01. tornando o seu personagem mais realista e interessante.
olá, ma cherries! depois de ler essa ask que o @thesicishow recebeu, tomei a liberdade de montar um pequeno texto de apoio pra, talvez, ajudar quem se sente inseguro sobre o quanto o seu personagem é realista e interessante dentro de uma comunidade. nesse handbook de 9 tópicos serão trabalhadas breves dicas que podem elevar o desenvolvimento e o interesse nos seus chars, assim como a sua segurança na criação deles e no rumo que eles tomarão dentro de uma trama.
tópicos i. background ii. conflitos internos e externos iii. reflexões internas iv. contradições e vulnerabilidades v. arrependimentos e consequências vi. limitações vii. mudanças e evolução viii. extra: dicas rápidas ix. resumão: do & don’t
i. background: crie uma backstory bem desenvolvida em que seus fatos influenciem diretamente no estado atual do seu personagem. realize pesquisas que o situem com fluidez dentro da trama da central em que ele faz parte, crie uma base sólida de como a vida anterior os influenciou (emocional, social e fisicamente) até o atual momento. dentro de um background, o seu char deve deixar claro suas motivações e desejos, o que os impulsiona na vida, assim como acontecimentos importantes e erros que não os permitem serem dados como perfeitos. é importante que na criação do background você tenha plena ciência dos possíveis enredos em que o seu personagem conseguirá ou não se adaptar dentro das tramas centrais e assim, gerar o conforto ou desconforto dele em tais momentos.
ii. conflitos internos e externos: inclua dificuldades emocionais, psicológicas, dilemas e inseguranças, assim como pontos fortes em determinados assuntos para tornar o seu personagem mais complexo e profundo. esses conflitos podem ser demonstrados não somente durante os turnos com outros jogadores, mas por meio de pov’s que serão úteis para que os outros players conheçam um pouco mais a consciência e os aspectos psicológicos, emocionais, sentimentais e mentais do seu char. é como um raio-x dos sentimentos dele. conflitos externos seguem a mesma linha e tornam seus personagens mais intrigantes devido aos possíveis comportamentos que ele terá em determinadas situações provocadas por gatilhos e/em interações.
iii. reflexões internas: lembranças do passado? momentos atuais que não saem da cabeça do seu personagem? dilemas? dúvidas sobre a situação em que ele se encontra? peso de consciência? preocupações sobre a refeição de hoje? junte tudo isso num pov e deixe fluir a forma como ele se sente em relação a inúmeras coisas, estas sendo práticas ou profundas. isso irá humanizar o seu char e ajudar no desenvolvimento da personalidade dele quando sozinho, sem precisar se adaptar ou habituar a fatores externos. também mostrará aos demais players uma parte íntima do char, como, por exemplo: o seu personagem poderá demonstrar emoções positivas, negativas, apatia ou até motivos ocultos atrás dos seus objetivos ou da sua forma de agir.
iv. contradições e vulnerabilidades: o seu personagem, por exemplo, pode ser corajoso numa situação e covarde em outra ou falar coisas das quais ele nem acredita. as contradições são uma outra forma de impedir que o seu char pareça tão perfeito, com moral absoluta. elas também podem ser usadas como alívio cômico, o famoso “faça o que eu digo não faça o que eu faço”. quanto à vulnerabilidade, não tenha medo em destacar as fraquezas, os erros, medos e conflitos do seu personagem. faça-o sofrer pela perda de algo ou alguém, mesmo que seja algo momentâneo. não tenha receio de cutucar as feridas do seu char. o exponha de tal forma que outros players sentirão um interessa quase pessoal de interagir com ele. mas tenha cuidado: isso não significa ser uma drama queen. pese os prós e contras de cada exposição e perceba as que mais podem trazer motivos para interações diferentes.
v. arrependimentos e consequências: trabalhe os arrependimentos do passado, do background dele, ou até mesmo os atuais, de alguma decisão que ele tomou erroneamente e que o levou a uma consequência dolorida, passageira ou não. ele é alguém que ignora as consequências ou tenta consertar a situação? ele também pode se arrepender de coisas mundanas do dia a dia, como, por exemplo: deveria ter levado um guarda chuva antes de sair e como não o fez acabou sob a chuva e agora está gripado. nem sempre momentos complexos são bem vindos. teste a vibe atual da central, dos players, e desenvolva em cima disso.
