Incidente de Kofu, o maior clássico da Ufologia Japonesa: Contato imediato do terceiro grau de dois meninos com humanoides de orelhas pontudas em um vinhedo na província de Yamanashi
Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga
O Incidente de Kofu ocorreu próximo ao Conjunto Habitacional Hinode (Hinode Housing Estate) em Kaminachi, Kofu (daí o nome), capital da província de Yamanashi.
No início da noite de 23 de fevereiro de 1975, por volta das 19 horas, Masato Kawano e Katsuhiro Yamahata (ambos com 7 anos) estavam voltando para casa da escola primária Yamashiro Elementary School, onde estudavam, quando notaram no céu um par de OVNIs brilhantes de cor laranja,
Os meninos ficaram fascinados e olharam com admiração quando o maior dos dois objetos se partiu e voou em direção ao Monte Otago. O menor, que emitia um estranho som de estalo ou “tiquetaque”, desceu lenta e suavemente até o solo, pousando em um vinhedo.
Os meninos entraram em pânico e correram para um templo xintoísta próximo, escondendo-se atrás das lápides do cemitério.
Quando sentiram que o perigo já havia passado, os meninos saíram de seu esconderijo e continuaram seu caminho para casa. No caminho, eles passaram por um vinhedo e de repente viram que havia algo brilhando entre os muitos suportes de concreto fincados no chão para sustentar as videiras. Parecia que uma grande fogueira havia sido acesa ali.
Os meninos foram nessa direção e logo chegaram ao lugar onde havia um disco abobadado e prateado pousado no solo. O disco tinha cerca de 1, 70 metros de altura, 5 metros de diâmetro, caracteres estranhos gravados na superfície metálica de seu casco, e estava empoleirado em três pernas em forma de bola.
O local de pouso do OVNI no vinhedo em foto tirada logo após o incidente.
Enquanto Kawano e Yamahata inspecionavam a nave, uma escotilha se abriu e uma escada se estendeu até o chão. Os meninos ficaram pasmos ao ver um humanoide com presas e orelhas pontudas desembarcar da nave.
O ufonauta vestia um uniforme prateado brilhante ou refletivo, media cerca de 1,30 m de altura (quase a mesma altura dos meninos), tinha braços longos, quatro dedos nas mãos, pele marrom escura mesclada com traços cinza coberta de rugas tão densas que obscureciam quaisquer características visíveis, e duas orelhas enormes, longas, lisas e pontudas. Não tinha pelos, olhos, nariz e boca, apenas algo semelhante a três grandes dentes ou presas prateadas afiadas que mediam cerca de 7 cm. Seus sapatos tinham uma forma tão estranha, que era como se a criatura tivesse apenas dois dedos nos pés. Nos ombros, carregava algo parecido com um rifle reluzente.
Os desenhos dos meninos Masato Kawano e Katsuhiro Yamahata retratando o disco voador e os estranhos humanoides.
O estranho humanoide com presas inicialmente parecia alheio à dupla encantada que olhava para eles. Então ele tentou falar com os meninos. Um deles disse que os sons soavam "como um gravador rodando para trás" ou como se alguém estivesse repetindo a palavra "Cue Cue".
Quando a criatura se virou para Yamahata e colocou uma de suas mãos em seu ombro, dando duas palmadinhas nele e murmurando, ele ficou tão assustado que caiu no chão, fingindo-se de morto. Segundo o amigo, foi por medo.
Depois disso, a criatura andou ao redor dele, como se estudasse o menino e estivesse pensando o que fazer com ele, ao que Kawano, em ação heroica, puxou seu amigo para cima de seus ombros e o arrastou para fora do vinhedo.
Enquanto estavam fugindo, eles olharam para trás e conseguiram perceber que um segundo alienígena estava visível na escotilha da nave, sentado na frente de alguns controles e um aparelho tipo TV.
Os meninos ficaram tão interessados nisso que decidiram voltar para tentar ver mais de perto o que havia dentro desse disco. Eles se aproximaram, mas o segundo humanoide imediatamente virou a cabeça na direção deles e eles fugiram novamente, desta vez sem retornar. Pelo menos haviam conseguido discernir que o interior do disco era bastante apertado e tinha vários painéis de controle.
Neste desenho, os meninos retrataram o segundo humanoide que permaneceu sentado dentro da nave manejando os controles.
Ambos correram para a casa de Kawano e começaram a explicar emocionalmente aos pais dele o que tinham visto no vinhedo. E mais tarde contaram o mesmo aos pais de Yamahata.
As mães dos meninos decidiram ir com eles até o vinhedo e conferir o que havia lá. Quando chegaram, o disco ainda estava lá, mas desta vez girava e piscava luzes brilhantes em intervalos de 5 a 10 segundos. Uma das mães comparou essas luzes a fogos de artifício. A mãe de Yamahata tentou se aproximar, mas os meninos protestaram desesperadamente e até tentaram impedi-la de se mover em direção ao objeto. As mães voltaram para casa e decidiram convidar os pais dos meninos para irem lá também.
