Missão: Acumular conhecimento de pesquisas de tratamento, por meio de exposições. Reforçar a reflexão dos conteúdos profundos da psicose.
Organização: Acervo estimado em 350 mil obras, os autores das obras sofreram ou sofrem de distúrbios psicológicos. Exposição: Retrospectiva, Cinco Artistas de Engenho de Dentro. Pelo site: Visita Digital (aba).
Vinculação: Ministério da Saúde, Centro Cultural Ministério da Saúde, Prefeitura do Rio de Janeiro./ Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente: Humberto Franceschi. / Curadoria: Luiz Carlos Mello/ Administração: Gustavo Galvão.
Acervo: Cursos, Filmes, Pinturas.
Público: Todas as pessoas que estiverem interessadas, mas principalmente aquelas que sofrem ou convivem com pessoas que possuem algum distúrbio psicológico.
Museu Casa de Portinari (SP)
Tipo: Virtualizado.
Missão: Preservar e divulgar a Casa onde viveu Candido Portinari, o legado nela contido, tornando-a uma referência sobre a vida e obra do pintor, e um polo de fomento à expressão e fruição artística.
Organização: Salas: Seu Jorge, Desenhos, Afrescos. Ateliê, Quarto do Artista.
Vinculação: ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari), Organização Social de Cultura em convênio com o Governo do Estado e em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura. Gerente: Cristiane Maria Patrice.
Acervo: trabalhos realizados pelo artista em pintura mural, coleção de desenhos, linguagem expressiva e significativa na produção de Candido Portinari, objetos de uso pessoal, mobiliário e utensílios da família.
Público: Público de todas as idades.
Museu Van Gogh (HOLANDA)
Tipo: Virtualizado.
Missão: Levar o conhecimento das obras a pessoas que não podem visitar no local físico, e também desenvolver interesse de visita ao mesmo.
Acervo: 200 pinturas, 500 desenhos e 750 documentos escritos.
Público: Todas as pessoas com interesse em arte. Principalmente pelas de Van Gogh.
Museu Mazzaropi (SP)
Tipo: Virtualizado.
Missão: Este site apresenta um panorama da história e obra de Amácio Mazzaropi e fatos recentes relacionados a esse inesquecível personagem da cultura popular brasileira. desenvolvida com o objetivo principal de preservar e divulgar a vida e obra do artista e cineasta.
Organização: Exposição de longa duração, O cenário vira cena, Biblioteca.
Vinculação: Mantido pelo Instituto Mazzaropi.
Acervo: acervo há mais de 20.000 itens entre fotos, filmes, documentos, objetos cênicos, móveis e equipamentos que “contam” boa parte da carreira do artista.
Público: Todas as pessoas com interesse na história do cineasta Mazzaropi.
Museu do Vaticano (ITÁLIA)
Tipo: Virtualizado.
Missão: Ideia de museu para todos, e a junção da arte com a religião.
Organização: Área de Arqueologia, Obras de Arte, Restauração.
Vinculação: Diretor; Barbara Jatta.
Acervo: Coleções de arte, Artefatos de Arqueologia, Antropologia.
Público: Todos os públicos, pois esse é um dos principais objetivos da instituição.
A potencialidade dos discursos: um ensaio sobre Museu Virtual
O que é museu virtual?
Normalmente, o termo “virtual” traz consigo a ideia de algo vinculado à eletrônica e à internet. Assim, somos levados a pensar que “os museus virtuais se apresentam, por exemplo, tanto como páginas eletrônicas de museus existentes em ‘meio físico’, quanto como museus criados exclusivamente na internet.”¹ (MAGALDI, 2010, p. 5)
Para entender o que é “museu virtual” vamos analisar cada um dos termos que compõem essa expressão. Primeiramente gostaríamos de introduzir o conceito de museu pelo ICOM (2001):
"Instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para educação e deleite da sociedade.
Além das instituições designadas como “Museus”, se considerarão incluídas nesta definição: [...]
> Qualquer outra instituição que reúna algumas ou todas as características do museu, ou que ofereça aos museus e aos profissionais de museus os meios para realizar pesquisas nos campos da Museologia, da Educação ou da Formação.” (fonte: IBRAM)
Até então, a concepção de museu virtual como apresentado anteriormente permanece possível, pois um museu na internet ainda possuiria as mesmas funções e obrigações que um museu físico teria. Dando prosseguimento a nossa análise, gostaríamos de apresentar algumas conceituações de virtual:
VIRTUAL adj. Potencial; possível; suscetível de se realizar. (BUENO, p. 801, 2007)
VIRTUAL adj. Que não existe no momento, mas pode vir a existir; potencial. (AULETE, Caldas. iDicionário Aulete. Versão eletrônica)
Após a leitura dessas definições, ficou claro para nós que a ideia normalmente aceita como museu virtual, na verdade, não abrange o significado do termo presente no dicionário. O que geralmente ocorre é uma confusão sobre o que é virtual. Acredita-se que ele esteja na instância da imaterialidade, porém virtual, embora muitas vezes não esteja presente, é diferente de imaterial.
