C A L A D A N pode ser traduzido como aquele que nasceu para a eternidade.
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C A L A D A N pode ser traduzido como aquele que nasceu para a eternidade.
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I can't let go of your heart: Hua Choi & Theo Yang
Aviso de conteúdo sensível: love bombing, choro, traição, uma ou duas menções de relações sexuais e amassos e luto de término. Mas claro, tudo muito cômico e algumas coisas podem e devem mudar no futuro. Favor não tumultuarem o post.
Depois.
Será que se ela, de repente, passasse pela sala correndo com aquela tesoura na mão, ia conseguir tempo suficiente pra se trancar no banheiro social? Se ela tivesse sorte de tropeçar e não cair e acabar se perfurando no processo, por causa da visão borrada pelas lágrimas que derramou o fim de semana todo, ela bem que conseguiria, certo? Ela só precisava chegar no último degrau da escada, bem devagar e sem alertar seus pais sentados no sofá e de costas pra ela…
— Hua Choi, você NÃO VAI cortar seu cabelo por causa de um garoto! Você tá doida?
E não ter uma mãe vidente e senciente em casa, claro. Se não tivesse, certeza que ia conseguir cortar mais sua franja e poder descontar em seu cabelo toda a tristeza que ela sente no peito.
Mas não ia ser hoje.
Antes.
Ela se lembra bem do convite animado que recebeu de Alice e Andrômeda Moreau para comparecer no sweet sixteen das duas em uma festa belíssima num castelo antigo nos arredores de Mônaco, e se lembra também de ter respondido super alegre que adoraria vestir um vestido bonito e exibir seu piercing novo e estaria lá na companhia dos irmãos e melhor amiga. Ela tinha se preparado por meses, feito os presentes ela mesma, e chegado naquele lugar com toda confiança que lhe cabia, até perder toda a euforia e achar tudo opressor demais.
Não era pelos convidados, porque todos lhe trataram muito bem até ela seguir caminho pra varanda e se esconder de todo mundo, e definitivamente não foi pelo ambiente, porque ela adorou aquele sentimento de estar em um sonho cheio de velas e docinhos confeitados e fadinhas elogiando Deus e o mundo e achando seu piercing na boca a coisa mais legal do mundo. Aquilo vinha de dentro, e a deixou tão ansiosa que mesmo lá fora e cercada de ar por toda parte, se sentiu sufocada e prestes a cair dura no chão sem nada de oxigênio em seu corpo.
Não ia fazer Mulan ficar plantada ao seu lado introduzindo todas aquelas pessoas, porque sabia que sua irmã mais velha tinha mais o que fazer com os amigos, o que se aplicava a Marie também e o tempo que a mesma queria passar com um dos padrinhos e ser mimada pela sua rodinha monegasca/francesa antes do verão europeu. A ela restava um bico desse tamanho e pensamentos de encorajamento que nem chegavam em seu cérebro, que dirá seu coração acelerado, sentada naquele lugarzinho esquecido por todos.
O que não era bem o caso de Theo Yang, que estava se sentindo corajoso até demais com a língua dentro da boca de Alice Moreau, depois de dizer que o presente dela consistia em ela sentar em seu colo e deixar ele encher a mão em sua bunda, no primeiro quarto desocupado que tinham achado pela frente. Tinha sido longo, tinha sido ótimo, deixou os dois borrados de batom até o momento que tiveram que descer e voltar pra festa. E ele até podia aquietar o rabo e se contentar em analisar todas as saias médias e curtas que passavam por ele naquele salão, enquanto tomava o lugar ao lado de Oli e o ouvia tagarelar sem parar com Andrômeda sobre assuntos que só os dois entendiam, consciente que ia ser deselegante da parte dele terminar de passar o rodo naquela festa, até ver um pontinho azul pastel na varanda.
Daquela distância, ele achava que conhecia aquela garota, talvez das idas e vindas na casa de sua tia Harumi na Ásia ou então de outros aniversários que ele mesmo frequentou nos últimos dezesseis anos, mas principalmente por todas as vezes que já ouviu seu primo falar sobre ela com seus irmãos. As mesmas vezes que Theo esteve totalmente desinteressado e ainda tirando com a cara de Seo sobre o quão brega era ele ter crush na irmã de uma de suas amigas, mas só até ele perceber que podia muito bem se aproximar de Hua Choi e contar aquele segredo pra ela.
