Hi have you thought about how Remi never had the chance to love Maria and Jasper in their original bodies and he only loved Aguiar and Jae's bodies because it was these two inside there and right after he could remember their true faces they died. And now he'll have to live with the memory of their faces while being aware he never could love them in their bodies. Because I thought of that and now I want to kill.
what a ride! Mariacentric video because I couldn't get it out of my head that they where so dead set on staying Jae partially because they where horibly dysphoric and also because of the expectation they recieved growing up afab.
anyways, hope u guys like it, I've been working on this ofr a while because I kinda lost motivation half way through lolzies
Jasper ama passar tempo com os namorados. Ama mesmo. Mas quando está ao lado de Remi e Maria, não consegue deixar de sentir que não se encaixa.
Contém: divergência do canon; maremier; polysangue geral em segundo plano; hurt/comfort; fluff; angst; poliamor; eles todos tão definindo o relacionamento ainda; Jasper traumatizado; Maria e Remi freaky; falta de comunicação; mal-entendidos; referências a abuso físico na infância canon; a bagunça que é Remaria; Juan ajuda; jusper em segundo plano; Juan é cego e a afinidade com Sangue o ajuda
Isso foi principalmente inspirado pela maravilha de @becauseplot no ao3 e várias conversas no discord
Jasper abre o saco de milho de pipoca. Juan insistiu para que comprassem para ele provar, e, agora, Jasper aproveita o que sobrou. Ao seu lado, Remi abre um dos armários e tira um copo e uma taça, erguendo uma sobrancelha para o parceiro. Jasper dá de ombros e responde:
-Qualquer um. Mas limpar taça é mais difícil, né, não? Melhor só o copo, mesmo.
-Vinho em copo normal? Que atrocidade... – comenta Maria da sala, e, mesmo sem olhar, Jasper sabe que Remi está revirando os olhos.
-Você que é fresco... – elu comenta, levando os copos para a sala.
O milho é ruidoso ao atingir o metal da panela. Jasper consegue ver pela porta Maria sentada em uma das muitas camas da casa para seis pessoas, com um computador no colo e escolhendo o filme em algum site pirata qualquer. Remi desaparece de seu campo de visão um segundo, e em seguida retorna com as mãos vazias e os copos já sobre a mesa. O músico se aproxima do namorade e afirma:
-Não tá frio.
-Talvez pra você... – Maria retruca, ainda sem erguer os olhos do laptop.
-Pra quê esse moletom?
-Nada, só queria usar.
Remi fecha a tela do computador e Maria bufa, olhando pra elu. Remi não parece ligar, e simplesmente coloca o laptop de lado.
O pequeno, mas maciço pedaço de manteiga cai sobre o milho. Remi se ajoelha sobre as pernas esticadas de Maria, e, reclinando-se sobre o corpo da parceira, aperta suas coxas.
-Tô achando que você tá esquecida daquilo que eu te falei.
-Não, não tô... – Maria murmura, mas está sorrindo de orelha a orelha.
Remi arranha a pele sob seus dedos e Maria arfa baixinho. O sal cai sobre o milho.
-Vai logo pôr uma coisa confortável, gostoso, ou eu te forço... – as palavras são quase imperceptíveis com a boca delu roçando no ombro dela, e em seguida cravando os dentes ali. O ato faz Maria rir.
A boca do fogão se acende.
-Tá bom, Remizinho... – elu concorda, ainda sorrindo. – Vou lá trocar de roupa.
-Boa, assim que eu gosto mesmo. – antes de se afastar para permitir que Maria se levante, Remi dá um tapa em sua bunda, e ela solta um risinho ao se erguer e andar até um dos quartos.
A manteiga chia contra o metal quente.
Jasper sente uma parte de si arrepiar ao mesmo tempo em que o laticínio derrete e se espalha. O tipo de arrepio de quando tem algo errado acontecendo.
Ele conhece a sensação, e sabe porque ela veio. Ele respira fundo e tenta não se concentrar nisso.
O assunto já lhe vem à mente mais do que o suficiente quando ele está sozinho. Não precisa o incomodar junto dos namorados também.
Ele gira a manivela da tampa e escuta cada grão de milho estourar em pipoca. Quando a panela ameaça transbordar, Jasper joga o conteúdo dentro de um balde e leva até a sala.
