O mundo me chama de doido.
Eles dizem isso com um certo desdém, como se eu fosse uma peça solta de um sistema que exige obediência. Talvez eu seja mesmo. Mas não por falha — por opção. Por ter uma personalidade forte demais para caber no molde que eles criaram.
A verdade é que a maioria das pessoas vive submissa ao governo, às regras, às vozes de cima. Elas se acostumaram a dizer “sim, senhor” para qualquer estrutura que pareça maior do que elas. E por viverem assim, sufocadas, domadas, enjauladas… acabam querendo dominar os que não se ajoelham.
É como se minha ousadia em dizer “não” fosse uma ofensa pessoal pra elas. Como se minha liberdade fosse um espelho mostrando a prisão onde elas mesmas se trancaram.
E por isso me chamam de doido.
Mas eu aprendi: quando você não abaixa a cabeça, quando você encara, enfrenta, discorda, expõe o que pensa com firmeza, sem medo de ser mal interpretado… você vira ameaça.
E as ameaças precisam ser rotuladas, isoladas, silenciadas.
Só que eu não vou calar. Porque minha mente não foi feita para obedecer. Foi feita para criar.
Para questionar, para romper, para desconstruir.
E se ser assim é ser “doido”…
então eu aceito esse nome como um título de honra.
Porque nesse mundo, quem não é chamado de doido talvez nunca tenha sido verdadeiramente livre.
Trecho retirado do livro “Manual do Anormal – O Poder da Mente Opositora”
por Vitor Silva Frota
