Como quem não queria nada, um passo de cada vez, as mãos penduradas nos bolsos da calça social na postura mais relaxada possível, porque ele não queria mesmo nada sério com aquilo. Ia dizer pra ela que Seo tinha passado uns cinco feriados em família sem calar a boca, então esperar pra ver no que dava, antes de sumir de fininho e criar todo um cenário pros pais sobre como ele JAMAIS seria capaz de uma vigarice dessas.
Mas isso foi antes, antes dele descobrir que… Ela até que era bonita. Eu meio que entendo você, agora.
— Legal sua tatuagem de dragão no pulso. Posso ver mais de perto?
Ele não esperava Choi congelando do nada, e muito menos a maneira robótica que a garota mais baixa ergueu o braço na direção dele, como se estivesse recebendo uma ordem, mas já que estavam ali, tomou o cuidado de tomar a mão dela na sua, analisando o desenho se movendo pelo braço dela de forma fluida. Quase desesperada.
— Não parece uma tatuagem…
— É porque não é. Tá mais pra uma marca de nascença, da minha mãe… Na verdade, minha mãe passou ela pra mim e meus irmãos. Porque é assim que marcas de nascença funcionam… — Pelo amor de Deus, por que ela não consegue calar a porra da boca? Do jeito que seu dragão se move, Mulan e Yeong e qualquer cidadão de Lijiang por perto saberia que ela estava prestes a ter um derrame, e nem era pelo garoto super alto e super bonito segurando seu braço, mas sim a situação. Ela vai desmaiar se precisar ficar ali mais um minuto. — Eu… Eu…
— Parece estar precisando de espaço e companhia. — E ele podia muito bem ir lá dentro e chamar um parente dela, qualquer pessoa que a conhecesse de verdade e soubesse lidar com aquilo, mas uma vozinha em sua cabeça diz que ele é a pessoa perfeita pra isso. E é claro que ele acredita. — Sorte sua que eu te encontrei antes. Vou cuidar de você.
Hua não sabe como falar com Theo Yang, fez ela voltar a respirar devagar e até pensar em qualquer coisa além de seu coração acelerado, mas tudo fica tão bem que sua tatuagem de dragão no pulso some, e as únicas visíveis são as que ela já tem. E Theo não sabe como conversar e acalmar Hua Choi o deixou entretido até a festa acabar, mas fica feliz quando ela diz que ele foi gentil e amável e descobre que ama o sotaque dela quando ela fala francês, mas principalmente inglês, enquanto olha pra ele com aqueles olhos enormes e lindos.
Eles não sabem de muita coisa, mas quando Hua passa pela porta de casa e abraça sua mãe antes de ir pra cama, Mei Choi sabe de tudo, e principalmente que não pode interferir.
— Tem uma tempestade vindo por aí, Han.
Sempre que passa pela ilha pra dar um oi e atormentar Akali até ter a prima o ameaçando de morte enquanto lhe aponta dedos olhando pra cima, Theo pensa que é o dia pra contar aquele segredo para Hua Choi e ver no que dá, mas só até colocar os olhos nela na casa do lado e descobrir que ela fica mais bonita a cada fim de semana.
E que ele se sente mais atraído por ela a cada bom dia também.
— Gosto do seu estilo de menina soft com piercing e tatuagem, sabia? As meninas na Europa não são tão legais. — Comenta com ela certa vez, demorando muito os olhos no tamanho de sua saia plissada e cheia de margaridas, num contraste perfeito com as joias que ela exibe na orelha e o anel que atravessa seu lábio inferior. — E nem tão interessantes também.
Ah, Hua adora ser elogiada, mas ainda mais quando vem depois dela ter aberto a boca por mais de uma hora pra falar de como ela aprendeu a tocar harpa sozinha, está aprendendo seu quinto idioma e passou a manhã toda montando um look pra chamar a atenção de Yang, porque ela sabia que sábado era dia de visitas e tinha passado a semana toda esperando pra ver ele espreitando sua casa de novo. Essa última parte, ela não o deixa saber, mas só porque tem outras prioridades e precisa ter certeza que vão ser bem sucedidas sem ele pensar que ela é uma maluca.