Maria ainda não voltou, mas Remi está sentado no sofá, esperando pelos dois. Quando o olhar dele repousa sobre Jasper, elu dá um leve sorriso e faz sinal com a mão para que o namorado venha.
Quando Jasper se põe ao lado do parceiro, a sensação familiar da mão calejada em suas costas lhe causa um arrepio. Mas não um bom. Não com aquele assunto em mente.
Mesmo assim, ele se inclina contra a pele de Remi, quase que por obrigação, ainda que queira se desvencilhar do toque. Jasper já se sentiu muito pior antes, ele aguenta esse arrepio.
Não leva mais do que alguns instantes para que Maria retorne, dessa vez com um pijama de short e alça. Ela se posiciona do outro lado de Jasper, para ficarem na posição de abraço costumeira com o mais jovem entre os dois, mas, antes que elu se sente, ele se arrasta para o lado, deixando espaço para que Maria fique no meio.
-Hm? – elu murmura, inclinando um pouco a cabeça para o lado. – Que foi?
-Fica no meio.
-Ué, porque? – dessa vez, quem indaga é Remi, que parece um pouco confuso.
-Sei que cês também gostam de ficar no meio, não precisa ser sempre eu.
Há uma ligeira troca de olhares entre seus namorades, mas Remi dá de ombros e Maria não hesita em se ajeitar entre os dois.
O tempo todo, Jasper sente a mão em seu quadril o puxando para mais perto. Não é com força, no entanto. Não, na verdade, as carícias delicadas são com o intuito de aproximá-lo cada vez mais do corpo do parceiro.
Jasper mal presta atenção em qualquer coisa pelo resto da noite. Só fala quando dirigem a palavra a ele e arranja desculpas para se ausentar constantemente, indo ao banheiro e bebendo água na cozinha repetidas vezes. Quando Lena, Tuco e Juan voltam tarde da noite, ele não escuta direito a conversa. Vai dormir mais cedo do que o esperado e insiste que Maria fique no meio dessa vez. Quando percebe que os parceiros dormiram, se desvencilha dos braços do enfermeiro e se isola no canto mais periférico da cama, de modo que periga cair ao menor movimento.
Uma pergunta martelou em sua cabeça por horas. Agora, no silêncio e escuro, ela é a única coisa que resta em sua mente.
O que tem de errado comigo?
Existem coisas nesse relacionamento que ele... não entende. Nenhum deles entende tudo por completo, na verdade, mas... bom, ele sabe que nem todos agem de forma igual uns com os outros, o que faz sentido. Ele não age da mesma maneira com Remi, Maria ou Juan, mesmo namorando os três.
Mas o modo como Maria e Remi agem um com o outro destoa quando se voltam para ele. Muito.
Jasper não é cego. Ele consegue ver os tapas discretos, as mordidas, os arranhões, até os ocasionais socos e chutes. Vê o modo que ambos o fazem com satisfação, quase prazer, vê como os sorrisos surgem mesmo nas raras vezes em que os lábios se mancham de sangue. Vê o brilho no olhar pelos golpes trocados e a dor compartilhada. Pelo amor de Deus, Lena o contou que, no Hexatombe, quando estavam naquela caverna, Remi batera a cabeça de Maria contra a parede!
A violência é uma parte fundamental do relacionamento deles. Isso não preocupa Jasper, nunca preocupou, pois é possível ver o quanto ambos amam aquilo. Ele também não é ciumento.
Só quer entender porque não fazem aquilo com ele também.
Ele... não necessariamente quer fazer parte daquilo. Não quer ser machucado, não quer sentir a dor se espalhando em seu corpo por causa de seu amor.
Mas, desde que nasceu, ele sabe que amar dói.
Jasper sentiu o amor doer a cada vez que tentou defender Elisa de seus pais, o sentiu doer quando sua irmã passou a odiá-lo, o sentiu doer a cada missão ao lado de seu melhor amigo. É algo que faz sentido, sentir algo tão bom assim por alguém tem que vir com uma consequência. Tem que vir com algo doloroso.
