Eu pude ouvir os gritos silenciosos caindo no seu rosto

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Eu pude ouvir os gritos silenciosos caindo no seu rosto
sinto falta de você, e talvez essa seja a parte mais cruel de todas: você ainda dorme ao meu lado. seu braço ainda encontra o meu durante a noite, dividimos o mesmo travesseiro, o mesmo cobertor, a mesma rotina. mas, aos poucos, parece que deixamos de dividir o peso da vida.
os dias têm nos engolido. as preocupações chegam antes do bom dia, o cansaço fala mais alto que o carinho, e o silêncio tem ocupado o lugar das conversas que costumavam nos salvar. é estranho sentir saudade de alguém que posso tocar. olho para você tão perto e, ainda assim, sinto a distância de quem ficou do outro lado de uma ponte que nenhum dos dois percebeu estar desmoronando.
sempre disseram que o amor bastava, mas ninguém contou que o estresse, as contas, o medo, as decepções e o cansaço também aprendem a dividir a cama. e, às vezes, eles ocupam tanto espaço que o amor precisa dormir encolhido. ainda acredito em nós, só tenho medo de que um dia a saudade deixe de ser de quem está ao meu lado e passe a ser de quem um dia esteve. porque perder você aos poucos, enquanto ainda posso sentir sua respiração ao meu lado, tem sido uma dor que nem a ausência conseguiria explicar.
a letra inexistente
Boa noite, mais uma vez venho aqui falar com vocês, outro dia após mais uma daquelas famosas decepções, senti mais uma vez aquela vontade de acelerar.
Acelerar, acelerar e acelerar. Até não sentir mais nada, até não sentir mais o acelerador, até que os freios não sejam capazes de frear, rápido ao ponto de os pneus queimarem, até não haver mais combustível. Quero que meu tanque se esvazie em míseros segundos, significando assim que cheguei a velocidade máxima e assim me esvaziei.
Novamente, a vontade de viver se foi, assim como o desejo pelos prazeres carnais, me esvaziei de todos os sonhos que um dia tive. Senti a vida tentando se esvair de mim, mas ainda atrelada por um fio. Me esvaziei e me senti vazio.
Sem vontade de viver, de comer, de andar, de levantar. Não sentia mais o prazer de viver, de estar aqui, de andar com vocês.
Eu não sentia mais o prazer da minha existência.
…
Eu sentia a cada momento a vontade de gritar, de chorar como uma criança, espernear, fazer aquela birra, porque nasceu, porque veio de um ventre indesejado, porque veio de pais irresponsáveis, que eram crianças, que não sabiam como criar um filho, como criar uma criança e o encheu de pré conceitos. Preconceitos feitos daqueles que não sabiam amar, que não sabiam que um dia haviam sido amados. Pois seus pais também não sabiam amar.
E assim, cresci. Um ser humano despedaçado, de coração quebrado. Jogado às traças como aquele livro largado há anos que nem folhas têm mais, foram todas consumidas, ora pelas traças, ora pelo fogo. Aquele mesmo fogo que consumiu milhares de livros na alemanha nazista.
Lembro de uma vez ter lido a história de uma judia que roubava livros dessas pilhas de livros sendo queimados e que seu pai pintou de branco e reescreveu histórias por cima do MEIN KAMPF, minha luta, apenas ensina a ideologia e como ser um bom nazista.
Um fato curioso é que não foram apenas os judeus que foram confinados em campos de concentração e queimados vivos. Mais uma vez nós fomos apagados da história, para os que não sabem, gays, negros e ciganos, todos aqueles que eram considerados a escória da sociedade eram sequestrados e confinados.
Por muito tempo fomos chamados de GLS, gays, lésbicas e simpatizantes. Atualmente somos LGBTs, mas destas quatro letras, ao ouvir o termo antigo já sabemos a principal. O L é pequeno, o G é gigante, o B é invisível, já o T, nem é lembrado. E para muitos que não sabem, a maior parte da luta pelos direitos de nós, LGBTQIA+ foi é ainda é pelas pretas e travestis, as pretas e mulheres trans, que hoje quase não têm nome nessa sigla, mas que estão começando a ganhar reconhecimento. Temos até uma deputada, a Erika Hilton, conhece?
Eu não tenho lugar de fala, não tão grande quanto elas, pois eu sou um HOMEM, TRANS e BRANCO, a minha pele é branca, eu não preciso falar mais nada, mas na casa de meus pais, eu não posso pisar.
Obrigado a todos pelo tempo e compreensão, este é um texto de autoria própria, por MHR.
E se você já chorou muito...
Esta na hora de sorrir
O tempo passa
Rápido como o vento
E ao apagar o tormento
Só restando fragmentos
Que se tornam memórias
Ecos de um tal passado
Vivência não mais viva
Pois agora se esgotou
O tempo passou.
-Kayedu
e dedico a você minhas saudades mais bonitas.
- extraliteral
Pensei em começar com , talvez um oi, mas pra falar a verdade eu queria começar com um :” sei lá “Queria tá dizendo vamos falar de poesia, porque no fundo eu sempre gostei de tudo que é bem clichê de uma forma diferente,mas clichê, mas a realidade é também uma poesia , talvez uma obra abstrata, as vezes difícil de entender sua arte.”
Voltei a escrever por causa dessa arte que é ser completamente apaixonada por ela, uma arte em tons azuis , feito mar , feito o céu , feito do azulado de uma borboleta ou um azul giz , que consequentemente me trouxe a arte de amar tudo que é tão gigante , misterioso , as vezes turbulentos , as vezes calmo , as vezes tão intenso .
Ela é uma obra musical , onde tudo é tão viciante como um livro em tons azuis .
Ela é minha arte em tons azuis, que intensifica minha vida “
—————- A.
Acho que a gente merecia outro fim, não essa tragédia que houve entre nós. Eu não queria que você fosse perfeita, porque sei que perfeição não existe, eu queria sua lealdade mas nem isso você conseguiu me dar. Você marcou minha vida, marcas que doem, e que sinto vergonha de mostrar.
Poetarisando