— E no que você acha que eu sou melhor que as outras meninas? — Que Fei Long não permita que seus pais assistam da janela da sala ela ficando vermelha e ansiosa depois de soltar uma pataquada daquelas, mas mais uma vez, tem certeza que qualquer pessoa em Lijiang sabe que agora, ela vai ter um derrame.
Depois que Theo a puxa pela cintura e a beija, um derrame parece pouco pra quantidade de coisas acontecendo em seu corpo por dentro, e não fica melhor depois.
— Você beija melhor que as outras meninas, também.
Fica perfeito.
Na medida do possível.
Fica perfeito porque eles se falam por cartas todos os dias e é sempre ele que escreve primeiro. Fica perfeito porque ele sempre a presenteia com doces, flores e coisas fofas e simples dizendo que fizeram ele lembrar dela. Fica perfeito porque ele sempre aparece nos fins de semana com a desculpa que precisa sequestrar ela por umas horas, e que eles precisam de um tempo além dos amigos e de todo o resto. E fica perfeito porque se sente perfeito, até quando não parece tão perfeito assim.
— Como assim ele some agora durante a semana? Achei que vocês se falavam todos os dias… Tipo… Vocês não deviam se falar todos os dias? — Marie pode não ter herdado todos os neurônios da mãe, mas aquela conversa a faz se sentir quase ofendida, projetando um bico de todo tamanho ao ouvir Hua dizendo que Theo tinha lhe dado um perdido, mesmo sem dizer perdido. — Porque se vocês não estão se falando sempre… Quando é que ele te procura?
De madrugada, quase sempre, e quando ninguém escuta mais porque estão todos dormindo. Hua pensa muitos pensamentos agora, porque acha que não quer revelar pra Marie só porque Kim é muito jovem, e não porque ela, Hua Choi, anda dando na calada da noite pra um garoto que tem coragem de chamá-la de namorada mas nunca se comporta como um namorado propriamente dito. Hua pensa muitos, mas muitos pensamentos mesmo sobre como eles nunca falam desse relacionamento, porque sempre que ela tenta externalizar suas dúvidas, Theo a distrai tirando a roupa e depois descendo a boca até a calcinha dela.
Então ela não sabe como responder aquela pergunta, e nem como está se sentindo sem toda aquela atenção que tinha só pra si e agora não resta mais nada. Ela só sabe concordar e encolher os ombros, antes de enfiar um chocolate na boca e voltar toda sua atenção pra qualquer coisa que a deixa minimamente feliz.
Completa. Pra ofuscar aquele vazio horroroso e incômodo.
— O que você acha de procurar ninhos de tartaruga na praia amanhã? Eu quero ter certeza que nessa temporada, todos os bebês vão conseguir ir pra água.
Na ilha do lado, essa mesma conversa passa pela cabeça de Theo e ele meio que lembra que tinha marcado de ver Hua naquela noite, mas está tão ocupado beijando Kylo Chan até ela derreter em seus braços, que só tem tempo de fazer uma nota mental antes de perder o foco de seus pensamentos de novo.
Amanhã ele vai mandar peônias e balas de gelatina, porque hoje, ele quer aquela garota gemendo o nome dele sem dó.
Ela torce pras meninas francesas que a encontram no caminho, não estejam mentindo quando a elogiam e olham pra ela de cima a baixo com doçura, porque Hua vai ficar arrasada se descobrir que vestido cor-de-rosa com babadinhos e uma fita no cabelo, não tem nada a ver com coturnos e aquela cesta de piquenique tradicional. Seu intuito enquanto anda pelos corredores de Beauxbatons e cruza com um monte de familiares e amigos em visita no sábado, é só desviar de todas essas pessoas e chegar o mais rápido possível no seu único objetivo: surpreender Theo e dizer que ela entende que talvez ele tenha se cansado de ser o único fazendo coisas por ela (mesmo que ela sempre tenha feito por ele também, às vezes até mais do que ele, que só se prestava ao mínimo) e que ela quer um momento com ele.