Tá tudo bem, ele aguenta. A dor nunca superou o amor que sentia. Ele odeia, mas consegue aguentar pelo amor. Se para amar Remi e Maria precisa doer, então ele aceita.
Mas não dói.
Nenhum dos outros amores por seu time dói, mas esse é diferente. Ele vê o que acontece entre eles. Deveria doer.
Ao invés disso, ele sente mãos carinhosas passando por seu corpo com um cuidado reservado a objetos de porcelana. Ele sente beijos gentis a cada centímetro de sua pele, cobrindo-o como pétalas. Ele sente abraços apegados e apaixonados, mas nunca apertados, fazendo esforço para encaixarem-se perfeitamente em seu corpo, para não deixarem qualquer traço de marca sobre ele.
É tão bom.
E é errado.
É errado que ele instintivamente se aproxime de cada toque por saber que eles serão gentis. É errado que ele confie naquelas bocas que tracejam seu corpo sem qualquer medo. É errado que ele afunde nesses abraços por adorar a sensação de estar seguro ali.
Amar dói. Remi e Maria nunca fizeram nada doer.
O que tem de errado com ele?
Jasper não é bom o suficiente? Isso significa que tudo o que têm é só temporário? Eles não o amam tanto quanto ele os ama? Ele não merece o que eles mantêm apenas um para o outro?
Ele quer ser bom o suficiente, quer ser amado, quer ser merecedor de cada emoção deles. Jasper tem medo da dor, claro, mas ele tem ainda mais medo de não ser amado. Então, se for para doer, que seja.
Só gostaria que fosse rápido. Talvez a ideia da dor seja pior do que a dor em si. A expectativa, o medo, o questionamento não só de “como”, mas de “quando”. As imaginações intermináveis sobre o que vai fazer os dois finalmente o machucarem.
Ele não quer que aconteça, mas prefere que venha logo para que essa ansiedade acabe de uma vez. Quer ter certeza de que não é um intruso nesse relacionamento, que não é diferente ali.
Se isso não vai vir logo, talvez Jasper precise fazer acontecer. Ele odeia essa ideia, mas é melhor do que a perspectiva desse limbo eterno.
Ele vai provar que merece a dor. Que é bom o suficiente pra ser amado a ponto de doer. Que vai aceitar o que eles quiserem fazer com ele porque os ama.
Talvez ele consiga se convencer de que gosta da dor, afinal.
–
Juan é cego, mas não precisa de olhos funcionais para perceber algo estranho acontecendo com Jasper.
Não em relação a eles dois especificamente, ele e Jasper estão ótimos. É com duas pessoas em específico que ele sente uma coisa esquisita.
Jasper parece... evitar Remi e Maria. Não de um jeito óbvio, mas é como se o homem sempre arranjasse motivos pra ficar fora de casa quando os dois estariam lá, e vem tendo cada vez menos compromissos envolvendo algum deles ou ambos ao mesmo tempo. Isso é estranho, pois o mais novo ama passar tempo com cada um ali e sempre quer fazê-lo o máximo que consegue.
-O que houve? Com o Jasper. – ele pergunta a Remi e Maria assim que se vê sozinho com os dois.
-...não sei. – Maria suspira, aproximando as pernas do tronco e se empoleirando na cadeira. – Ele tá assim já tem um tempo... e não quer conversar nem de coisa normal se for só eu, ele ou nós dois.
-Não sei o que aconteceu. Não sei se foi alguma coisa que a gente fez ou se foi outra coisa. – Remi fala, passando os dedos distraidamente pela harpa no braço. – E como ele foge das conversas, fica difícil de adivinhar ou tentar fazer alguma outra coisa.
Juan entende, ao menos parcialmente, no dia da discussão.
Jasper e Remi estão conversando na sala e Juan está no quarto, sem prestar atenção a eles. Só presta quando o volume das vozes aumenta. O ocultista se aproxima da porta, tentando entender o que está acontecendo. Pra ser sincero, ele mal consegue compreender sobre o que a discussão era originalmente, mas isso não importa muito agora.
O que realmente importa é o que vem depois que uma palavra particularmente afiada deixa a boca de Jasper.