Quando os homens chegaram à vinha, o disco tinha acabado de decolar, de modo que ainda era visível no céu, e eles ficaram parados por um tempo observando o objeto estranho se tornar cada vez menor até desaparecer completamente nas nuvens.
Para não assustar as crianças, os pais dos meninos decidiram dizer-lhes que aquilo que tinham visto era o que no Japão se chama hitodama, que pode ser traduzido como "almas humanas", ou mais precisamente, "almas dos mortos". Segundo a mitologia, os hitodamas se manifestam na forma de bolas de fogo voadoras no céu noturno.
Apesar dessa explicação, os meninos ainda estavam profundamente preocupados com esse evento. Kawano não conseguiu dormir naquela noite, e Yamahata se recusou a ir à escola na manhã seguinte, e só mudou de ideia porque a sua mãe concordou em acompanhá-lo até lá.
No dia seguinte, 24 de fevereiro de 1975, quando Yamahato e Kawano chegaram à escola, ficaram muito surpresos ao ver um desenho no quadro-negro representando exatamente o mesmo disco que tinham visto na noite anterior. Eles descobriram que o desenho havia feito hoje por um outro colega deles, Ichiro Minegishi, de 8 anos, que também havia testemunhado o OVNI!
Ichiro Minegishi, de 8 anos, desenhando na lousa o disco voador que viu voando em torno do Conjunto Habitacional Hinode, perto de Kofu Bypass, e que era idêntico àquele que tinha sido visto pelos seus dois colegas.
Ichiro afirmou que viu uma luz laranja brilhante no céu na estrada de desvio de Kofu enquanto andava no banco de trás do carro de sua família. Esta observação ocorreu 30 minutos antes do contato imediato de Yamahata e Kawano.
Os três meninos contaram sobre o que tinham visto à professora, que inicialmente rejeitou a história como uma ficção absurda, mas quando ela viu os rostos completamente sérios e assustados dos meninos, considerou que eles não estavam mentindo e que de fato tinham visto algo incomum. Então contou a história ao diretor da escola, que entrou em contato com o jornal Yamanashi Nichinichi Shimbun. Depois disso, a professora, o diretor da escola e vários jornalistas foram ao vinhedo para ver se havia mais alguma coisa ali.
Na vinha, eles encontraram vários indícios de que algo realmente estranho havia acontecido por lá. A primeira coisa que eles notaram foi que uma pilastra ou suporte de concreto havia desmoronado completamente. E a malha de aço no suporte estava deformada como se um objeto muito pesado tivesse se apoiado sobre ela. Duas outras colunas de concreto também estavam danificadas.
Uma das pilastras de concreto arrancadas pelo OVNI.
No local onde a nave pousou, havia marcas circulares com um diâmetro de 5 metros e vários buracos com cerca de 50 centímetros de profundidade e cinzas purulentas no centro.
Um professor do ensino médio colheu amostras de solo para testes, que indicaram níveis anormalmente altos de radiação.
Os testes indicaram altos níveis de radiação no local do pouso.
Mais tarde, outros professores e especialistas confirmaram suas conclusões e determinaram que a radiação provavelmente veio de um objeto estranho em contato com o solo, que tanto poderia ser um OVNI, um meteorito ou alguma substância radioativa lançada ali.
O professor que fez o teste inicial foi Susumu Maeda, especialista em radiologia. Depois que o jornal local publicou a história, os jornalistas e a Polícia entrevistaram outras pessoas na área, e algumas delas confirmaram que também tinham visto algo estranho no céu naquele dia.
Um homem a quem a imprensa se referia simplesmente como "Sr. A.", e que era o gerente do Centro Ambiental Urbano de Kofu, relatou que viu uma luz amarela bruxuleante no céu. Ele só percebeu o OVNI porque seu cachorro estava latindo alto e continuamente, o que o fez olhar para o céu, ao que viu um raio de luz amarela se movendo e deixando um rastro antes de desaparecer atrás de alguns prédios. O Sr. A., no entanto, o classificou como uma estrela cadente.
Outra testemunha ocular foi um sacerdote de 59 anos do Templo Jokoji. Ele viu uma luz brilhante que fazia zigue-zague no céu antes de diminuir de tamanho e desaparecer.
Uma garota de idade desconhecida, que foi nomeada simplesmente como "Di-chan", viu da varanda de sua casa uma luz em zigue-zague.
Houve outra testemunha tardia, uma corretora de seguros chamada Midori, que só relatou suas observações em 1982. A razão pela qual ela ficou em silêncio foi porque estava com medo de ser ridicularizada, e a razão pela qual ela resolveu finalmente contar sobre isso foi porque muitas pessoas a encorajaram a fazê-lo.