Os museus caracterizados acima, que se apresentam em páginas eletrônicas podem ser definidos como museus digitais, se tivermos como digital aquilo:
DIGITAL adj. Que é processado na forma de dígitos (algarismos) por microcomputador (biblioteca digital); Inf. Que tem o intervalo entre dois valores dividido num número finito de divisões. [Cf. nesta acp.: analógico.] (AULETE, Caldas. iDicionário Aulete. Versão eletrônica)
Essa diferenciação entre virtual e digital pode ser percebida mais claramente dentro do texto de Pierre Levy “O que é virtual?” O autor conceitua o digital como sendo um sistema fechado, limitado e não complexo, o digital é para ele não problematizável, enquanto que o virtual “é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que chama um processo de resolução: a atualização” (LEVY, 2011, p. 5).
É possível a existência de um museu realmente virtual?
A partir dessa conceituação sobre virtualidade e de outras definições apresentadas por Levy durante seu texto, gostaríamos de repensar a ideia comum sobre museu virtual, apresentando um novo significado a essa expressão. Logo começamos a nos indagar: o que faz de uma instituição museal virtual?
O ICOM, órgão internacional mais importante para a área de museus destaca como função das instituições museais a aquisição, conservação, investigação e exposição dos testemunhos materiais do homem, é a partir dessas atribuições que os museus desenvolvem suas atividades e é por perceber a importância desses testemunhos materiais que gostaríamos de refletir sobre eles sob a ótica de Levy e da virtualidade.
Os objetos presentes nos museus, em sua maioria, não são confeccionados para serem utilizados dentro da instituição. Essas ferramentas foram surgindo a partir de uma função física ou mental do próprio ser humano, que foi “separada” da experiência interior e materializada sob outra forma, um novo objeto (LEVY, 2011, p. 47). O objeto técnico virtualiza a ação, num contraponto que Levy faz com Marshall McLuhan, ele não é uma extensão do corpo, mas um acesso real a um conjunto indefinido de usos possíveis (conceito de virtualidade) (LEVY, 2011, p. 49).
É essa virtualidade do objeto que faz com que ele seja interessante para o museu, mais além de sua função técnica, um objeto carrega também consigo a memória longa da humanidade. “As casas, os carros, as televisões e os computadores resumem linhas seculares de pesquisa, de invenções e de descobertas” (LEVY, 2011, p. 65).
Embora cada peça seja uma materialização da inteligência coletiva, cada indivíduo que entra em contato com ela lhe percebe de uma maneira particular. Levy defende que embora todos façamos parte desta mesma inteligência, cada indivíduo possui um cérebro particular que percebe o mundo de acordo com seus relacionamentos. Peguemos por exemplo o caso dos ex-votos, um professor de artes terá uma interpretação diferente desses objetos em relação a um padre. Para explicar esse fenômeno Levy faz uma comparação do que ele chama de “máquinas darwinianas” ao que estudamos de Niklas Luhmann, cada indivíduo seleciona as informações e acopla o que mais lhe interessa e que lhe é possível acoplar devido aos seus relacionamentos, encarnando de sua própria maneira essa “história coletiva”.
Considerações finais
Diante desses conceitos, para nós, é a potencialidade dos objetos que faz um museu virtual. “O objeto marca ou traça as relações mantidas pelos indivíduos uns frente aos outros”(LEVY, 2011, p. 90) e o museu deve ser capaz de atualizar essas relações. O próprio Levy concorda que:
“poder-se-ia contar a história da humanidade, a começar por seu nascimento, como uma sucessão de aparecimentos de objeto, cada um deles indissociável de uma forma particular de uma dinâmica social. Então se veria que todo novo tipo de objeto induz um novo tipo particular de inteligência coletiva e que toda mudança social consequentemente implica uma invenção de objeto. Na duração antropológica, os coletivos e seus objetos são criados pelo mesmo movimento” (LEVY, 2011, p. 91).
Quando em seu discurso, em seu processo comunicacional um museu trabalha variando a abordagem de seu acervo, quando constantemente questiona o potencial de seu objeto, ele se virtualiza. Para nós não é a categoria do museu que interessa, mas sua relação com a criatividade, com a mudança e com o movimento (MAGALDI, SCHEINER, 2010, p. 21).
Os museus são casas que guardam e apresentam sonhos, sentimentos, pensamentos e intuições que ganham corpo através de imagens, cores, sons e formas. Os museus são pontes, portas e janelas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes. Os museus são conceitos e práticas em metamorfose.
A metamorfose, a saída de uma atualização (acontecimento aqui e agora) para um campo problemático de questionamentos e mudanças, faz de um museu uma instituição virtual.