O homem imediatamente se cala. Juan conseguia sentir o cheiro da raiva exalando já fazia um tempo, o que era normal considerando a discussão, mas o de Jasper começa a ser substituído por medo. Ele percebe, através da visão distorcida lhe concedida pelo Sangue, que o corpo do mais novo se encolhe, como ele próprio já viu acontecer muitas vezes na infância. Como se esperasse um golpe. Mas não é só o cheiro do medo que Juan fareja.
Há também expectativa.
Que porra tá acontecendo aqui?
Remi não faz nada. Elu diz algo raso só para encerrar o assunto e sai, provavelmente para espairecer um pouco. Jasper fica parado no lugar. E, então...
Frustração.
Que porra é essa?
Jasper sai, mas, diferentemente de Remi, que saiu pela porta da frente, o combatente vai até o pequeno quintal nos fundos da casa. Quase que como um instinto, Juan o segue.
-Ei!! – ele exclama, puxando Jasper pelo ombro, já do lado de fora. – Que merda foi essa?!
-Juan?! – ele se surpreende. Talvez tenha esquecido que o ocultista também estava na casa. – Do que cê tá falando?
-Ah, não se faz de sonso! – Juan revira o único olho dentro da órbita. – Aquela briga, né?! O que foi aquilo?!
-Não foi nada, é só que...
-Porque você ficou com medo?!
Os músculos de Jasper se tensionam sob a mão de Juan. Ele não o larga, mas sente o batimento acelerando sob a pele pálida do namorado, como se estivesse se preparando para fugir.
-Não fiquei. – a resposta vem de forma quase automática. Rápido demais pra ser verdade.
-Eu senti o cheiro. Você tava com medo, sim. Tava esperando que fosse se machucar. – ele o solta e cruza os braços. – Vai, desembucha logo. O que tá acontecendo com você, Remi e Maria?
-...nada.
-Nem vem com essa merda de “nada”! Vocês brigaram ou algo assim? Eles te fizeram alguma coisa?
-Não, eles não fizeram nada. É... – ele suspira. – ...sou eu.
-O que é que tem você?
Jasper parece se contorcer no lugar, desconfortável, sem conseguir falar.
Que merda. Juan odeia ser o mais responsável em qualquer coisa.
-Olha só... se você não quiser me falar, então não fala. – ele suspira. – Mas tá na cara que tem alguma coisa te incomodando, e que tem a ver com Remi e Maria. É melhor cê falar com os dois, o que quer que for isso aí que tá incomodando. Aí cês resolvem junto. Eles vão entender, o que quer que seja isso daí.
Juan só espera ter conseguido falar a coisa certa dessa vez.
–
-Posso conversar?
Maria se vira e encara Jasper, parado na porta do quarto.
-Claro. – elu responde, abrindo um pouco de espaço na cama. – Que foi?
Ele se aproxima de modo incerto, como se não soubesse como fazer isso, e senta-se ao seu lado. A descarga soa no banheiro, e ele sabe que Remi vai sair de lá logo.
-Aconteceu alguma coisa, lindo? – ela pergunta, se aproximando.
No entanto, Maria para quando Jasper se inclina para trás. Não é muito, e nem rápido, mas o suficiente para que ela pare.
Remi entra no quarto, o cabelo molhado do banho e usando uma camiseta qualquer que achou jogada por aí, cujo dono original eles sequer lembram. Ele parece estar pensando em outra coisa, até encarar os dois na cama, franzir a testa e perguntar:
-Que que foi?
O desconforto de Jasper é consideravelmente visível a esse ponto.
-O Jas falou que queria conversar.
-...com vocês dois. – ele fala, a voz baixa, quase tímida. Isso não é comum de Jasper.
Mas, nos últimos dias, ele não vem agindo do jeito mais normal do mundo.
-Oh? – murmura Maria, e se afasta mais para o lado para que Remi possa se sentar também. Ele pergunta, enquanto ê namorade coloca o peso sobre o colchão: – O que é, bem?
Jasper respira fundo, ainda encarando o lençol.
-Porque é que vocês não me machucaram até agora?
...hã?
-Você quer que a gente te machuque? – Remi indaga, e, ao olhar para elu, Maria percebe que eles estão igualmente confusos.
Especialmente com o jeito que Jasper disse aquilo.
