Solitude
Pra ser sozinho é preciso ser forte. Até finalmente, entender, que ser sozinho não é tão ruim assim. Tem uma certa idade que a solidão mais se parece com solitude. Acredite, já fiquei com pessoas que me fizeram sentir solidão. E é bem pior. “- Por que eu estou me sentindo assim, se ela está aqui, ao meu lado, nessa cama.” Mas ela não completava, não enraizava, não concluía, não era. Já dizia a música do Caetano-sozinho. “Onde está você agora?” Essa parte da música só reflete o que nunca se teve. E esperar por algo de quem não tem nada pra oferecer é a pior coisa. Eu sei que estar sozinho pode parecer ensurdecedor pro seus ouvidos. É, sempre foi um grande enigma pra mim também. Mas hoje, depois de tudo, até aqui, conclui que estar sozinho é ser mais seletivo. Mais perspicaz. Mais vivido. Estar sozinho é aprender a descansar nas certezas que a gente já tem. É aprender a ser um bom ouvinte, com a sua própria intuição. Ser sozinho é ser ao mesmo tempo boa companhia pra si. A gente tenta ser casa de pensamentos bons. Vive pra ter atitudes boas e um coração em paz. Tentamos sempre preservar nosso lado bom. Porque é tudo que temos. Nós mesmos. E nunca foi ruim. Ruim mesmo é se aventurar de relacionamento em relacionamento e mesmo assim se sentir só. Quem não sabe ser só aceita qualquer coisa. Aceita chorar. Aceita apanhar e até viver uma vida infeliz. Ou, como dizia minha vó “meia boca.” Mas não é fácil, tem dias que me sinto agoniada por estar só, eu sinto saudades de ter alguém que divida uma vida comigo. Que me entenda, que me aqueça, que me tenha. Mas que acima de tudo seja uma boa escolha. E isso, eu só vou poder ter, aprendendo a estar só, é um bem disfarçado de mal, necessário.
Layara alves.