Sem sexo. Nem amassos intensos. Muito menos qualquer putaria atravessada, e nem é por ela estar menstruada, coisa que não era o caso. Ela só quer comer bolo de matcha e ficar de mãos dadas, hoje.
— Não é mentira, rosa cai mesmo bem em você. — Andrômeda Moreau diz assim que coloca os olhos em Hua, como se estivesse lendo seus pensamentos ou vendo de alguma forma o passado, oferecendo um sorriso bonito para Choi. — Mas acho que é a sua aura alegre. O que trás você aqui?
Oli, que estava só distraidamente segurando a cintura da amiga e prestando atenção no movimento do corredor, fica curioso pra resposta que Hua vai dar, mas só até também colocar os olhos nela e descobrir sem ela precisar nem ao menos dizer.
Aquilo ia ser ruim. Aquilo ia ser péssimo.
— O Theo est-
— Ocupado.
Se ele for mais frio e incisivo que aquilo, tem medo de parecer malvado e atrair para si um problema que não é seu, então escolhe melhor as palavras quando se volta para Hua, segurando Andi com mais força.
— Se eu fosse você, não iria atrás dele.
Porque ele acha que o irmão não merece, e nem que a própria Hua merece, mas por motivos totalmente opostos e que Oli não sente que está pronto pra debater em plena luz do dia e com tantas pessoas em volta, então, quando Choi o ignora com um beicinho e segue seu caminho pro dormitório, não tem mais nada que ele possa fazer por ela.
Algumas coisas precisam ser sentidas, ele acredita com todas as suas forças, e aquilo não é algo que ele pode evitar pro bem de ninguém. É só uma pena que as coisas precisem acontecer dessa forma.
Hua não precisa chegar até a porta pra saber que Theo não está sozinho, e nem precisa que a mesma esteja aberta pra saber o que ele está fazendo lá com outra garota. Hua escuta como as peles deles se tocam, como a outra garota gosta de ser fundida com o corpo dele e como ele mesmo gosta do jeito que a buceta dela o engole. Ela consegue ouvir tudo umas duas portas de distância, alto e claro, e é tão constrangedor que ela acha que vai vomitar na primeira lixeira que achar pelo caminho depois de começar a correr rápido e sem rumo pra bem longe dali.
— Você vivia ocupado… — Alice o provoca, alheia a tudo que acontece do lado de fora daquele quarto quente, sentindo as pernas sendo presas ao redor da cintura de Yang pelas mãos dele. — Por que tem tempo agora?
Ele pode dizer que estava enrolado com uma garota, mas que não está mais, e que só se enrolou com ela porque queria causar discórdia com seu primo contando um segredo dele pra essa tal garota, mas então ia ter que dizer também que acabou gostando daquela dinâmica e se sentiu na obrigação de comer alguém que Seo queria ter pra si. Ele pode contar tudo para Alice Moreau, e esperar que ela conte pra Beauxbatons inteira até chegar em sua mãe numa aula qualquer dia desses, então prefere a versão que faz ele dormir a noite.
E não se sentir nem um pouco culpado pelas decisões que tomou até chegar ali.
— Eu achei que queria uma coisa, mas perdeu a graça depois que eu conquistei. — Yang suspira de alívio ao sentir o calor da garota o envolvendo de novo, como se tivessem ficado uma eternidade sem aquilo. — Não era pra mim. Já você…
Algumas coisas precisam mesmo ser sentidas, mas MeiMei prometeu pra si mesma que nem um de seus filhos ia sentir elas sozinhos.
Fosse as dores da vida ou as decisões idiotas que eles com certeza iam se arrepender depois.
— Viu como é melhor quando outra pessoa faz por você? Não corre risco de ficar torto. — Mei diz com carinho, cortando mecha por mecha do cabelo de Hua, porque não acredita mesmo que sua filha do meio vai ficar feia por causa de um corte de cabelo na altura dos ombros, não enquanto ela tiver o controle da tesoura enquanto a mais jovem chora inconsolavelmente de novo. — Cabelo cresce.
E corações voltam com seus caquinhos pro lugar. Uma hora aquela tempestade ia passar, e talvez até voltasse a fazer sol depois.