Às vezes, um lugar parece ter sido inventado por alguém que ama histórias demais.
A Libreria Acqua Alta, em Veneza, é exatamente esse tipo de lugar.
Fundada em 2004 por Luigi Frizzo, ela ficou conhecida por uma ideia tão prática quanto poética: guardar livros em gôndolas, canoas e até banheiras para protegê-los da acqua alta, a maré alta que invade a cidade.
Gosto de pensar que existe algo muito bonito nisso. Livros que sobrevivem à água. Histórias empilhadas em barcos. Páginas antigas resistindo ao tempo, à umidade, ao caos e ainda assim continuando ali, esperando alguém encontrar uma frase, uma memória, uma porta de entrada.
A livraria também tem uma escadaria feita de livros descartados, uma gôndola cheia de exemplares e gatos circulando entre turistas, prateleiras e pilhas de papel.
É excêntrica, bagunçada, imperfeita e absolutamente encantadora.
Talvez seja por isso que eu goste tanto dela: porque parece lembrar que histórias não precisam estar em lugares perfeitos para continuarem vivas. Às vezes, elas só precisam de um canto improvável, um pouco de cuidado e alguém disposto a salvá-las.














