos alheios. leio mentalmente o script, recito as frases com firmeza e logo depois me esgueiro pelos corredores até o espelho mais próximo. me convenço que ninguém viu a lágrima escapar por entre meus cílios pintados, colorindo o trajeto ao longo da maçã do meu rosto. sua imagem tirou meus sorrisos reais e agora, com essas aparições intrusivas, tira também os falsos. entre olhares e risos lembro das promessas. entre toques e músicas revejo nossos planos. entretanto, o pior disso tudo é saber que você não precisa fingir e ocultar lágrimas, que não precisa correr, não precisa sorrir para não chorar ou fingir que não sente minha falta.
me entrego a atuação e me faço como quem superou, como quem não quer mais, dando risada quando os olhos mais curiosos esperam que eu chore. porque se eu não rir, eu choro.
[but if I don't laugh I'm gonna cry, cry]














