Sinto falta de mim. E de quando eu ainda ousava sonhar. De quando eu tinha uma mente fértil e gostava de imaginar como eu estaria daqui a dez anos. De quando eu tinha fé e esperança na vida. Quando eu acreditava em dias melhores sem precisar beber ou estar rodeada de pessoas vazias, em algum lugar cheio. Antigamente pra mim, estar feliz era almoço de família. Era ficar ansiosa ao saber que tinha uma festa de sessenta e tal de uma tia minha. Porque ia ter bolo, guaraná, doces, e alegria. Eu não tinha medo de não saber o que eu ia ser quando crescer porque eu estava ocupada demais vivendo o melhor presente possível. Eu não tinha problemas em dizer pra alguém, “Quero ser psicóloga. Ah, quero ser dentista! Médica! Advogada!”. Eu não tinha medo de estar em dúvida. Eu não ficava assombrada pela minha mente pelas escolhas que eu tinha que fazer. A minha cabeça não martelava com problemas, preocupações, sentimentos ruins de tentar e fracassar. à ideia de felicidade pra mim era coisa pouca sabe, era tipo passeio no shopping, só pra almoçar. Era faltar aula. Era sair da escola ás meio dia e dormir a tarde toda. Era tirar 10/9,5 na prova, ou até um 8. Chorar no colo da minha mãe já era felicidade, só por saber que ela estava ali, e sempre estaria. Lembro da vida ter sido mais leve em algum momento. Lembro de não precisar me sentir tão sobrecarregada e pesada. Me lembro de dias bons. E era tudo bem simples. Ser feliz era fácil. Era banho de borracha no domingo. Era conversas no portão até as 3h. Era infância. Era eu. E eram mais tantas outras coisas que se perderam no meio da vida. Mas ainda estão aqui, em alguma gaveta do coração. Preso nas lembranças boas da minha vida. E que não podem sumir, porque isso é tudo que me dá esperança de uma vida melhor.
layara alves