Midori contou que estava dirigindo pela estrada, onde viu figuras suspeitamente pequenas de pé na beira da estrada. Ela buzinou duas vezes, mas elas não se moveram, então ela continuou seu caminho dirigindo devagar, e quando ela estava prestes a passar por elas, uma delas veio até seu carro e colocou sua mão sobre o para-brisa. Midori descreveu tanto o pulso como a palma da criatura como sendo preta e coberta de rugas. As pálpebras dos olhos das criaturas também eram enrugadas.
Diferente das criaturas descritas por Kawano e Yamahata, a de Midori tinha olhos e nariz. Midori ficou chocada com o que viu e correu para fugir de lá o mais rápido possível.
Os meninos foram interrogados em profundidade por seus pais, seu professor Kaneko, bem como pelo notável investigador de OVNIs Masaru Mori. Suas histórias permaneceram perturbadoramente consistentes.
Nesse dia 23 de fevereiro de 1975, conforme informou o Serviço Meteorológico Japonês, o céu estava claro, sem nuvens, o que tornava as estrelas claramente visíveis. Os planetas Vênus e Júpiter eram visíveis a olho nu no céu ocidental.
O Ministério dos Transportes e o Departamento de Aviação Civil, informaram que 11 aviões sobrevoaram a área naquele dia e afirmaram que o OVNI não tinha sido nada mais do que as luzes de um avião YS-II. Segundo eles, esse avião a hélice costumava voar a uma altitude de mil metros sobre a região. Essas autoridades reservaram-se ao direito, no entanto, de não comentar como essa aeronave convencional poderia ter pousado em uma plantação de uvas, assumido a forma de um disco prateado e liberado humanoides de orelhas pontudas e presas.
Céticos sugeriram que o humanoide visto pelos meninos teria sido simplesmente um fazendeiro comum que pulverizava a plantação de uvas com pesticidas. Os agricultores japoneses costumam usar um traje de proteção especial, incluindo materiais brilhantes, e uma máscara protetora durante esse trabalho. E o balão com agrotóxicos pendurado nos ombros poderia ter parecido um rifle na visão dos meninos.
Essas tentativas de explicação, no entanto, não levaram em conta as evidências físicas deixadas no local, como o suporte de concreto colapsado, uma rede deformada, outros dois suportes de concreto danificados e um alto nível de radiação detectado no solo.
Em 1982, os dois meninos, já com 14 anos, revisitaram o local.
Os meninos Masato Kawano e Katsuhiro Yamahata no vinhedo onde se depararam com os humanoides.
Mais recentemente, os protagonistas, já na faixa dos 50 anos, foram encontrados e entrevistados por um programa de televisão, que aliás pude assistir, no que reafirmaram tudo o que já haviam dito e sustentaram a legitimidade de sua história.
Não há motivos para duvidar que os meninos contaram a verdade, ainda mais porque foram reforçados por outros testemunhos de adultos que viram o OVNI e constataram os traços físicos que ele deixou ao pousar.
O que compromete um tanto o caso são os detalhes do OVNI e dos humanoides que viram, pois apresentam enormes similaridades com aqueles presentes em seriados de ficção científica tokusatsus (séries live-action que fazem uso de efeitos especiais e costumam trazer monstros gigantes e invasores do espaço) da época.
O disco voador com cúpula que os meninos viram e desenharam, é aquele típico que qualquer criança desenharia se fosse instada a desenhar um disco voador, e eu mesmo costumava desenhar OVNIs desse feitio na infância em meus cadernos, já que eram assim que apareciam em muitos seriados e filmes. Já as três bolas na parte inferior, remetem ao disco voador do contatado George Adamski (1891-1965), cujas fotos circulavam intensamente na mídia.
O pesquisador cético Bintarou Yamaguchi, notou que o alienígena visto pelos meninos se aparece muito o Alien Hook (Fukku Seijin), que apareceu no episódio 47 ["Os Impostores" ("Anata wa dare?")] de Ultraseven, a aclamada série criada por Eiji Tsuburaya (1901-1970) como uma sequência de Ultraman (1966-67) e exibida pela TBS de 1º de outubro de 1967 a 8 de setembro de 1968.
No enredo de "Os Impostores", que foi escrito por Shozo Uehara e foi ao ar pela primeira vez em 25 de agosto de 1968, um modesto trabalhador volta para casa bêbado e lá não é reconhecido pela sua família nem pelos seus vizinhos de apartamento, que dizem simplesmente que não o conhecem. A Terrestrial Defense Force (TDF) descobre mais tarde que Alien Hook estava trocando os moradores originais durante a noite para transformar o complexo de apartamentos em uma área residencial alienígena.
Ora, o Incidente Kofu ocorreu próximo ao Conjunto Habitacional Hinode, o que pode ter levado os dois garotos a fantasiarem que o tal conjunto habitacional, como o do referido episódio, estaria sendo alvo de alguma intervenção alienígena. E por verossimilhança, descreveram o alienígena que viram como tendo uma aparência muito próxima a do Alien Hook...
