-...não? Quer dizer, sim, mas... não... – ele bufa de frustração. – Porque é que você me perguntou isso? Não tem a ver com eu querer ou não...
-Espera, eu não acho que vocês tão falando das mesmas coisas. – Maria interrompe, tentando se nortear na conversa. – Porque isso não teria a ver com você querer?
-Porque é o que acontece. – Jasper diz em um sussurro, e, de repente, as palavras começam a sair uma atrás da outra, cada sílaba se tornando mais fraca até chegar a um som quebradiço. – É o que deveria acontecer, pelo menos. Faz sentido. Vocês sempre se machucam, mas nunca me incluem. Eu não quero me machucar, mas é o que devia acontecer... eu dou conta. Eu aguento. Eu quero que vocês me amem também...
...oh.
Maria sente um aperto nas entranhas e no coração ao mesmo tempo. Um certo desgosto a percorre, a consciência de que Jasper acha que deveria se machucar por causa deles, mesmo que não queira. Uma tristeza aguda escorre por seu peito, a compreensão de onde vem essa ideia terrível, do quanto ele deve ter se sentido insuficiente.
-Ei. – elu diz baixinho, mas parecendo um trovão comparado ao que saiu da boca de Jasper. – Você não precisa se machucar por nossa causa. A gente não precisa te machucar pra te amar.
Ele treme, parecendo estar segurando uma represa, ainda sem olhar, e murmura:
-Eu... não entendo.
-Desculpa. Por a gente ter feito você pensar isso. – Remi diz, e Maria sabe que aquela cabeça deve estar uma bagunça no momento. – A gente devia ter... conversado.
-Tem coisas que a gente gosta, mas um com o outro. A gente nunca vai fazer alguma coisa que você não queira, Jasperzinho...
O corpo dele treme mais.
-Eu ainda não entendo... – Jasper funga, ainda encolhido sobre si mesmo. - É... confudos
-Tudo bem. A gente explica e conversa e... resolve isso aqui. A gente te ama.
Jasper, então, chora, e chora, e chora.
Mas ele tem uma sensação. No fundo, lá no fundo, através das camadas de lágrimas despejadas.
Ele acha que eles vão ficar bem. Ou, pelo menos, assim ele espera.
Spoilers pesados do episódio 9 de Hexatombe, leia por sua conta e risco!
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Depois da batalha na igreja, Remi pensa naquilo que ganhou e perdeu em poucos dias.
Contém: Remi x Maria x Jasper; angst; morte canônica de personagem; Remi-centric; estudo de personagem; luto; fanfic sem falas; pronomes ele/elu para Remi; pronome ela/ele/elu para Maria; leve reflexão religiosa
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Dizem que uma dor pode anestesiar a outra. Remi sabe que isso é verdade. Afinal, a dor física não é percebida agora que elu quer urrar por dentro.
Elu já passou pela perda antes. Sabe como é a sensação. Já perdeu amigos. Nem dois dias atrás, perdeu Tuco.
Porém, dessa vez, dói de um jeito diferente. Mas não é pela natureza de seu relacionamento com os dois. É porque, além da falta, do vazio formando um buraco em seu peito, há algo a mais. Culpa.
Culpa por não ter escolhido salvar Maria. Por não ter feito qualquer coisa para conter Jasper antes que ele matasse Caio. Por não ter os ajudado quando precisavam.
Mas também era culpa por ter machucado Maria. Por tê-la quase matado e dito coisas tão cruéis, mesmo vendo o estado instável, tanto físico quanto mental, delu. Por não ter lhe valorizado tanto quanto deveria. Por não ter contado a Jasper aquilo que sentia. Por não ter deixado claro o quanto se importava com os dois.
No início, ele achou que o que sentia era apenas uma consequência da escolha de passarem a noite junto de Escarlata. Mas, mesmo após a morte da mulher pelas suas próprias mãos, os sentimentos por Maria persistiram, e, ao mesmo tempo, cresceram, direcionando-se agora a Jasper também. Para si, aquilo era... estranho, pois não se recordava de ter sentido algo similar antes. Era tão novo...
Mas tudo ali também era novo. Não apenas devido à perda de memória. O Hexatombe pareceu durar muito mais tempo, mas foi tão curto. Elu conhecia todos ali a tão pouco tempo.
