Judite, a minha primeira planta.
Judite foi um presente da minha mãe, que sempre presente, estava comigo na minha vigésima mudança de cidade. Estávamos comprando outras coisas pra casa e ela viu a Judite, que antes, tinha apenas 30 cm de altura.
Na primeira casa ela ocupava um lugar de destaque, a casa era pequena, eu sempre esbarrava em Judite e lembrava de cuidar dela. Até porque eu tinha apenas duas plantas.
Depois de anos e outras tantas mudanças, sobreviver a subidas de escadas, novos lugares, temperaturas, ela acabou em um lugar que eu quase nunca venho, nem tenho visto Judite. Hoje me sentei em uma cadeira, e fiquei de frente pra ela, lembrei que fazia tempo que não a via, lembrei que faz tempo que não frequento lugares diferentes em minha própria casa, lembrei que nunca mais dei água a ela desde que coloquei ela aqui, há alguns meses, e me deparo não só com a Judite, mas com a filha dela, uma muda nova que já está quase adolescente.
Fiquei olhando pra ela e pensando: como uma planta pode prosperar tanto? Se ela está no sol, ela sobrevive. Se está na sombra, sobrevive. Se está com muita ou pouca água, simplesmente Judite está sempre crescendo, sempre viva.
Tem plantas que já comprei e dei tanta atenção e não duraram nem um verão e Judite já vai bater o nono ano de vida, mesmo eu tendo esquecido dela nesse último ano.
Fiquei admirando ela alguns minutos e lembrei o pq tinha sentado ali, pra tentar encontrar a solução pra um problema e vi que a resposta dos meus questionamentos estaca exatamente na minha frente, em Judite.
Judite não precisa mais de mim há anos, sou eu quem ainda preciso dela.