vi. limitações: faça o seu personagem desenvolver limitações em determinados assuntos. talvez ele não seja tão bom se expressando verbalmente, tenha a saúde um pouco deteriorada, não consiga se envolver emocional, física ou sexualmente com alguém, fica irritadiço por x motivo, tenha dificuldades em certas áreas do conhecimento. talvez do idioma utilizado caso ele seja um forasteiro num país diferente. pense nas suas próprias limitações, nas das pessoas que você conhece, nas dos livros que você lê, séries/filmes que assiste… brinque com isso. torne complexo ou cômico. faça disso uma característica própria e reconhecível do seu char.
vii. mudanças e evolução: todo o ser humano muda, a contragosto ou não, Influenciado por algum acontecimento, por alguém ou pela vivência, e com os personagens não é algo diferente. eles podem ser influenciados pelo comportamento de alguém, para o bem ou para o mal, por um acontecimento na vida dele ou pela forma com que ele e os outros se movem pela trama da central. tudo isso deve causar uma evolução no seu caráter, moral e na forma de agir. pessoas não vivem de forma estática, sem avançar ou retroceder passos. os personagens devem amadurecer, regredir ou mudar com base em experiências, sejam elas vivenciadas de forma pessoal (pov) ou compartilhadas em interações com outros chars.
viii. extra: dicas rápidas.
você não precisa definir toda a linha de personalidade do seu personagem logo de início. dê vida a ele e permita que todo o amadurecimento aconteça conforme ele for desenvolvido.
na hora de turnar inclua detalhes sensoriais (visão, som, tato, paladar e olfato), assim como a linguagem corporal dos
sentimentos (show, don’t tell). permita que seu personagem experimente o mundo através destas opções.
mostre como o seu personagem se comporta com determinados chars, tente sempre fazê-lo deixar claro através de ações o nível de conforto, intimidade e sentimentos que ele tem quando está interagindo com outros chars.
faça-o desejar ou repudiar pequenas coisas do cotidiano (querer café, odiar uma certa música, desejar sua comfort food, um objeto perdido que tem um grande valor sentimental, etc).
dê ao seu personagem pessoas com quem se importar ou com quem ele passará a se importar, assim como inimizades e pessoas que causam um desconforto ou conforto inexplicáveis nele.
o seu char precisa ter traços únicos! crie uma vibe totalmente voltada a ele. trejeitos, forma de falar, características sutis (ou nem tanto) que o tornem menos comum no meio em que ele está inserido.
ix. resumão: do & don’t
o que fazer (do) ✅
profundidade: crie personagens complexos com pontos fortes, fraquezas e traços únicos.
evolução: mostre o amadurecimento dele ao longo dos acontecimentos, eventos, das interações e dinâmicas.
diálogo: use o diálogo de forma eficaz, induzindo a conversação para pontos do background (passado) dele, de suas características, seus segredos e sentimentos, talentos, da forma com que ele pensa e age.
conflitos: não esqueça de introduzir conflitos internos e externos! são eles que tornam seu personagem mais intrigante, interessante, misterioso ou até mesmo um livro aberto e divertido, conforme você desejar. afinal, nem todo conflito necessita ser dramático!
o que não fazer (don’t) 🚫
estereótipos: eles são previsíveis, desinteressantes e muitas vezes ofensivos. mas lembre-se de que clichê e estereótipo são coisas diferentes. as vezes um clichezinho básico se encaixa muito bem.
perfeição: o char perfeito, sem alguma falha aparente é simplesmente chato. crie seus personagens com imperfeições visíveis, mesmo que sutilmente perceptíveis.
inconsistências: siga o background dele e o caminho que ele próprio faz na trama, não tente alterar pontos ou situações que já foram previamente realizadas. não fuja da lore e do worldbuilding do roleplay, nem crie uma bolha de interações limitadas porque como ser humano a quantidade de contato entre pessoas no dia a dia geralmente é grande apesar de variável e assim também deverá ser dentro de uma central.
ignorar outros personagens: não desenvolver o seu personagem segundo a perspectiva dos outros chars é uma grande perda para o amadurecimento dele. são os personagens dos outros players que ajudam a progredir a profundidade do seu.
então, divas, divos e dives, chegamos ao final do primeiro capítulo do eileen’s roleplay handbook. qual é o próximo capítulo que vocês gostariam de ver por aqui? criação de background? de personagem? enfim, qualquer ideia é bem vinda! espero que o conteúdo seja útil e aguardo o feedback de vocês! xoxo~














