"Cidadão Vigilante": o filme barato que Elon Musk transformou em fenômeno — e no espelho mais desconfortável do momento político ocidental
Feito por um único homem com US$ 2 milhões — o preço de um episódio de série de streaming —, Cidadão Vigilante deveria ter desaparecido sem deixar rastro, como tantas outras produções de baixo orçamento de Uwe Boll. Não desapareceu. Em poucos dias, tornou-se a compra digital mais popular na Apple TV e na Amazon Prime Video nos Estados Unidos, foi banido de exibição comercial na Alemanha sob acusação de incitar violência contra migrantes, e explodiu mundialmente depois que Elon Musk, sem aviso prévio ao próprio diretor, disponibilizou o filme inteiro de graça a seus 240 milhões de seguidores no X por 48 horas.
A crítica especializada — a pouca que se dispôs a assisti-lo — foi unânime em rejeitá-lo como "moralmente falido" e "espantosamente ruim". Nas redes, tornou-se manifesto. Nos bastidores, é o retorno arriscado de Armie Hammer, ator varrido de Hollywood em 2021 por acusações nunca provadas em tribunal, escolhido por Boll justamente por estar "cancelado e querer trabalhar".
Na tela, é a história de um empresário americano que, diante do colapso da confiança na Justiça europeia, decide punir com as próprias mãos os crimes que o sistema deixa impunes — um Batman sem capa, sem moral religiosa e, principalmente, sem os freios éticos que sempre separaram o herói do vigilante puro e simples. Entre elogios de Musk, Alex Jones e Milo Yiannopoulos e o silêncio ou desprezo da grande imprensa, Cidadão Vigilante tornou-se menos um filme e mais um teste de Rorschach político: cada lado vê nele exatamente o que já temia, ou já esperava, encontrar.
Feito por um único homem com US$ 2 milhões — o preço de um episódio de série de streaming —, Cidadão Vigilante deveria ter desaparecido sem