Elu devia chorar? Devia sentir essa dor da perda e da culpa tão intensamente? Como poderia sentir isso em relação a algo que mal começou? Se pensar bem, mal os conhecia. Mal conhece Lena e Juan. São quase estranhos uns para os outros.
Como o tempo pode se arrastar assim? Fazer uma semana parecer meses, anos ao lado dessas pessoas? Mesmo a brutalidade do Hexatombe não conseguiu fazer isso parecer-se com o que realmente era. Se qualquer coisa, a intensidade daquele ritual maldito aumentou os sentimentos de Remi, talvez os de todos também.
Tempo tão pequeno. Pequeno demais. Pequeno demais para os sentimentos enormes em seu peito.
Foram dias infernais, lutando pela sobrevivência, contra pessoas e monstros que os queriam mortos. Ainda assim, como esse tempo lhe pareceu mais importante?
Mais importante que os últimos anos de sua vida na Ordem. Anos guiados puramente por rancor, egoísmo, vingança, ódio e arrogância. Em que todos os dias lhe pareciam iguais, uma busca sem fim e desesperada pela atenção e também pela ruína de Veríssimo. Colocando uma adolescente inocente como alvo de sua obsessão maldita. Sem momentos felizes. Sem outro propósito.
O inferno, ainda que proporcionasse imenso sofrimento, também foi a primeira vez em anos em que se sentiu vivo de verdade.
Que irônico. Justamente no seu tempo sem memórias, com um grupo igualmente amnésico. E que grupo ridículo eles eram não, é? E, ainda assim, percebe que os amou. Um cão de guarda medroso, um enfermeiro obcecado, um guerreiro piadista, uma mãe enlutada e impulsiva, um sacrifício que late e morde e um músico egocêntrico e cruel.
As palavras que disse a Maria na noite anterior continuam a martelar em sua cabeça. Lembrando-o de seu erro.
“Aprende a me ouvir. Se joga nas balas por mim. Eu sou melhor que você.”
Ele sempre soube. Seus amigos o avisaram. Veríssimo o avisou. Até seu grupo. E, mesmo assim, Remi nunca aprendeu. Nunca se esforçou para superar seu maior defeito.
Arrogância.
Sempre se achou melhor. Sempre se achou superior aos outros. Sempre se achou merecedor de mais.
Foi isso o que o fez desesperado pela atenção de Veríssimo, foi isso o que fez a inveja contra Arthur Cervero crescer como uma praga dentro de si, foi isso o que fez com que ferisse Maria e não se arrependesse até que fosse tarde demais.
Ele achou que teria tempo depois. Tempo de amar. Tempo de conversar. Tempo que ele mesmo traria, que ele mesmo tornaria realidade, pois não permitiria que Maria ou Jasper morressem.
“Não tem espaço pra erro.”
Elu sempre disse isso para si, porque se era o melhor, então não deveria errar. Mas hoje aprendeu, às custas das vidas de pessoas que amava, que sempre havia espaço para erros.
Remi errou.
Incontáveis vezes, com ambos. Falhou em tentar compreender o amor puro de Jasper e o caótico de Maria e falhou em salvá-los. Estavam mortos por seus erros.
Se Remi era melhor, então porque errou? Porque não fez o que era melhor para ambos?
Ele quase deseja ter estado certo, quase deseja ter realmente sido o melhor. Se fosse, sua flor e sua joia ainda estariam aqui.
Elu fez tudo errado, e agora paga o preço. Deveria ter ouvido Maria, se jogado na frente daquele monstro por ele, entendido que aqueles que o rodeavam eram muito melhores do que ele mesmo jamais poderia ser.
Aqueles que se acham inteligentes é que são tolos, não é isso o que dizem? Então, ele era o maior tolo de todos.
Os acontecimentos da igreja se repetem de novo e de novo em sua mente. Como viu Raziel destruir o rosto de Cindy, e ainda assim não agiu para salvar Maria, que estava ferida e tão próxima dele. Ao invés disso, priorizou alguém que não era importante para si e, no momento seguinte, viu o rosto que aprendeu a amar ser devorado por um demônio. E, então, Jasper se perdeu, perdeu para o controle da máscara, para Aguiar, para a dor que sentia por Maria, pois Jasper amava demais. Remi pôde perceber isso naquele momento, viu que o homem perdeu aquilo que era, e mesmo assim não tentou trazê-lo de volta, só observou enquanto o necessário tiro de Lena salvava sua própria vida sem se mover, viu o corpo do Mutilador Noturno cair com uma máscara despedaçada e lágrimas nos olhos.
