É curioso como algumas pessoas atravessam a nossa vida pela porta da frente do acaso e, em poucos dias, ocupam espaços que outros não alcançaram em anos. A gente se apega sem perceber. Aos poucos, cria expectativa no tom das mensagens, encontra conforto em presenças ainda recentes e deposita confiança em promessas que nem chegaram a ser feitas. Talvez porque, no fundo, todo ser humano carregue a esperança silenciosa de encontrar alguém que fique. O que machuca não é exatamente o apego. É descobrir que, enquanto construíamos significado, o outro talvez estivesse apenas passando. É perceber que a sinceridade, tão simples e tão necessária, muitas vezes é substituída por meias verdades, silêncios convenientes e intenções nunca reveladas. Fico pensando como a vida seria mais leve se as pessoas dissessem, desde o início, o tamanho real de seus desejos. Se tivessem coragem de admitir quando querem ficar e, principalmente, quando não querem. Porque a verdade pode decepcionar por um instante, mas a ilusão tem o poder de ferir por muito mais tempo. No fim, não nos apegamos apenas às pessoas. Nos apegamos àquilo que acreditamos que elas poderiam ser. E talvez essa seja a parte mais difícil de deixar partir: não a pessoa que foi, mas a história que imaginamos viver ao lado dela.