É estranho. Eles começaram a se relacionar quando viviam em corpos que não lhes pertenciam. Mas ele nunca se apaixonou pelos corpos de Jae e Aguiar. Ele só os achou belos quando se apaixonou por Maria e Jasper. Quando Maria voltou sem necessidade para salvá-lo do Quibungo e quando Jasper o mostrou seu interior e traumas crus, ambos sem medo nenhum.
Agora que recuperou suas memórias, Remi sente alívio, de certa forma, pois não esquecerá dos rostos reais deles, ainda que nunca tenha dito a esses rostos o quanto os amou, mesmo na época em que não se lembrava deles.
Uma conversa com Jasper de repente lhe vem à mente. Parece ter sido a tanto tempo e, ainda assim, está gravada em seu cérebro.
“Você acredita em Deus?”
Remi nunca foi religioso, e não sabe como se sente em relação a isso agora. Um Deus justo deixaria isso acontecer? Deixaria Maria e Jasper morrerem enquanto Remi continua a viver? Ou permitiria isso para castigá-lo, fazê-lo carregar esses fantasmas pelo resto da vida por conta dos erros que cometeu? Mas os dois mereciam ser usados, terem suas vidas destruídas, apenas para servir como uma punição para Remi?
Jasper acreditava em Deus. Se agarrava a essa crença. Ele acreditava que, se o paranormal existia, então também deveria existir algo bom. Remi gostaria de conseguir acreditar nisso.
Se Jasper e Maria estiverem o vendo, certamente o odeiam. Ele os feriu, os negligenciou e os deixou morrer, e agora tem a chance de viver quando eles estão presos para sempre naquela igreja maldita. Remi não os julga por isso. Ele merece o ódio de ambos. E não deixa de amá-los.
Deus, se você existe, me conta se eles estão felizes.
Bom, onde quer que estejam, deve ser melhor do que esse lugar, não é?
Se Jasper e Maria o virem, ele espera que saibam o que ele quer dizer e nunca falou. Não só seus sentimentos ou suas desculpas, mas também outras coisas. Para eles e para outros que ama.
“Jasper, queria te fazer enxergar que é mais forte do que achava, que podia contar conosco quando tivesse medo, que não precisava se ferir pra mostrar que nos amava.”
“Maria, queria te fazer sentir especial do seu próprio jeito, te fazer perceber que é melhor que esse corpo, que é muito mais incrível do que você via e do que eu via.”
“Tuco, queria te contar o quanto você era nosso maior apoio, que não podia se jogar no perigo sem pensar em quem ia deixar, que seu coração valia mais do que qualquer coisa que esse ritual pode dar.”
“Lena, quero te mostrar o quanto você vale pra nós, que você é a pessoa mais gentil aqui, que vamos ficar ao seu lado mesmo quando seus fantasmas atacarem.”
“Juan, quero te mostrar que nos importamos contigo, que você não é algo a ser descartado, que é alguém especial pelo qual vamos lutar pra salvar.”
Ele não falou a quem perdeu o quanto os amava. Nem mesmo para seus antigos amigos.
Mas ele vai contar a Lena e Juan. Precisa contar. Afinal, eles são tudo o que lhe resta.
Maria e Jasper morreram por sua arrogância. Se ele não melhorar agora, nunca vai.
Ele vai levá-los para sempre consigo, as coisas boas e as ruins que lhe deram. A intenção de Jasper percorre seu corpo, e a de Maria também o fará. Pois isso é o mínimo que Remi deve fazer por eles, mesmo que nunca compense tudo o que tirou dos dois por conta de seus próprios erros.
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Desculpa... tô com medo do último episódio, segura minha mão. Esses não-binários tóxicos e o golden retriever deles alugaram um triplex na minha cabeça, esse trisal me matou. Mas eu chamo isso de poliamor win então vambora. Morra Giovanni Opspor